Cap.1 – Leaving Michigan
- Você... – ele parou, respirando fundo. – Você vai mesmo?
Lágrimas começaram a descer por minhas bochechas. – Sim...
Abaixei minha cabeça e cobri meu rosto com minhas mãos, chorando feito um bebê. Bem, na verdade eu era um bebê, tinha apenas 6 anos.
Ele abaixou sua cabeça e encostou sua testa na minha. Logo algumas lágrimas começaram a cair de seus olhos. Ficamos assim por uns instantes.
Suspirei longamente e o fiz olhar para mim. – Taylor Daniel Lautner, eu nunca, NUNCA vou me esquecer de você. Você é meu melhor amigo, e mesmo eu indo morar no Brasil, um dia nós vamos nos ver de novo.
Ele começou a chorar mais. – Você promete? – perguntou entre soluços, colocando minha mão em seu rosto.
- Prometo! E você sabe que eu sempre cumpro minhas promessas! – sorri, e consegui arrancar um leve sorriso seu.
Ele tinha 8 anos, mas apesar de ser mais velho, nesse momento parecia mais novo.
Seu olhar ficou triste, assim como seu sorriso. – Tem certeza que não quer que eu ameace seu pai com meus golpes de caratê para vocês ficarem?
Dei risada. Há dois anos ele começou a fazer caratê e logo já começou a ganhar torneios. Mas então, começamos a chorar juntos. – Me desculpe por não estar aqui amanhã para ver você representar o país no "Grande Torneio".
Ele me abraçou forte. – Como eu queria que você estivesse lá.
Nossos pais chegaram e Taylor se afastou de mim.
- Vá se despedir deles, querida. – minha mãe colocou uma mão em meu ombro.
Abracei tia Deborah com meus olhos cheios de lágrimas. Ela abaixou na minha altura e depositou um beijo na minha testa. – Continue sendo sempre essa menina linda que você é. – disse, me abraçando, com os olhos marejados.
Então tio Daniel juntou-se a nós e me abraçou. – De um beijo na pequena Makena por mim, por favor. – pedi. Ela tinha apenas 3 anos na época, estava dentro de casa provavelmente, com sua babá.
Parei na frente do Taylor, que estava com o rosto vermelho de tanto chorar. – Vou cumprir minha promessa, Tay! Confie em mim!
Ele me abraçou pela ultima vez e disse:
- Eu nunca vou me esquecer de você! Você é a melhor amiga mais linda de todo Michigan.
Com meu coração partindo, entrei no carro do tio Dan, pois ele nos levaria até o aeroporto.
Quando entramos no avião e terminamos de arrumar nossas coisas, apoiei minha cabeça na pequena janela e observei o avião começar a se mover. Uma simpática comissária veio checar se estávamos confortáveis e com o cinto de segurança. Posso dizer que observar as comissárias foi a melhor parte daquele vôo.
Respirei fundo e fechei os olhos. A mão de minha mãe estava sobre a minha, como se quisesse mostrar que estava tudo bem. Mas não estava e eu sabia disso.
Era dia 10 de janeiro de 2000. Nunca mais me esqueceria dessa data, afinal toda minha vida estava mudando. Estava saindo de Grand Rapids e indo para o Rio de Janeiro, no Brasil.
Em algum momento da minha vida eu deveria ter desconfiado que isso aconteceria, afinal não são todos os pais que colocam os filhos para aprender uma língua tão difícil como o português desde os 4 anos.
Durante maior parte da viagem, mamãe passou falando sobre como eu faria novas amizades e supriria a falta do Taylor. Mas eu não queria novos amigos. Queria ter continuado morando em Michigan junto com o meu melhor amigo bronzeado. Queria ter ficado lá para apoiá-lo durante os torneios e os treinos.
Prometi a mim mesma que jamais o esqueceria, mas não tinha ideia de como seria difícil cumpri-la.
A comissária me deu algumas revistinhas de colorir, o que me fez ficar distraída por algum tempo. Mas ainda faltavam muitas horas de vôo, e apenas o pensamento me fez ficar cansada. Recostei na poltrona e olhei o céu através da janela. Depois de algum tempo, enfim consegui dormir. Não posso lembrar exatamente do sonho, mas sem duvida envolvia o Taylor.
Depois de 10 horas de vôo, finalmente chegamos ao Brasil. Não que me lembre do desembarque, mas sei que chegamos. Durante todo o percurso até nossa nova casa fui dormindo no banco de trás do carro.
Por causa do fuso horário, acabei acordando de madrugada. Queria sair andando pela casa para conhecê-la melhor. Mas tive medo, pois estava muito escuro. Continuei na cama no meio dos meus pais até que o cansaço misturado com tédio me alcançou. O sol já começava a aparecer indicando que eu havia ficado acordada a noite inteira.
Minha cabeça ainda estava muito confusa com toda essa mudança e perdas. Ficar acordada a noite apenas piorara isso. Apenas acordei quando minha mãe começava a cozinhar alguma coisa, talvez o almoço.
Andei meio tonta até achar a cozinha. Um cheiro diferente invadiu meu olfato.
- Bom dia princesinha. – meu pai me ergueu e beijou minha testa.
- Que cheiro é esse? – perguntei, torcendo meu nariz. Meus pais riram de mim.
- Cheiro de almoço brasileiro. – havia dado na mesma pra mim. – Arroz, feijão e carne de panela com batatas.
Era estranho ouvir meus pais falando em português. E era mais estranho falar em português também.
- Não gosto disso, quero comida mexicana, é a favorita do Taylor. – disse me sentando num banco alto que ficava logo atrás da pia, onde minha mãe estava.
Minha mãe suspirou. – Talvez outro dia, ok? Hoje nós vamos nos familiarizar com isso aqui.
Almocei a um pouco contragosto, mas não era de todo o ruim. O resto do dia usamos para passear pela praia e conhecer a cidade. A praia era linda, uma das mais lindas que eu já tinha visto. Tive uma enorme vontade de chamar o Taylor para vir brincar comigo. Mas então me lembrei que eram 10 horas de vôo que nos separavam, o que me fez ficar emburrada.
Meus pais tentavam me animar, tentando tirar o Taylor de minha cabeça. Mas seria um pouco impossível, pelo menos por agora quando tudo ainda era muito recente.
