The secret tales of sisterhood

II Le Rouge

Vermelho era a cor de todas as noites de lua cheia. Ruby sempre se tornava vítima da apreensão ao pôr do sol, pois aprender a controlar a transformação não era garantia de que não ocorresse algum acidente. Acidente este que em um piscar de olhos se tornaria tragédia e Ruby jamais se perdoaria. Apenas ela poderia saber como era tentador se deixar levar enquanto corria entre as árvores e uivava, permitindo que a consciência lupina dominasse por inteiro, até que ela acordasse no dia seguinte sem nenhuma memória somente o gosto de sangue na boca.

Vermelho era o ódio quando lembravam das mortes causadas pelo Lobo. Um demônio desprovido de qualquer racionalidade, reduzido a um mecanismo assassino vivo. Sobre os inúmero lares destruídos, promessas de vingança foram juradas na neve.

Vermelho eram seus lábios. Emoldurando um sorriso simpático, de quem compreende mesmo contra todas as probabilidades. Snow enxergava em seu coração a vontade sincera de nunca mais causar dor e sofrimento, e por tanto Ruby seria eternamente grata. Um sentimento inexplicável de pertencimento tomava-lhe conta quando Snow a abraçava, sussurrando palavras de conforto. Entre lágrimas, Ruby desejava ter nascido com o dom de parar o tempo, ao invés da animalidade.

Vermelho era o fruto proibido. Em um de seus passeios na forma lupina, observou Snow de longe, sem que a amiga humana tomasse conhecimento de sua presença animal. Na visão de seus olhos de fera por entre as árvores, Snow exalava uma fragrância cítrica e parecia incrivelmente irresistível. Seus movimentos naturalmente régios a hipnotizavam, mesmo à distância, e o Lobo pôde sentir os músculos retesados sob o pelo grosso. Quando a lua se foi, Ruby retornou, porém o desejo impronunciável permanecera em sua língua.

Vermelho era seu beijo. Com gosto de libertação, algo milhões de vezes melhor do que correr como o vento. Havia muito mais que Ruby gostaria que experimentassem juntas.

Vermelho era o tom em sua pele. Quando Snow se cobria de hesitação e achava que faziam algo errado. Ruby ria de leve, tomando para si o dever de assegurá-la, como Snow já havia feito por ela, que não poderia existir nada de errado quando estavam sendo apenas honestas consigo mesmas.


N/A: Uau, eu estou na verdade satisfeita com esse drabble. Talvez porque a inspiração surgiu de um post do tumblr, um cookie pra quem adivinhar.