05h48min da tarde
Cena 2.9.4
Quase três horas se passaram. Carter já tinha atendido vários pacientes e traumas, faltando ainda intermináveis horas pra ele ir pra casa. Mas por incrível que pareça, ele não queria ir embora. Pelo menos, não ainda. Ele tentou se concentrar no trabalho, mas a ansiedade acabou sendo maior que o orgulho. John acabou indo até a recepção, pra ver se conseguia finalmente falar com ela.
JOHN: Hei, Frank, você viu a Abby?
FRANK: Quem?
JOHN: Abby. Cabelo preto, jaleco branco, olhos castanhos...
FRANK: Ha, ha. Muito engraçado.
JOHN: Por favor, Frank. – ele insistiu impaciente.
FRANK: Ela está lá fora esperando uma ambulância.
JOHN: Obrigado. – ele saiu rapidamente dali.
Lado de fora do hospital
Cena 2.9.5
Ao passar pela porta de entrada do E.R., ele a viu parada de costas pra ele, a uns 3 metros de distância. Carter balançou a cabeça, sorriu e foi se aproximando.
JOHN: Não vai nem me dizer "seja bem-vindo"? – ele indagou sorrindo. Ela se virou pra olhá-lo. Os dois se encararam durante algum tempo, até que ela finalmente falou algo.
ABBY: Então é verdade? Você realmente voltou? – ela indagou sorrindo também. – Eu já tava começando a achar que tinham mentido pra mim.
JOHN: Eu estou aqui, não estou? – ele falou abrindo os braços e dando mais alguns passos na direção dela. Carter a puxou pela cintura, dando-lhe um abraço, a deixando "meio" sem jeito.
ABBY: To vendo que você ta... Ótimo. – ela disse sorrindo quando os dois se separaram.
JOHN: É. – ele respondeu entusiasmado. Os dois não paravam de sorrir. Eles ficaram se encarando durante alguns segundos, dessa vez, mais sérios, mas logo voltaram a rir.
ABBY: Eu realmente não esperava te ver aqui. – ela afirmou sinceramente. Ele apenas sorriu.
ABBY: E a Kem? – ela perguntou depois de algum tempo, ficando mais séria. Carter parou de rir e balançou a cabeça, olhando pra baixo. – Oh, me desculpe, eu não deveria...
JOHN: Não, tudo bem. – os dois se olharam - Nós... terminamos. - ela o encarou - Aquele não era o meu lugar. Nunca foi.
ABBY: Eu sinto muito.
JOHN: Não sinta. – disse dando um sorriso falso e olhando pra ela. Depois os dois desviaram os olhares.
ABBY:
JOHN: E então? – Ela olhou pra ele.
ABBY: E então…?
JOHN: E você? Como vão as coisas por aqui?
ABBY: Está tudo bem.
JOHN: Como é ser uma R-3?
ABBY: É maravilhoso. Trabalho dobrado, salário baixo e ordens e mais ordens para serem cumpridas. – ela respondeu sendo sarcástica.
JOHN: É, parece que não mudou muito desde a minha época então. – ele respondeu sorrindo. Ela fez o mesmo. Depois de alguns segundos, eles caíram no silêncio e passaram a se encarar, porém desviavam logo o olhar.
JOHN: E o Jake?
ABBY: O que tem ele? – ela indagou sem entender.
JOHN: Como vocês estão?
ABBY: Na verdade... Nós terminamos.
JOHN: Oh...
ABBY: Ele está trabalhando em São Francisco agora. – ele olhou pra ela.
JOHN: Eu sinto muito.
ABBY: Tudo bem. Nós não tínhamos muito futuro juntos. Na verdade, futuro nenhum... – ela respondeu sorrindo. Ele fez o mesmo.
CHUNNY: Carter, a Weaver ta procurando você. – a enfermeira apareceu do lado de fora do hospital.
JOHN: O que ela quer?
CHUNNY: Eu não sei, parece que tem alguma coisa a ver com seus horários no hospital.
JOHN: Certo, eu já to indo. – ela voltou pro hospital. Abby olhou pra ele, que fez um gesto de "eu tenho que ir". – Eu acho que a gente se vê então.
ABBY: Claro. – Ele olhou pra ela a encarando durante mais alguns segundos, antes de sair dali. Quando Carter finalmente foi embora, Abby ficou parada, pensando. A sensação de vê-lo novamente e o jeito feliz dele a animara. Ele estava feliz em estar de volta e ela sabia disso. "Ele não está triste por ter acabado com a Kem". Era a única coisa que passava pela sua cabeça. Ela estava feliz. Abby estava feliz. Muito feliz. Tudo bem que ela nunca fora com a cara da nova, ops, ex-mulher dele, mas essa alegria tão grande... "Não, não, não, não. Não pense besteira, Abby!" Ela ordenou a si mesma inutilmente.
ABBY: Ele tá lindo mesmo. – ela afirmou de repente sorrindo e saindo dali rapidamente como se quisesse fugir desses pensamentos.
06h38min da noite
Cena 2.9.6
JOHN: Ele namora uma mulher casada?
CHUNNY: Não sei, só sei que ela liga pra ele todos os dias...
HALEH: Mais de quatro vezes...
CHUNNY: Mas ele nunca atende. Ou então, quando atende, pede pra ela não ligar mais pra ele.
JOHN: Uau! E eu que pensava que esse lugar ainda era o mesmo!
ABBY: Sessão fofoca? – ela indagou chegando junto deles com umas duas pranchetas na mão.
CHUNNY: A Abby já atendeu uma ligação dela.
JOHN: É?! O que ela te disse?
ABBY: De quem vocês estão falando? – os três a encararam seriamente – Ah, não. O tema não muda nunca?!
CHUNNY: Ah, Abby, dá um tempo. O Carter acabou de voltar, ele tem que se informar dos acontecimentos.
JOHN: É, Abby, eu tenho que me manter informado. E além do mais, desde quando você reprime fofoca? Você era a mestre nisso, quando eu deixei esse hospital.
ABBY: O que?! – ela olhou pra ele fazendo uma cara de indignada.
JOHN: Brincadeira, brincadeira. A Susan que era. Você era apenas a... Sub-mestre. – ele respondeu saindo de lá. As enfermeiras riram.
HALEH: Ele não tem jeito.
CHUNNY: Não mesmo. – Abby acabou se rendendo e deu um sorriso. – Ele parece estar bem.
HALEH: Parece que ele nunca saiu daqui, isso sim. – ela afirmou saindo de lá, e em seguida, Chunny. Abby ficou parada observando-o atender um paciente na sala de trauma e rindo ao lembrar da frase da enfermeira.
07h56min da noite
Cena 2.9.7
Ele estava do lado de fora do hospital jogando basquete, quando Abby apareceu.
ABBY: Péssimo arremesso. – Os dois se olharam.
JOHN: Ah é? Consegue fazer melhor? – ele lhe passou a bola.
ABBY: Claro. E de olhos fechados. Observe. – ela arremessou. A bola bateu no aro e voltou.
JOHN: Nada mal. – Abby riu – Você já ta de saída?
ABBY: Não, ainda tenho que ver um paciente.
JOHN: Hum... Hei, eu estava indo pro Ikes comer alguma coisa. O que você acha? – ela o encarou, hesitando um pouco.
ABBY: Claro. Vamos.
Ikes, 5 minutos depois, já sentados numa mesa.
Música de Fundo: Take me away (versão acústica) – Lifehouse
Cena 2.4
JOHN: Nossa, faz um tempo que eu não venho aqui. – ela olhou ao redor.
ABBY: Não mudou em nada. – ele fez o mesmo.
JOHN: Eu senti falta desse lugar.
ABBY: E quanto às pessoas?
JOHN: Algumas em especial...
ABBY: Como eu, por exemplo?
JOHN: Claro, você foi minha prioridade.
ABBY: Obrigada. – ela respondeu sorrindo.
GARÇONETE: Vocês querem pedir alguma coisa? – ele olhou pra ela.
ABBY: Um sundae de chocolate pra mim. – a moça olhou pra John.
JOHN: Café e um pedaço de torta.
GARÇONETE: Ok. Eu já volto.
JOHN: Obrigado. – os dois se calaram.
ABBY: E então? – ele olhou pra ela.
JOHN: E então?
ABBY: Você já viu muitos conhecidos?
JOHN: Só você, Malik, Chunny, Haleh, Pratt, Kovac e o Jerry. Ah, e também não posso esquecer do Frank.
ABBY: Não mesmo. – respondeu sorrindo.
JOHN: Hum, eu finalmente conheci o famoso novo atendente. – ele disse sorrindo.
ABBY: O Clemente?
JOHN: É. Ele parece ser legal, apesar dos pesares. – Abby sorriu.
ABBY: É, eu também acho. – eles se olharam - E a Eve?
JOHN: A nova chefe de enfermagem?
ABBY: É.
JOHN: Ela é um pesadelo! – Abby começou a rir da cara de assustado dele – O que foi?
ABBY: Nada.
GARÇONETE: Aqui está. – ela os serviu - Sundae, café e torta.
JOHN: Obrigado. – ela saiu de lá. Carter ficou observando Abby tomar um pouco do sundae e começou a rir.
ABBY: O que? – ela indagou rindo também.
JOHN: Nada, é que... O nosso começo há seis anos atrás foi do mesmo jeito. Torta, café, sundae de chocolate... – ela deu um sorriso.
ABBY: É, só estão faltando os vícios. – ele riu, retornando ao lanche. Abby ficou olhando pra ele durante algum tempo.
ABBY: Hei. – Carter olhou pra ela – Eu estou feliz por você ter voltado. – ele ficou encarando-a.
JOHN: É, eu também.
Vinte minutos depois, os dois voltaram pro hospital.
Cena 2.9.8
JOHN: E a Maggie e o Eric? Você teve notícias? – ele perguntou enquanto os dois caminhavam.
ABBY: Tive. Ela está bem, ambos estão.
JOHN: Eles estão em algum programa?
ABBY: Não. A Maggie e ele se consultam com um psiquiatra duas vezes na semana.
JOHN: E você concorda com isso? – os dois se olharam. Abby deu de ombros.
ABBY: Eles estão bem desse jeito. Claro que eu ainda tenho medo, mas... – Carter a encarou - está dando certo, não é? – ela virou os olhos, mas logo voltou a encará-lo. Ele tinha uma expressão séria no rosto.
JOHN: Eu fico feliz por vocês. – ela balançou a cabeça.
ABBY: Eu também. – eles se olharam rapidamente e entraram no E.R. – Quando você sai daqui?
JOHN: Daqui a 20 minutos. A Weaver me deu só meio-turno.
SUSAN: Oh meu Deus! John?! – ela gritou do outro lado do hospital.
ABBY: Tente não ser morto durante um abraço. – ela disse se afastando dele. Carter ficou rindo.
JOHN: Hei, Suzzie. – ele disse quando ela chegou perto dele.
SUSAN: Meu Deus! – os dois se abraçaram – Eu senti saudades!
JOHN: Eu também.
SUSAN: Você finalmente decidiu voltar?
JOHN: Finalmente? – ele indagou.
SUSAN: Aquele não era o seu lugar.
JOHN: É, eu acho que já sei disso agora.
SUSAN: Quando você voltou?
JOHN: Ontem.
SUSAN: Você e a Kem... – Carter abaixou a cabeça. Susan parou de falar. – Eu sinto muito.
JOHN: Tudo bem. Nós sabíamos que não ia durar muito. Na verdade, durou mais que o esperado.
SUSAN: John...
JOHN: Ta tudo bem. – Susan o encarou - De verdade. – ele confirmou balançando a cabeça. Ela deu um sorriso amigável.
SUSAN: Mas e aí? Onde você estava? Quando vi o seu nome no quadro, eu não acreditei.
JOHN: Eu estava no Ikes com a Abby.
SUSAN: É mesmo?! – ela mudou para um tom mais insinuador.
JOHN: Pára. – ele disse recriminando-a ao perceber o que ela tentava falar.
SUSAN: Parar o que? Eu não disse nada. – ela retrucou levantando as mãos.
JOHN: Mas ta querendo dizer...
SUSAN: Como você sabe o que eu quero?
JOHN: Eu conheço você, Susan.
SUSAN: Eu só estou dizendo: dois ex, tomando café juntos no primeiro dia de reencontro, é muito... Amigável. – ela disse rindo. Ele a recriminou com os olhos.
ABBY: E aí? Já matou as saudades dele? – Ela apareceu junto dos dois.
SUSAN: Por quê? Você já quer roubá-lo de mim de novo? – Abby não soube o que responder, ficando completamente sem graça.
JOHN: Ignore-a. – ele disse a "salvando" – O que foi?
ABBY: Eu preciso que você examine um paciente meu.
JOHN: Claro. Qual o nome dele? – os dois saíram andando.
ABBY: Erik Thomas, 19 anos, tem febre, tosse, dores abdominais e pressão alta.
JOHN: Ok. – ele abriu as cortinas – Hei, Erik. Eu sou o Dr. John Carter.
PACIENTE: Hei, doutor.
JOHN: Você pode me dizer por que veio parar aqui?
PACIENTE: Por que ta doendo.
JOHN: Onde está doendo?
PACIENTE: Aqui. – ele respondeu apontando para o abdômen.
JOHN: Aqui? – Carter indagou tocando onde ele afirmou doer.
PACIENTE: Ai! – reclamou Erik.
JOHN: Ok, obrigado. Abby. – ele fez sinal pra ela ir pra fora da sala. Os dois saíram. – Chame o Dubenko e peça uma consulta.
ABBY: Certo. E os exames?
JOHN: Peça RX do pulmão, CBC, ABC, TT/PTT e exame de sangue.
ABBY: Sem toxicológico? – os dois se encararam.
JOHN: Boa idéia.
CHUNNY: Hei, Carter. – a enfermeira veio de encontro a eles – Tudo em pé pra hoje à noite?
ABBY: Hoje à noite? – ela indagou olhando pra ele.
CHUNNY: É. Nós vamos pro Voulcain´s comemorar a volta dele.
ABBY: Nós? – ela continuava a encará-lo. Carter fez uma cara de "eu não tenho idéia".
CHUNNY: O pessoal do hospital.
JOHN: Eu não me lembro de ter marcado nada. – ele disse se defendendo.
CHUNNY: Foi a Susan. Ela que armou tudo. A única coisa que você tem que fazer é aparecer lá pelas 9:30. Você e a Abby, claro.
JOHN: Às 9:30? Eu não sei se...
ABBY: Ele estará lá. – ela falou interrompendo-o. Carter a olhou indignado, mas ela fingiu que não viu.
CHUNNY: Certo então. Até daqui a pouco.
ABBY: Até. – Chunny foi embora e Abby recomeçou a andar. Carter foi atrás.
JOHN: Como você sabe se eu vou ou não?
ABBY: Carter, aprenda uma coisa. Se eu vou, você vai, ok?
JOHN: Ok, mãe. – Abby deu um sorriso e os dois entraram na SDM. Ela encostou-se à parede e ele foi até o armário. Enquanto vestia o casaco, Carter ficou olhando pra ela.
ABBY: O que? – ela indagou.
JOHN: Eu já falei o quanto esse jaleco fica bem em você? – ele disse apontando pra roupa dela.
ABBY: Na verdade, não. – ela respondeu o encarando, esperando algum elogio.
JOHN: Bem, fica... Lindo.
ABBY: O jaleco?
JOHN: O conjunto todo. – ela riu.
ABBY: Obrigada. – os dois se olharam. Ele já todo pronto. – Você já vai mesmo?
JOHN: Vou. – ele se aproximou um pouco. – Foi bom te ver de novo.
ABBY: Eu acho que a gente ainda vai se ver por muito tempo.
JOHN: É, eu acho que sim. – ele disse sorrindo. – Tchau, então.
ABBY: Te vejo daqui a pouco.
JOHN: Pode apostar. – ela riu e ele foi embora. Ela ficou lá dentro por um tempo, até que foi interrompida por Malik.
MALIK: Abby, ambulância chegando.
ABBY: Eu já vou. – ela respirou fundo e saiu da sala. – O que aconteceu?
FRANK: Assalto a banco. Três foram levados ao Mercy. Um bandido e o balconista tão sendo trazidos pra cá. – ela deixou as fichas na recepção e foi pro lado de fora esperar eles chegarem.
10h28min da noite
Cena 2.6
O dia foi exaustivo. O hospital recebeu vários traumas e o movimento foi calmo. Somente à medida que o tempo foi passando que o ritmo caiu. Abby estava na SDM se trocando, quando Susan entrou.
SUSAN: Hei. – Abby olhou pra ela.
ABBY: Oi.
SUSAN: Você não deveria ter saído às oito?
ABBY: É, mas é que eu tive que ficar pra preencher umas fichas.
SUSAN: Por 2 horas e meia? – ela indagou. Abby não respondeu, apenas se sentou numa cadeira.
ABBY: Hei, Susan. Eu posso te perguntar uma coisa?
SUSAN: Vá em frente. – ela respondeu abrindo o armário.
ABBY: O que você quis dizer naquela hora?
SUSAN: Que hora?
ABBY: Que eu chamei o Carter e você estava falando com ele. – Susan olhou pra ela e sorriu – O que?
SUSAN: Você realmente não sabe? – as duas se encararam – Não é nada demais, esquece.
ABBY: Oh, vamos. Você alimenta e depois foge?!
SUSAN: Eu queria falar, mas não eu posso. O Carter me mataria. – ela disse olhando pra Abby.
ABBY: Boa tentativa.
SUSAN: Pareceu sincero?
ABBY: Definitivamente. – Susan riu – Fala! – ela disse ansiosa.
SUSAN: Tudo bem. É que... O Carter ainda gosta de você.
ABBY: O que? – foi a única coisa que saiu.
SUSAN: Pronto, falei. Ele vai me matar.
ABBY: Ele... Te disse... Isso?
SUSAN: Disse.
ABBY: Mas... Como?
SUSAN: Como o que?
ABBY: Como ele disse? Ele chegou pra você do nada e falou que ainda... – ela parou de falar.
SUSAN: Te amava? – ela completou. As duas se olharam. – Não foi do nada.
ABBY: Então como foi?
SUSAN: Bom, a gente tava conversando sobre... Ele e Kem... E você e a Kem... E... – Abby estranhou a história – Ta bom, ele não disse isso.
ABBY: Inacreditável. – ela afirmou se levantando.
SUSAN: Mas queria, eu juro! – ela se defendeu rindo.
ABBY: Você não presta. – ela disse deixando a sala. Susan ficou lá rindo sozinha.
11h48min da noite, no Voulcain´s
Cena 3.0
Música de fundo: One way or another (Blondie)
Já estavam lá Malik, Chunny, Haleh, Pratt, Clemente, Judie, Ray e Carter quando ela chegou.
ABBY: Oi todo mundo.
TODOS: Hei, Abby.
JOHN: Eu achei que você não vinha mais. – ele falou chegando perto dela.
ABBY: Eu dei uma passada em casa antes de vir.
JOHN: Você não sairia às oito?
ABBY: É, eu meio que me atrasei. – ela disse sorrindo e sendo acompanhada por ele.
JOHN: Você ta com fome? Quer pedir alguma coisa?
ABBY: Não, eu estou bem.
JOHN: E uma bebida? – os dois se olharam.
ABBY: Isso seria bom. – Carter fez um gesto e o garçom logo veio atendê-los.
JOHN: Oi. Você poderia trazer um... – ele olhou pra ela.
ABBY: Club soda. – ela completou.
GARÇOM: Um club soda para a senhorita. Já está saindo.
JOHN: Obrigado. – ele saiu de lá, deixando os dois calados.
ABBY: - ela olhou pra ele.
JOHN: - ele olhou pra ela. Os dois desviaram o olhar, mas logo quebraram o clima.
JOHN: Você quer sentar?
ABBY: Claro.
JOHN: Aqui. – ele afastou a cadeira pra ela.
ABBY: Obrigada. – ela respondeu se sentando. – Boa festa.
JOHN: Claro, não fui eu quem planejou.
ABBY: É, eu sei. – ela respondeu sorrindo.
JUDIE: Então, Abby. – ela puxou assunto.
ABBY: Hum. – ela respondeu.
JUDIE: É verdade que você e o Dr. Carter tiveram um caso? – Abby hesitou um pouco.
ABBY: Ahn... Um caso?
JUDIE: É. Me disseram que vocês namoraram durante um ano.
ABBY: Sim, é verdade.
JUDIE: Por que vocês terminaram? – os dois ficaram sem saber o que falar.
ABBY: Bom...
JOHN: Nós não... – ele tentou.
ABBY: Ele me deu o fora. – ela falou rapidamente impedindo-o de protestar.
JUDIE: Ele o que?!
ABBY: Ele foi pra África e terminou comigo por carta.
JOHN: Também não é desse jeito. – ele tentou se defender.
ABBY: Então como é? – ela indagou olhando pra ele. Carter não respondeu.
JUDIE: Por que ele foi pra África?
ABBY: Eu não sei. Ele disse que estava perdido e meio que se encontrou por lá. CLEMENTE: Como? – ele indagou estranhando tudo.
ABBY: Engraçado, eu fiz a mesma pergunta.
JOHN: Ouça, não foi bem assim. O que eu e a Abby tivemos foi inesquecível. A melhor coisa da minha vida foi tê-la ao meu lado por aquele um ano. O carinho que eu sentia e ainda sinto por ela dura até hoje. A nossa amizade significa muito pra mim e eu sei que pra ela também, mas eu... Eu errei. Eu me encantei pela África, mas mesmo assim eu voltei. Eu voltei por ela, pra ficar com ela. – Abby se sentiu incomodada e magoada ao mesmo tempo – Mas aí algumas coisas aconteceram... – ela abaixou a cabeça – Eu fui um idiota, um canalha. Ela pode não ter me castigado, mas eu me arrependo da besteira que fiz até hoje. A Abby... a Abby foi a única mulher que eu tive vontade de casar, ter filhos, constituir uma família completa com filhos, netos, bisnetos e até congregados. – todos sorriram, inclusive ela – Não tem como explicar porquê terminou. Nós estragamos, eu estraguei tudo. Eu amava a Abby. Eu a amava de verdade.
JUDIE: Amava? – ela indagou. Carter não soube o que dizer, mas acabou sendo salvo pelo garçom que vinha trazendo a bebida dela.
GARÇOM: Seu club soda senhorita.
ABBY: Obrigada.
SUSAN: Salvo pelo gongo, hein? – ela falou baixinho pra ele. – Então, Judie, de onde você conhece o Vic? – ela o ajudou a mudar de assunto. Carter olhou pra Abby, que sorriu pra ele.
2 da manhã
Cena 3.1
O resto da noite foi muito agradável. Susan foi a salvação da noite. Mais animada que todos que estavam ali, ela fez várias piadas, ironias e contou histórias de Carter. Todos morriam de rir com sua super narração, é claro. Quando madrugou, é que Abby anunciou que ia embora, mas não sem antes passar um guardanapo escondido com algo escrito pra Carter.
SUSAN: Mas já?! – ela indagou decepcionada.
ABBY: São 2 horas da manhã! – ela respondeu - Você também tem que voltar pro seu marido e pro seu filho.
SUSAN: É verdade... talvez daqui a meia hora. – ela falou rindo.
ABBY: Bom, mas infelizmente, pra mim a noite acabou. Boa noite pra quem fica.
SUSAN: Eu acho que já é bom dia.
ABBY: Tchau.
TODOS: Tchau. – ela saiu de lá e ficou parada do lado de fora durante uns 3 minutos.
ABBY: Você demorou. – ela disse quando ele apareceu lá.
JOHN: Eu disse que ia ao banheiro. – explicou. – O que foi?
ABBY: Eu queria te fazer um convite. – ele olhou pra ela sem entender - Pra dar um passeio pela beira do rio comigo.
JOHN: Beira do rio? Você e eu?
ABBY: É. Se você não quiser...
JOHN: Vamos. – ele a interrompeu.
ABBY: Você tem certeza? – ele segurou a mão dela a puxando pra ir com ele.
02h34min da manhã
Cena 3.2
Música de Fundo: You and Me – Lifehouse
Os dois andaram de mãos-dadas por uns 30 minutos. Eles conversaram, relembravam algumas cenas, e até riram dos absurdos que falavam. Estavam agora parados, apoiados na beira do rio, observando-o, quietos durante alguns minutos, quando Abby tocou no assunto.
ABBY: Eu não sabia. – ele olhou pra ela.
JOHN: Não sabia o que? – ela hesitou um pouco.
ABBY: Você realmente quis ter filhos comigo? – os dois se encararam durante alguns segundos. Carter desviou o olhar pro rio e em seguida pra ela.
JOHN: Mais do que qualquer coisa.- ela sorriu e eles ficaram em silêncio.
ABBY: Quantos? – ela indagou de repente.
JOHN: Isso depende da sua capacidade de reprodução.
ABBY: Carter! – ela bateu no ombro dele e os dois sorriram.
JOHN: Eu não sei. Dependendo do que você quisesse, nós teríamos a Sarah, o Adam, o Ben, a Julie e a Lauren em pouco mais de cinco anos.
ABBY: Isso tudo?! – ela indagou rindo.
JOHN: Por que não?
ABBY: Por quê?! – ele a encarou – Você diz isso porque não seria o seu corpo que ficaria uma desgraça!
JOHN: Você sabe que seu corpo não vai ficar feio nunca.
ABBY: Depois de tantos filhos?! Se ele ficar mais ou menos já vai ser um milagre!
JOHN: Abby, o seu corpo é lindo. Perfeito. Não vai deixar de ser assim nunca. – ela virou os olhos e sorriu. Ele olhou pro rio e em seguida pra ela.
ABBY: Nós seríamos felizes? – ele olhou pra Abby, que só depois de alguns segundos, o encarou seriamente.
JOHN: Se não fossemos, eu daria um jeito. – os dois se encararam – Muitas coisas teriam sido diferentes, mas... Sim, nós seríamos muito felizes. – ele disse balançando a cabeça positivamente. Eles ficaram se olhando durante alguns segundos.
JOHN: Ta ficando tarde. – ele disse mudando de assunto e indo se sentar no banco. Ela sentou ao lado dele.
ABBY: Eu to exausta. – ela resmungou colocando a mão no rosto.
JOHN: Você quer que eu te leve pra casa?
ABBY: Não. – os dois se calaram. Abby ficou passando a mão no rosto, quase dormindo sentada.
JOHN: Você acha que eles estão com saudade da gente?
ABBY: Quem?
JOHN: O pessoal que ficou no bar.
ABBY: Que nada. Eles ainda têm a Susan pra interagi-los por pelo menos 2 horas. – ele riu – Que sono! – ela reclamou.
JOHN: Ta com frio?
ABBY: Eu estou bem.
JOHN: Quer um café? - ela olhou pra ele.
ABBY: Onde você vai arranjar um café aqui perto à uma hora dessas?
JOHN: Boa pergunta. – ele pensou um pouco – Bom, se você quiser, a gente pode dar uma passada no Ikes pra comer alguma coisa. O que você acha? – quando ele olhou pra ela, Abby já estava de olhos fechados, dormindo com a cabeça no seu ombro. Ele pensou em acordá-la, mas preferiu olhá-la. Ele ficou observando ela dormir durante alguns minutos, até que finalmente, ele saiu do seu relapso.
JOHN: Abby. Abby acorda.
ABBY: Hum… - ela resmungou sem abrir os olhos ou sequer se mexer.
JOHN: Você não pode dormir aqui.
ABBY: Por que não? – ela indagou ainda na mesma posição. Ele não soube o que fazer.
JOHN: Porque nós não somos casados e porque estamos no meio da rua.
ABBY: E daí? – ela indagou abrindo os olhos. Os dois se encaram, seus rostos a apenas alguns centímetros de distância. Ele sorriu.
JOHN: Vamos, eu te levo. – ele disse se levantando e ajudando-a a fazer o mesmo.
ABBY: Não, vamos ficar...
JOHN: Eu te ajudo. – ele a segurou pela cintura e foi manuseando-a até o carro. A ajudou a sentar no banco, e tomou o caminho pra casa dela. Quando chegou lá, a levou da mesma maneira até a entrada. Abriu a porta do apartamento e a carregou no colo até o sofá, fechando a porta com um chute.
ABBY: Eu nunca gostei tanto desse sofá... – ela resmungou desmaiando de sono. Carter ficou sem saber o que fazer.
JOHN: Abby, você tem que acordar pra eu te levar pro quarto. – ela não respondeu, continuou deitada na mesma posição – Você tem que se trocar... – Nada. Nem um movimento – Mas, aparentemente, eu vou ter que fazer isso sem a sua ajuda. - Ele chegou perto dela, colocou um braço nas suas costas e a pegou no colo. A carregou até o quarto, a colocando com cuidado na cama. Tirou sua bota e seu casaco e a posicionou embaixo do cobertor. Carter ajeitou algumas coisas bagunçadas no quarto e depois voltou sua atenção pra Abby. Chegou mais perto, e passou a mão delicadamente no seu rosto, lhe dando um beijo na testa. Em seguida, apagou a luz do quarto e foi embora de lá, deixando a chave embaixo do tapete.
