2° capítulo : Uns beck na parada
O que Harry não havia percebido era que ali, no chão, próximo a ele, embaixo da janela havia alguém.
Era um cigarro de brown. Parecia sociável, mas ele já o havia visto em algum lugar... oh my god!!! Ele havia se lembrado dele. Na capa do ESTADÃO, nas mãos de um refugiado do Carandiru. Era melhor ir para o outro canto da janela pois esse povinho era perigoso, mas antes que ele pudesse ir ouviu uma voz lhe chamando. Era tarde! A voz era do cigarro :
- E ae manooo brown, como os mano fala seu nome ae meu? – disse o cigarro.
- O que? – Harry não havia entendido a pergunta.
- A parada que tá no papel de quando cê veio ao mundo manooo!
- ÃHN? – continuou sem entender.
- Como é que cê chama manooo?
- Harry Pote.
- Meu, mas tu é burro mulambooo! Demorô pa entendê... Valeu, eu sô o Sirius Beck, falô?!
- É que eu não sou daqui.
- Deu pra ver que tu não é dos mano, né manooo?!
- É que eu... eu sou dos mano sim, cê que pensa, falô?!
- E onde tu se situa?
- Eu sou... da... Rocinha!
- Ahhhhhh, agora valeu, manooo. Os mano de lá troca umas parada cum nóis. Mó gente boa...
- Ahhh, tudo bem.
- Pra um mano da Rocinha tu é mó de boa, mó mulambo, muito C.D.F. e certinho. Qual é a desse ócrinho na tua fuça manooo?! Tu é um vaso. Pra que o ócros? – perguntou Sirius.
- É que... pra falar a verdade eu não sei, deve ser golpe de marketing da escritora. – disse Harry.
- Fala em vidiguês que eu num sô culto, manooo. Eu num sei dessas parada muito loka de marqueti. Que que é isso, manooo? Me fáiz um apanhado, ae.
- A dona quis lucrá na parada toda.
- Ahhh, agora tu tá falano na minha língua.
- Eu sabia que seria preciso trazer esse dicionário de pobrês... (eu disse que os dicionários eram úteis, não disse?)
- Manooo, tu é mulambo mermo, hein manooo?!
- É, é claro que eu sou!
No decorrer da tarde, Pote se encaixava cada vez mais com a pobreza. Estava se enturmando com Beck, mas o mano foi para o quintal e pegou Beck do chão :
- Licencia manooo! Eu tenho que ir para as minhas paradas, entende?!
- Claro, essas parada da máfia é muito importante...
- Pode crê, sem mim o mundo do tráfico e dos vício num gira.
- Pode ir, manooo...
E Beck foi. Sem Beck, Harry se sentia sozinho e desprotegido. Sim, ele sabia que Beck não era boa companhia, mas antes mal acompanhado do que só! (no Vidigal os ditados são um pouco diferentes)
