Capítulo 2, Diário da Hinata (Diário de uma adolescente ninja)

Aquilo que há muito esperava tinha, finalmente, acontecido.

Aos poucos, voltei a sentir controlo do meu corpo. Os sentidos voltaram, lentamente. Apesar de já estar acordada não ousei abrir os olhos. O medo que aquilo tudo fosse um sonho matava-me. Ouvia a chuva a bater por toda a mansão mais, intensamente, nas janelas. O vento imitava tal e qual uivos de lobos, causando agitação no espanta-espíritos, oferecido pelo Kiba-kun.

Fechei os punhos, apertando o lençol da cama e abri os olhos, dominada pela inquietação. Olhei para todo o lado na expectativa de o encontrar. De o rever.

A desilusão invadiu-me. As lágrimas formaram-se nos meus olhos, vidrando-os. O Neji tinha razão. Não passava de uma ninja falhada controlada pelo coração. Foi então que senti um intenso cheiro a rámen no meu cabelo. Agarrei-o com as mãos e encostei-o às vias respiratórias para comprovar. Evidenciei o odor que imanava dele assim como testemunhei uma certa humidade. Afinal não era um sonho. Pus-me a pensar onde afinal ele estaria. Talvez tivesse ido embora, farto de eu estar constantemente a desmaiar, sempre que o via. Enxuguei os olhos no antebraço e saí da cama num salto.

Iria ter com ele e dizer-lhe o quão feliz ele me fazia. Depois iria abraça-lo com toda a minha força e, por fim, iríamos sentir o chakra um do outro, através dos nossos lábios, assim que nos beijasse-mos.

Vesti-me, apressadamente, para perder o mínimo de tempo possível. Arrastei a porta para a esquerda e saí do quarto em direcção à sala, sempre a correr.

E ali estava ele. Junto à janela. Observando atentamente a chuva a cair.

- Naruto-kun…

Ele voltou-se e sorriu para mim. Corri na sua direcção e abracei-o, fortemente, envolvendo os braços sobre o seu pescoço.

- Hinata. Estás a sufocar-me.

Soltei-o de imediato e ele, compreendendo o meu embaraço, sorriu novamente. Direccionei o olhar para o chão, como normalmente costumava fazer. Ele, com o seu indicador levantou-me o queixo.

- Naruto-kun, eu amo-te! – Olhei-o fixamente nos olhos. – Eu desde que te conheci que soube que te amava. – Coloquei as mãos no peito. – E apenas te quero dizer que, mesmo que tu não gostes de mim do mesmo jeito que eu gosto de ti, eu nunca desistirei desta paixão. – A minha voz estava firme e segura, outrora tímida e gaguejada. – Eu …

Ele interrompeu-me tapando-me a boca com o dedo. Aproximou-se de mim e envolveu-me nos seus braços. O meu sistema nervoso ordenou-me que encosta-se a cabeça ao peito dele. O meu corpo estava, momentaneamente, menos tenso.

Tanto eu como ele não dissemos nada. Despiu o casaco e colocou-o sobre os meus ombros. O meu olhar fixou o dele e vice-versa. Começou a aproximar a sua boca da minha. Os nossos narizes tocaram-se levemente e finalmente quando nos íamos beijar, a porta da entrada abriu-se.

- Hinata! Naruto?

- Neji! – Exclama-mos em coro.

- Mas que raio é que se passa aqui? O Hiashi não vai gostar nada de saber o que se passa aqui.

Agarrou-me pelo braço e afastou-me do Naruto. Pedi que me largasse e que deixa-se voltar para junto do meu "amante".

- Afasta-te dele, Hinata! – Gritou. – Byakugan!

Sentia raiva do Neji por me estar a fazer aquilo. Não acreditava que iria lutar contra o Naruto só porque nos tinha apanhado quase a dar um beijo na boca.

- Hinata concentra-te! Este aqui não é o verdadeiro Naruto. Isso só aconteceu porque não andas a aperfeiçoar devidamente as técnicas Hyuuga. Às vezes penso que não merecedora do sangue que te corre nas veias. Analisei o fluxo de chakra do seu corpo e não corresponde ao do verdadeiro. Para além disso, ele não traz o colar que a Tsunade-sama lhe ofereceu.

Levei a mão ao peito, quer de choque quer de cólera. Quem era ele? Como ousara brincar com os meus sentimentos? Como tivera a coragem de usar o henge no jutsu para se disfarçar do Naruto? Quão longe teria ido ele se o Neji não o tivesse desmacarado?

As veias em torno dos meus olhos dilataram activando o meu kekkei genkai (Byakugan). Corri em direcção do falso Naruto.

- Juuken!

Bastava raspar nem que fosse um pouco com as pontas dos meus dedos, no seu corpo para danificar-lhe alguns dos seus órgãos internos. Mal lhe tocasse, a luta estaria terminada. Embora estivesse a dar o meu melhor, ele desviava-se sempre das minhas ofensivas.

O Neji começou também a tentar golpeá-lo. Os seus movimentos eram rápidos e ligeiros e, para além disso, precisos, tal como o meu pai lhe ensinara.

O impostor esquivava-se de todos os ataques, como se conhece-se as nossas técnicas e os nossos estilos de luta.

Aproveitei o facto de o Naruto ter feito um mortal, evitando, assim um dos ataques do Neji, para lhe aplicar um golpe. Ele encontrava-se distraído com o meu primo, subestimando a minha força. Concentrei o máximo de chakra que consegui nas palmas das mãos e atingi-o, violentamente, nas costas.

- Juuken!

Com a força do ataque diria que lhe tinha lesionado a coluna vertebral, o que iria influenciar a sua locomoção.

- Neji!

- Hai Hinata!

O inimigo estava no círculo de ataque (hakkle) permitindo ao Neji começar o ataque.

- Juukenhou Hakkle – Hyakunijuuhachi Shou!

Ni shou (2 golpes);

Yon Shou (4 golpes);

Hachi Shou (8 golpes);

Juuroku Shou (16 golpes);

Sanjuuni Shou (32 golpes);

Rokujuuyon Shou (64 golpes);

Hyakunijuuhachi Shou (128 golpes).

Dos 361 tenketsus que o inimigo tinha, apenas 233 estavam agora abertos. Isso dava-nos uma certa vantagem uma vez que paralisava, temporariamente, 128 pontos de chakra e feria os órgãos internos do oponente.

Uma nuvem de fumo branco apareceu no ar e vários pedaços de madeira caíram no chão.

- Kawarimi. – Pensei.

De seguida, uma kemuridama (bomba de fumo) foi libertada. A composição química da bomba fazia arder os meus olhos, impedindo-me de utilizar o Byakugan.

- Desculpa-me Hinata. Não queria que as coisas acontecessem desta maneira.

Foi então que me beijou. Tentei empurrar mas bloqueou-me os braços. Apenas sei que deixei de pensar e deixei-me levar pelo momento. Deslizou as suas mãos pelo meu rosto. Eu agarrava-o pelos seus loiros cabelos. Depois passei pelo seu pescoço, pelo seu peito e, por fim, pelos seus robustos braços, como se ele fosse uma ilha ainda por explorar. Após isso, ouvi os vidros da janela a quebrarem-se.

- Hinata! – O Neji gritava pelo meu nome na tentativa de me encontrar.

Não liguei aos seus apelos. Ignorei-o por completo.

Abri os olhos repentinamente. Já não sentia os meus lábios molhados e a excitação já não percorria com a mesma intensidade no meu corpo. Ele tinha, simplesmente, fugido. E consigo tinha levada parte de mim… Suspirei.

O fumo que pairava no ar ia desaparecendo aos poucos, à medida que grandes quantidades de chuva e de vento entravam pela janela partida.

Sentia-me perdida. Apenas sabia que poucos segundos tinham passado desde a sua fuga e que já sentia falta dos seus lábios.