N/A: Atenção! Este cáp. contém trechos mais quentes, não me responsabilizo pelas reações.

II. Desejos despertados

Atônita, Nicole arregalou os olhos azul-gelo.

- Estou envergonhado com seu comportamento! - Sirius rosnou para Régulo. - Será que não tem um pingo de decência? Nicole acabou de terminar o noivado e está nervosa. Nem sabe que dia é hoje!

- Ela está mais segura comigo do que com você! - Régulo respondeu furioso. - Não vejo nada de mal em pedir que ela pose para mim.

- Suma da minha vista!

- Eu só fiz uma oferta!

- Então por que ela tirou o blazer?

- Porque quis. - Régulo deu de ombros. - Grande coisa. Nicole se veste como se morasse no Pólo Sul! Não se pode mais fazer uma piada por aqui? – ele voltou-se para Nicole - Desculpe Nick, eu não sabia sobre seu noivado. Agora que o campo está livre, se eu fosse você, não hesitaria em ir atrás daqueles dois milhões!

Régulo saiu batendo os pés.
Sirius voltou-se para ela.

- Que diabos está fazendo aqui, no estado em que se encontra? Não percebe que poderia ter caído na rua ou mesmo ter sido atropelada? Quando percebi que você tinha saído outra vez, não pude acreditar!

- Eu precisava trazer uns documentos para Régulo assinar.

- Por que tirou o blazer?

- Está muito quente aqui dentro.

Sirius segurou a peça forrada e suspirou.

- Eu deveria ter adivinhado. Uma mulher que usa um conjunto forrado mesmo no verão, com a saia abaixo dos joelhos, jamais tiraria a roupa na frente de uma câmera. Você é muito puritana.

Subitamente, Nicole ficou rígida e foi tomada por uma raiva incontrolável.
- Eu não sou puritana!

- Ah! A moça é geniosa... - ele murmurou, surpreso com a descoberta..

- Por favor, não me provoque. - Nicole pediu com a voz ainda trêmula de raiva.

Sirius começou a andar pelo estúdio.

- Fiquei preocupado com você. Meu querido irmão fez uma aposta comigo há seis meses...

- Que aposta?

- Ele apostou cinqüenta mil dólares como conseguiria que você posasse nua. Nunca me ocorreu que pudesse aceitar. Não faz seu gênero. Foi apenas uma piada, Régulo gosta de uma brincadeira. Algumas vezes, como hoje, extrapola.

Nicole baixou o olhar, sentindo os olhos marejados. Piscou várias vezes e não se permitiu chorar. Sentiu náusea ao descobrir que a insistência de Régulo devia-se a uma simples aposta com o irmão. Um soluço escapou de sua garganta. Não conseguia encarar Sirius.

'Por que ele se preocupou? Até notou que bebi!'

- Desculpe. Agi como tola - sussurrou.

-De jeito nenhum. Você teve um péssimo dia, apenas isso - Sirius falou, sério.

Um arrepio percorreu o corpo de Nicole. Um turbilhão de emoções perturbava sua mente. Queria tanto sentir o abraço de Yam, que soluçou. Mas, Yam nunca mais a abraçaria. O amor deles estava acabado, morto, destruído.

- Você ama de verdade aquele sem-vergonha... - Sirius murmurou, irritado.

Nicole cobriu o rosto gelado com as mãos, respirando fundo para recuperar o controle. Sirius estendeu-lhe o blazer e ela o vestiu com esforço.

- Que história era aquela dos dois milhões de dólares? - ele quis saber.

Ela ficou tensa ao ouvir a pergunta. Devagar, tirou os cabelos longos de dentro do colarinho do blazer e jogou-os para trás.

- Seu cabelo é lindo. Sempre tive vontade de ver como ficavam, assim, soltos. - Os olhos acinzentados de Sirius se fixaram na massa sedosa e brilhante que caía pelas costas de Nicole. - Não deve cortá-los nunca.

Sem graça, ela ergueu a cabeça e encarou o olhar do chefe. Uma onda de tensão passou pelos dois. Nicole não conseguia desviar o olhar.
- Régulo disse... que você pagaria dois milhões de dólares por uma noite comigo.

- Você está mais bêbada do que imaginei - Sirius se irritou. - Mas Régulo não estava brincando.

- É verdade? - Nicole perguntou incrédula.

- Acha que eu estaria aqui se fosse mentira?

Com as mãos fortes nos ombros de Nicole, Sirius guiou-a em meio à congestionada área da recepção.
Ela não conseguia acreditar naquelas palavras. Sirius Black a desejava! Ele a considerava atraente! O que soaria ameaçador e estranho há doze horas, era fascinante no momento.

- Você foi muito bondoso esta tarde.

Na frente do estúdio, um motorista aguardava com uma limusine prateada. Ele abriu a porta; Nicole entrou e se acomodou no banco de couro macio.

'Não pense em Yam, não pense em Yam' - repetiu mentalmente.

- Por que você não... quero dizer; por que nunca demonstrou?

- Não sou um adolescente apaixonado. Você me atrai fisicamente, e é só.

- Sexo.

- Que seja - ele concordou seco.

'Será que Yam desejou Emanuele deste modo? Bem, não importa se o desejo dele foi simples luxúria. O amor é capaz de ferir fundo... Pare de pensar, Nicole. Aceite que está terminado. Sirius tem razão: nunca mais confiará em Yam.'

- Acha que sou muito ingênua, não é?

- Não. Também não acho que seja o momento apropriado para este tipo de conversa.

- Não acredito mais no amor - ela disse pesarosa.
Yam agira como um homem apaixonado. Sempre telefonava, mandava flores e cartas de amor. Na noite anterior, haviam estado juntos, sorrindo, de mãos dadas. Um verdadeiro ator, e ela uma verdadeira cega, pois não havia notado nada.

- Creio que você gostaria de dormir durante um bom tempo só para não pensar.

- Eu adoraria - Nicole gemeu.

- Nunca imaginei que seus sentimentos fossem tão profundos - Sirius falou com um sorriso nos lábios.

Nicole não mostrava seus sentimentos. Desde jovem aprendera a se controlar. Naquela manhã, havia sido duramente arrancada de dentro da concha onde se protegia.
- Como você poderia saber?

- Pensei que estivesse mais apaixonada pelos preparativos. Sabe como é: vestido de noiva, decoração da casa, esse tipo de coisa.

- Eu queria uma casa que fosse minha de verdade. Para você é fácil zombar do que sempre teve. - Nicole lançou-lhe um olhar irritado e virou a cabeça, mas não se livrou da imagem daquele rosto bonito, dos cabelos escuros e brilhantes, da linha arrogante da boca de Sirius. Além de beleza, ele exalava poder e força. - Nem perguntei aonde estamos indo - ela falou devagar, sentindo pontadas nas têmporas.

- Está segura comigo. Esta noite não precisa pensar em nada.

Nicole fechou os olhos. Sirius Black era o último homem do mundo em quem confiaria, mas instintivamente o fez. Pensou nele como seu protetor e sentiu vontade de rir da idéia, mas, em vez disso, adormeceu.

Nicole acordou de um pesadelo, tremendo e suando. Sentou-se, aturdida, e descobriu que estava em um aposento desconhecido. Os abajures acesos em ambos os lados da cama distribuíam uma claridade difusa. Um lençol de seda cobria seu corpo. Ela passou a mão pela camisola e assustou-se ao ver o homem alto e moreno, que se levantou de uma cadeira colocada na sombra do quarto.

- Sirius! - sussurrou, com as lembranças voltando. Sentiu-se aliviada com a presença dele.

- Você gostaria de comer alguma coisa?

Ele parecia tão normal, tão casual...

- Onde estou? Oh, meu Deus, nem preciso perguntar...

- Está na minha casa. Não achei seguro deixá-la sozinha no apartamento.

Nicole olhou-o, fascinada. Nada parecia real. Nem os eventos do dia, nem a extraordinária mudança naquele relacionamento, em tão curto espaço de tempo. Sirius cuidara dela, mantendo-a em segurança.

'Por quê?! Será que me deseja tanto que é capaz de me tolerar no estado em que me encontro?'

- Vou providenciar uma refeição.

- E a festa?

- Não se preocupe. Cancelei.

Mesmo depois que ele saiu e fechou a porta, Nicole continuou incrédula. Sirius Black tinha juntado seus pedaços. Talvez não esperasse que ela reagisse daquela maneira. Na verdade, nem tinha por que esperar o que quer que fosse, pois sequer sabia o que lhe aconteceria naquela manhã. Mas, em vez de viajar, ele parecia preparado para os acontecimentos.

Nicole saiu da cama e andou sem firmeza até o banheiro. Chocou-se com o próprio reflexo no espelho de cristal. Tirou a camisola e entrou no chuveiro.
Aos poucos, a água morna fez efeito. Imaginou se Sirius teria lhe tirado a roupa, para vestir-lhe a camisola. Era incrível, mas não se sentia chocada com a idéia. No dia anterior, teria morrido de vergonha, porém naquela noite; expusera-se a Sirius Black de tal modo que a virgindade que resguardara com tanto cuidado não parecia mais ter importância.

Teria de encarar a realidade. Provavelmente, ela mesma havia atirado Yam nos braços de Emanuele, negara-se a dormir com o noivo antes do dos protestos de Yam, Nicole acreditava que a noite de núpcias teria mais valor se conseguissem se conter antes. O engraçado é que agora não haveria mais noite de núpcias. Não era nada consolador saber que mantivera a virgindade, mas perdera o homem que amava. Talvez tivesse recebido o que merecia. Colocara seus princípios acima de tudo, e o que recebera em troca?

Voltou para a cama e deitou outra vez, amargurada com a rejeição e a humilhação pelas quais passara. Nada lhe devolveria o orgulho perdido.
Devaneando de olhos fechados, não escutou a porta ser aberta.

Seu corpo ficou rígido quando foi segura por braços fortes. Ondas de desejo percorreram-na ao sentir o perfume másculo de Sirius. Lentamente, estendeu os braços, passando-os sobre os ombros dele. Pensou que não deveria agir daquele modo, mas sentiu-se segura e protegida. O silêncio pesava em seus ouvidos.
Sirius soltou a respiração e Nicole percebeu a tensão selvagem que os dominava. Os músculos dele se contraíram e o coração acelerou-se contra o dela.
Pela primeira vez em horas, Nicole sorriu e se inclinou mais contra o corpo másculo. Suavemente, colocou a mão sobre a camisa de linho, para sentir o batimento acelerado do coração. A reação dele foi instantânea.

- Nick... - Sirius falou com doçura. - Eu não sou ele. Não vai fechar os olhos em meus braços e fingir que sou.

Chocada, ela afastou-se e encarou-o.
- Sei quem você é - suspirou.

Nos braços dele, mesmo com os olhos abertos, sentia-se vivendo um sonho fantástico.
Com cuidado, Sirius segurou-a pelos pulsos e deitou-a na cama outra vez. Acariciou-lhe o rosto e sorriu.

- Você quer que eu a seduza, não é? - perguntou, emocionado.

Era a pura verdade, ainda que Nicole não tivesse total consciência disso.
Ela corou ao responder:
- Sim.

- Mas não deste modo - Sirius falou com esforço. - Nem esta noite.

Nicole passara metade do dia sem rumo, sob o olhar dele. Sem dúvida, o desejo que ele acumulara durante meses havia evaporado. Sirius Black estava acostumado com mulheres sofisticadas. E nenhuma delas faria o papel que Nicole fizera. Uma risada histérica ameaçou escapar de seus lábios.

- Não, Nick - ele reprovou. - Estou louco para fazer amor com você. Eu a quero há muito tempo, mas não vou tirar vantagem do seu estado. Você não tem consciência do que está fazendo.

Sim, ela estava consciente. Conhecia-se muito bem para saber que não era o tipo de mulher que teria um caso com o chefe, ou o que estaria ansiosa para sair na imprensa como a mais recente aventura de Sirius Black. Não haveria amanhã para eles, só aquela noite.

Fascinado, Sirius não conseguia desviar o olhar.
- Nick? - chamou, com a voz carregada de emoção.

- Uma noite... e não custará dois milhões. Não vai lhe custar nada. Eu não tenho preço.

- Dio - Sirius murmurou. - O que deu em você para falar assim?

Uma sensação nova inundou Nicole. Fixou os olhos brilhantes em Sirius.
- Eu quero... ser amada por uma noite.

- Tudo bem. Mas espero que se lembre que não é assim que eu gostaria que as coisas acontecessem entre nós.

'Como será que ele gostaria? Desejaria pagar os dois milhões por uma noite? Será esta a sua fantasia secreta? Ou deseja oferecer alguns jantares à luz de velas, despejar seu charme italiano e então me levar para a cama?'

Normalmente, Sirius conduzia seus casos com estilo. Oferecia flores, presentes, fins de semana no campo e cruzeiros em seu fabuloso iate, o Sea Spring Mas, assim era mais honesto, muito mais honesto do que qualquer outra proposta, e ela sabia exatamente o que estava fazendo.
Sabia mesmo?!
Por um instante, Nicole se deu conta do estado em que se encontrava. Sentia-se na beira de um abismo. Não podia suportar o pensamento de horas solitárias na noite que caía. O desejo de Sirius era como um bálsamo para seu ego ferido.

'Será que alguma mulher já o desejou mais como companhia do que para satisfação física?'

Nicole não esperava satisfação, nem ondas de desejo. Era honesta o suficiente para admitir que nunca tivera muito interesse naquele aspecto do relacionamento, mesmo com Yam. Não fora nenhum sacrifício manter a virgindade.
Apesar de saber que a maioria das mulheres ansiava por satisfação sexual, não julgava isso importante. Escutou a porta do banheiro abrir e Sirius se aproximar da cama.

'Meu Deus, estou ficando louca? Só uma pessoa prestes a explodir convidaria um desconhecido para partilhar uma intimidade que nem mesmo é desejada. '

Com carinho, Sirius segurou-a, puxando-a bem junto de seu corpo.
- Tem certeza de que é o que deseja? - perguntou gentil.

O olhar acinzentado era tentador. Sirius era tão bonito que até lhe tirava o fôlego.
Nicole imaginou como seria beijá-lo e ser beijada.

- Quero as luzes acesas. Não quero que se esqueça, bella mia.

Com carinho e palavras de admiração, Sirius percorreu o rosto de Nicole com o dedo e finalmente a beijou. Um arrepio percorreu-a ao sentir a língua que acariciava seus lábios. Nunca havia gostado daquilo. No entanto, o beijo ficou mais sensual, provocando um tremor no corpo de Nicole, acelerando seu coração, fazendo-a ansiar pelo prazer que Sirius podia dar.
Enquanto a cobria de beijos, ele a acariciava nos seios. Surpresa, Nicole percebeu os mamilos enrijecerem ao toque experiente. Os lábios quentes percorreram a linha do pescoço, provocando arrepios de prazer em lugares desconhecidos, fazendo-a delirar.

- Olhe para mim - ele pediu.

- Sirius... - Ela saboreou o nome nos lábios e acariciou os cabelos escuros, fitando os olhos acinzentados.

Um sorriso delicioso enfeitou a boca sensual de Sirius. Ele percorreu com a língua o vale entre os seios de Nicole, que tremeu com violência.
Tirou-lhe a camisola e acariciou a pele sensível com experiência, segurando o seio como uma taça, sugando o mamilo róseo até Nicole gritar de prazer. Um prazer que nunca imaginara existir e que Sirius despertara sem esforço.
Nicole contorcia-se sob o corpo dele, tentando saciar o desejo que queimava seu íntimo. Sirius disse algumas palavras carinhosas em italiano e desceu a mão pelo seu ventre até encontrar o calor e umidade do seu ponto mais secreto. Os dedos trabalharam com habilidade, provocando ondas de desejo incontroláveis. Nicole beijava cada parte do corpo dele. Forçou mais o quadril contra a mão poderosa.

- Espere - Sirius gemeu, confuso.

Bastou o pequeno afastamento para Nicole abraçá-lo com força, repetindo todos os carinhos que aprendera momentos antes.
Com um suspiro, ele desistiu de falar e se moveu contra ela, cobrindo-a de beijos famintos.

- Se isto é um sonho, não quero mais acordar - confessou.

- Sirius... - ela sussurrou. Seu corpo inteiro ardia de desejo.

Com suavidade, Sirius penetrou-a, levando-a com ele ao clímax. Nicole sentiu-se erguida às alturas, exaurida de tanto prazer.

- Vamos para minha cama. É maior e mais gostosa.

Ainda sob o efeito da bebida, ela sentiu o calor das mãos fortes, que a carregaram para outro aposento. Sirius deitou-a no lençol frio e abraçou-a apertado.

- Não durma ainda - sussurrou ao perceber que Nicole relaxara o corpo contra o dele. - Vamos passar o fim de semana no iate. Segunda-feira devo estar em Paris. Você vai adorar a Cidade Luz, cara. O que acha?

'O que acho?' Nicole fez um esforço para pensar, mas sua mente divagou. Aconchegou-se contra o corpo másculo e dormiu.

Acordou com o perfume de flores. Abriu os olhos e enxergou, ainda fora de foco, um enorme buquê. Piscou depressa e viu mais e mais buquês cercando seu corpo. Sentindo um nó na garganta, levantou-se depressa, confusa com o quarto desconhecido. Sua atenção foi atraída para uma gravata de seda vermelha caída no carpete cor de creme. As lembranças iam e voltavam.
De repente, tudo ficou claro, e Nicole soube o que era estar realmente sóbria. Reconheceu sua mala na cadeira sob a janela.

'Como ele tirou minhas roupas do apartamento? Oh, meu Deus!O que eu fiz?'

Frenética, abriu a mala e enfiou as mãos entre as roupas. No fundo, havia uma folha grande de papel. Nicole puxou para fora e viu a letra peculiar de Emanuele, que escrevera:
"Que diabos está acontecendo?"
Com uma muda de roupa nas mãos, correu para o banheiro. O reflexo no espelho mostrou a boca rubra e inchada e os cabelos negros despenteados. Envergonhada, ela chorou.

'Como pude agir desta maneira com Sirius Black?'

Sua vontade era mergulhar em um grande buraco. Não! Queria colocá-lo em um grande buraco, com uma tonelada de cimento por cima. Assim Sirius não escaparia, e não precisaria enfrentar o olhar dele nunca mais!
Ainda bem que ele fora para o escritório.

'Meu Deus! O escritório! Passa de nove horas. Darei a desculpa de ter perdido o ônibus. Ninguém sabe de nada, mas, se pudesse, nunca mais entraria nas Indústrias Black. No entanto, daria margem a comentários se eu desaparecesse faltando dez dias para o fim de meu aviso-prévio. É melhor eu fingir e agir normalmente. De qualquer modo, não posso dispensar o salário que receberei, minha conta bancária está entrando no vermelho. '

Nicole tomou um banho rápido e enrolou os longos cabelos, prendendo-os num coque baixo. Puxou a mala pesada até a escada e começou a descer.

- Buon giorno, cara...

Ela engoliu em seco. Endireitou o corpo e enfrentou o olhar do homem viril e sensual que a encarava do primeiro degrau.

- Eu estava subindo para saber se você queria tomar café da manhã comigo... coisa que podemos fazer sem a mala - Sirus falou com, suavidade, observando a mudança em Nicole. - Não faça isso, não diga o que está vindo a seus lábios... Não me desaponte, cara.

Nicole queria empurrá-lo escada abaixo. Uma raiva sempre controlada ameaçava explodir. Ela inspirou fundo antes de falar:
- Acontece que estou atrasada para o trabalho, Sr. Black.

Ele nem precisava lhe dizer como soara ridícula. Um sorriso iluminou-lhe o rosto.
- Nick, quero que você conte até dez e pense sobre a noite passada sem preconceito. Será que é possível?

- Não - ela respondeu séria, olhando-o com amargura.

- Nós compartilhamos algo muito especial que não quero, nem pretendo perder. Não importa se você estava embriagada. A única coisa que importa é como nos sentimos agora.

- Não vê que cometi um erro? - ela indagou, com lágrimas nos olhos.

- Não, cara. Aí é que se engana. O que aconteceu entre nós não foi um erro.

- Será que agora não posso mais ter opinião?

- Neste exato momento, não. O puritanismo está tentando reaparecer.

Sirius subiu a escada, tirou-lhe a mala da mão e colocou-a de lado. O olhar de Nicole era feroz.

- Bella mia - ele sussurrou em desaprovação, passando as costas da mão no rosto macio. Ainda que não desejasse o toque, algo mais forte, irresistível, fez Nicole ficar parada, saboreando o carinho. - Não vá embora. Prometo que não vou forçar nada. Sei que precisa de um tempo para pensar e vou lhe dar esse tempo. Serei paciente.

- Sirius...

- Não há nada de que se envergonhar, nada de que se arrepender.

- Mas eu não quero! Não quero ter um caso com você. A noite passada foi uma loucura!

- Uma loucura melhor do que todas as que existem. Não negue o que está sentindo.

- Eu não sinto nada! - ela disse com violência. Carregou a mala com energia provocada pelo desespero e começou a descer a escada.

- Você não pode voltar para o escritório depois disso.
Sirius desceu correndo e parou na frente dela, no vestíbulo. Com mãos firmes, segurou-a, obrigando-a a encará-lo.

- Se pensa que vou ser sua amante, está muito enganado.

- O que eu lhe disse para não esquecer? Que não era assim que eu queria as coisas entre nós. Mas você não me ouviu e agora me culpa. Não é justo.

- Não estou culpando você - ela disse, chocada. - Só quero esquecer o que aconteceu. Apenas isso.

- Mas eu não vou entrar nesse jogo. E solte esse cabelo, preso como o de uma governanta antiga! – Sirius falou, alterado. Com um braço, puxou-a pela cintura e, com a outra mão, soltou-lhe os cabelos. - Você é uma mulher bonita. Aproveite sua beleza. Não tente escondê-la.

- Deixe-me ir!

- Tudo o que quero é levá-la para a cama outra vez - Sirius falou com paixão, apertando-lhe o abraço e acariciando-lhe o quadril, num gesto de intimidade.

Assustada, Nicole percebeu que não era imune àquele homem. Ao senti-lo contra seu corpo, notou que a pele se arrepiava e que um calor sensual a invadia.

- Pare com isso - implorou, quase sem forças.

- Só um beijo, e deixo você livre para trabalhar - ele propôs com um sorriso.

- Não! - Nicole se debateu.

- Mentirosa. Quer um beijo tanto quanto eu.

- Desculpe... Eu não percebi... e entrei pela porta dos fundos - uma voz os interrompeu.

Sirius deixou cair os braços na hora.
Nicole desviou o olhar. Horrorizada, enxergou Remo Lupin parado a pouca distância, com uma expressão incrédula que, momentos depois, recompôs.

N/A: Xiii! Babou! E agora?! Continua no próximo cáp.
Espero que tenham gostado e espero reviews.

Resposta á: Hera3304: Obrigado pelo review e sim James Potter e sua digníssima esposa, Liliam, darão o ar de sua graça, mas lá pro 5° cap.