Voltei, minha gente XD
Continuando com o segundo capítulo da FIC /o/
Boa leitura!
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As Faíscas do Presente
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Foi tudo meio rápido demais. Os legistas queriam falar com Hinata no meio do velório, o que fez Naruto chiar em contragosto, enquanto Sakura achava o procedimento policial normal. Não podiam se abalar com qualquer enterro, não? Lembrou-se dos filhos em casa e desejou ter ficado com eles, mas logo balançou a cabeça em negativo: o clima em casa estava insuportável desde que a visita tinha chegado. Yumi ficou encantada com o comprimento dos fios de Hinata e pedia para trançá-los toda hora. Comentou, em um desses seus surtos de cabeleireira, que não conseguia fazer o mesmo nos cabelos da mãe, pois eram curtos demais para isso.
"Você tem cabelo de princesa!"
Era só o que lhe faltava.
Nos últimos dois dias tentou ser a melhor pessoa do mundo, chegando até a se envergonhar com o estado da casa. Não era lá muito boa dona de casa, mas arrumou como pode o quarto da filha menor, colocando a mesma para dormir com o irmão. As crianças não brigaram ou relutaram, e ainda faziam montes de desenhos para alegrar a visitante – ideia de Naruto. Sakura simplesmente teria preferido que as crianças reinassem que houvesse brigas e puxões de cabelo. Nada. Bastou uma palavra do pai para que acatassem como soldados obedientes. Sentiu-se impotente e irritada: nunca a obedeciam quando falava. Afinal de contas, as crianças gostam de ir contra as mães...
Pegou Hinata chorando em diversas vezes: no quarto de Yumi, sozinha na cozinha, quando lavou a louça... Era cansativo e frustrante vê-la daquele jeito e não ter o mínimo de tato possível para acalmá-la. Até mesmo o gesto de emprestar-lhe roupas e comprar-lhe algumas peças a fazia desabar: perdera tudo, de qualquer forma. Se a morena antigamente não era de muitas palavras, atualmente as mesmas pareciam muito escassas em seu vocabulário.
- Podemos ir para casa, por favor? – Hinata pediu, olhos baixos, braços em volta de si mesma. As orações tinham terminado e o incenso já não fazia tanta fumaça quanto no começo.
- Claro. – Sakura colocou a mão em suas costas, a guiando para o carro, quando foram paradas por um policial e um advogado da agência de seguros. "São como moscas varejeiras", pensou Sakura.
- Senhorita Hyuuga, podemos conversar agora?
- Estou na casa de amigos, não creio que seja adequado... – murmurou com a voz ainda tremida.
- Não seja por isso. – Naruto interveio – Se quiserem nos acompanhar, acho melhor conversarem em uma sala. – concluiu, pondo as mãos grandes nos ombros da esposa.
Sakura não sabia se apreciava a ideia de ter pessoas que lhe pareciam suspeitas dentro de casa. Mas lembrou-se das sessões e do médico lembrando-a de que nada é certo – ela não poderia ter certeza de uma má índole vinda de pessoas desconhecidas. Naquele dia, rebateu que também não poderia ter certeza na plena bondade das pessoas. Nada parecia certo.
Hinata, sentada no meio do sofá, parecia muito pequena para toda aquela situação. Da cozinha, enquanto passava o café, podia ver o advogado entregando uma caixa de papelão branca, que a morena apertou contra o peito e chorou. As crises de choro de Hinata estavam começando a enervar Sakura, fazendo com que perdesse a conta da quantidade de café que tinha depositado na cafeteira.
Daria tudo para ouvir a conversa.
O café parecia muito útil para esse fim.
- Posso interromper? – com delicadeza e certa hesitação, lá estava ela, com a bandeja em mãos, postura muito ereta e um sorriso que, para a situação, pareceu forçado e inadequado.
- Eu quero uma xícara, por favor. – sussurrou tão baixo, que entregar-lhe a bebida foi um chute de sorte. – Pode sentar do meu lado, Sa-chan? – ela assentiu, aliviada por não precisar fazer muito esforço para presenciar tudo aquilo.
- O laudo saiu e, o que causou o incêndio foi um curto-circuito na fiação que vinha da lavanderia, nos fundos da casa. Achamos que os fios indevidamente desencapados em contato com a água pode ter danificado aos poucos o sistema elétrico, irrompendo o acidente.
- Mas era uma casa nova... – a morena parecia não entender.
- E por isso a empresa responsável pelo sistema elétrico da sua residência vai ser procurada sobre esse problema para possível reparo. – Sakura engoliu seco. Achavam mesmo que dinheiro poderia apagar o ocorrido?
- Eu não quero indenização, eu não quero nada! – a moça explodiu, olhos cerrados com força, veia saltando em sua têmpora. A doce Hinata parecia feroz. – Nada vai trazer minha família de volta! Nada!
- Senhora, nós entendemos, mas ainda há o seguro da casa que ficou em seu nome... – o outro tentava apaziguar.
- E de que me adianta isso agora? Eu não tenho mais nada! Com quem eu vou dividir esse dinheiro?! – e deu um grito rouco, dobrando-se sobre o tronco, abraçando os joelhos. Sakura estava paralisada. Não imaginava que, depois de sua explosão no Hospital, pudesse dar outra ainda maior.
- Pense, bem, dona: - o policial começou – sobreviveu.
- À custa de quem eu amava! – gritou uma última vez, antes de Sakura pedir que se retirassem. Estava nervosa, as mãos tremendo. Céus, aquilo era desesperador até mesmo para quem assistia. Não ousava imaginar ter isso na própria pele.
- Hinata, vá para o seu quarto, você está muito nervosa...
- Eu nunca mais vou vê-los! Nunca mais vou ouvir suas vozes! Não consigo dormir, porque toda vez que fecho os olhos, parece que vejo eles apontando para mim, me culpando! – e de súbito, ergueu-se do sofá cinza manchado e jogou a caixa longe, que fez os envelopes beges voarem baixo. A respiração demorou a se acalmar e Sakura agradeceu internamente por Naruto ter saído com as crianças. – Eu me salvei, porque estava dormindo na sala... – a voz saía grave e rouca. – Briguei com Neji e resolvi dormir no sofá até as coisas se acalmarem... Não aconteceu... – a última frase foi dito num fio de voz e Sakura então pode ligar os pontos imaginários. Abriu um envelope que tinha caído perto de si: Hinata estava de casamento marcado com o primo.
Num impulso abraçou-a. Não imaginava. Também, a culpa não fora dela se Hinata simplesmente não quis falar. Até se ofendeu um pouco pela convidada inesperada ter escondido tal coisa, quando um dia foram melhores amigas, prometendo isso de dedos entrelaçados. Para sempre.
- Por que não me contou? – perguntou em tom baixo.
- Depois de tanto tempo sem te ver, não me senti no direito de perturbá-la com isso... Já estou dando tanto trabalho... – Sakura abriu a boca, mas não conseguiu falar nada que a confortasse. – Vou arrumar isso aqui.
- Te ajudo.
- Não... – Hinata suspirou fundo, pegando as mãos finas entre as suas – Está cansada, vá você para seu quarto. Eu guardo isso aqui. – e se afastou, ajoelhando e pegando os envelopes um a um. Cerca de cinquenta deles tinham voado.
Aquela visão era desgastante, ainda que a bagunça não fosse grande. O peso das noites mal dormidas lhe fazia mal, o que acabou fazendo-a acatar o conselho e subir para a cama de casal que ela nunca arrumava. Deitou e o mundo parecia sentar em suas costas, com um peso fora do comum. Acabou por adormecer quase no mesmo instante.
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Os risos de Jiraiya eram tão altos que ela jurava que a criança estava pulando no colchão de molas junto a ela. Abriu os olhos lentamente e viu, pelo relógio digital, que eram oito da noite. Levantou-se num susto: a janta! Desceu os degraus pulando alguns e quando virou na porta da cozinha, lá estava seu filho ajudando a colocar a mesa. Fechou o casaco surrado e penteou os cabelos com os dedos, percebendo todos muito bem vestidos. As crianças estavam de banho tomado?
- Finalmente hein, Bela Adormecida? – Naruto brincou beijando-a no rosto. – Já íamos te chamar. Hina-chan fez sopa de legumes com caldo de tomate.
- Eu ajudei a fazer as torradinhas, mamãe! – Yumi levantou o pratinho, fazendo três das torradas deslizarem pela borda e caírem sobre a mesa. A mesa estava com toalha?
- Que bom, meu amor... – sua cozinha estava organizada?
- Aqui, Sakura-chan. – Hinata estava até mesmo com os olhos menos inchados. – Coloquei pra você.
- Ah é, tem que tomar o remédio antes. – Naruto lembrou, pegando o frasco laranjado. Odiava ter de tomá-los: as crianças sempre perguntavam para quê eles serviam.
- Fiz a janta para agradecer a hospitalidade. Não tenho sido muito receptiva nos últimos dias... – disse de cabeça baixa, se colocando à mesa.
- Imagine, Hinata, acabou de perder sua família...
- De certa forma, acabei de encontrar uma outra também... – e sorriu, olhando para as pessoas da mesa. Quando seus olhos encontraram os de Sakura, essa sentiu um calafrio percorrendo sua espinha. Seria bom se ela se arranjasse logo, pelo bem dos Uzumaki. Ou, mais precisamente, pelo seu próprio bem.
Hinata não poderia continuar ali.
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Agradecimento especial para Arishima Niina, que betou essa FIC para mim e também para Loveanju, essa leitora linda u-u
Isa, minha linda, esqueci de você não, dá abrass na Nát (~*O*)~ (?)
Reviews?
Já ne /o/
