Leve-me ao teu líder.
Mitsashi Tenten fora convidada assim que terminada a sua experiência na academia para participar de um grupo especial de jovens detetives. Sua primeira missão era conhecer suficientemente bem o dono da empresa de Tecnologia Minamit. Os problemas começam quando este dono é ninguém menos que um velho companheiro: Hyuuga Neji.
Capítulo Dois:
Máscaras.
Estava até trêmula, de tão nervosa.
Agora que o nome de Neji rondava seus pensamentos, ela tinha certeza que algo em seu velho amigo estava acoplado na admirável pessoa misteriosa que a esperava do outro lado da porta.
Mais batidas.
Por um segundo confundiu o barulho da porta com o tranco de seu coração.
Abriu.
- Você, Mitsashi... – Dizia assim que a viu, mas deixou o resto da fala guardada. Observou-a por instantes. – Está bem?
Quando menos esperava, Tenten já estava comparando o homem ao Hyuuga. Uma das coisas que não podia negar era que o modo de falar era absurdamente parecido com o do melhor amigo que lhe deixou. Despreocupado e leve, como um sussurro que vem de longe.
- Estou bem. – Respondeu finalmente, colocando a mão na nuca como se pudesse segurá-la. Por debaixo da máscara, Neji sorriu. Ela não podia mentir para ele. Aquele gesto era feito quando estava nervosa. Embora quisesse muito perguntar, resolveu fingir que não se importava por enquanto.
- Ótimo. Você e Heyio subirão ao palco comigo esta noite. – Fixou-a, achando melhor explicar. – Nunca me sinto constrangido e menos ainda nervoso, – Falou, dando uma ênfase que ela não entendeu. - mas esta noite imagino que precisarei de pessoas ao meu redor. – Emendou imediatamente. – Você ficaria no hotel e Heyio iria comigo, certo? Então vamos ajustar isso. Você adianta detalhes agora e, à noite, vai conosco. Eu providenciarei a roupa dos dois. Entendido, Mitsashi?
Ela só conseguia pensar em pronunciar o nome da família Hyuuga, mas como analisaria uma reação? Neji nunca foi do tipo que fazia gestos quando tomado por algum sentimento. Nem seus olhos podia ver. Estavam completamente cobertos pela máscara.
Quase riu. Ela estava pensando como se realmente fosse Neji, mas e se não fosse? E se?
Apenas assentiu. Ele não esperou mais. Deu as costas.
Foi o suficiente para que Tenten batesse a porta do quarto, completamente desnorteada. Enquanto fechava uma, outra se abria em seu peito. A porta dos sentimentos desesperados. Todos eles saíram num mesmo segundo, subitamente, formando uma confusão tão grande que ela precisou ir até a janela para tomar um ar.
Ainda conseguia refazer a cena em sua mente, porém com mais fantasia.
O velho farrapo dos cabelos do pai de Neji ainda eram os mesmos que prendiam o cabelo do agora homem Hyuuga. Era ele! Tinha que ser ele.
Deu vida a lembranças. Inúmeras onde ela deixava a vergonha e o medo de lado e dava um beijo em seu rosto fantasmagoricamente pálido. Ela nunca teve a coragem de tocá-lo, mas tentava por meio dos treinos que realizavam juntos. Era por isso que sempre se machucava. E o bônus, se é que poderia chamar assim, era quando ele se sentia culpado e fazia curativos.
- Meu Deus... E se for? Como devo agir?
Lembrou-se então do real trabalho que tinha que realizar. Investigá-lo. Precisava telefonar para Akane, sua superior. Dar detalhes e dizer que estava bem. Mas como fazer isso se o único celular que guardava era o profissional do dono da Tec. Minamit?
Não procuraria pistas no celular porque, muito obviamente, Neji era cuidadoso. Se por um acaso pudesse obter alguma pista, com toda a certeza seria olhando seu celular pessoal.
Não faria isso tão logo. Precisava obter um nível de carisma e entrosamento antes de apossar-se de tudo que ele usava. Queria fazer do jeito certo para não dar margens a erros.
Grande bobagem! O erro estava completo. Ela sabia disso.
Desde o momento que vira o farrapo de fita preso nos cabelos mais brilhantes e negros de todo o mundo, soube que o erro estava totalmente feito.
E orou antes de fechar os olhos e deitar na cama, despreparada para encarar tantos demônios antigos de uma só vez.
Longe dali, no centro da cidade, Neji e Heyio passeavam entre pedestres. As pessoas o olhavam estranho, e muitas delas desviavam seu caminho apressadas. Ele não se importava realmente, porque estar naquelas roupas também era desconfortável. Nem para dormir ele era Hyuuga Neji. Ao entrarem numa loja de roupas femininas, o moreno ex-membro do clã Hyuuga se deu conta que nunca viu a moça que morou com ele em Konoha de vestido.
- E agora? – Perguntou para Heyio, fazendo o moço dos cabelos cinza sorrir.
- Tenten é uma moça formosa. Acho que um vestido de cor mais opaca ficaria mais bonito. Ela tem os cabelos escuros. Provavelmente com o lenço amarelo. Que tal o amarelo?
- Formosa? Abriu a porta pra mim hoje uniformizada!
- Senhor, ela está a trabalho. E acho que quer parecer estar a altura. – Heyio olhou para Neji. Não sabia que ele e Tenten já foram amigos, nem mesmo que se conheciam. – De qualquer forma, fica muito bonita vestida formalmente.
O Hyuuga sabia que era verdade. Sabia que Tenten era bonita. Ficou incomodado por Heyio concordar.
- Certo. Então levo o vestido e lenço amarelo? Ainda temos que buscar nossos ternos. Compre lá que vou andar um pouco aqui fora.
Não teve dúvidas de que deveria se expor assim que Heyio lhe deu as costas. Mesmo enfrentando uma enorme confusão mental e sendo vencido por ela, algo dentro dele insistia bravamente para que ele se rendesse à verdade.
Entrou numa outra loja de rua e admirou as vestimentas masculinas indianas. Quem sabe...?
Tenten recebeu em sua porta algumas caixas. Nas mãos do empregado do hotel estava um papel dobrado.
"Tenten, este presente lhe será útil hoje a noite. Servirá perfeitamente em você, e tenho certeza que ficará muito bonita. Heyio."
Não sabia ao certo se estava desapontada.
- Obrigado, moço.
Fechou a porta cuidadosamente e carregou caixa por caixa para cima da cama, posteriormente abrindo-as numa velocidade que ela julgou patética. Estava curiosa.
A primeira peça a ser contemplada foi uma sandália dourada de salto médio. Não era discreta, contudo, não era vulgar. A segunda e maior caixa carregava um maravilhoso vestido no estilo indiano, amarelo ouro. A terceira caixa era pequenina, e anexada a ela havia um outro bilhete.
"Eu as comprei. Espero que você use."
E ela simplesmente sabia quem havia lhe dado, embora a letra ainda fosse de Heyio.
Quando retirou o papel de cima quase gritou. Um colar com um pequeno diamante era a principal joia que lhe agradou. Um anel fininho e dourado sem adornos lhe serviu perfeitamente, e apenas um brinco – Sem par, enfeitaria sua orelha exatamente como Neji gostaria.
Nada tirava de sua cabeça que era Neji.
Tomou banho tranquilamente, ensaiando um milhão de vezes uma reação irada quando ele lhe dissesse.
- Será que me dirá um dia? – Perguntou-se, envolta numa gostosa camada de vapor. Nua, andou até a cama para preparar-se devidamente. Não percebeu que as janelas estavam abertas, pois sequer por ventos gelados foi assaltada. Tudo estava indo muito bem...
As luzes do ginásio alugado por Neji estavam cem por cento. Ele mesmo acabou por verificar. A quantidade de pessoas já dentro servindo-se do buffet era enorme. Ele convidara duzentas, mas tinha a ligeira impressão de que o número se multiplicara.
Tenten ainda não aparecera, e se havia algo que o irritava eram atrasos. Deixou de pensar neles quando ela cruzou o salão particular, onde estavam ele e Heyio sozinhos. O moreno em realidade estava bebendo vodka, mas a deixou assim que viu a Mitsashi sorrir para Heyio de uma maneira que ele julgava esquisita.
- Vejo que está usando o presente. – Interceptou-a, pensando em como havia soado idiota.
- Obrigado. Eu gostei muito.
Neji apenas assentiu, pegando o copo novamente. Talvez precisasse de um pouco de coragem. Talvez.
Percebeu tempo depois que vez ou outra a moça o olhava de esguelha, e isso não estava apenas o incomodando. Estava também o irritando.
Ficaram em silêncio durante bastante tempo, até Neji resolver que estava na hora de aparecer.
- Sejam bem-vindos à minha reunião.
Diante de sua majestosa voz, as pessoas não demoraram a sentar. Ele era o único em pé. Tenten e Heyio estavam perto dele, mas sentados ao fundo.
- Hoje tenho um enigma delicado para desvendar. – Arrumou o microfone e mexeu a máscara um pouco para a lateral. Estava ficando sem ar. – O meu.
Tenten Mitsashi foi a primeira a arregalar os olhos, seguida de Heyio e de todo o salão. As pessoas nunca conheceram o grande magnata por trás dos trajes anônimos. Como seria ver seu rosto?
A sensação queria ser experimentada por muita gente.
- Espero que não os deixe entediados. Eu não vim com a intenção de falar sobre minha empresa. – Pigarreou. – Enfim, marquei esta confraternização aqui por uma conotação familiar forte. Poderia ter sido em meu país, mas... Não. Há anos atrás empreguei até hoje um pouquinho mais de dois milhões de pessoas. Eu me sinto bem sobre isso. De alguma forma, fiz minha parte. Tec. Minamit cresceu mais do que eu podia segurar, mas aprendi a equilibrar muita coisa. Exceto minha vida privada. Como sabem, nunca quis ser visto. Nunca fui. Me fazia sentir um pouco melhor pessoalmente. Isso tem um fundamento.
Sem pressa, Neji retirou primeiramente a capa que lhe tapava o terno.
- Tenho 31 anos e me chamo Hyuuga Neji.
Sem pressa também, retirou a máscara que o deixava sem reconhecimento e ouviu burburinhos de todos os lados.
Tenten, vendo os cabelos do moreno balançarem levemente, não acreditou nos ouvidos. O coração batia descompassadamente. Queria tanto que fosse Neji que até ficou surpresa.
Quando se deu conta da realidade ao redor, o moreno estava virado para ela, encarando-a com um sorriso displicente de quem quer dizer:
"Eu sei o que você está pensando. Sei até o que está sentindo, tola."
Continua...
N/A:Demorou mas chegou. Agradeço as meninas que me enviaram reviews, fico feliz que tenham gostado.
Como puderam notar o capítulo foi menor, mas foi porque não quis postar as "reações" junto. Como já estão escritas, que fique de surpresa para o próximo.
Até mais.
Maria G.
