Srt Smitt: há há há "Eu sei o que você fez no verão passado." (Sorry, não resisti). A Marguerite é meu personagem preferido, e, além disso, é a única maluca o suficiente pra seguir um tesouro no meio do mundo perdido depois de tudo o que eles já encontraram perdido por lá... Então, ela tem que ser o centro das minhas histórias, não posso evitar... C'est la vie! Continuação abaixo, espero que goste! Beijo, beijo, beijo!
Si: não só com o fofo, querida, mas o fofo terá um papel crucial nessa fic – aguarde e confie! Aliás, fiquei enduvidecida: o fofo é o T-Rex? Ou o Ned? Há há há (sei que haverá represálias para essa pergunta, mas não resisti). Beijo!!
Fabby: como disse pra Srt Smitt, Marguerite é minha personagem preferida, e a ambição dela – que às vezes a impede de ver o perigo – me permite brincar mais com ela que com os outros. Mas foi só uma pancadinha... Ou não?? Continue lendo pra descobrir – e obrigada pela review!!
Krux: tão sumida quanto a Marg? Eu diria que isso é praticamente verdade pra TODO MUNDO, que anda desaparecido, mas o importante é que TLW mora nos nossos corações! Beijo e abaixo a continuação!
Jess Nobre: querida sumida... Pois é, a fenda tava boa demais pra ser verdade se fosse a saída do plateau, né? As coisas estão indo de mal a pior em termos de romance – mas, observe, essa é uma fic rotulada permitida pra menores, então romance só muito muito light há há há. E agora, após a música tema, continua a fic! Beijo grande!
Anne: não perca a empolgação – o próximo capítulo está aqui! Obrigada pela review!
Suellen: adorei esse "por amor de TLW", perfeitamente aplicável a todos nós... Atendendo a pedidos, e graças a TLW, cá está a continuação! Obrigada pela review!
Capítulo 2 – Uma Estranha no Ninho
Marguerite lentamente voltou a ver o que havia a sua volta. Detestava desmaiar – se é que aquilo fora um desmaio. Lentamente as recordações voltaram à sua mente. O anel, é claro. Mas foi então que viu...
...
'Aqui está uma tocha. Deve haver rastros. Vamos seguir por onde ela andou, Roxton.' Ned e Verônica aproximaram-se.
Roxton adentrou sozinho na pequena antecâmara da caverna, e algo não fazia sentido. As pegadas de Marguerite estavam ali, e somente na direção do fundo da caverna, o que significava que ela não tinha saído. Pela diferença entre as marcas do pé direito e do pé esquerdo, também dava para notar que ela estava mancando, mas não muito, o que era um bom sinal também, mas ao mesmo tempo tornava ainda mais estranho o fato dela não ter acendido uma fogueira.
'Ned, Verônica. Podem entrar. Parece que há algum tipo de passagem no fundo dessa câmara. Marguerite entrou, mas nunca saiu por aqui. Pode ser que tenha seguido por essa passagem.'
Os outros dois se muniram de tochas e entraram para seguir Roxton. As roupas molhadas se colavam ao corpo dos três incomodamente, mas pelo menos as chamas das tochas e o cheiro da madeira queimada afastavam de suas narinas o mau-cheiro do lago onde tinham estado.
As pegadas de Marguerite eram claras e não havia sinal de que a houvessem seguido. Bom, muito bom.
Os três passaram, um de cada vez, pela passagem estreita. Mas quase derrubaram Roxton, quando este parou abruptamente, impedindo-lhes a visão.
'O que foi, Roxton, o que houve?' Verônica perguntou, mais que depressa.
'Um T-Rex. Ou um outro monstro. Enorme. Fiquem em silêncio.' Ele pediu, seus olhos seguindo as pegadas de Marguerite que desapareciam nas sombras adiante de onde sua tocha podia iluminar, e recortando contra a escuridão apenas a silhueta do monstro que ocupava aquela caverna.
...
Marguerite não podia acreditar no que via. Olhando para sua própria mão, o que estava vendo eram cinco garras verde escuras, com unhas pontiagudas. O anel, exatamente o mesmo que pegara, estava no polegar – ou naquilo que seria o polegar naquela pata. Fechou os olhos por um instante. Devia estar tendo um pesadelo. Só podia ser isso mesmo. Inspirou profundamente, mas o ruído que isso fez obrigou-a a abrir os olhos novamente. Olhou suas mãos e pés. Não havia dúvida. Tinha-se transformado em algum tipo de animal. Até onde podia ver, parecia um T-Rex. Mas então – ai – continuar encostada à parede subitamente a incomodava. E foi então que notou as duas enormes asas em suas espáduas. Maldição. Havia se transformado num dragão! Esse dia podia ficar melhor?????
...
'Algum sinal de Marguerite?' Ned perguntou, temeroso.
'Até onde dá pra ver daqui, as pegadas dela só estão em um lugar, indo em uma direção...' A voz de Roxton diminuiu de tom.
'Deixe-me adivinhar... Exatamente na direção do monstro.' Verônica completou. 'Ou pelo menos na mesma direção que esses tesouros estão espalhados aí no chão.'
Os três tinham notado o brilho das peças espalhadas pelo chão. E sabiam bem que a herdeira teria notado aquilo ainda antes que eles, e que não teria hesitado em seguir aquela trilha.
'E alguma idéia do que seja o monstro?'
Eles observaram o enorme animal desencostar-se da parede, e as sombras das asas ficaram visíveis. Roxton mal podia acreditar em seus olhos.
'Parece... Parece...' Ele titubeou. Mas Ned e Verônica tinham visto o mesmo.
'Não é possível. É um dragão!!!' Verônica não foi capaz de se conter. 'E parece bem real.'
Ned observou mais uma vez os objetos preciosos espalhados pelo chão, antes de falar: 'Podemos estar num ninho de dragão. Dizem as lendas que os dragões acumulam tesouros em seus ninhos.'
Apesar do terror que os dominava, Verônica e Roxton se entreolharam, confusos, antes de olhar para Ned. 'Como você sabe disso?' Roxton questionou, incrédulo.
Felizmente estava suficientemente escuro para que nem Verônica nem Roxton percebessem Ned enrubescendo.
'Eu li. Há muitas estórias de dragões. Aventuras. Heróis. Cavaleiros. Donzelas em perigo.'
Mas os outros dois estavam muito interessados.
'E o que podemos fazer para afastar, ou vencer, um dragão de verdade?' Verônica perguntou, aflita.
'Bom, nas estórias sempre há lutas, e uma espada enfiada no coração do dragão.' Ned tentou.
'Fácil...' Roxton ironizou. 'E dragões comem gente?' Ele estava realmente preocupado com Marguerite.
'Sim. Podem comê-las, ou apenas queimá-las, ou esmagá-las...' Ned começou, mas Verônica o interrompeu, furiosa. Já estavam suficientemente preocupados para adicionar mais possibilidades à dura realidade.
'Temos que descobrir onde está Marguerite.' O tom de urgência na voz de Roxton avisou aos outros que ele estava disposto a adentrar o tal recinto do dragão, fosse ou não um ninho. 'Eu irei. Vocês ficam aqui e me dão cobertura.'
Os dois apenas assentiram com a cabeça. Ele deu alguns passos a frente, sem se afastar muito das sombras protetoras da parede da caverna, e sem perder de vista ora os rastros de Marguerite, ora a sombra do dragão.
Marguerite percebeu uma sombra perto de si. Tinha estado tão compenetrada tentando entender o que acontecera que não ouvira a conversa de seus amigos. Virou-se para olhar, e por um momento não sabia se suspirava aliviada ou se fugia horrorizada. Roxton estava ali. Significava que estava vivo, o que era um alívio. Mas ela não queria que ele a visse "assim"!!!!
Seu ato reflexo foi levantar-se, e só então notou que, em forma de dragão ou não, sua perna ainda doía um bocado.
Viu Roxton observá-la, aterrorizado. Seguiu os olhos dele. Ele observava os rastros que suas botas tinham deixado antes no chão. Os rastros das botas de Marguerite terminavam exatamente onde começavam os do dragão. E não estavam em mais nenhum outro lugar.
'Maldito!!!' ela ouviu-o gritar, sacando a arma.
'Não!' ela tentou gritar. Precisava explicar a ele que ela era Marguerite. Mas, ao invés de som, apenas um rugido horrendo e uma rajada de fogo saiu de sua boca, o que fez com que Roxton caísse para trás, desequilibrado.
Marguerite fechou a boca, horrorizada. O que acabara de fazer? Quase matara Roxton! Foi então que viu Ned e Verônica aproximarem-se dele. Felizmente estavam todos bem. Menos ela. Como faria para que eles entendessem que era ela quem estava ali, sob aquela pele de dragão???
'Você está bem?' Verônica ajudou-o a levantar.
'Esse dragão acabou com Marguerite.' Foi só o que Roxton conseguiu balbuciar, os olhos cintilando de ódio. 'As pegadas dela terminam... Terminam onde esse monstro estava.' E Roxton já apontava a arma novamente para o dragão.
Marguerite deu dois passos para trás, mancando – obviamente seu peso como dragão causava muito mais dor na perna machucada. Mas queria ficar o mais longe possível da sua conhecida pontaria certeira de Roxton, até que eles pudessem esclarecer aquele mal-entendido.
'Está ferido, não está? Pois agora vai sentir a dor e pagar pelo que fez!' Roxton puxou o gatilho.
'Espere!' Ned e Verônica o impediram. Tinham visto a rajada de fogo da primeira vez. 'Não sabemos se munição pode matá-lo, Roxton.' Ned explicou.
'E, se o dragão acabou com Marguerite por ela ter entrado em seu ninho, não sei se é de alguma valia matar o animal por isso.' Verônica acrescentou, em voz baixa, ainda incapaz de acreditar no que acontecera. Só sabia que precisavam sair dali o mais rapidamente possível.
Marguerite assistia à cena, impassível. Temia que qualquer movimento seu pudesse piorar a situação. Mas ao mesmo tempo, não podia deixar de sentir o coração despedaçado vendo a agonia estampada no rosto de Roxton.
'Vamos. Vamos sair daqui.' Verônica insistiu, segurando um braço de Roxton. A um sinal dela, Ned fez o mesmo, e, sem darem as costas para o dragão, saíram pé ante pé e voltaram à antecâmara onde o dragão não podia alcançá-los.
Marguerite deixou-se ficar onde estava, sentando-se novamente. Como a perna doía. Mas se a perna fosse todo o problema... Como sairia daquela enrascada??? Ficar como dragão o resto da vida é que não iria... Precisava da ajuda deles, mas com todos achando que o dragão a havia comido, seria difícil convencê-los a colaborar.
Na antecâmara, Roxton parecia petrificado. Tinha-se deixado levar, e agora estava sentado a um canto, calado e pálido.
'Eu... Eu vou buscar lenha para uma fogueira, assim passamos a noite aqui.' Verônica tentou ser prática. Sabia que caminhar à noite seria uma loucura, e que ali pelo menos estavam protegidos – o dragão não podia atingi-los, e ao mesmo tempo impediria outras ameaças de entrarem pela caverna maior. E talvez Ned pudesse ter uma conversa de homem para homem com Roxton para ajudá-lo naquela hora difícil, se bem que ela duvidasse que qualquer conversa serviria de consolo para seu amigo. Nem ela podia acreditar direito que Marguerite se fora!
Um silêncio pesado estabeleceu-se entre os dois homens. Ned tentou quebrá-lo, pois a dor estampada no semblante de Roxton era assustadora.
'Roxton?'
O caçador não respondeu, apenas ergueu os olhos assombrados para o jornalista. Mas Ned não sabia o que dizer. 'Tudo vai ficar bem.'
Roxton não disse nada, apenas desviou o olhar. Nada iria ficar bem. Mas não adiantava dizer isso a Ned. Nem a ninguém.
Verônica voltou e encontrou-os nesse mesmo silêncio constrangido. Acendeu uma pequena fogueira. Não tinha o menor apetite, e então sentou-se em um canto. Os três estavam em silêncio. Todos tinham Marguerite em mente, mas nenhum deles estava pronto para falar do assunto. Não ainda.
Marguerite estava cansada. E com dor. Que tremendo pesadelo estava vivendo. E o silêncio na antecâmara era estarrecedor. Ouvira as vozes deles pela última vez há quase uma hora. Será que tinham ido embora? Afiou o ouvido, mas depois de algum tempo, o cansaço do dia e a escuridão absoluta do seu lado da caverna a embalaram e ela acabou adormecendo.
Na antecâmara, o mesmo acontecera com Ned e Verônica, cada um dormindo em um canto. Apenas Roxton não conseguia dormir. Não podia. Marguerite. Não podia aceitar que ela estivesse morta.
Levantou-se, sem fazer ruído, e entrou novamente na caverna do dragão. O barulho que ouvia há algum tempo parecia um ressonar poderoso, e ele julgou que o animal dormia a sono solto. Não se enganou, vendo a sombra com a cabeça levemente descaída sobre o peito. Aproveitou-se para seguir novamente as pegadas de Marguerite. Queria estar errado. Ah, como queria. O estranho é que não havia sequer sinal de luta, de fuga. As pegadas de Marguerite simplesmente desapareciam. Não teria ela visto o dragão? Teria sido atacada antes mesmo de poder defender-se, ou de tentar fugir? Aquilo lhe soava horrível. Mas o mais estranho é que além das pegadas de Marguerite, não havia pegadas do dragão. Apenas aquelas duas passadas que ele dera quando se levantara em sua frente. Estranho. Será que o bicho conseguiria voar dentro da caverna e a atacara do alto?
Não resistiu à tentação de ver a fera mais de perto. No luar que se filtrava à distância pela entrada da próxima caverna, a única coisa que pôde distinguir bem foi um enorme anel em volta de uma das garras do dragão. Coisa estranha. Bem que Ned dissera que aquelas coisas espalhadas podiam ser o tesouro do dragão – o mesmo tesouro que provavelmente atraíra sua Marguerite para aquele lugar.
Aproximou-se para observar melhor o anel, e seu coração deu um salto: reconhecera a forma do oroborus. Quanta coincidência. Marguerite por certo teria adorado encontrar exatamente uma peça como essa para acrescentar ao mistério que a trouxera ao platô. A dor surda que lhe invadira o peito mais cedo parecia crescer de forma incontrolável. Marguerite. Não estava mais entre eles. Nunca mais a veria. Nem ouviria seu riso, nem veria suas lágrimas furtivas, nem se irritaria mais com ela, nem desejaria matá-la eventualmente. A única coisa que permaneceria era seu amor e seu desejo pela mulher.
Estava tão absorvido em sua própria dor que não notara que o dragão acordara... E que o observava, fascinado.
Marguerite acordara com o ruído de uma respiração descompassada. Roxton. Não se enganara. O homem estava parado à sua frente, observando-a. Observando mais exatamente sua pata, o anel, e provavelmente perdido em sua própria dor, como ela tantas vezes já assistira quando ele se culpava pela morte do irmão. Quando ele a encarou, não teve chance sequer de sentir medo que ele atirasse nela dessa vez. Tudo que queria naquele momento era que ele soubesse que ela estava viva.
Pela primeira vez Roxton viu os olhos do dragão. Enormes, e pareciam olhos de gato. Mas a cor, e o brilho. Sentiu novamente a dor em seu peito querer explodir. Que idéia. Aqueles olhos lhe lembravam sua Marguerite. Intensos. Devastadores. Hipnotizantes. Não pensou em matar o animal. Não era culpa dele se atacara alguém que invadira seu ninho. Só desejava que pudesse atacar novamente agora – não sabia se teria coragem de encarar o mundo sem a esperança de um dia vir a ter Marguerite.
A perna lhe doía um bocado, e Marguerite precisava esticá-la. Não queria ferir Roxton com qualquer movimento brusco, nem assustá-lo. Então, tão delicadamente quanto sua nova forma de dragão permitia, ela estendeu a pata, aliviando um pouco a dor.
Roxton imediatamente reconheceu o lampejo de dor no olhar do animal. Parecia uma leve careta, e também isso o fez lembrar de alguém, que fazia o possível para ocultar a dor. Marguerite. Observou a perna que o dragão esticara. A perna esquerda. A mesma que Marguerite ferira. Coincidência? Estaria ficando maluco?
Deu a volta na pata do dragão que continuava estendida, e não encontrou nenhum ferimento aparente. Apenas uma parte parecia mais inchada, revelando uma forte pancada ou algo assim. Sem desviar os olhos dos do dragão, estendeu a mão e tocou o lugar que parecia ferido, não para machucar, mas para avaliar a extensão do machucado. O dragão não o atacou, como seria de esperar. Apenas encolheu um pouco a pata, e Roxton pôde ver em seus olhos novamente o incômodo que o machucado devia estar causando.
Marguerite assistiu Roxton examinar sua perna à distância, depois tocá-la. Será que ele conseguiria ligar os fatos? Continuou apenas observando-o, temerosa de espantá-lo. Viu-o dar uma volta pela caverna.
Não havia mesmo nenhum outro rastro do dragão. E a avaliar pela altura da caverna, seria impossível o bicho ter voado ali. Nada daquilo fazia sentido...
Voltou a encarar o animal. Um bicho tão grande, e estava ali, observando-o, como se de alguma forma o temesse. Conhecia aquele jeito de olhar em silêncio. Mas a dor era grande demais. Depois de observar longamente o dragão, olhando-o nos olhos, deu-lhe as costas e voltou à antecâmara, sufocado por usas próprias emoções.
Quando chegou, Verônica despertou, assustada.
'Onde você foi?'
'Estava lá. Na caverna.' Ele disse, e sentou-se, com a cabeça entre as mãos.
Verônica podia imaginar o que ele fora fazer. Certificar-se de que não errara. Certificar-se que Marguerite não estava mesmo viva. Mas havia algo na expressão dele que não era apenas dor.
'O que descobriu de diferente?'
Ele olhou para ela, surpreso. Não acreditava que fosse tão transparente. Porém, por outro lado, aqueles amigos o conheciam melhor que ninguém.
'O que? O que?' Ned acordou, assustado com a conversa.
Roxton aproveitou que ele tivesse acordado também, e lhes resumiu o que vira.
'O dragão usa um oroborus em uma das garras. Achei curioso. Acordou, me viu, e não me atacou. Esticou a perna, apenas, e está ferido. Na perna esquerda. Como Marguerite.' Não iria mencionar aos dois o quanto o olhar do dragão lhe lembrara o olhar de Marguerite. Eles achariam que enlouquecera pela dor de perder sua amada.
'Mas o mais estranho é que não há outras pegadas do dragão. As pegadas... As pegadas dela desaparecem onde o dragão estava quando chegamos. Nenhum sinal de luta. De fuga. Nada. E nenhum sinal da chegada do dragão.' Roxton explicou.
'Ele poderia ter vindo voando?' Verônica questionou.
'A altura da caverna é insuficiente. Avaliei isso também.'
'Curioso. O anel na garra do dragão. Me fez lembrar de uma estória.' Ned comentou.
'Que estória?' Verônica e Roxton perguntaram. Roxton porque queria ter alguma esperança. Verônica porque achava que qualquer estória que pudesse desviá-los dos pensamentos lúgubres daquela hora seria bem-vinda.
'Diz uma das lendas que se alguém se apossar indevidamente de uma peça qualquer de um tesouro de dragão, vira um dragão. Aliás, dizem que foi assim que surgiu o primeiro dragão. Uma jóia amaldiçoada, caída nas mãos de um humano ambicioso: fórmula perfeita para o primeiro dragão.'
'A mesma fórmula se aplicaria à Marguerite.' Verônica não pôde evitar o comentário, mas quase se arrependeu na mesma hora e olhou para Roxton. Mas ao invés da convencional expressão de repreensão que esperava ver no rosto dele, diante da referência dela à ambição de Marguerite, tudo que pôde ver foi uma espécie de luz, antes dele dizer:
'É isso, Ned! Você descobriu!'
Verônica temeu por um instante pela sanidade do amigo.
'Vocês não vêem? O dragão... Pode ser Marguerite. Ela entra na caverna. Vê o anel. Coloca-o. E zaz! Vira um dragão!' Roxton explicou, entusiasmado.
'Roxton, mas isso é uma lenda, e...' Até mesmo Ned estava um pouco desconcertado diante da rapidez com que Roxton associara uma velha lenda fantasiosa à situação terrível que estava acontecendo com eles, e atribuiu isso ao efeito que a perda de Marguerite estava tendo no caçador.
'Vocês não entendem? Aquele dragão não me atacou. Ficou apenas me observando. E os olhos do dragão... Os olhos do dragão são cinza azulados...'
'Como os de Marguerite!' Verônica e Ned completaram, agora contagiados pelo mesmo entusiasmo, revendo em suas mentes o olhar que o dragão lhes dirigira quando Roxton se preparara para atirar horas antes...
CONTINUA...
(o próximo capítulo está pronto, mas quando ele vai ser publicado dependerá dos comentários e reviews!)
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