PRÓLOGO.
Isabella Black estava sentada no banco da frente da pequena igreja, tentando ignorar as palavras ditas pelo pastor. O olhar da moça fixava-se em um caixão. O de seu marido. Ela ainda não conseguia acreditar! Como Jacob poderia ter falado com ela por telefone em um dia e estar morto três dias depois? O casamento deles nem havia começado. Não tinha nem três meses.
Lágrimas ameaçaram cair. Ela respirou fundo. Mais alguns instantes e já estaria em seu santo apartamento. Lá, poderia desabar tranquilamente.
A mãe e o novo padrasto, Phil, têm sido muito compreensivos nesses dias. Bella sabia que podia contar para eles para o que fosse preciso. Mas isso não mudaria o fato de que teria de seguir em frente sozinha. Ou quase...
Ela abraçou o segredo que tinha em si, que apenas a mãe e Phil compartilhavam. Não tivera nem mesmo a chance de contar a Jacob. Agora, ele jamais saberia que se tornaria pai em novembro.
Bella olhou para a mãe. Ela também estava grávida. Que estranho ter um filho ao mesmo tempo que a mãe! Ângela, sua amiga de colégio, estava grávida, mas isso era normal. Não que sua mãe fosse velha, porém Bella ainda achava curioso o fato da mãe e ela terem bebês praticamente juntas.
O pastor terminou o discurso e a última música foi cantada. À esquerda dele, a mãe de Jacob chorava. Bella sabia que Virgínia Black sentiria a dor de perder um filho pelo resto da vida. Ela era apaixonada por ele. Talvez até demais.
Bella se lembra bem de como era desconfortável o fato de Virgínia interferir em seu breve casamento. A mulher passava no apartamento quase todos os dias. Bella chegava a pensar que Jacob ficava na Base Militar para evitar a mãe.
Ele estava muito envolvido no trabalho. Mas ela ficava ressentida pelo tempo que Jacob se dedicava ao serviço ou quando ele dormia na base. Virgínia achava que o filho tinha de ficar com ela.
O caminho até o cemitério passou tão rápido que pareceu quase imperceptível. Assim como o enterro propriamente dito. Quando as cornetas soaram, Bella deixou que as lágrimas caíssem. Ela nunca mais veria Jacob. Nunca mais ririam juntos, ou planejariam um futuro em comum. Ela o amara desde os 15 anos. Quase cinco anos.
O guarda de honra militar dobrou a bandeira, que estava cobrindo o caixão, e entregou-a ao tenente. Ele caminhou até Bella e lhe ofereceu a bandeira.
-Em nome de uma nação agradecida – disse ele, solenemente.
Ela a pegou, abraçando-a contra o peito, olhando por entre as lágrimas o caixão lustroso. Completaria 20 anos no próximo mês e já era viúva. Como seguiria em frente sem o homem com quem passaria o resto da sua vida?
- Isso é meu! – gritou Virgínia, puxando a bandeira. – Ele foi meu filho por muito mais tempo do que foi seu marido!
Billy, seu marido, tentou acalmá-la, mas os gritos tornaram-se ainda mais altos. Todos olhavam surpresos.
- Devo dar isso a ele? – perguntou Bella à mãe.
- Isso é seu. Guarde para o filho dele, para o meu neto. – respondeu Renée.
