A fêmea perfeita

Capítulo 2.

Kagome passava pela rua pouco iluminada , poucas pessoas transitanto durante a noite. Depois de uma tarde cansativa de trabalho, ainda tinham algumas horas de aula antes de poder se jogar na cama. Não cumprimentou ninguém ao cruzar o portão da faculdade e permaneceu sem notar os colegas até chegar à sua sala.

Colocou a bolsa sobre a carteira e sentou, o professor ainda não tinha chegado e isso era um alívio. Suspirou fundo, apoiando a mão na cabeça. Adorava Direito e todas aquelas leis profundas e controversas, mas sabia que sua mente não assimilaria nada do conteúdo hoje. Ainda estava tentando entender o que tinha acontecido mais cedo: primeiro chegara atrasada e por um fio não perdera o emprego; até aí nada de importante, Houjo gostava muito dela e, pra sua sorte, não era um supervisor maníaco-perfeccionista. Mas ter um youkai descontrolado no meio do salão era inédito.

O rapaz de cabelos prateados - senhor Taisho, como estava escrito na embalagem da encomenda -, parecia ter surtado do nada. Talvez ele não gostasse da torta de nabo ( quem pagaria tão caro por um torta dessa?), mas as coisas complicaram para Kagome quando ele rosnou para que não se aproximasse, que ficasse longe. Sim, ele rosnou, como um cachorro. Pelas orelhinhas felpudas em sua cabeça podia dizer que era um youkai cachorro.

Já ouvira falar nos youkais, eram seres da alta sociedade e, se há muito tempo lutaram com os humanos por territórios, agora viviam em paz. Até casavam entre si! Se humanos e youkais convivam tão bem agora, não conseguia entender a reação do senhor Taisho para com ela. Tentou ser gentil como fazia com qualquer cliente extressado, depressivo, angustiado, ou com problemas sexuais - ou só doido mesmo -, mas isso só piorou a situação e fez com que uma torta de nabo voasse no salão todo, em cima de seu uniforme e da roupa simsoucaraedelinho do youkai. Ainda podia ver a expressão de horror na cara do Houjo.

Ficou sabendo depois que os Taisho eram um dos clientes mais assíduos da torteria. E bem próximos do dono. E que mesmo sem saber direito o porquê, estava enrascada.

- Boa noite, selvagens. Na aula passada...

Os alunos não pararam as fofocas e a baderna com a chegada do professor. Kagome poderia pensar nisso depois. Mesmo não querendo pensar nisso depois. Perder o emprego não era uma opção na situação em que encontrava:, por mais simples que seu trabalho fosse no momento, estava ajudando nas despesas da faculdade e um pouco em casa. A bolsa de estudos não cobriam os livros e transporte ou qualquer pesquisa que ela tivesse que fazer. Não dava para perder tudo agora! Principalmente por causa de um youkai esquisito com supostas crises de tpm! Kagome abriu o livro ferozmente, a pedido do professor, deixando-se levar pelo calor do momento.

Kagome pensou por um minuto, enquanto folheava as páginas. E por acaso os youkais têm tpm? Bom, não importava. Ela só pedia que os deuses ajudassem ( seu celular vibrou e ela não atendeu, apenas o nome Souta piscando freneticamente no display), eles não andavam cooperando muito ultimamente.


O celular do Inuyasha tocava freneticamente, alternando entre uma música doce e suave, romântica, e uma clássica. Eram as músicas preferidas do Inuyasha e ele colocou como toque das duas mulheres preferidas dele no mundo. Seu coração pulava de alegria quando as ouvia e ele corrialogo para atender uma de suas amadas. Mas não agora.

O meio-youkai dirigia atordoado, quase se meteu em um acidente ali, levou uma buzinada aqui. Ainda podia sentir aquele maldito cheiro e a voz da garota ecoava em sua mente: senhor Taisho? senhor Taisho? Senhor Taisho? Como em um filme de terro, aquele looping de sons o enlouquecendo.

Maldita vadia! , ele bateu a mão com força contra o volante. Seu corpo respondia, pior que ele respondia, e estava pegando fogo! As estrias roxas saltaram em suas bochechas e ele sabia que não poderia aparecer assim em casa - não quando um bando de youkais curiosos e sua mãe esperavam ansiosos por ele e sua noiva, como animais espreitando a presa. Mas precisava de um banho, precisava de acalmar. Nunca tinha sentido isso na vida, nem nas muitas vezes que seu meio irmão Sesshomaru o importunava quando crianças e ele era tomado pelo seu lado youkai. Era sangue para todo o lado e muitas broncas vindas da mamãe Izayoi, mas tanto ele quanto Sesshomaru se divertiam com essa.

Dessa vez, não havia diversão. Só aquela angústia e desespero. Nem soube o que se passou na loja - não pretendia assustar ninguém -, mas quando sentiu a aproximação da garota, aquele corpo pequeno, quente e convidadativo se aproximando, sabia que de duas, uma: ou ele a matava ou se rendia aos seus cantos. Então ele fugiu! Mesmo com seu corpo ardendo em brasa, ardendo por ela. .

Fêmea!

Seu corpo vibrou.

Fêmea! Onde?

Inuyasha sentiu-se triste por não tê-la ali , grudada em seus braços. Era onde ela deveria estar! Onde esteve nas outras vidas e estaria pelas próximas, até que suas almas tivessem o descanso eterno. Estavam unidos pelo infinito, destinados a percorrer um imenso caminho juntos. Mas que bando de merda é essa? , Inuyasha acertou a própria cabeça, tentando se censurar por estar pensando algo tão ridículo. Nunca foi meloso a esse ponto e, pra falar a verdade, nem acreditava nesse negócio de fêmea perfeita! Era só uma desculpa idiota para fazer os youkais casarem cedo, afinal, sua espécie presenciou apocalípticas batalhas durante as Eras - não eram mais tão abundantes assim, como os humanos.

Mas ele acreditava em amor. E ele amava a Kikyo.

- Inuyasha - Izayoi levantou-se de imediato do sofá quando viu o vulto passar em direção as escadas.

Foram horas e horas esperando o casal para a as congratulações, mas a mulher deveria saber o que aconteceria por conta do filho furão. Ele sempre furava, Izayoi não conseguia entender essa aversão do meio-youkai às reuniões. Eram só youkais mais velhos, falando e falando. E palpitando e comentando. Tinha música boa, e ela sempre usava as melhores peças para o bufê e as melhores taças de cristais. A tia Kaede ainda reclamava sua torta.

- Filho, você está atrasado! Está todo mundo esperan...- a mulher começou a bronca de sempre, seguindo o meio-youkai até o quarto. Estava ainda tão embaralhado, que entrou e nem trancou a porta, sua mãe entrando facilmente logo atrás. - Filho. ...- ela notou algo errado quando o viu tampar o rosto com a mão, ainda de costas para ela. Izayoi sentiu uma pontada no coração, culpando-se por achar mais importante a reunião do que o quê poderia ter acontecido a ele. Só queria que ele fosse mais responsável com seus compromissos. - O que houve? Você e a Kikyo brigaram? Fala, meu filho! - tomou as mãos dele na suas, .olhos vermelhos e as estrias roxas.

Inuyasha balançou a cabeça. Nem a voz de sua mãe direito conseguia ouvir. Tentou olhar para ela, de relance, os olhos maternos transbordando amor e preocupação. Era como se fosse aquela garota segurando suas mãos. Kagome , hã? Aquele rapaz de cabelos claros falara: Kagome. O mínimo pensamento em seu nome fez seu corpo vibrar e ele escondeu novamente o rosto e grunhiu.

- Querido, querido! - Izayoi se preocupou ainda mais com a reação. Sabia que ele era sensível a qualquer coisa que afetasse a ele e Kikyo. Conhecia seu filho como a palma de sua mão. Tocou as costas dele em um gesto protetor, sentindo-o quente mesmo por cima da roupa branca. Suas sobrancelhas curvaram-se em dúvida : - Querido, você está no cio?

Inuyasha olhou para ela em confusão e Izayoi segurou um risinho. Do que ela estava falando? Como rla ousava..! Ele não era um cachorro para ficar no cio! E muito menos um cachorro fêmea! Aquela vadia das tortas que deveria estar no cio e...Um clique em sua cabeça: era isso! Ele deveria estar reagindo ao período fértil dela, deveria ser mais alguma coisa sobre como ser um youkao e tudo mais. Droga, era bom prestar mais atenção no que os tio diziam e não ficar fingindo que estava escutando. Então era só ela sair dessa fase..

- Oi! Querida, Inuyasha! Todos estão lá embaixo - Papai Taisho abriu a porta com sua vitalidade de sempre ( quase quebrou a porta). A linda de raciocínio de Inuyasha evaporou.

- Querido...- Izayoi lhe lançou terno e ele fez um oh! em exclamação ao ver o rosto quase transformado de seu filho caçula.

Era uma ótima hora para se ter uma conversa de adultos - e não ter que ouvir pela milionésima vez a histótia da tradição youkai dos artefatos que Totousai não cansava de contar. Papai Taisho garroteou, com a mão em frente à boca.

- Venha, Inuyasha, sente aqui - o homem de cabelos prateados arrumados em um rabo de cavalo e as roupas sociais pretos se sentou na cama, os olhos fechados em um gesto sábio.

- Pai! Eu não vou sentar no seu colo!

Senhor Taisho deu um olhar severo e Inuyasha bufou e, relutante, foi até seu pai. Ele era quase um youkai agora, era perigoso, ninguém sabia disso? Cruzou os braços em desdém enquanto o outro começava a falar.

- Filho, quando uma homem e uma mulher..

- Você não precisa me explicar essas coisas, pai!

- Você a encontrou, não é? - Izayoi interrompeu, a feição cheia de ternura.

- O quê?...- seus pais o olhavam com compreensão, era como se houvesse algum segredo ali, algo que não fosse do seu conhecimento. - V-vocês sabem que a minha fêmea é a Kikyo! Nós só nos desentendemos, ok? Não foi nada demais...

Não tinha como eles saberem, tinha? E se tivesse, como saber que era verdade? Que aquela garota era mesmo a escolhida? Isso era bobagem, ele nem a conhecia! Ela era só uma garota bonita, assim como um bando de garotas bonitas que já viu em sua vida. Não era porque não a tirava da cabeça que existia algo de especial entre os dois!

- A propósito - senhor Taisho disse. - Sesshomaru acabou de chegar.


Chovia e esse não era um bom sinal dos deuses. Kagome desarmou o guarda-chuva e balançou-o, livrando-o das gotículas de água, antes de entrar na loja. Não estava atrasada dessa vez e já fazia uma semana desde o incidente com o youkai.

Até agora nenhuma reclamação, nenhuma menção ao seu nome, o youkai tinha desaparecido. As aulas na ffaculdade foram trancadas e agora Kagome tinha mais tempo para tudo. Era uma bênção, mas Kagome sentia falta das explicações minuciosas do professor . Seu sonho adiado, sua mãe tendo um pequena melhora, muitas tortas caseiras para se fazer. Nenhuma de nabo.

- Kagome! Está adiantada! - Ayumi e seus cabelos encaracolados se aproximaram, um sorriso de ponta a ponta. - Adivinha quem veio aqui hoje?

Se Kagome a tinha recebido com um sorriso de volta, enquanto amarrava o avental preto em seu corpo, esse morrera na hora. Como aquele youkai maldito ousara reclamar dela? Ela não era a funcionária mais pontual - nem um pouco - nem a mais habilidosa (tinha mais habilidade com tramites e processos) mas era esforçada e gentil! Pergunte para a velhinha do final da rua que sempre vinha ou o senhor Jinenji, um rapaz discreto em seu sobretudo e que sempre lhe dava uma gorjeta generosa. Iria entrar com recurso, alegar direito de defesa, falar com o presidente!

- Por que está com essa cara? - Ayumi inclinou a cabeça. - Sango veio aqui hoje e encomendou vátias tortas para a despedida de solteiro.

- Ah? - os pensamentos de Kagome caíram por terra. Logo quando o argumento de defesa já estava bolado e a vitória garantida. - Ela vai se casar mesmo com o Miroku?

- Parece que sim. Esse negócio de casamento..- Ayumi sussurrou, como em segredo. - Parece uma epidemia..

Kagome concordou com a cabeça. Era uma epidemia, principalmente entre essas famílias ricas. Ela mesma...nunca pensou em se casar nem tinha tempo para isso. Chegou a imaginar quando era criança, mas a vida adulta tornou-se tão difícil, tão complicada. Faculdade ficou para depois. Festas, bares? Piorou. Sua responsabilidade com a torteria e com a mãe e Souta tiravam todo seu tempo. Homens não estavam nos planos.

Inuyasha tentava bolar uma maneira de se explicar para a Kikyo. Ele pensava em se casar, na verdade, estava com o casamento marcado para o final do ano! Onde estava com a cabeça em surtar daquele jeito?! Fazia uma semana, mas ainda podia sentir o cheiro doce em suas narinas. Um pouco fraco, mas ainda estava lá. Tirando os pesadelos, as horas de banho frio e os uivos noturnos, ele estava bem. Pronto para retomar seu relacionamento. Só tinha passado uma semana sem ir a faculdade, com o celular desligado, não tinha porquê a noiva estar brava. Talvez ela nem estivesse..

- Kikyo, eu...- o meio-youkai alcançou a menina no corredor, a avistou na hora. Era impossível ela passar despercebida aos seus olhos. Kikyo virou-se para quem a chamava.

- Olha quem resolveu aparecer...

- Eu queria...

- Pensei que eu estava viúva! - a garota colocou as mãos na cintura, inclinando-se para ele. - Antes mesmo de me casar!

Errado, ela estava brava. E pelo tom que usou, muito brava. Inuyasha coçou a nuca, buscando uma solução. Não dava pra contar para ela que tinham visto uma outra menina e perdera o controle. Que talvez ela não fosse a fêmea da tradição, que outra mulher o deixava tão fora de si a ponto de trazer à tona seu lado mais primitivo. Que droga de vocabulário estava usando. Analisou a mulher a frente, os braços cuzados, à espera de uma explicação. Mesmo zangada, era linda e formava um biquinho carrancudo igual uma criança. O cabelo longo e liso estava preso sobre a cabeça alguns fios escapavam sobre os ombros. A pele sempre tão clarinha a fazia parecer mais frágil ainda e ele sentiu vontade de abraçá-la. Ah! Que fosse à merda a tradição! Aquela era a mulher da sua vida. Ninguém mais.

- Poderia, pelo menos, ter atendido os telefonemas!- ela bufou com a demora dele.

- Kikyo, eu..

Ela repassou toda a agonia que passara a última semana, as noite mal dormidas, os trabalhos por fazer, os as desculpas que teve que inventar para os colegas. Inuyasha era inacreditável! Ele poderia falar a verdade! Não que estivesse pronta para a verdade, mas..

- Tudo bem...se não quer mais se casar..- ela descruzou os braços e olhou para longe , sem querer encará-lo. Não queria deixar transparecer, mas desde o começo esse era o seu único medo. Desde quando ele não a atendeu pela segunda vez. Ele sempre a atendia! Então pareceu o início do fim. Sabia que eram jovens e aquele casamento estava acontecendo mais pela tradição do que por qualquer outra coisa, mas ela amava o Inuyasha! Não era só o orgulho de se casar com um youkai, não! Tocou seu anel de noivado, uma peça extremamente cara e antiga, fazendo menção em tirá-lo. Não importava o quão caro fosse, se ele o queria de volta...

- Não! -Inuyasha a tomou pelo braço, forçando-a a olhar para ele.

A atitude assustou tanto ela quanto o meio-youkai. Nem ele mesmo esperava uma resposta tão desesperada de sua parte. Pensar em se separar dela doía seu coração e não era isso que desejava. Queria poder estar sempre com ela, protegê-la e amá-la. Passou a mão pelo rosto delicado, acariciando aquela que tanto amava, a expressão dela cheia de dor. Era um maldito por tê-la feito sofrer. Kikyo não merecia isso.

- A aula vai começar - os olhos dele eram cheios de amor para ela. - Vamos conversar sobre isso depois..

- Não quer terminar?

- Nem em um milhão de anos - ele deu um sorriso dolorido. E sincero.

Os dois corações se aqueceram, sincronizados naquele sentimento mútuo. Eram um casal apaiapaixonado, todos podiam ver isso. Tudo correu bem o resto da tarde , as conversas e brincadeiras escondidas dos professores, parecia que nada demais tinha acontecido. Inuyasha esqueceu a existência de qualquer outra fêmea, porque a única fêmea que ele queria estava bem ali. Só havia uma pequena agonia instalada no fundo de seu peito. Nada demais.

- Meus pais vão me buscar hoje, não precisa ir me deixar, amor..

- Tudo bem - Inuyasha lhe deu um selinho. As palavras carinhosas voltaram e ele sabia que tudo ficaria bem

- Eu não contei nada a eles, então...- ela o segurou pelo colarinho da blusa, acariciando o local. - vamos deixar isso assim . Mas o senhor ainda me deve uma explicação! - ficou séria, depois divertida: - Inuyasha, não foi por causa da torta de nabo, foi?

Ele riu da piada, morrendo por dentro. Não tinha o que explicar. Não diria nada que viesse a machucar a Kikyo ou que fizesse aquele sorriso lindo sumir. Não era bom em inventar desculpas também. Em outras palavras, estava fudido.

- Não se preocupa, amor - ela podia ver o traço de aflição em seu rosto. - O importante é que estamos juntos - e uniu os lábios mais uma vez aos dele.

- Para sempre, Kikyo...para sempre.


Não seria traição se ele a visse, não é mesmo? Queria vê-la apenas mais uma vez. Inuyasha guiava o carro com apenas uma mão, enquanto a outra o ajudava a pensar. Amava a Kikyo, isso era certo, se casaria com ela. Não tinha nada demais em querer ver Kagome mais uma vez. Era só um pequeno desvio da faculdade até sua casa. Kagome...só pensar em seu nome o fazia estremecer. Depois de quase uma semana, o cheiro doce que ela emitia estava quase inexistente. Precisava senti-lo mais uma vez.

Era bom também para aprender a se controlar. Não podia ficar assim perto de qualqurer menina só porque ela deveria estava em seu período fértil. Se bem nem saberia dizer quando uma mulher estava em seu período fértil. Não se lembrava disso estar entre uma de suas habilidades youkais. Bom, não importava, tinha que vê-la mais uma vez e provar a si mesmo que estava tudo sob controle. Estacionou em frente a pequena loja, o coração batendo forte. Eram as desculpas perfeitas.

- Já estou indo, Ayumi! Obrigada e boa noite - Kagome colocava seu casaco marrom, se preparando para mais uma noite no hospital. A faculdade estava trancada e ela tinha mais tempo para estar com a mãe. Ouviu o barulho da porta da frente e a colega ainda estava ocupada com algumas etiquetas. Pensou em atender mais esse cliente, Ayumi já aliviara a barra muitas vezes para ela.

Desfez-se do casaco rapidamente a foi até a frente do balcão. Gostava do seu trabalho, em sempre deixar o cliente satisfeito e pronto para voltar mais uma vez. Pretendia que fosse assim quando advogasse.

- Senhor...em que posso..- seu estômago revirou.

Foi uma surpresa avistar o youkai de cabelos prateados. Não uma boa surpresa. Mordeu os lábios; o dia estava bom demais para ter que receber alguma reclamação. Preparou-se para a represália enquanto via o rapaz vir em sua direção. Tentou lembrar-se de seus argumentos de defesa e o outro cada vez mais perto. Mas ele não estava parando de vir? E não parou, até ter uma Kagome chocada em seus braços.

- Vadia ...- ele suspirou em seus cabelos, deixando-se tomar completamente pelo cheiro que tanto sentira falta. Estava entregue. Rendia-se. Apertou-a ainda mais no abraço, sentindo o corpinho tenso moldar-se perfeitamente ao seu. Xingava-se mentalmente por ter desejado tanto aquilo.

Fêmea!

Seu corpo vibrou.

Minha fêmea!