N/A:Então, eu usei a linguagem super pesada de shameless nessa fic ok E mais, todos os persongens xingam com desafores realmente tensos e eu sei que pode parecer estranho a princípio, mas por favor, tentem considerar o background deles nessa fic e ver the big picture daqui ok eles são órfãos e tão todos fodidos nessa vida, sofro muito.

Capítulo 1

- Certo, todo mundo na mesa! – Jon gritou para chamar atenção dos irmãos caçulas, mas foi ignorado por quase todos. Bran foi o único que obedeceu porque já estava na sala, sentado no sofá. – Você precisa de ajuda? – Jon perguntou, mas já havia se aproximado do ruivo, ajudando-o a se levantar; estava pronto a ignorar a resposta que sabia que receberia.

- Não dói mais. – Bran respondeu. – E o médico disse que eu preciso andar, treinar para pegar o ritmo de novo. Subir escadas é uma boa também, você quer que eu vá chamá-los?

Jon suspirou fundo. Tinha realmente ouvido o médico, mas não estava contente com aquilo, nem achava que nunca estaria. Faria tudo que existiria em seu poder para proteger o irmão menor do mundo e saber que já fracassara uma vez deixava-o ainda mais irracionalmente determinado a impedir que acontecesse de novo, independentemente do que o médico havia falado.

- Sim, certo, faça-os descer. – Suspirou fundo, desistindo. – Mas você não tem que subir, só grite e eles...

- Eu quero subir. Você e Robb se preocupam demais.

- Somos os mais velhos, é nossa função, mas se quiser, vá. – Jon virou-se para distribuir os pratos na mesa, mas voltou sua atenção ao irmão, ao ouvi-lo chamar por ele.

- Jon! Desculpe, mas eu acho que Rickon esqueceu de falar, amanhã ele precisa levar algo para o "mostre e explique," o que você sugere?

- Você está me dizendo agora, às oito da noite, para eu arranjar algo para amanhã de manhã? – Jon mordeu o lábio inferior e levou os dedos a testa, pressionando os pontos acima de sua sobrancelha, querendo curar a dor de cabeça que começava a se formar.

- Desculpe, ele esqueceu e eu esqueci que ele esqueceu. – Bran respondeu e riu baixinho, achando graça das próprias palavras.

- Tudo bem, só não o deixe levar o bastão de beisebol. Mande ele, huh, ele pode levar seu lobo de pelúcia. Mas não deixe que morda ninguém.

- É um lobo de pelúcia, não vai morder. – Bran fez uma careta.

- Estou falando de Rickon, ele sim morde. Agora vá, vou ligar para Robb, ele está atrasado com as compras e estamos ficando cada vez mais famintos – Jon riu, junto com o irmão, mas logo balançou a cabeça em negativa. Pegou o celular e simplesmente apertou o botão verde porque Robb fora a última pessoa para quem ligara – e Robb era geralmente a única pessoa para quem ligava.

Deixou tocar vinte e duas vezes e revirou os olhos antes de fechar o flip, não ia deixar um recado na caixa postal, porque precisava-se de dinheiro para ouvi-lo. Aconteceu bem a tempo de ver todos os irmãos descendo a escada.

- Aqui. – Ergueu os talheres para Arya ajudá-lo a colocar a mesa, mas quando foi a vez de estender um copo para Sansa, essa passou direto por ele, indo direto sentar-se a mesa, enquanto falava sem parar no seu celular. – Tem quanto tempo essa ligação? – Jon cochichou para a irmã caçula e Arya nem pestanejou antes de correr até onde a ruiva estava e arrancou-lhe o celular das mãos,silenciosa como uma sombra, leve como uma pena.

- DEVOLVA! – Sansa gritou ultrajada, ao perceber que tinha sido roubada.

- Uma hora e quarenta e quatro minutos! – Arya estendeu-lhe um dos dedos, acusadora, e riu alto, terminando a ligação com a outra mão.

- Uma hora e... SANSA!- Jon virou-se para ela, sem conseguir acreditar no que ouvira.

- Por que você tem que tomar sempre o lado dela? – Sansa acusou-o, sentindo lágrimas brotarem em seus olhos.

- Bebê chorão! – Arya debochou, revirando os olhos. Típico.

- Sua, sua ladra filha da puta!

- Oh, meu deus, como você pode ser tão burra? Você está falando da nossa mãe, sua imbecil!

- Minha mãe não era puta, a do Jon é que é. – Sansa gritou de volta, mas se arrependeu no momento exato que o silêncio substituiu suas palavras. – Sinto muito, eu não... – Sentiu seu coração apertar ao ver o meio-irmão dar um passo para trás e desviar o olhar, mas nem conseguiu terminar de se desculpar, pois Arya pulou em cima dela no mesmo instante.

- EU VOU MATAR VOCÊ! – Os gritos da morena abafaram o de surpresa de Sansa e ambas as garotas caíram no chão, começando a rolar pela sala.

- MERDA! PAREM! – Jon largou os copos sobre a mesa e correu até elas, agarrando Arya e levantando-a, puxando-a para longe da irmã, enquanto Bran foi até Sansa e segurou-lhe os braços. Rickon subiu as escadas correndo, atrás de seu bastão de baseibol. – Parou! As duas, chega! – Colocou Arya em cima do sofá, mas ainda bloqueou seu caminho de volta para a irmã com o braço. – Ela pediu desculpas, está tudo bem agora. Agora, por favor, vamos para a mesa e...

- Eu te odeio, eu odeio todos vocês! – Sansa gritou, com mais e mais lágrimas caindo de seus olhos e estragando o rímel preto que a garota usava todos os dias. - E eu estou indo para a casa da Jeyne, não quero ficar mais nenhum segundo na presença dessa monstra! – A garota pegou o celular do chão e se levantou.

- Sua maldita! – Arya começou, mas o braço do moreno a segurava com força.

- Sansa, volte aqui, você não pode sair assim! – Jon ainda tentou. – Daqui a pouco o Robb vai chegar - e vai ficar tudo certo, vai ficar tudo bem. – O Robb vai chegar com a comida e vamos jantar todo mundo junto, como uma família, certo?

- Você não manda em mim, você não é meu irmão! – Sansa retrucou com raiva, antes de sair, e bateu a porta atrás de si com força.

Jon fechou os olhos por um momento e largou Arya, indo se apoiar na parede, mas quando os reabriu percebeu que estavam todosa olhar para ele e xingou baixinho, começando a tatear os bolsos da calça e da jaqueta freneticamente. Bran imediatamente pegou o seu celular e esticou o braço, querendo devolvê-lo, enquanto Arya lhe ofereceu um maço de cigarros. O moreno olhou de um para o outro, até que suspirou fundo e deu de ombros.

- Aceito os dois. – Levou o celular ao ouvido depois de chamar novamente o irmão e esperou a irmã caçula buscar o isqueiro, para só então tragar. – Atende o maldito telefone, Stark. – Xingou para o celular, afastando-se um pouco dos irmãos, mas foi obrigado a virar-se quando ouviu alguém batendo na porta. – FINALMENTE! – Exclamou, sua voz deixando passar uma irritação maior do que deveria e enfiou o celular novamente no bolso das calças cumpridas.

Arya foi mais rápida que ele e alcançou a porta, abrindo-a com tanta força que quase a arrancou, mas quando viu quem era, chegou a tremer.

- Merda, Robb!

Tinha algo errado no tom de voz da morena, algo preocupante e Jon nem percebeu que estava correndo, até se deparar com a visão do irmão e então entender.Robb virou a cabeça e ergueu as mãos, procurando esconder o sangue que manchava-lhe o nariz e as bochechas, mas só o toque acidental com o rosto mandou arrepios de dor por toda a sua espinha; seus joelhos falharam, e as sacolas que carregava desabaram ao chão.

- Stark, o que... – Jon conseguiu segurá-lo antes, o cigarro despencando de sua boca, que ele caísse e Robb enterrou o rosto no pescoço do moreno e respirou fundo, antes de tentar se re-erguer. – Você está bem? – Xingou-se mentalmente pela estupidez porque ele podia sentir o coração de Robb batendo numa velocidade desesperada contra o seu e ele não estava bem,mas não conseguia pensar nem falar mais nada, seu cérebro entrando em pane. – Por que... Quem foi... Você está sangrando, Stark. Robb, você... – Suas mãos serpenteavam pelo rosto do ruivo e por seus cabelos, querendo buscar em cada centímetro por ferimentos, para então poder falar que vai ficar tudo bem, tudo bem, entre pequenos beijos para tudo ficar realmente bem e...

- Aqui! – A voz de Bran o trouxe de volta para a realidade e Jon se virou para ver que o irmão menor trouxera um saco de gelo.

- Eu vou chamar Loras! – Arya não esperou por uma confirmação e saiu correndo para a casa dos vizinhos.

- Vamos entrar, você pode andar, Stark? – Jon entregou-lhe o saco de gelo e o ruivo levou-o imediatamente ao nariz, fazendo uma careta de dor.

- Vá se foder, Snow, não estou morrendo. – Robb retrucou pela primeira vez e Jon sentiu como se um grande peso tivesse sido removido de seu peito e agora pudesse realmente respirar, e por causa disso a risada veio fácil, tranquila.

- Sente-se aqui. – Jon guiou-o até o sofá e se ajoelhou de frente para ele, com Rickon agarrado a um de seus braços, parecendo que estava prestes a chorar. – Quem fez isso com você?

- Os filhos da puta dos selvagens. – Robb respirou fundo antes de responder, como se estivesse juntando todas as suas forças. – Eles estavam me esperando na saída do mercado e me encurralaram. Levaram a comida, meu celular e meu relógio. Mas estou melhor agora, Rickon. – Forçou um sorriso torto para o caçula.

- E o que é isso? – Bran ergueu as duas sacolas, mostrando-as a todos.

- Eu voltei no mercado assim que eu acordei...

- Assim que você acordou? – Jon o interrompeu, sentindo o próprio sangue ferver.

- Eu posso ter desmaiado por... Por um tempinho, eu não sei, eles levaram meu relógio. – Robb balançou a cabeça negativamente, mas a dor de cabeça que conseguiu com isso o fez parar imediatamente e pressionar os punhos cerrados contra os olhos, empurrando o saco com gelo para Jon segurar por um momento.

- Merda, Robb, puta merda! – Jon socou o encosto do sofá.

- Mas eu voltei lá e tentei explicar, mas eles disseram que só podiam repor quantas gelatinas eu quisesse, então eu peguei, sei lá, cinquenta.

- GELATINAS! – Rickon soltou uma exclamação de felicidade que não podia ser humana,que foi seguida pelo som de palmas, antes de soltar Jon e correr até a mesa, tentando tirar as sacolas das mãos de Bran. E foi algo tão ridículo e absurdoem uma situação tensa dessas, que eles simplesmente tiveram que rir.

Continua...