Parte II

"Por sinal, Sirius te odeia," James anunciou alegremente em uma certa manhã como forma de cumprimentá-la no Salão Comunal enquanto se sentava a seu lado na mesa da Lufa-Lufa.

À sua frente, Edgar Bones ergueu a sobrancelha grossa e escura para seu novo colega de mesa, mas não disse nada enquanto levava cereal à boca.

Kagome se contraiu e baixou seu suco. "Potter, está perdido?" Ela se virou, tentando colocar algum espaço entre ela e o Grifinória. "E por que Black passou a não gostar de mim?"

Do seu outro lado, uma morena de cabelos ondulados, Gracie Myers, deu uma risada à menção do adolescente enquanto bebia seu iogurte.

James se contorceu mas continuou. "Bem," falou pausadamente, colocando um cotovelo sobre a mesa e o queixo na palma da mão para olhá-la. "Desde que você mencionou não amolecer, percebi que tinha uma certa razão. Depois de ganhar tantas vezes," e aqui os olhos de Kagome quase rolaram para fora de seu crânio e Edgar engasgou alto o suficiente para assustar seu vizinho que estava ocupado, escrevendo furiosamente algo que certamente era uma dissertação a ser entregue naquele mesmo dia, "é bem possível que o time fique complacente, e não seria justo para vocês, mesmo que vocês vençam a partida Grifinória versus Lufa-Lufa, se não estivermos na nossa melhor forma."

Muito ocupado bostejando, James não percebeu a forma com que a sobrancelha de Kagome tremia - um indicador certeiro de que seu infame temperamento estava a ponto de vir à tona. Seus companheiros de casa se afastaram quando o ar começou a ficar subitamente mais frio.

Era um evento raro, mas não tão raro a ponto de não perceberem os sinais de aviso. Assim como seria esperado de um texugo, Kagome normalmente era muito amigável e polida com todos, sempre pronta para estender uma mão.

Mas certas coisas, a maioria sabia, senão todos, eram exceções à regra. Por exemplo, o amor que Kagome tinha por chocolate, particularmente a variedade apimentada dos chocolates da Dedos de Mel, que poderia quase rivalizar com Lupin.

Você não mexe com o chocolate do Lupin. E no quarto ano de Kagome, um quintanista desavisado da Lufa-Lufa aprendeu que o mesmo se aplica a Kagome.

O monitor por pouco não caiu em lágrimas e teve que passar o dia na enfermaria. Foi um incidente que ninguém, da Lufa-Lufa em particular, queria falar sobre.

Outro exemplo era que Kagome não suportava bullying. De qualquer forma ou jeito. Algo que os próprios Marotos descobriram quando ela passou por eles enquanto atormentavam Snape, anos atrás, e depois Snape, que apenas alguns segundos mais tarde começou a provocá-los e ameaçou mandar um feitiço em sua direção. Ela os deixou desarmados e vestindo roupas três tamanhos menores.

Por esta razão, ela foi poupada da vingança, porque eles não foram os únicos a sofrer em uma caminhada desconfortável e bamboleante de volta ao dormitório, e a cara que Snape fez, de acordo com eles, não tinha preço.

Por fim, Kagome Higurashi tinha uma imensa paixão por quadribol - voar em sua Nimbus 1500 parecia seu estado natural, e a forma que ela segurava o bastão fez com que mesmo o mais durão das cobras tremesse ao vê-la.

E desde que virou capitã, bem, ela não tinha pena em colocar o time em forma e agora estava mais claro o motivo.

Depois de perceber que seus dedos estavam inquietos, Gracie silenciosamente e sorrateiramente tirou a faca e o garfo de perto de Kagome, e, apenas por precaução, a colher também.

Porém foi tudo por nada já que Kagome apenas respirou profundamente, inalou e exalou, antes de virar para James com uma caricatura de um sorriso contagiante.

Sentindo que algo estava errado, James mudou de instância, sua expressão diligente lhe falhou.

"Potter," disse Kagome, docemente, e à sua frente Edgar prontamente abandonou seu cereal e rapidamente começou a pegar suas coisas. Todavia, então, ela suspirou e sacudiu a cabeça, pegou sua mochila e se levantou. Usou o ombro de James como apoio para se erguer e James estremeceu sob seus dedos, aturdido, no entanto, antes que ele pudesse dizer algo, Kagome já estava se curvando sobre ele, deixando suas faces próximas.

O garoto ficou completamente enrijecido, seus olhos se alargando juntamente com os outros a seu redor, um corado escureceu sua face levemente sardenta.

Kagome apertou os olhos. James engoliu sua saliva.

"Você pode treinar o quanto quiser," disse, seu tom prosaico enquanto apertava seu ombro de forma quase dolorosa, "Mas isso não mudará o fato de que nós, Texugos, limparemos o chão do campo de quadribol com vocês, leões!"

Era uma promessa, uma que fez o time inteiro concordar de todo coração quando eles, assim como outros colegas de outras casas, aplaudiram e torceram, alguns até mesmo batendo nas mesas.

Rindo alegremente, Kagome concordou com um aceno de cabeça e se afastou do Capitão da Grifinória, cruzando os braços.

James ficou sentado por um momento, corado e completamente pego de surpresa, antes do efeito passar rapidamente e seu rosto se abrir em um sorriso sarcástico, cheio de dentes. Ele pulou na frente de Kagome. "Então é bom que você dê o seu melhor, Higurashi!"

"Pode contar com isso, Potter," replicou Kagome, sorrindo para ele. "Eu espero que você faça o mesmo."

James gargalhou e olhou em direção à mesa da Grifinória, onde a comoção causou que olhassem para eles, sussurrando entre si mesmos. Sirius capturou seu olhar e os dois Marotos trocaram um sorriso. "Grifinórias nunca desistem de um desafio. Estou errado, amigos?" disse alto o suficiente para que ouvissem.

Seus gritos e torcida em coro encheram o Salão em resposta.


Desde então, nem James nem Kagome deram folga para seus times - não apenas eles os fizeram treinar à exaustão, mas também brigaram constantemente por quem usaria o campo para praticar.

Era algo comum de ver, os dois capitães cara a cara, se encarando, numa tentativa de intimidação.

"Caramba, Potter, é a nossa vez de usar o campo!"

James, tranquilo, olhou casualmente a seu redor. "Ah, é mesmo?" murmurou. "Não estou vendo seu nome nele.

Kagome apertou os dentes. "Eu já resolvi isso com a Sprout no começo da semana. Além disso, o seu time já usou o campo durante o final de semana!"

James fez um som pensativo. "Estranho - Eu perguntei pra McGonagall e ela disse que estava livre. Disse que você iria usar, mas mudou de ideia de última hora."

Um ar perigoso começou a crepitar ao redor de Kagome quando ela deu um ameaçador passo à frente, praticamente rosnando. "Que merda você fez?"

James nem se mexeu - de fato, ele deu um sorriso malicioso e se inclinou para perto. Aqueles ao redor prenderam a respiração, alguns murmuraram, "Aquele ali não tem nenhum instinto de sobrevivência…"

"Tudo é permitido no amor e em quadribol, Higurashi."

Um som frustrado sufocou em sua garganta, seus olhos azuis brilharam sombriamente. "Eu juro que-"

James ergueu uma sobrancelha, um sorriso tolo em seus lábios. Ele tinha um olhar desafiador. "Jura o que?"

Mas antes que Kagome pudesse responder, alguém assobiou alto. "Vocês poderiam arrumar um quarto?"

Suas cabeças se viraram tão rapidamente que foi uma surpresa que elas não se bateram. "Cala a boca, Black!"

Sirius, afrontado, deu um grasnido, encarando seu melhor amigo em descrença. "Não use esse tom comigo, Pontinhas! Eu não sei porque você está tão mordido por causa de uma garotinha, de qualquer forma!"

A equipe de Kagome ficou em um silêncio mortal e a garota deu um passo à frente. "Você quer saber o que essa 'garotinha' é capaz, Black?" disse Kagome, agradavelmente. O leve tom mortal de suas palavras deu arrepios naqueles que os observavam.

O olhar de Sirius desviou para as articulações dela, que estavam brancas de tanto que ela apertava seu bastão e ele riu nervosamente, erguendo as mãos em um pedido de misericórdia. "Eu disse garotinha?" disse rapidamente, dando um passo para trás. "He he, eu quis dizer linda, inteligente, amorosa Capitã da Equipe de Quadribol da Lufa-Lufa que todos conhecemos e amamos!" Olhando para James, que tinha um olhar distraído enquanto mirava Kagome, Sirius quase xingou. "Quer saber? Acho que precisamos de uma pausa nos treinos. Não acha, Pontas?"

Saindo de seu sonho, James mirou Sirius, confuso. "Como é?"

"Isso quer dizer sim!" Praticamente pulando, Sirius agarrou James e começou a puxá-lo para fora do campo. O resto do time os seguiu, definitivamente felizes em ter um dia de folga. "Tenha um ótimo dia, Higurashi!"

James crepitou. "Espera, o que houve? Almofadinhas?"

Bufando, Kagome apenas acenou distraidamente para os dois antes de virar para seu time e gesticular para o ar, montando em sua vassoura. "Vamos, pessoal!" ordenou, tomando altura e perdendo o resto da conversa deles.

"O que houve foi que eu estava a dois segundos e ter minha cabeça esmagado pelo bastão dela e tudo que você pôde fazer era ficar olhando embasbacado para ela, seu maldito."

"Ca-cala a boca! Eu não estava olhando."


"Que engraçado te encontrar aqui, Higurashi."

Ai, Deus, pensou Kagome, miseravelmente, lá vamos nós. "Potter," ela murmurou, não se incomodando em olhar para cima. Ela teve que segurar um gemido que ameaçava subir pela sua garganta - esta porcaria de dissertação de transfiguração iria acabar com ela. "Esta é a biblioteca, afinal. Me achar aqui não é tão surpreendente. Ver você aqui, no entanto... " ela desconversou e o encarou.

"Uau," as palavras saíram da sua boca, seus olhos arregalados. "Você está ho-" ele se interrompeu e engoliu, seja porque percebeu que terminar aquela frase era uma má ideia ou por causa do olhar mortal que Kagome lhe lançou. "Obviamente maravilhosa, como sempre!" disse, então, rindo fracamente.

Rolando os olhos, Kagome voltou para seu trabalho. "Está precisando de algo?" perguntou, resignada. "Porque, se não percebeu, estou meio ocupada agora."

"Deu pra notar," ela o ouviu dizer baixinho. Mais alto, ele ponderou, "Você dormiu?"

Sua resposta foi curta e certeira. "Não muito." Era impossível, com três dissertações a ser entregues no final da semana e dois testes para estudar e quase nenhum tempo para ambos quando ela já tinha outros trabalhos para fazer e os treinos para encaixar no meio disso tudo. Quando não teve resposta, ela virou uma página e perguntou, "Algo mais?"

Uma mão alcançou àquela que ela tinha colocado sobre o livro que estava usando. Kagome enrijeceu.

"Kagome."

Pressionando os lábios, ela olhou para cima e lutou para não desviar do olhar que James estava dando para ela.

"Você precisa dormir."

"O que eu preciso," Kagome replicou secamente, puxando sua mão de volta, "é terminar essa redação. Aí então eu vou dormir."

Por um momento, James apenas a olhou, a mão que ele havia estendido se fechou na falta da dela antes que ele inalasse e exalasse um breve suspiro. Um sorriso cansado estava em seu rosto agora enquanto ele a olhava, cruzando os braços. "Você é muito difícil de lidar, Higurashi," murmurou.

Kagome se esticou na cadeira, franzindo bruscamente. "Mas veja só se você não está um poço de elogios," ela murmurou sombriamente. "Se esse é o caso, então vá embora, Potter, ninguém está pedido a sua presença."

Ao invés de ficar bravo e sair, como ela esperava, James apenas a encarou em silêncio, por tempo suficiente para que o peso de seu olhar a fizesse inquieta. Justo quando ela ia brigar com ele para que parasse, James exalou e abaixou seus braços, alcançando seu livro.

Kagome gaguejou e tentou recuperar o livro, mas ele era muito rápido. "O- O que você está fazendo?" demandou, confusa.

"Te ajudando," foi sua resposta sucinta enquanto folheava através do livro, colocando orelhas em determinadas páginas. "Estou marcando as partes relevantes para o redação que a Minnie passou. Pelo menos dessa forma você vai conseguir terminar logo e ir dormir mais rápido."

Kagome observou em silêncio, atordoada, enquanto James trabalhava, com suas sobrancelhas suavemente franzidas, dentes mordendo levemente seu lábio inferior, e seus olhos cor de avelã oscilando através das páginas enquanto as escaneava. Minutos se passaram em silêncio, apenas o som de folhas sendo viradas a seu redor.

Sem falar nada, James devolveu o livro assim que terminou, sem se preocupar em dizer algo enquanto se levantava, empurrava seu assento e circulava a mesa, a deixando em paz para trabalhar.

Kagome agarrou seu pulso quando ele passou por ela. James olhou para baixo, chocado, primeiro para a mão ao redor de seu pulso e depois para os cansados olhos dela.

"Obrigada," murmurou, dando um aperto de gratidão em seu pulso ao mesmo tempo que prendia seu olhar por alguns momentos a mais, antes de desviar o olhar, embaraçada e culpada. "E perdão… por ter sido ríspida mais cedo…"

Houve um momento de silêncio até que ela sentiu o pulso em sua mão girar e ela o soltou abruptamente, corando por ter esquecido de deixá-lo ir, mas a mão dele capturou a dela antes que ela pudesse a retrair completamente. Assustada, Kagome olhou para cima e se vou encarando os olhos calorosos de James.

Ele apertou sua mão levemente e piscou. "Sempre que precisar, Higurashi," replicou facilmente, dando um leve sorriso. "E não se preocupe, já estou grandinho, posso aguentar."

Quando ele serpeou suas sobrancelhas de leve, Kagome não conseguiu evitar a rir um pouco, e mesmo quando ele já tinha ido embora e ela tinha voltado seu foco para o trabalho, olhando para as páginas com orelhas, a memória de seu sorriso crescendo ainda invadia sua mente.


"Qual é!" reclamou Kagome, agarrando o ombro de seu melhor enquanto este andava morosamente. Seus dedos dos pés mal encostavam no chão coberto de neve. O rapaz continuou a andar com uma expressão impassível. "Inuyasha!" ela choramingou alto, olhando triunfante quando o viu crispar.

"Puta merda," o bruxo de cabelos negros xingou, "Você é uma porra de uma harpia - está bem, vou te levar na merda da loja de doces! Apenas pare de reclamar e sai de cima de mim!"

Um sorriso brilhante surgiu na face de Kagome quando ela soltou seus ombros e agarrou seu braço. "Obrigada!" gorjeou, o puxando em direção a Dedos de Mel.

Inuyasha rolou seus olhos violeta, sussurrando bem baixinho xingamentos enquanto se deixava ser guiado. "Feh, tanto faz."

"Além disso," acrescentou, sorrindo maliciosamente. "Você não quer comprar algo pra Kikyou? Ela tem estudado tanto para seus N.I.E.M.s ultimamente."

Através das mechas de seus longos e escuros fios, Kagome pôde ver suas orelhas corando. "Ca-cala a boca!"

Dando leves risadas, a garota o puxou para um canto e chiou quando quase colidiu com o peito de alguém - tendo sida salva apenas pelo puxão rápido de Inuyasha, que a fez, ao invés disso, colidir com ele.

"Hein?!"

Kagome piscou enquanto se recuperava do susto. Seus olhos arregalaram quando percebeu em quem ela quase bateu; "Ah, Potter!" exclamou, rindo, envergonhada. "Me perdoe!"

O rapaz lhe deu um sorriso rápido e acalentador enquanto passava a mão nos cabelos. "Não precisa se desculpar, Higurashi," murmurou, coçando atrás do pescoço. "Ficaria mais que feliz em te segurar quando você cair."

Atrás dela, Inuyasha deu uma bufada, incrédulo, e sussurrou, "Nossa. Sério?"

Tendo o ouvido, James tossiu, corando de vergonha. "Nishimura," disse em tom baixo, o cumprimentando, até que seus olhos viram as mãos de Inuyasha. Elas ainda seguravam Kagome de quando ele a impediu de cair. Ele se ajeitou de repente e olhou para os dois, seus olhos arregalados enquanto ele olhava para seu colega de casa mais velho e a garota Lufa Lufa. "Vocês estão namorando?"

Kagome estava muito surpresa com a pergunta repentina, mas Inuyasha já estava respondendo da única forma que sabia: com um "O que te importa?" desconfiado.

James pareceu recuar ante àquela resposta, e Kagome não conseguiu se segurar e disse, "Não."

Tanto James quanto Inuyasha viraram para ela, surpresos pela resposta em voz alta, o último levantando uma sobrancelha. Kagome limpou a garganta enquanto se soltava de Inuyasha e dava um passo para o lado, desviando o olhar. "Somos apenas amigos. Na verdade, ele está saindo com a minha prima, Kikyou."

James piscou, sua cabeça se inclinando em contemplação enquanto tentava lembrar de onde conhecia o nome, até que seus olhos se arregalaram em reconhecimento. "Ela é da Sonserina, né? Sétimo ano?"

A forma com que ele disse isso fez com que os outros dois fizessem uma careta. Inuyasha até mesmo deu um ameaçador passo à frente, gentilmente distanciando Kagome mais para o lado. "Sim, e isso é um problema?" demandou, um tom sombrio em sua voz.

Olhos arregalando, James sacudiu a cabeça, erguendo as mãos em um gesto pacificador. "Definitivamente, não!"

Inuyasha bufou e lhe deu as costas, indo embora sem pronunciar mais nenhuma palavra.

Suspirando, Kagome balançou a cabeça. "Nem todos de Sonserina não maus, James, ou acreditam de supremacia dos puro-sangue e Voldemort," disse a ele, pronunciando o nome com repugnância. "Assim como nem todos de Grifinória são bons, todos de Lufa-Lufa são legais ou todos os de Corvinal são inteligentes. Nem tudo é preto e branco."

"Ka-Kagome," James gaguejou, depois de engolir a saliva, uma expressão sombria em sua face enquanto ele assentia. "É, bem, eu entendi. Já tinha percebido isso há algum tempo, é que…" Ele divagou, balançando a cabeça, e olhou para ela com total seriedade. "Eu realmente sinto muito. Poderia dizer isso a ele, também, por mim?" perguntou, apontando em direção a Inuyasha com o queixo.

Kagome o encarou com um olhar inquisidor, e acenou com a cabeça quando concluiu que seu remorso era sincero. "Claro," garantiu, e virou para seguir seu amigo. Antes que pudesse chegar muito longo, James a chamou.

"Ei, Kagome?" Quando ela se virou, um olhar questionador em sua face, ele se mexeu, nervoso, antes de perguntar, "Você não é nascida-trouxa?"

Piscando, Kagome deixou sair uma leve, surpresa risada. "Eu sou," ela disse apenas isso, seca. Mas James pareceu ter entendido o que ela quis dizer já que sua boca se abriu em choque. Ela quase gargalhou enquanto se virava e ia embora, só que o tema não era algo engraçado.

Kikyou não era a primeira nascida-trouxa a ser alocada em Sonserina; ela não era nem mesmo a única naquele ano - Kagome sabia que tinham, pelo menos, mais três.

No entanto, ninguém sabia além dela mesma, Inuyasha, e alguns amigos íntimos, e agora James. Poucos sequer sabiam que elas tinham qualquer parentesco - elas tinham sobrenomes diferentes, afinal, ligadas através da mãe de Kikyou e seu pai - e, embora se parecessem, eram completos opostos na forma de se portar.

Quando Kagome entrou em Hogwarts, todos já tinha assumido que Kikyou era meio-sangue e a própria os deixou assim pensar. Apesar de tudo, ela não tinha motivos para dizer a verdade e causar problemas desnecessários para si mesma.

Não que Kikyou concordasse com a maioria de sua Casa ou mesmo que ficasse neutra nas questões como da supremacia dos puro-sangue. Kikyou deixou bem clara a sua opinião sobre Voldemort e sua 'visão' no dia em que ele apareceu (em outras palavras, eles logo veriam o Mundo Mágico estagnar e ruir ao invés de prosperar) e isso não a fez popular de forma alguma. Mas, felizmente, pessoas de Sonserina não costumavam brigar entre si ou fazer bullying consigo mesmos e aqueles que tentaram logo aprenderam que Kikyou não era uma bruxa com quem você queria implicar. Ela era uma cobra por fora e por dentro, um deles, então a situação ficou em um ponto de concordamos-em-discordar.

Kagome suspirou e sacudiu a cabeça enquanto trotava para alcançar Inuyasha. Certa vez, perguntou se Kikyou gostaria de ser sido colocada em outra Casa - Corvinal, talvez - mas sua prima apenas riu de leve, sacudindo a cabeça, antes de respondê-la, "Embora os amigos que fiz foram poucos, não são menos que verdadeiros. O Chapéu Seletor me colocou na Sonserina for uma razão, então, quem sou eu para discordar?" e nisso Kikyou sorriu abertamente e completou, "Além disso, imagine a cara deles quando finalmente perceberem que eu sempre fui nascida-trouxa e os enganei desde o começo?"

Dando leves risadas à memória, Kagome desacelerou para parar ao lado de Inuyasha, quem havia pausado sua caminhada em frente à entrada da Dedos de Mel para esperá-la. "Então, o que você vai levar para a Kikyou hoje, hein?" provocou. "Ah, e James disse que sente muito. Me pediu que dissesse isso a você também."

Corando, o Grifinória do sétimo ano fez um "tch" irritado, e abriu a porta, deixando que Kagome fosse primeiro. "As penas de algodão doce, óbvio," resmungou baixo. Kagome deu uma risada de leve. "E tanto faz. Se ele fizer isso de novo, porém, acabo com ele."

Lábios tremendo, Kagome assentiu com um aceno de cabeça enquanto eles se dirigiam ao corredor para pegar o doce, desviando dentro o aglomerado de outros estudantes fazendo compras. Kagome o olhou com um sorriso maroto quando ele se moveu para pegar um pacote. "Pega os de hortelã dessa vez - ela disse algo sobre experimentar um desses."

Irritado, Inuyasha bufou, mas sua mão se desviou para pegar um pacote diferente de qualquer forma.

Rindo em silêncio, Kagome os levou até os chocolates - acenou para Remus quando ele os viu enquanto passavam, seu companheiro de sexto ano acenou de volta com um pequeno sorriso. Inuyasha olhou rapidamente para o adolescente magrelo antes de retornar sua atenção para Kagome.

"Aquele moleque, Potter, esse aí não é amigo dele?" perguntou. Nenhum dos dois percebeu a forma como Remus enrijeceu ante à pergunta enquanto continuavam caminhando em direção ao chocolate que Kagome sempre comprava quando ia a Hogsmeade.

Piscando, Kagome o encarou. "Do Remus?" Ela respondeu ao aceno de cabeça de Inuyasha com um aceno próprio. "Sim, por quê?"

"Tenho certeza que ele está afim de você," e quando Kagome de repente engasgou, o chocolate que ela segurava escorregou de suas mãos. Inuyasha rolou os olhos e pegou antes que a embalagem pudesse cair no chão. "Não esse aí; quis dizer o Potter."

Kagome arquejou, a clarificação a fez ficar nem um pouco mais confortável. Remus, que tinha se deslocado para o corredor seguinte, mas ainda estava a uma distância em que podia ouvir os dois, não estava lidando muito melhor com a situação - o chocolate que ele iria comprar se quebrou quando seus punhos se apertaram.

"Por que você acha isso?" Kagome perguntou, a voz rouca.

"Não sei, talvez pela cara que ele fez quando achou que estávamos namorando?" ponderou Inuyasha. Kagome não gostou nem um pouco de seu sarcasmo. "Parecia que alguém tinha chutado o seu gato."

Kagome quase cuspiu. "Mas não fazemos nada além de brigar por causa de Quadribol!"

Inuyasha franziu o nariz. "Não é culpa minha se essa é a sua versão de preliminares."

O seu grito ofendido fez com que todos que estavam na loja se virassem e olhassem para eles.