N/A: Eu esqueci de dizer, mas Harry Potter não me pertence –q
Cherry Bomb,
Draco Malfoy x Harry Potter
"Seus sonhos sem futuro não te fazem sorrir,
vou te dar algo pelo que viver."
II
21/04, 23h15min pm
Harry, três dias após o acidente do primeiro-beijo-não-tão-primeiro, se surpreendeu com uma sacola pendurada na maçaneta da porta do seu quarto. Por estar com sono, acabou saindo de casa sem nem olhar o conteúdo dela, apenas focando em trancar a casa inteira porque aparentemente, Draco já havia saído. Quando voltou, à noite, a sacola havia sumido fazendo-o imaginar que ela não estava lá pra início de conversa.
Só que a sacola estava lá no dia seguinte.
Quando ele abriu, se surpreendeu com o conteúdo: era um café da manhã americano completo. Ovos, bacon, panquecas e uma garrafinha com suco. Curioso, andou até a porta do quarto de Draco e tocou na porta, sem querer fazendo com que ela abrisse. Não se surpreendeu ao não encontrá-lo lá. Talvez suas aulas tenham começado mais cedo.
Ele percebeu que os encontros entre os dois passaram a ser mínimos. A única coisa que indicava que Draco ainda estava morando ali era a sacola com seu café da manhã que passou a ser rotineira. Logo, a sacola aumentou: Draco passou a fazer seu almoço também. Harry pensou em lhe deixar um bilhete agradecendo ou um bilhete pedindo para que ele parasse com a gentileza, mas a ideia era tão vergonhosa que ele desistiu.
Foi Blaise quem lhe trouxe preocupação sobre a ausência do loiro. Ele nunca havia pensado que Draco poderia estar com algum tipo de problema, na realidade, pensou que esse tempo todo – 13 dias – ele estava na companhia do rapaz modelo, cozinhando na sua casa ou o beijando, tanto faz.
Mas Blaise, parado na porta com um olhar confuso, não tinha ideia do paradeiro do amigo.
— Você acha que ele foi sequestrado?
— Malfoy ainda aparece de vez em quando. – Harry pensou em dizer sobre a marmita, mas queria evitar a mudança do clima agradável entre eles. – Eu direi que você apareceu.
Foi quando Harry decidiu escrever um bilhete. Ele percebeu que não tinha o número de celular de Draco, mas talvez não adiantasse ter (tinha certeza que Blaise já havia lotado sua caixa postal). Por isso escreveu, com sua letra quase ilegível e prendeu na porta do quarto dele com uma fita adesiva quando saiu na manhã do décimo quarto dia:
"Blaise pensa que você foi sequestrado. Talvez ele chame a polícia."
Foi com surpresa que a noite, quando voltou da faculdade, encontrou com Draco sentado no sofá. Ele estava vendo um daqueles programas culinários, que estava ensinando a fazer alguma receita brasileira, e estava tomando nota em um caderno pequeno. Harry percebeu que o loiro era canhoto; mais um detalhe inútil para a lista de coisas que sabia sobre ele.
— Você sabe que assistir esse tipo de programa não vai te ajudar a cozinhar, certo?
Finalmente Draco olhou para ele. Pensou que talvez não devesse começar uma conversa, afinal, não era comum entre os dois. Percebeu que ele estava com olheiras profundas embaixo dos olhos, mas não demonstrou cansaço na sua voz ou em seu sorriso.
— Hm... Por que você assiste pornô?
Harry teve vontade de gritar que não assistia pornô, mas a gargalhada diante do seu silêncio bastou para que ele não dissesse nada. Colocou sua mochila no chão do seu quarto e se aproximando, sentou do seu lado no sofá cruzando os braços. Draco não olhava mais pra TV, e seu bloco de notas jazia agora esquecido sobre a mesinha a frente deles.
— Gostou do almoço hoje?
— Sim.
— E os da semana passada?
— Estavam ótimos.
— Que bom. A diferença no aluguel vira o mês que vem.
— O QUE?!
A risada de Draco ecoou no apartamento no mesmo ritmo que o coração de Harry disparava com a ideia de ter de pagar a ele a diferença pela comida. Mentalmente passou a contar quanto custaria essa brincadeira. Draco pareceu percebeu que ele estava nervoso e se aproximou.
— Estou brincando, idiota. – Ele apoiou a mão em seu ombro e deu um leve aperto. – Você continua sendo minha cobaia.
— Certo. – Não pode evitar suspirar aliviado.
— Hey... – De repente o rosto dele estava mais próximo, e ele passou a estudá-lo. – Você engordou.
— E você emagreceu. – Com a proximidade não teve como deixar de notar que as poucas bochechas de Draco agora eram inexistentes. – Esteve em cativeiro mesmo?
— Quase isso. – O sorriso dele pareceu meio triste, e quando ele continuou, Harry percebeu que o assunto que haviam entrado sem querer seria longo e triste. – Fui visitar minha mãe. Ela está doente.
— Eu sinto muito.
— Eu também sinto. – Lançou os dois braços no encosto do sofá e jogou sua cabeça para trás, fazendo os fios loiros saírem do penteado certinho. – E desculpas por não ter te avisado, não pensei que você iria se preocupar com a minha ausência.
— Você não leu meu bilhete? – Harry bateu em suas costelas com o cotovelo levemente, em tom de brincadeira. – Blaise estava preocupado, não eu.
— Oh. Isso realmente me magoa, Potter. – O moreno revirou os olhos entendendo pela primeira vez porque ele e o cozinheiro modelo eram tão amigos; eram farinha do mesmo saco. – Pensei que quando chegasse hoje lhe encontraria chorando na minha cama.
— Tsc, não seja idiota. Eu nunca entrei no seu quarto. – Uma mentira, apenas uma. – O que a sua mãe tem?
— Câncer. Ela está se alimentando por uma sonda. Falou que quer melhorar para comer minha comida, mas nós dois sabemos que isso não vai acontecer.
Segundos silenciosos se passaram enquanto Draco continuava com a cabeça inclinada, olhar preso no teto. Harry se ajeitou no sofá, apoiando as costas e encostando também sua cabeça no que ele percebeu tarde demais, ser o braço esquerdo do loiro. Quando pensou em sair, Draco o puxou de forma meia torta, o fazendo ficar.
— Está tão ruim assim?
— Ela só tem mais alguns meses.
— Eu sinto muito.
— Eu também sinto.
Harry foi pego de surpresa com o abraço que o loiro lhe deu. Com o braço que estava na sua nuca ele puxou seu corpo sem dificuldades e em seguida, escondeu o rosto na curva de seu pescoço. "Ele está louco" pensou Harry desajeitado, erguendo os próprios braços para abraça-lo, não deixando de notar que com o gesto, Draco o apertou mais e mais.
Ele estava usando um perfume legal, o moreno percebeu, inspirando inconscientemente. Seus óculos estavam machucando um pouco o seu rosto, mas ele não teve coragem de soltá-lo. Percebeu com o gesto novamente que há muito não recebia um abraço e pelo que podia sentir, Draco também.
Depois de um tempo, sentiu Draco se afastar aos poucos. Seus braços caíram ao lado do corpo e ele ergueu o rosto, encostando sua bochecha úmida na dele. Respirou fundo e só depois o encarou, deixando que Harry olhasse seus olhos marejados. Pensou em dizer alguma coisa, mas engoliu em seco e prendeu a respiração ao ver os olhos de Draco caírem em seus lábios.
"Ele vai me beijar de novo."
Mas o beijo não veio. Só um sorriso triste.
— Sua marmita de amanhã está na geladeira. – Ele levantou do sofá, e passou a caminhar pela sala. Harry observou ele passar a mão nos cabelos os ajeitando, antes de ir até a soleira da porta. – Você poderia avisar o Blaise da próxima vez que o maldito vir até aqui que eu estou bem?
— Onde está indo?
Draco vestiu seu longo casaco que antes estava pendurado na porta, e puxou as chaves do seu carro.
— Não se preocupe... – Deixando-o confuso, ele acenou com a mão livre. – Boa noite.
Ele foi embora sem olhar pra trás.
N/A: Reviews?!
