20 de Setembro de 1995.
Grécia.
Em um momento era tudo escuridão, e em outro eu me encontrava deitada em um quarto estranho cercada por nove damas de branco.
A luz cegava meus olhos, minha cabeça latejava, e um cheiro forte de incenso entrou pelo meu nariz o que me fez tossir um pouco, e consequentemente fez minha cabeça doer ainda mais.
Todas as nove garotas pararam de se mover e me encararam como se acabassem de ver um fantasma.
Minhas memórias recentes eram algo nublado e sem sentido, não havia nexo em nada, um espaço enorme estava entre o meu adormecer e despertar.
"Como eu vim parar aqui?" Essa pergunta aparecia constantemente em minha mente.
-Onde estou? -foi tudo o que consegui perguntar, e minha voz saiu fraca e extremamente rouca. Sentei-me na cama, para que minha fala melhorasse.
-Na Grécia minha senhora. -respondeu uma moça, que, estava mais afastada das outras. Ela tinha um leve sotaque estrangeiro. A jovem mulher largou a vasilha que segurava e veio sorrindo em minha direção. -Chamem Circe. -disse se voltando para as outras moças, ela sentou-se na beira da cama.
-Circe? Ela me trouxe para este lugar? -perguntei um pouco confusa.
-Fique calma, suas respostas irão chegar em breve. -respondeu a jovem me fazendo deitar outra vez. -Como se sente? -perguntou ela delicadamente.
-Bem, eu acho. -respondi com um pouco mais de voz. -O que aconteceu?- perguntei olhando seriamente para seu rosto.
-Graças aos céus você acordou! -Circe impediu qualquer chance de resposta, ela acabava de entrar no quarto com um sorriso nos lábios, olhos brilhantes e cabelos mais longos do que eu recordava.
-Como assim "Graças aos céus"? -falei me sentando novamente. Três garotas correram e trataram de me acomodar arrumando uma pequena montanha de travesseiros em minhas costas.
-Você não lembra? -perguntou ela se aproximando.
-Lembro de que? -perguntei confusa. Minha cabeça começou a doer ainda mais, então flashes começaram a vir em minha mente.
Era uma tempestade forte, e, eu tinha um cálice com vinho ao lado da cama, eu havia bebido logo depois acabei ficando tonta, lembro-me de levantar da cama e tentar pedir ajuda a Olívia, mas tudo o que consegui foi colidir com o chão, logo depois tudo era escuridão. -O que tinha no vinho? -perguntei levando as mãos a cabeça para amenizar a dor que aumentava cada vez mais.
-Vinho? -Circe me encarou por alguns segundos. -Então foi isso? -ela parecia estar desvendando um enigma, e eu tentei me concentrar e destruir aquela terrível dor que eu sentia em minha cabeça.
-Você está fraca, por tanto não use magia até se recuperar por completo. -disse Circe tocando em minha testa e logo a dor desapareceu.
-Ótimo! Sinto-me uma inútil agora. -Circe sorriu com meu comentário, e logo depois voltou a ficar séria.
-Não sabe o quanto estou aliviada em vê-la acordada. –Circe tinha um tom preocupado. -Esse seu "vinho" a desativou por 14 anos.
-O que?-Fiquei um tanto atordoada com essa notícia. Como isso era possível?
-Chegamos a um ponto tão desesperador, que Morgana teve que interferir e me mandar trazê-la para a Grécia. -Circe tentava me manter calma, o que era praticamente impossível.
-Onde está Olívia? -essa era uma das coisas que eu não parava de me perguntar.
-Está em Avalon, cuidando de tudo pra você. -Circe fez uma breve pausa. - Ela tem vindo sempre que pode. -embora Circe não o tivesse dito, eu senti que havia um "mas" naquela frase, algo parecia errado.
-Quando posso voltar a Avalon? -Circe pensou um pouco antes de responder.
-Assim que se recuperar. -ela mantinha sua voz calma e sempre suave. -Vou mandar um dos meus mensageiros buscar Olívia, ela vai ficar feliz em vê-la acordada. -Circe me lançou um último sorriso e saiu do quarto rapidamente.
Uma das moças que ainda estava no quarto, tratou de me acomodar.
-A senhora precisa de algo? -perguntou ela gentilmente.
-Não, obrigada. –respondi rapidamente, e retribui o sorriso.
-Se precisar de água tem um jarro e um copo ao lado de sua cama. -ela saiu me deixando sozinha com meus pensamentos confusos e com a sensação de algo não ia muito bem.
Lembrei-me de Harry, ele era apenas um bebê desde a última vez que eu o vi, já se passaram tantos anos agora ele deveria ser quase um homem com seus 15 anos.
Tentei imaginar como ele seria certamente seu cabelo não era acaju como os de Lilian, dela ele herdara os belos olhos esverdeados. Deveria ser um tanto magro como James era, e seus cabelos deveriam ser da mesma cor de antes, estariam eles curtos ou compridos?
Tais pensamentos me fizeram sorrir e mais uma vez um vazio tomou conta de mim, com as lembranças de Lilian e James.
Desejei poder ver Harry Potter, o menino que sobreviveu, mas talvez eu não tivesse coragem para fazê-lo, encarar aqueles olhos verdes seria imensamente doloroso.
Olhei ao meu redor, a procura de algo que pudesse me distrair e levar para longe aqueles pensamentos.
Bem ao meu lado, meio escondido embaixo de um travesseiro havia um livro, na verdade meu livro favorito. "A menina que roubava livros" estava marcado em uma página bem avançada, o que significava que alguém o estava lendo.
Folhei ao acaso, parando para ler as melhores partes.
A menininha, mais conhecida como a ladra de livros, me lembrava eu mesma. Era uma especialista em ser deixada para trás, assim como eu, acho que isso era o que me fazia amar aquele livro.
Uma batida leve ecoou. O meu "entre" saiu fraco, mas pode ser ouvido pela pessoa do outro lado.
Demorei alguns segundos para reconhecer a mulher que entrava.
Era Olívia, não estava assim tão diferente, mas seus cabelos eram mais longos, e talvez até mais escuros. Seus olhos azuis pareciam cansados, de uma forma que eu não consegui definir, ela ainda possuía o mesmo sorriso encantador.
Nesse momento eu pensei: "Danem-se as dores, preciso abraçar minha irmã".
Levantei da cama em um salto rápido, e para minha surpresa não desequilibrei, e nem tive náuseas.
-Não sabe o quanto esperei por esse momento!-Olívia me abraçou forte, seu perfume doce tomou conta de tudo ao meu redor, e aquela velha sensação confortável de calor me tomou. -Senti tanto a sua falta. -nos separamos e nos encaramos por algum tempo.
-Que bom que você está aqui agora. –era tão bom poder dizer estas palavras, Olívia sempre me passava a segurança que eu precisava, nós sempre fomos assim estávamos sempre lá, uma pela outra. Mesmo sendo a mais velha de nós, eu era quem sempre precisava de colo, e Olívia estava sempre lá, todo o tempo. Era necessário, uma vez que nossa mãe havia deixado em nossas mãos uma difícil tarefa.
-E eu? Não mereço um abraço seu? -a voz masculina e muito conhecida estava bem atrás de mim.
-Peter! -pulei em seu pescoço, e ele logo retribuiu ao abraço. O perfume a minha volta mudava mais uma vez, agora era amadeirado.
-É ótimo que tenha acordado bela adormecida. -disse ele fazendo-me rir.
-Com licença. –uma jovem parou na porta, e parecia muito envergonhada. -Circe pediu para avisar que o jantar será servido em meia hora.
-Obrigado, Anna. –Olívia se voltou gentilmente para a moça, que logo sorriu e se retirou rapidamente. –Tenho passado tanto tempo aqui, que já sei de cor o nome de cada dama que entra e sai por aquela porta. –Olívia focou seu olhar em algum ponto próximo a cama. –Vejo que encontrou o livro. -disse ela sorrindo.
-Então era você quem estava lendo? -Olívia ainda era a mesma.
-Sempre que podia, lia em voz alta. –por um instante ela me pareceu distante, e foi Peter quem cortou o silêncio.
-Liv querida, o que acha de ajudar Emily a se preparar para o jantar?
-Ah claro, ótima odeia! -Olívia sorriu.
-Vou deixa-las sozinhas agora, nos vemos lá em baixo. –Peter saiu, fechando a porta.
-Como estão todos? –perguntei eufórica enquanto Olívia se direcionava ao guarda roupa.
-Estão bem. –respondeu ela escolhendo um vestido. -Todos sentem sua falta é claro. -ela riu um pouco.
-E ele? -eu não podia ver meus olhos, mas tinha certeza de que estavam brilhando.
-Quem? - eu a conhecia tão bem que sabia que estava tentando mudar de assunto, era um pedido, para que eu evitasse chegar a esse ponto.
-O garoto é claro! –eu precisava saber, cada parte de mim pedia por isso.
-Eu estava tentando evitar a chegada deste assunto, pelo menos por enquanto. -ela se colocou de frente para mim.
-O que está acontecendo? –perguntei aproximando-me dela.
-Desde que você se foi, as coisas foram tranquilas por 10 anos. Durante um bom tempo não houveram ataques dos seguidores, ele, como você mesma sabe havia desaparecido, era tudo muito calmo e então... -Olívia parou, ficou estática, parecia procurar as palavras certas em algum lugar de sua mente.
-E então? –meu coração dava saltos em meu peito, eu parecia ter corrido até não ter mais forças e minhas pernas estavam bambas.
-Com a chegada de Harry em Hogwarts, os seguidores começaram a se manifestar, o ministério está tendo cada vez mais trabalho com eles, e como consequência tenho feito mais visitas ao ministro do que gostaria. -Olívia suspirou. –No ultimo ano, Circe me comunicou que você estava se agitando demais durante esse seu longo sono, algo que jamais havia acontecido. Logo entendi o porquê, Voldemort estava retornando, você sentiu, e Harry o viu retornar diante de seus olhos. -meu chão caia mais uma vez eu queria pensar que tudo estava bem, que Harry estava seguro e que meu trabalho não seria mais do que cuidar de Avalon, mas era impossível diante dos fatos. Estava tudo bem a minha frente, a vida tratava de esfregar a verdade bem na minha cara, e aquela velha sede de vingança que antes estava adormecida, agora queimava dentro de mim, e implorava a mim a cabeça de Voldemort.
Há 15 anos eu havia cometido um erro, um erro fatal e eu não pretendia repeti-lo.
N/A Oi Oi (:
É minha primeira fic então por favor peguem leve comigo.
Aceito criticas desde que sejam construtivas é claro ;)
Sei que é estranho colocar um livro nada a ver no meio dessa historia, mas eu precisava de um livro bom, e que eu gostasse...dai veio esse.
Se alguém quiser ler esse livro eu aconselho...é ótimo!
Espero que gostem.
E claro eu aceito comentários, ficaria até feliz em recebe-los (:
Beijos ;*
