POV Carlisle

Eu estava animado, não terei plantão a noite inteira no hospital pelo simples fato de que o movimento no hospital esta baixo, nada de mais, sem casos graves. Eu estava arrumando minhas coisas e colocando meus papeis dentro da minha maleta quando meu celular começa a ligar, vi que era Esme e já atendi sorridente.

-Oi meu amor. –Falei sorrindo e pude ouvir um suspiro do outro lado do telefone, por mais que não precisássemos respirar, já era um abito humano fazer isso.

-Querido, você tem plantão hoje? –Ela perguntou e eu estranhei o tom de sua voz.

-Não minha vida, eu tenho a noite livre. –Falei e nem se quer pude ouvir um sorriso do outro lado, o que estava acontecendo? –Esme, aconteceu alguma coisa? –Perguntei.

-Eu acho melhor você chegar em casa, assim conversamos com mais calma. –Ela falou e eu levantei uma das sobrancelhas.

-É alguma coisa com as crianças? Quem foi que aprontou agora? –Perguntei com tom de cansado e ela suspirou.

-Quando você chegar em casa nós conversamos. –Ela falou e eu suspirei.

-Ok querida, nos falamos quando eu chegar em casa. Agora tenho que arrumar minhas coisas...te amo. –Falei do modo mais carinhoso que pude.

-Também te amo querido. –Ela falou e desligou o telefone, eu já sabia que era algo com as crianças pelo simples fato dela não ter negado ou confirmado minha pergunta, a pegadinha agora era saber quem tinha aprontado oque em casa.

Guardei tudo na minha velocidade vampiresca, já que era tarde da noite e não tinha muitas pessoas pelos corredores. Logo alguém bate na porta da minha sala.

-Entre. –Falei e pude ver que era Klaus, ele é um velho amigo meu de muitos anos, ele também é vampiro e tive a imensa sorte dele trabalhar comigo, ele acompanhou todas as transformações provocadas por mim, de Edward até Emmett, já que não transformei Alice e Jasper, ele é do tipo de "pediatra" dos meus filhos quando eu não posso consulta-los por mim mesmo, e também digamos que é meu melhor amigo aqui.

-Já vai indo colega? –Ele perguntou colocando a mão nos bolsos do jaleco branco e sorrindo pra mim, sorri de canto sem terminar de guarda minhas coisas.

-Já Klaus, não tenho plantão hoje! –Comemorei erguendo as mãos, quando estavamos sozinhos eu podia fazer palhaçadas, amigos fazem isso com você, na frente dos filhos é um adulto e na frente dos amigos é um pirralho.

-E qual é o problema da vez? –Droga! Maldita visão de acontecimentos momentâneos! Esse dom do Klaus já me deu muita dor de cabeça, não consigo esconder nada dele por isso ele sabe de tudo que acontece.

-Eu ainda não sei, Esme me ligou e pela voz dela não foi nada bom. –Expliquei colocando as pastas na gaveta da esquerda na mesa.

-Hum...vai me contar quando vier amanhã? –Ele perguntou e eu sorri.

-Você já vai saber de tudo mesmo Klaus... –Falei pegando minha pasta.

-Ah, é mais engraçado você falando. –Ele falou e eu sorri por sua observação.

-Que bom que meu problemas familiares divirtam você, agora se me der licença colega, tenho que ir pra casa. –Falei saindo da minha sala e ele estava do meu lado me acompanhando até o estacionamento.

-Até amanhã cara, de um abraço na patroa por mim. –Ele falou e eu arqueei uma das sobrancelhas.

-Você sabe que não farei isso não sabe?

-Eu sei, só queria ver sua cara. –Ele sorriu, mesmo sendo meu amigo, que cara idiota. –Ok, boa noite. –Ele falou dando meia volta e entrando novamente no hospital.

Destravei minha Mercedes e entrei nela, tenho até medo do que vou encontrar na minha casa, mas eu sou o responsável por aquela família, querendo ou não, eles são minha responsabilidade então não tinha o que se fazer.

Dei partida e segui para casa, quando eu ia me aproximando eu pude ver tudo escuro, não estranhei pelo fato de que já era tarde e as crianças já deveriam esta dormindo e minha esposa me esperando no nosso quarto. Abri a porta da garagem e estacionei meu carro la dentro, a fechei e segui até a porta de casa. Ao abrir eu pude notar o silencio, só mesmo as respirações dos meus filhos

Subi em passos leves para não acorda meus filhos, notei que todos os quartos estavam fechados, estavam dormindo de fato. Segui até meu quarto e assim que entrei, vi a imagem de minha esposa deitada na cama com uma camisola de ceda azul, de alças finas e babados em baixo, como uma boneca, minha boneca, coloquei a maleta na cômoda e andei até a cama para beija-la.

Me sentei do seu lado e ela ficou alisando meu braço, ela fazia isso quando algo a preocupava, a olhei com compaixão e perguntei:

-O que aconteceu meu amor?

-Carlisle, preciso falar com voce. –Ela falou isso e eu a fitei.

(...)

Eu não posso acreditar no que meus ouvidos escutaram agora mesmo! Como assim?! Emmett não pode ter tido a coragem de fazer isso! Logo com Jasper! Seu irmão! Companheiro nas lutas! Braço direito nas pegadinha! AHHRRGGGGGGGG! Eu estava disposto a entrar no quarto daquele menino com o cinto na mão para ensina-lo a nunca mais falar algo desse tipo, ainda mais com um de seus irmãos. Se foi na hora da raiva não importa, ele falou e é isso que eu sei! Tirei meus sapatos fumaçando, tirei o cinto e o joguei na gaveta. Afrouxei minha camisa e tirei a gravata, Esme me olhava com compaixão e com pena, eu não acredito que ela passou por isso, ainda mais sozinha!

Passei a mão nos meus cabelos para tentar me acalmar, respirei fundo e levantei minha cabeça fechando os olhos, eu já tinha me acalmado um pouco, mas isso não tirava a minha irritação sobre aquilo.

-Querido, Jasper não jantou, acabou dormindo antes... –Esme falou me tirando de meus devaneios, eu entendia o que ela queria falar. Andei até ela e a beijei no topo da testa e sai do nosso quarto em direção a cozinha.

Quando cheguei na cozinha, liguei as luzes e abri o armário de baixo, lá tinha um compartimento secreto onde guardávamos todas as mamadeiras, não sei pra que isso, todos eles tem mamadeira, mas um acha que o outro não tem, ai por vergonha, pede pra mim ou pra Esme esconder a mamadeira. Da até vontade de rir com isso. Cada mamadeira tinha uma cor designada a cada um, amarela era Emmett, verde era Jasper, vermelha era Rosalie, rosa era Alice e azul era Edward.

Peguei a mamadeira verde e a lavei, coloquei-a de lado e peguei um pacote de sangue na geladeira, coloquei um pouco dentro de uma tigela e liguei o fogo para esquentar.

As vezes me pego sorrindo com isso tudo, assim, eu estou aqui na cozinha da minha casa, esquentando sangue para colocar em uma mamadeira para dar pro meu filho. Eu posso nunca ter tido filhos, mas o destino me deu 5 razões para viver, eu daria minha alma para aquelas 5 crianças. São meu bebes, me pergunto se estou errado em trata-los com tantos mimos, mas fazer oque, sou um pai coruja!

Quando o sangue esquentou no ponto certo eu desliguei o fogo e o coloquei dentro da mamadeira. Balancei para misturar e não sair muito groso já que é sangue congelado de vários dias, sempre caço um dia para ter sangue paras os outros dias, assim evita dos meus filhos saírem para caçar o tempo todo.

Subi até o quarto de Jasper, vi que a maçaneta estava quebrada, depois perguntaria sobre isso com Esme. Entrei e encostei a porta, o quarto estava todo escuro, liguei o abajur do lado da cama do meu anjinho e pude ver seus olhos inchados, ele deve mesmo ter chorado rios de veneno, meu Deus, eu ainda não to acreditando nisso. Mas deixei minha raiva de lado, precisava alimentar meu filho, se não amanhã ele acordaria com um apetite para sugar o sangue de um rebanho inteiro. Coloquei a mamadeira no criado mudo e afastei seu edredom, ele estava todo encolhidinho então de vagar eu fui o levantando da cama para poder me sentar por traz dele. Me sentei e o coloquei sentado no meu colo como uma criança, ele nem se quer se moveu, seu sono era profundo de mais pra isso. Tirei a tampa da mamadeira e olhei se ainda estava quente, pois sangue esfria rápido, por sorte ainda estava quente então coloquei o bico na boca do meu filho, deixando em uma posição que ele pudesse beber sem dificuldade.

-Hum...-Ele murmurou, deve ter sido por sentir o liquido morno descendo pela garganta, balancei minhas pernas o ninando como um bebe enquanto beijava sua testa e sua bochecha, eu estava emanando todo meu amor e meu carinho para aquele menino.

-Shhhh...pronto filho, eu tô aqui, eu tô aqui...-Ficava repetindo isso enquanto o balançava de um lado pro outro. –Papai esta aqui anjinho, eu te amo tanto Jasper...tanto, nada vai mudar isso filho. –Falava em seu ouvido, eu sabia que ele escutava, por isso mesmo fiz isso.

O balançava de um lado pro outro até que a mamadeira já tinha secado, coloquei a tampa nela e a coloquei no criado mudo. Fiquei mais um tempo ali, com Jasper dormindo em meu colo, eu o balançava carinhosamente de um lado pro outro, beijava sua cabeça, fazia carinho em seus cachos. Queria passar pra ele que ele era especial, tanto pra mim, como para a mãe e para os irmãos dele. Meu anjinho, meu filho, minha benção. O coloquei lentamente na cama e ele já foi se virando pro lado e se encolhendo. Sorri com seu jeito. O cobri com o edredom e beijei sua testa.

-Boa noite meu filho. –Murmurei pra ele desligando o abajur do seu quarto. Peguei a mamadeira e sai de vagar dali, amanhã seria um dia longo, o pior era, eu estava irritando, muito irritado com Emmett, nem sei o que posso fazer se ver aquele menino na minha frente.