Capítulo 2 – "Compromisso"

A carta lida por Integra foi o que mais a envolveu nesse mistério. Queria saber o porquê de seu pai nunca falar de sua mãe. O que ele escondia dela?

- Alucard! Alucard! Onde está você? – Clamava.

- Estou aqui.

- Pois bem. Quero que me responda. O que quis dizer com "mulheres não mudam nunca"?

- Nada.

- Não aceito esta resposta! Quero saber. E também, quem era Varlett? Minha mãe tinha alguma ligação com ele, preciso saber.

- Sua mãe? Era por acaso sua mãe Lirium?

- Como sabe o apelido de minha mãe? Você a conheceu?

- Conheci sua mãe. Muito bem.

- Muito bem? Como assim? Ajude-me Alucard... Por favor.

- É a primeira vez que a ouço pedir "por favor". Bem, irei ajudá-la. Deixe-me explicar umas coisas do passado.

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Estavam no século XIX. Num dia frio de outono. As folhas caíam com o bater dos ventos e uma jovem dama caminhava entre elas.

Seus passos graciosos apressaram-se ao encontro de um homem que a esperava embaixo de uma grande árvore.

- Sinto a demora.

- Tudo bem, não está atrasada. Adiantei-me.

- Para onde vamos?

- Vamos iniciar com a vista do da torre central, depois vamos às lojas e aos parques, por fim, veremos o pôr-do-sol no alto da montanha. Gostaste?

- Adorei. Fostes ti que planejou isso?

- Especialmente.

Caminharam para a torre, grande, linda. Subiram e de lá viam todos os lugares e pessoas ao redor. O vento balançava os cabelos loiros da dama que segurava seu delicado chapéu. O homem ao seu lado a olhou. Seus olhos azuis encontraram os dele e essa troca transmitiu todo o amor reprimido.

Depois de descerem andaram pelo parque, compraram lembranças nas lojas e o dia estava acabando.

Estavam no alto da montanha, a vista do rio proporcionavam-lhes uma visão perfeita da cidade e tão famoso pôr-do-sol que estava a chegar.

Quando a tarde estava acabando, o casal aconchegou-se abaixo de uma árvore e acompanharam juntos.

- Preciso contar-lhe algo importante. – Falou com tom de tristeza.

- Já imagino o que seja. Foi por isso que me trouxe aqui não foi? – Ele a olhou espantado. – Não importa, foi um dia muito agradável.

- Como deve imaginar, terminei meu invento. E agora preciso testá-lo. Mas ninguém quis se comprometer a me ajudar. Testarei por mim mesmo.

- Era mesmo o que eu pensava... Sei que não poderei impedi-lo, mas ainda temo sua vida. Já não basta ter meu pai ameaçando-o, ainda arriscas sua vida por uma crença cega e infundada?

- Acredita-me! Criaturas da noite vagueiam pela cidade, e atacam pessoas sugando-lhes o sangue! Esperava que pelo menos acreditasse em mim, Lirium.

- De certa forma eu o faço. Meu amor por ti permite tudo, Varlett, tudo.

- Creio que breve somente possamos nos ver a noite.

§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§ Alguns meses depois §§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§

Era uma noite fria, porém calma. Ele esperava pela dama ainda não atrasada. Olhava para a lua brilhante. Ouviu um barulho de passos, achou que ela finalmente veio ao seu encontro. "Ela marcou esse encontro, deve ter algo importante para me contar" Pensou.

Os passos eram calmos e tentavam ser silenciosos, impossível, pelas folhas secas que formavam o caminho. E dentre a escuridão surgiu um homem.

- Então se encontra com minha filha as escondidas? Vampiro maldito! Amaldiçoada seja toda sua raça!

O homem tirou de seu bolso uma arma.

- Jamais deixarei sua maldição cair sobre minha família!

Atirou. Mas como o esperado, nada aconteceu. Varlett agora não tinha outra escolha, seu instinto dizia que ele deveria atacar todo aquele que representasse perigo á sua existência.

Muitos outros homens com tochas, lanças, estacas, apareceram cercando-o.

Ela ouviu seu grito de dor. Sabia o que isso simbolizava.

- Varlett... Adeus.

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- Conte esta história direito! Como minha mãe pode ter amado um vampiro? O que aconteceu? Como você sabe dessa história?

- Terá de descobrir sozinha.

- Alucard! – Desapareceu na escuridão – Então terei de descobrir sozinha não é?

As pistas que reuniu até agora eram: Um relógio com a hora errada. Uma chave. Uma carta.

O que tudo isso tem a ver com Varlett? Victoria? Com a mãe de Integra?

- Muito bem, vamos analisar os fatos: Uma carta de Victoria dizia que ela pesquisava a origem dos Freaks. Também chamava Alucard ao caso com o nome Varlett. Varlett é o nome da marca de relógio de meu pai. Que continha a chave escondida para o quarto de minha mãe, cujo amante um dia também se chamou Varlett. Não faz sentido algum. – Pensou que talvez a história de Alucard fizesse algum sentido nesse mistério. – Na história de Alucard, Varlett diz ter concluído uma invenção. Que invenção poderia ser essa? E se ele era um vampiro, porque andava a luz do dia? E o que ele tem a ver com a criação dos Freaks? Espera... A não ser que tenha sido ele que...

- Muito bem Integra, sabia que chegaria na resposta.

- Então foi Varlett que criou o chip? Ele criou os Freaks? – Alucard sorriu malicioso. – Victoria descobriu isso? Quero mais pistas! Como posso chegar a algum lugar assim? – Jogou tudo que havia na mesa ao chão. – Saia Alucard.

Agora ia tentar juntar as peças desse quebra-cabeça.

- Para sabermos o que aconteceu é melhor ir ao local do crime. Mas há tantos lugares que possuem torres... Como posso saber onde isso aconteceu? Droga! – Sentou-se. – O relógio de meu pai! Ele marca uma hora diferente!

O relógio de sua sala marcava 6:28. O relógio de seu pai marcava 7:28. Uma diferença de uma hora. Que lugar do mundo tinha esse fuso horário?

Paris e Berlim. Analisando que no século XIX a Alemanha estava passando por problemas, não era possível que sua mãe estivesse lá. A torre que ele viram era provavelmente a Torre Eiffel! Ótima conclusão. Mas será que está certa?

Estava tudo planejado. Walter cuidaria das coisas por uns tempos enquanto Integra viajaria para Paris e Berlim. Era na verdade perda de tempo viajar para duas cidades, tinha de decidir ou saber qual delas era. Não havia ninguém a quem perguntar e era orgulhosa de mais para pedir a Alucard. E ele poderia saber?

Apenas uma pessoa sabia da resposta.

Antes de Integra se deitar, Alucard apareceu das sombras. Sentou-se olhando fixamente e sorrindo.

- Porque não pergunta à policial? Tenho certeza, ela te dará mais pistas, se assim o quer. Afinal ela descobriu. Já olhou nas coisas dela? Seria uma boa idéia.

- Não me faça de idiota! As coisas dela ainda não foram retiradas. Ainda não tivemos tempo. E sabe muito bem porque não posso perguntar a Victoria!

Sim, há mesmo uma razão para que Integra não possa perguntar a Celas. Simplesmente porque Celas Victoria está morta.

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Oi! Demorou, mas tá aqui o segundo capítulo. Desculpem se foi sem graça, mas o caso da mãe da Integra tinha de ser esclarecido. No próximo capítulo vai ter mais ação.

Obrigada por lerem.

Agradeço muito as reviews. Realmente ajudam.

Até mais.

Adriana Paiva: Obrigada por ler . E suas perguntas serão respondidas ao longo da fic. Espero que goste. Kiss

Shakinha: Varlett era mesmo o nome dele. Mas ainda tem muitas coisas a acontecer por aqui. Obrigada por ler. Beijos