Disclaimer: Final Fantasy VIII e seus personagens não são meus. Eu não recebo dinheiro algum por escrever fanfics, sou apenas um pobre autor.
Pares: IrvinexSquall, LagunaxSquall, SeiferxZell
Avisos: Yaoi, Incesto. Lemon. Universo Alternativo.
Sinopse: Os garotos do orfanato embarcam numa viagem para comemorar o aniversário de Squall. Mal ele sabia que isso levaria a uma mudança no seu relacionamento com um pai recentemente descoberto e seu amigo de infância.
De Agora em Diante
Capítulo 1
Fones enchiam os ouvidos de Zell com música alta enquanto ele andava pelas ruas. Era incrível como ele conseguia não trombar em nada tendo seus olhos grudados na tela do videogame portátil.
- Ei... Você é... ah...
O loiro continuou andando, sem perceber que alguém o estava seguindo de perto.
- Hum... Você pode me ouvir?
- SIM, eu consegui! – Zell gritou entusiasmado após derrotar o último chefe. Ele parou bem no meio da rua e inesperadamente sentiu alguém trombar nele. O garoto permaneceu imóvel, por um momento acreditando que havia sido atingido por um carro. Ele prendeu a respiração até que ele se deu conta que nada tão trágico havia acontecido, então ele tirou os fones de ouvido e parecia que alguém tentava falar com ele.
- Foi mal, cara! Eu não pretendia... Você está bem? – O adolescente de cabelos negros perguntou, preocupado com a expressão no rosto de Zell.
- Ah, não é nada! Não se preocupe! – Recuperando sua calma, o garoto continuou em seu caminho.
- Espera!
- Tá tudo bem! Não aconteceu nada! Ninguém está ferido!
- Você não é o amigo do Irvine?
Zell se virou e olhou mais uma vez para o outro garoto. – Não.
- Ah, desculpa, eu pensei que ele era um dos seus amigos, eu vi vocês dois conversando outro dia na classe...
- Ah... é! Quero dizer, não! Não, quero dizer, sim! Bom, nós não somos amigos, mas eu conheço ele. Ele é meu irmão... mais ou menos. É complicado.
- Ah... – disse o rapaz confuso.
- Você é amigo dele?
- Não. Quero dizer, eu não sei. Ele fala comigo às vezes. Ele me convidou para entrar no grupo para um trabalho, então eu tô indo na casa dele agora.
- Então a gente pode ir junto! Eu também tô indo lá!
- Então tá! – O garoto tímido sorriu. – Meu nome é Nida.
- Ah, sim! Nida, agora eu lembrei o seu nome!
- Eu sei que a maioria das pessoas nem percebem que eu existo...
- Não fala isso! Você tá na nossa sala só uma semana, logo você vai ter um monte de amigos!
- Mas já faz dois meses... – O garoto suspirou.
- O que você tá achando da escola? Tá gostando? – Os dois continuaram a caminhar.
- É melhor do que a minha outra em Timber.
- Ah, então você é de Timber! Tem uma garota de lá na nossa turma.
- Eu sei... Heartilly...
- Ela tá no nosso grupo também.
O coração de Nida começou a bater mais rápido.
- Eu escutei o meu nome? – Alguns passos se aproximaram dos garotos.
- Oi, Rinoa, nós estávamos falando de você porque você é de Timber, e o Nida é de lá também. Você conhece ele?
A garota riu docemente. – Sim, ele é da nossa classe. O menino tímido.
Nida ficou envergonhado.
- Ele vai ficar no nosso grupo.
- Verdade? Que bom, ele parece saber muito de geografia. Ele parece inteligente.
- Bom...
- Como estão as coisas lá em Timber?
- Problemas com Deling.
- Como sempre. Desde que eu mudei para lá, eu sempre lembro de ser assim.
- Eu pensei que você tinha nascido em Timber – Zell disse.
- Eu nasci em Deling City... Mas eu odeio aquele lugar.
- Por quê?
- Porque o meu pai mora lá... – Rinoa começou a caminhar mais rápido. – Nós vamos chegar atrasados, é melhor a gente se apressar.
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- Mais livros?
- Não me olhe assim, Squall, você sabe que vamos precisar deles. – A garota desceu as escadas carregando os livros. – Não seja preguiçoso e traga esses aqui.
- Whatever... – O garoto carregou os livros para a sala de estudos e os jogou sobre a mesa.
Depois de fazer o mesmo que Squall, Quistis sentou-se à mesa e começou a organizar os livros. – Você tem alguma sugestão de qual área que a gente vai escolher?
- E isso importa? Você que vai escolher.
- Eu não sou tão mandona, você sabe disso.
- Não, é ainda pior, você é como uma professora.
A garota riu. – E se eu fosse, você seria o meu melhor aluno.
- Isso significa que eu ia sofrer mais.
- Eu acho que Fire Cavern é uma boa escolha.
- Whatever.
- Tem umas boas formações rochosas. O problema é que o lugar não tem muita variação em espécies, são mais bats e bombs. Mas por outro lado, é perto daqui e nós poderíamos visitar.
- Você tem certeza de que é uma boa ideia ir para um lugar com lava escorrendo por toda parte?
- Se nós formos sem a Selphie, o Irvine, o Zell, o Seifer e a Rinoa, sim.
- Então vamos ser só nós dois.
- E alguém mais faz os trabalhos da escola?
-...
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- Já começou? – Selphie perguntou ansiosa ao se jogar ao lado de Irvine no sofá.
- Ainda não! Mas já tá quase! – O garoto estava olhando com expectativa para a televisão, esperando o anime começar. Quando a abertura apareceu na tela, Selphie começou a acompanhar o tema musical. Por meia hora eles se entretiveram com a história de um grupo de garotas com saias curtas, lutando contra monstros e vilões pervertidos.
- Ahhhhhhh... Eu queria tanto ver como a Sakura vai escapar dos tentáculos do monstro, eu mal consigo esperar para ver o que vai acontecer! – Selphie exclamou.
- Eu aposto que as outras garotas vão salvar ela.
- Você acha que elas vão chegar a tempo?
- Lógico, linda, não se preocupa. – Irvine sorriu e colocou um braço ao redor do ombro de Selphie... apenas para vê-la pular longe do seu alcance quando uma música irritantemente alegre encheu o ambiente. A garota respondeu ao celular com empolgação.
- VERDADE? ISSO É ÓTIMO! Sim! Vem aqui, ele vai estar aqui o dia inteiro fazendo um trabalho! Por favor, vem depressa! – Risos. – Tô te esperando!
- Quem era?
Selphie abriu um enorme sorriso. – Ninguém.
- Era um cara?
- Bom... eraaa.
-...Eu não gosto dele. Você devia parar de dar o seu número para esses pervertidos. Você sabe que tudo que eles querem é se aproveitar de meninas bonitas.
- Eu não dou o meu número para pervos!
- Então, o quê? O que foi isso?
- É parte do plano.
- Que plano...?
- É um segredo...
- Ahhhh, Selphie, diz, vai! Não seja má comigo...
- Você vai saber... mais cedo do que imagina.
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- Já terminaram? – A porta foi escancarada quando Seifer entrou na sala de estudo.
- A gente ainda não decidiu que lugar a gente vai estudar – Irvine respondeu com uma expressão de tédio.
- Fire Cavern é chato, Shumi Village é muito mais legal.
- Selphie, eu já disse que nós precisamos estudar um ambiente natural, não uma vila. – Quistis tentava ser paciente.
- Mas os Shumis vivem cercados pela natureza, perto das montanhas nevadas. E os moombas são umas gracinhas!
- Tem muitas florestas lindas perto de Timber – Rinoa disse.
- Eu concordo com você – Nida disse.
- Você não concorda, Squall? – A garota perguntou.
- É, whatever.
- Squall! Você disse que tinha concordado com a Fire Cavern! – Quistis disse.
- Mas florestas são muito melhores para estudar. A Fire Cavern não tem muita diversidade – Rinoa retorquiu. – Squall, o que você acha?
- É, florestas tem mais diversidade.
- Eu não acredito. Uns minutos atrás você concordou e ir comigo para a Fire Cavern e agora...
- Eu já tô de saco cheio disso tudo! – Squall se levantou. – Eu tô saindo daqui. Vocês duas entrem em um acordo ou vão discutir com uma parede, whatever, mas parem de ficar me perguntando essas coisas imbecis!
Eu não quero decidir nada... Por que vocês ficam me dando a responsabilidade de escolher por todos... Eu nunca pedi por isso.
O garoto se virou para sair do aposento, mas parou de repente. Seus olhos se fixaram na imagem à frente por quase uma eternidade.
- Estou interrompendo algo?
- O que você está fazendo aqui? – Squall perguntou para o homem que apareceu em sua casa.
- Eu... Ai! – O homem teve uma câimbra.
Squall virou-se de costas para o homem para se deparar com vários olhares voltados a ele.
...
- Laguna! – A Selphie deu um salto da cadeira e o abraçou. – É tão bom ver você! Eu estava aqui esperando!
- Você convidou ele? – Squall olhou de maneira inquisitiva para a garota.
- É parte da surpresa.
- Que ele descobriu que nós não temos nenhum traço de parentesco, isso sim seria uma boa surpresa.
- Squall... Eu só... Eu acho que não foi uma boa ideia vir aqui...
Por que ele sempre vem aqui? Desde aquele dia uns meses atrás... Por que ele insiste?
- Sua festa de aniversário! – Selphie respondeu. – Nós planejamos isso por um bom tempo! Você vai gostar tanto!
Dor de cabeça começando.
- Você sabe que eu não gosto de festas.
- Ah, mas essa vai ser uma grande festa! Nós vamos viajar nesse feriado!
- Eu gostei da ideia! – Irvine gritou entusiasmado. – Aonde nós vamos?
- Eu não sei... Tem vários lugares que a gente pode ir. – Laguna juntou a coragem para falar. – Eu posso pegar a Ragnarok e nós podemos ir em quase qualquer lugar, claro, eu vou levar todos vocês. Não teria uma festa de aniversário para o Squall se os amigos dele não estivessem lá.
- Eu quero ir para a casa grande que você disse que tinha. Aquela ao sul do continente de Galbadia.
- É, eu adoro aquele lugar! Faz tempo que eu não vou lá. Seria ótimo, vocês iriam gostar, fica cercado de florestas, perto de lagos e rios, e tem várias cavernas por perto.
Naquele ponto todos os jovens já estavam falando entusiasmados sobre a viagem, perguntando ao Laguna milhares de coisas... Com exceção de alguém...
Squall caminhou silenciosamente na direção da saída da sala de estudo. Ninguém reparou, ou foi o que ele havia pensado.
- Eu acho que é uma boa ideia...
- Você pode ir com ele, eu fico aqui.
- Dá uma chance pra ele. Ele fez uma coisa errada antes, mas ele tá tentando compensar por isso.
- É... ele só ma abandonou. – Squall sentou-se sobre o chão, perto de um canto do quarto.
- Ele não sabia que tinha um filho por muito tempo.
- Mas por que ele não veio me procurar antes. Por que demorou tantos anos até que...
- Por que você não pergunta a ele? Por que você não fala com ele? Deixa ele se explicar. Você tem essa chance, outros não.
- Você quer trocar de lugar comigo? – Squall fitou os olhos violetas que olhavam para ele.
- Eu quero viajar para Galbadia e festejar.
- Claro que você quer.
- Você vai vir comigo? – Irvine estendeu sua mão para Squall.
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Squall não sabia por que havia embarcado na Ragnarok com destino à casa de campo de Laguna, mas o fato era que ele já havia arrumado as malas e se encontrava longe demais de Balamb naquele momento e também... Irvine estava sorrindo alegremente ao seu lado. Às vezes os braços do garoto de cabelos compridos encostavam acidentalmente nos de Squall quando ele se virava para falar com o Nida, que estava sentado atrás deles. Infelizmente, o rapaz pensou, Rinoa estava do seu outro lado, apontando coisas que ela via pela janela ou perguntando algo sem importância. Por que ele entre tantas pessoas? Ela não podia perguntar a Selphie, ou... àquele homem.
Ele com certeza não consegue calar a boca... Especialmente quando ele fica... paternal.
Laguna havia alegremente aceitado levar todos os "amigos" de Squall com ele naquela viagem. O garoto não sabia muito a respeito de Nida, exceto o fato de que ele estudava no mesmo colégio e que ele e Irvine se falavam às vezes. E sobre a Rinoa...
Ela não é minha amiga. Ela não era amiga do Seifer?
- Parece que você não está afim de falar hoje. – A garota sorriu. – Vejo você depois então.
Rinoa levantou e caminhou na direção de Seifer.
Squall quase sorriu, tão aliviado estava, mas então ele sentiu alguém sentar-se ao seu lado.
- Ela não é linda? Você escolheu bem...
Porque as pessoas falam comigo? Não é como se eu respondesse! Talvez se eu fingir que eu não estou escutando...
- Estou feliz por você... Eu... – O homem mostrou um sorriso triste... – Você está me ouvindo?
Squall fechou os olhos e se reclinou em seu assento.
Estou dormindo. Estou dormindo.
- Você está cansado? Não vai demorar muito para chegarmos lá! Você vai adorar o lugar! Tem árvores e lagos e cavernas e flores e pássaros! Um lugar sensacional! Você precisa ver o nascer do sol e o pôr do sol sobre as montanhas. Eu estava falando com a Selphie e ela disse que seria o lugar perfeito para a sua festa de aniversário.
- Esquilos! Você disse que tinham muitas famílias de esquilos e lagartas gigantes também. – Selphie se jogou na conversa/monólogo.
- Isso também! Elas são grandes e escorregadias e coloridas!
- Legal! Eu queria trazer uma pra casa.
- Ah, minha linda, elas são 20 vezes maiores que você. – Laguna tentou explicar.
- Eu posso colocar elas no quintal.
- Eu acho que a gente não vai conseguir transportar...
- Ragnarok não pode?
Posso dormir? Eles precisam mesmo conversar perto de mim?
- Eu não quero ter uma lagarta gigante na frente da minha janela, amor.
- Mas, Irvine, faz tempo que a gente não tem um bichinho de estimação.
- Algo de errado com cães ou gatos? – Irvine perguntou.
- Cachorros fedem.
- Eles não fedem! – Rinoa deu um tapa no braço de Seifer. – Angelo é muito limpa.
- Mas fede mesmo assim... todos os cachorros cheiram mal... – O loiro resmungou.
- Eu me pergunto por que ela não quis vir na viagem. Ela tava tão animada antes...
- Eu vi o Seifer dando um dos cookies da Selphie para o cachorro, eles são puro veneno.
- Nós estamos falando de cachorros, Frangos não são bem vindos na conversa.
- O que você disse? – Zell se levantou de seu assento e olhou furioso para Seifer.
-...Você fez isso? – Rinoa perguntou.
- Mentiras.
- Mas eu vi!
- Estou muito desapontada com você... – Rinoa se levantou e foi sentar ao lado de Nida, o garoto enrubesceu instantaneamente.
- Feliz agora, Chicken-Wuss?
- Eu não sei porque você me culpa por algo que Você fez.
- Você quer um cachorro pulando em você, lambendo você e cheirando o seu saco o tempo todo?
- Não... Mas... Eu gosto de fazer carinho neles. Eu gosto do Angelo. Eu não sei por que você odeia tanto eles, não era você que brincava com o cachorro do vizinho quando a gente era criança.
- Aquela criatura idiota.
- Zack amava você. Ele seguia você por todo lado. Coitado... Eu ouvi dizer que ele foi atropelado por um carro.
- A porra de um caminhão esmagou ele. Tinha uma marca vermelha de pneu por toda a rua.
- Ah! Eu lembro agora. Você foi quem achou o corpo dele.
- Eu estava lá quando aconteceu! Eu gritei para o animal idiota não me seguir, mas ele atravessou a rua do mesmo jeito...
- Deve ter sido meio chocante para uma criança ver isso...
-...
- Pelo menos ele morreu rápido... Acho...
- É... que bom, hum... morrer rápido e ir para o céu dos animais. Que maravilhoso... Você tem ideia de como deve ser você ser reduzido a nada por uma coisa centenas de vezes mais pesada que você? Ah, você não pensa nisso, você sempre olha pelo lado positivo.
- Tá bom! Tá bom! Eu entendi. Eu não vou falar mais nisso! – Zell sentou de novo em seu lugar na frente de Seifer. – Então... Você gostava mesmo daquele cachorro.
- Não.
- Zell, você já terminou aquele jogo que você estava jogando? – Quistis parou de ler seu livro para perguntar.
- Crisis Core?
- É, acho que é isso, eu não sei, aquele que você tava jogando.
- Ainda não, eu tô fazendo umas missões extras. Por quê? Você nunca se interessou nessas coisas antes.
- Só curiosidade.
- Ah... o protagonista se chama Zack também, como o cachorro.
-... – Seifer teve o súbito desejo de abrir a porta da aeronave e pular. Ele morreria feliz e não haveria paraíso nenhum, mas haveria um silêncio abençoado.
- Ah, legal, Zell, então fala dos outros jogos. – Quistis disse.
- Mas eu só tava jogando mais esse.
- Tá... então vamos falar de algo não relacionado a cães.
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Era um lindo lugar cercado de árvores altas. Havia florestas no continente de Balamb, mas elas não tinham a mesma exuberância das de Galbadia. Por causa do terreno, Ragnarok não pôde ir mais longe, então ela pousou em uma clareira perto da estrada. De lá em diante, o grupo teria de caminhar pela floresta até chegarem ao seu destino. Eles estavam cercados pela natureza em uma manhã ensolarada, todos caminhando com suas mochilas, Selphie com uma absurdamente grande, muito grande para ela, e mesmo assim ela não parecia nem um pouco cansada. Squall tinha uma expressão pesarosa em seu rosto, carregando suas malas e as de Rinoa.
Enquanto o grupo fazia seu caminho até a casa de Laguna, eles podiam sentir o cheiro de ar fresco e a umidade indicadora de um rio nas proximidades.
- Essa é a sua casa, Senhor Loire! É enorme! – Selphie exclamou de maneira empolgada com a vista da casa imponente feita de pedra e madeira escura.
- Bom... é.
- Deve ter custado uma fortuna!
- Na verdade, não. A mulher estava desesperada para vender. Ela me disse algo da casa ter uma maldição ou algo... longa história... – Laguna sorriu alegremente. – Não fique com medo, são apenas lendas criadas pela mente de uma senhora solitária. Nada sério.
- Você já viu um fantasma na casa? Eu queria tanto ver um algum dia!
- Eu nunca ouvi alguém com tanta vontade de ver um fantasma... – Quistis disse.
- Não tenha medo! Eu posso proteger você, Quisty!
- Você não vai me proteger também? – Irvine abraçou a garota por trás.
Selphie se esforçou para escapar do abraço. – Só se eu conseguir me mexer para fazer algo!
Eles não vão parar de falar nunca e entrar de uma vez na casa?
Squall começou a caminhar à frente e subiu alguns degraus de pedra que levavam até a casa acima do morro. Ele olhou para cima e não pôde negar o fato de que o lugar era realmente bonito, cercado de árvores, aos pés da montanha. Parecia um daqueles lugares que ele só via em filmes.
- Eu sabia que você ia gostar do lugar.
Como você sabia... Bom...
- Whatever.
- Eu posso mostrar para você mais tarde... Ou agora!
- Pode ser mais tarde.
Eu não acredito que eu realmente disse isso...
- Que bom! – Laguna colocou um braço em volta dos ombros do rapaz. Squall parou de andar naquele instante e se afastou.
Não me toque!
Laguna tentou não demonstrar seu desapontamento e tentou forçar um pequeno sorriso. – Foi mal...
Eu...
Squall olhou para o homem ao seu lado. Ele sempre achou que Laguna parecia mais novo com as roupas que ele escolhia. Ele estava vestindo uma jaqueta azul sobre uma camisa branca, calças escuras e coturnos. Seu cabelo estava solto e fazia uma cortina de fios negros se formar sobre seu ombro.
Laguna viu o garoto olhando e parecia que ele não estava zangado. Isso aliviou seu coração imensamente. – Eu estou tão feliz por você ter concordado em vir comigo nessa viagem. Depois daquele dia... Às vezes... Eu quase acreditei que nós nunca estaríamos perto desse jeito. Obrigado por me dar essa chance.
- Laguna... você não tem ideia...
- Eu vou chegar lá primeiro!
- Mas não vai!
- Cuidado! – Laguna segurou Squall, que quase caiu no chão, derrubado por adolescentes correndo como animais selvagens. – Você está bem?
Squall enrubesceu intensamente, mas ele não tentou se afastar dos braços ao seu redor, até que ele sentiu o olhar de alguém sobre si.
Seifer arqueou uma sobrancelha, desacreditando no que via. – O que a Selphie colocou na sua bebida? Você tá mesmo abraçando seu pai?
- Não.
- Mas parece...
-...
Deus... Me salve...
- Ah, isso é tão lindo... – Quistis ficou olhando.
Squall se afastou e começou a andar enraivecido. Logo na frente da casa, ele encontrou Irvine tentando recuperar seu fôlego e Selphie pulando para cima e para baixo por causa da sua vitória.
- Squall! Eu vi aquilo! Eu sabia que seria uma ótima ideia todos nós vindo aqui juntos. Vocês estão realmente se aproximando!
Eu tenho certeza de que isso não pode ficar ainda pior...
Quando o grupo entrou pelas largas portas entalhadas, eles ficaram surpresos ao reparar na espaçosa sala de estar com uma lareira e grandes sofás de couro ao redor do centro. De um lado havia uma grande mesa de jantar de madeira espessa. O hall era impressionante e eles mal podiam esperar para ver o resto da casa. Toda a mobília e a decoração a faziam parecer um pouco escura, mas mesmo assim ela tinha um ar de conforto. Fora a porta de entrada, havia mais três portas na sala de estar, uma dando para um lavabo, outra para uma sala de jogos e uma última para a cozinha, que era o único aposento decorado com cores claras.
Logo eles descobriram que havia cinco quartos no primeiro andar: um quarto principal e quatro menores, onde duas pessoas poderiam se instalar confortavelmente.
- É um quarto ótimo – Rinoa disse depois de dar uma olhada ao redor. – Mas... você acha que tem algum problema na gente... sabe... dividindo ele? Nós dois?
Squall saiu do quarto e encontrou uma garota feliz no corredor. – Quem teve a brilhante ideia?
- Você pode me agradecer mais tarde quando você passar seu tempo com a sua doce namorada.
- Por que todos vocês acham que ela é minha namorada?
- Por que vocês estão sempre juntos... Onde você está indo, Squall?
- Deve ter outro quarto.
- Acho que não... – A garota deu risada.
- Eu quero outro quarto! – Um loiro veio correndo pelos corredores.
Squall nunca pensara que ficaria tão feliz em ver Zell. – Eu fico com o seu.
O rapaz abraçou o outro fortemente. – Valeu, cara! Você me salvou!
- Espera... Com quem...
- Por que você tá fugindo de mim, Chicken-wuss?
- Esquece, eu vou dividir o quarto com a Rinoa. – Squall voltou na direção em que veio.
- Espera! Você prometeu! – Zell começou a gritar no corredor.
- Quem tá fazendo barulho! Eu tô tentando dormir aqui!
Squall parou seus passos e viu Irvine saindo de um quarto. – Tem lugar pra mim?
- Ah... foi mal, cara, o Nida tá comigo.
- Quem?
- Sabe, o carinha que veio com a gente...
- Ah... Mas... Por que vocês dois...
- Ele é meu amigo.
- Hum... Whatever...
Squall estava começando a sentir uma dor de cabeça. Ele tinha concordado em ir na viagem apenas porque...
- Ei, quanto barulho. Vocês jovens tem tanta energia, eu tenho inveja de vocês.
- Laguna, tem algum outro quarto sobrando? Precisa ter.
- Bom, você pode dormir no meu quarto, tem bastante espaço para nós dois.
-... – Squall voltou ao quarto em que a Rinoa estava e fechou a porta.
- Você achou outro quarto?
- Não...
- Bom... Eu não acho que vai ser tão ruim a gente ficar junto... Sabe... Eu meio que gosto da ideia... – Rinoa sorriu.
É... Que ótimo...
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- Por que diabos nós temos que dividir um quarto? – Zell ainda não acreditava.
- Oohh, eu pensei que você sentia falta do nosso doce tempo de infância, quando nós dividíamos um quarto. Você sempre vinha para a minha cama chorando, com medo de que um monstro ia comer você.
- Não ia!
- Ah, você ia, sim.
- Bom, eu acho que não adianta ficar discutindo com você. – O garoto tentou se resignar e começou a tirar as coisas de sua mala. Talvez algumas das coisas que o adolescente cruel dissera não fosse inteiramente falso... Foi há um longo tempo atrás, quando eles costumavam viver numa casa cheia de crianças e quando ele tinha que dividir tudo. Tempos difíceis em que ele era caçoado e desafiado e machucado em brincadeiras cruéis envolvendo areia e insetos malévolos. Então tudo mudou. Ele tinha um quarto só seu, tinha todos os brinquedos que queria e toda a atenção para si. Era melhor. E mais solitário.
- Hey, Chicken! Não vai colocando suas coisas em todo lugar como se tudo fosse seu!
- O que é? Eu preciso de espaço para o que eu trouxe!
Seifer olhou para os objetos à mostra pelo quarto. Roupas, revistas e todos os tipos de aparelhos eletrônicos.
- Você quer passar todos os seus dias livres jogando video game dentro do quarto?
- Não! Eu trouxe meus portáteis também! Então eu posso levar eles para fora e continuar meus projetos!
- E eles têm algo a ver com fazendas, cidades ou dominação do mundo?
- Não... Bom, mais ou menos...
- Ah, vê se cresce, Chicken. Você acha que vai passar sua vida inteira jogando essas coisas?
- Claro... Eu não vejo por que eu devia parar.
- Você não pensa no seu futuro?
- Você pensa?
- Por que a surpresa? Claro que eu penso no meu futuro. Eu tenho tudo planejado.
- Bom, eu penso nisso também... Às vezes. Eu queria estudar algo como física ou talvez educação física, eu acho que é legal também, mas eu acho que eu vou acabar sendo engenheiro, pelo menos é o que meu avô e a minha mãe querem que eu seja.
Então Seifer ficou em silêncio. Ele sentou em sua cama e olhou pela janela aberta. Um lugar tão lindo. Uma casa tão legal no meio de uma paisagem maravilhosa. Para ele não haveria pais só para si, vindo buscá-lo. Quase 18 e não teria um pai batendo à sua porta, oferecendo o mundo para ele. Ele precisaria encarar tudo sozinho.
Aquele idiota nem reconhece quanta sorte ele tem.
Zell olhou para o repentinamente loiro silencioso. Ele estudou as feições do rosto bonito em concentração. Algo nele parecia ter mudado. Por um momento ele parecia diferente do garoto que crescera com ele na sua infância e do bully que o atormentava nos tempos de escola. Com aquela proximidade, só os dois naquele quarto, parecia diferente. Não ruim, de alguma forma confortável quando o loiro alto não estava mostrando seu sorriso característico ou dizendo algum comentário sarcástico.
Isso é estranho... O que eu tô pensando?
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- Você é tão cruel.
- Eu? Por que, Quisty?
- Você sabe o porquê. Pobre Squall, tendo que passar a noite com a Rinoa, deve ser um inferno.
- Ei! Não diga isso da minha ideia brilhante! Você sabe que eles são o casal perfeito, destinados a estarem juntos, como nos livros de romance, nas novelas e nos video games.
- Eu não sei qual deles é pior.
- Eles são tão lindos juntos.
- Você quer dizer, desastroso?
Selphie sorriu. – Ai, Quistis, você sempre diz coisas engraçadas.
- Eu estou sendo séria, sabe. Isso é a vida real, não alguma ficção que você acha na Internet.
- Claro que não! Se fosse, o Squall ficaria com o Zell... ou o Seifer! Seria tão engraçado!
- Eu não sei por que você gosta tanto dessas coisas.
- Por que não? Os roteiros são ruins e os caras fazem sexo em lugares impossíveis, como centros de treinamentos cercados de monstros. E além do mais... você lê também.
- Eu só leio as histórias boas... por motivos literários. Alguns autores têm talento, embora eu não entenda por que eles perdem tempo escrevendo fanfiction.
- Talvez nunca saberemos porque as pessoas fazem coisas estranhas.
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- Você sempre dorme com o seu chapéu? – O garoto decidiu perguntar depois de um longo tempo olhando para o seu companheiro de quarto.
- É para proteger os meus olhos da luz. E para combinar com o meu visual. As mulheres acham que é legal. E sexy. E eu não estou dormindo... Só estou tirando um longo cochilo. Toda aquela caminhada pelas colinas e florestas quase me matou.
- Como você pretende ser um atirador se você se cansa tão fácil?
- Eu não sei, talvez eu seja um cantor, ou modelo, ou eu entre em rodeios.
- Você já andou de cavalo?
- Quê?
- Nada...
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Depois de arrumarem seus pertences e descansarem um pouco, todos se reuniram no andar principal para almoçar e explorar a área. Squall percebeu que o lugar parecia ter sido preparado para a chegada deles, estava tudo limpo e com um bom estoque de comida e suprimentos. Selphie e Laguna deveriam estar preparando tudo aquilo por um bom tempo.
Quando os estômagos deles estavam cheios, o grupo saiu da casa. Laguna os guiou pela floresta, parando o tempo todo para contar uma estória com a mesma credibilidade das informações acrescentadas pela Selphie sobre o mesmo assunto.
Seguindo a fácil trilha pela floresta, um rio calmo apareceu. Havia um pequeno ancoradouro perto da margem do rio e um lugar onde um pequeno barco estava atracado. A visão dos gentis raios de sol do entardecer banhava a superfície azul da água com magnificência. Daquele lugar, eles podiam ver a longa extensão do rio e a outra extremidade repousando ao longe sob uma formação montanhosa.
Depois de algum tempo para admirar a vista e tirarem fotos, eles voltaram à trilha, que seguiu a margem do rio por uma boa distância. Então eles foram levados de volta à floresta por algum tempo, até que eles chegaram a uma clareira. As garotas gostaram do lugar, que era cercado de flores, pequenos arbustos, frutinhas e animais fofinhos e assustados.
Quando Selphie terminou de colher flores, frutas e perseguir criaturas trêmulas que corriam por suas vidas, o grupo pôde finalmente caminhar mais um pouco pela trilha. Eles acharam grandes formações rochosas pelo caminho e depois de um pouco mais caminhar, a entrada de uma caverna. Eles estavam animados para explorar o local, mas Laguna disse que era melhor voltar outra hora, com lanternas e equipamentos, e então visitar a vida noturna das galerias. Depois eles continuaram no caminho para uma área mais aberta, com menos árvores, ao longo dos pés de uma formação rochosa.
Em certo ponto, Rinoa começou a caminhar atrás do resto do grupo. Estava claro que ela estava cansada demais para continuar e todos eles concordaram em voltar. O tempo havia passado sem que eles percebessem. Logo era quase pôr do sol e o que fora um céu límpido se transformara em uma imensidão coberta de nuvens prontas para chover sobre as cabeças despreparadas. Eles correram pelas trilhas e quando eles estavam quase alcançando a casa, a chuva conseguiu pegá-los.
Xingando e rindo, os jovens lutaram para chegar até a entrada. Squall esperou até que seus amigos tivessem entrado. Ele preferia ficar parado na chuva do que ser atropelado por corpos molhados e felizes... a não ser que fosse um corpo molhado em especial...O garoto silencioso tinha sentimentos contraditórios sobre a chuva. Ela despertava nele memórias há muito esquecidas e isso fazia o seu peito se comprimir em tristeza, mas mesmo assim, ele sentia-se estranhamente bem quando as nuvens choravam em cima dele. Era como se a tristeza dos céus consolasse a sua própria. Ou...
Eu não sei...
Demorou um tempo para que Squall percebesse que ele não estava tão só como pensava. Ele viu Laguna olhando para ele insistentemente e se lembrou de um dia tempos atrás, um dia que ele nunca esqueceria.
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Continua...
