Meia hora depois, Major Nelson e Jeannie tocavam a campainha do apartamento do Major Healey.

- O que será que aconteceu, Amo? Ele estava tão bem ontem à noite!...

- Eu não faço ideia, Jeannie. Ele saiu atrás da Srta. Sadelko e o resto é um mistério.

Major Healey abriu a porta e de fato estava bastante abatido. O rosto estava pálido, branco como cera; ele estava enrolado em um cobertor e com uma... Bolsa de gelo presa à cintura.

- Jeannie, Tony... Entrem... – convidou, com uma voz tão baixa que eles precisaram fazer força para ouvi-lo.

- Roger, o que foi que aconteceu? Todos na base estão preocupados, pois você não é de faltar ao trabalho!

Se aproximando do amigo, Jeannie entregou a ele uma panelinha embrulhadinha com papel alumínio que carregava:

- Tome, Major Healey. É canja de galinha, preparei especialmente para você. Ainda está quente.

Ele pegou a panelinha e a levou para a cozinha, colocando-a sobre o fogão lentamente, enquanto o casal Nelson se entreolhava sem entender bulhufas do que estava acontecendo.

- Oh, obrigado Jeannie!... Mas do jeito que eu estou, vou precisar de uma boa gemada.

- Gemada? Não entendi, Major Healey!

- Ah, deixe pra lá. Jeannie, você se importaria em me deixar conversar com Tony a sós?

- Conversar a sós? Mas que bobagem é essa Roger, Jeannie também é sua amiga.

- Eu sei Tony, mas, por favor... – ele pediu num fio de voz. E olhando para Jeannie, explicou – É conversa de homem.

- Oh, bem... Se é assim, então eu já vou indo. Tchau Major Healey, tchau Anthony – e dando um beijinho no marido, piscou-se para casa.

- Agora você pode me explicar o que foi que aconteceu? Por que está falando mole assim? E essa bolsa de gelo?

Sentando-se no sofá entre suspiros, ele começou: - Lembra que ontem eu saí correndo atrás da Laverne Sadelko? – ele meneou a cabeça em afirmativa e Roger continuou: - Então, eu a ofereci uma carona até em casa. Mas eu acabei trazendo-a para cá.

O Major Nelson virou os olhos, mas sem estranhar muito, pois conhecia a natureza do amigo: - Ahn, sei... Você a trouxe aqui e daí?

- Eu fiz o de sempre: liguei o som com aquele jazzinho, diminuí as luzes, servi um vinho... Entramos no clima e ela já estava na minha rede quando começamos a nos beijar.

Ele fez uma pausa e engoliu em seco, como se fosse doloroso se lembrar dos acontecimentos seguintes:

- E aí... As coisas começaram a esquentar.

- ROGER!... – Major Nelson o repreendeu, deixando claro que agora estava surpreso com o comportamento desrespeitoso dele – Quais são as suas intenções com essa moça?

- Agora são as melhores. Mas naquele momento, ouhh rapaz, eram as piores possíveis!

Tampando o rosto com uma das mãos enquanto Roger revirava os olhos com o prazer do dèja-vú, Major Nelson nem sequer imaginava a próxima revelação a ser feita.

- Enfim... Quando a água da panela estava quase no ponto de ebulição, ela me deu um chute.

- Um chute? Um chute proposital?

- Não pode ter sido sem querer...

- E onde?

- Eu preciso dizer, Tony?

- Me diga Roger, eu também sou homem!

Hesitando e suando como um porquinho cor-de-rosa, o Major Healey olhou para a bolsa de gelo e respondeu:

- Um chute no... No saco.

- O quê? Um chute no... Lá? Mas até que ponto você chegou para que ela reagisse dessa forma?

- Cheguei longe Tony, eu falei. A água quase entrou em ebulição. Oh, oh não... Não me dê esse olhar de reprovação! O que você pensa que eu sou? Mestre do meu domínio?* É muito difícil manter o controle às vezes!

- Roge, e você acha que eu não sei? Vivi com a Jeannie circulando pela minha casa com aquela roupa de odalisca por 4 anos... Você acha que era fácil para mim vê-la naqueles trajes todos os dias e não fazer nada? Havia momentos em que eu não conseguia conter alguns beijos, mas partir para os finalmentes?** Não podia fazer isso com ela, mas não foi por falta de vontade.

- Eu sei, fui um canalha!

- E... E como está? – Major Nelson não pôde deixar de olhar para a bolsa de gelo.

- Mal... Vai demorar até eu me recuperar por completo. O pior de tudo é que depois dessa recusa eu não paro de pensar nela, Tony! Acho que estou apaixonado!

- Apaixonado? Você já disse isso de outras garotas um milhão de vezes!

- Eu sei, mas dessa vez é sério.

No caminho de volta para casa, Major Nelson pensava no que dizer à Jeannie. Porque quando ele chegasse, certamente ela o encheria de perguntas. E não podia contar esse detalhe da intimidade do amigo para ela! Havia um código de honra entre os homens, ainda mais se fossem amigos! O que diria a ela?

Decidiu por fim que ao chegar, reagiria como se nada tivesse acontecido... pelo menos para ganhar tempo e decidir qual história contaria para despistá-la.

Assim que pôs o primeiro pé em casa, Jeannie se aproximou querendo logo saber toda a história. E o Major Nelson fez o que aprendera com as circunstâncias cinco anos antes: enrolou-a com uma história. Disse que ele estava nervoso com uma missão muito perigosa para a NASA, que o Dr. Bellows havia designado para ele fazer. Mas Jeannie, embora fosse ingênua, não engoliu essa; mas fingiu que acreditou. Pouco depois eles se recolheram e passado algum tempo, Jeannie trocou de roupa com uma piscadela e apareceu no apartamento do Major Healey.

O coitado estava no 7º sono e parecia mesmo muito mal. Mas daria logo um jeito de descobrir o que tinha se passado. Sacudindo-o na cama, ela logo interrompeu seus sonhos:

- Major Healey!... Major Healey, acorde!... É a Jeannie!

- Hã?... Jeannie… JEANNIE? – despertou num pulo ao se dar conta de que aquilo era real – O que está fazendo aqui? É tarde!

- Quero que me conte o que aconteceu com você! Meu Amo me contou uma história, mas sei que está mentindo!

- Oouh Jeannie... Eu não posso lhe contar nada! É algo pessoal... Entre mim e a senhorita Sadelko.

- Laverne Sadelko? Oh Major Healey, você vai me contar de um jeito de outro!

- Não vou dizer nada! Você não pode me forçar! – e se escondeu debaixo do travesseiro.

- Oh, eu posso sim! – ela riu baixinho – Você se esqueceu que eu sou um gênio?

E Jeannie piscou uma bolsa de gelo enorme e pesada nas partes baixas dele. Com todas as forças que lhe restavam, ele gritou:

- Oh, Je... Jeannie! Meu playground!... Tire isso de cima de mim, você vai me matar!

Assustada e confusa, ela obedeceu, indagando:

- Playground? Isso não é o que fica no parquinho do centro? Eu pisquei uma bolsa de gelo maior em você!

- Oouhh!... Ooooohhhh!... É, no meu playground! Oh Jeannie, essa é outra razão pela qual eu não posso lhe contar! Você não vai entender nada!

- Como é que os homens podem ter um playground, Major Healey? Meu Amo me disse que esse é um lugar onde se brinca...

Se sentindo acuado, ele não viu outra saída a não ser contar-lhe tudo. Jeannie não pôde conter sua surpresa e o riso enquanto ouvia o relato. Se tudo aquilo tinha acontecido, era porque ele havia provocado!

- E eu me sinto péssimo, mas não sei o que fazer para me desculpar. O problema maior é que eu acho que estou apaixonado...

- Ah, mas isso não é de se admirar! Ela é perfeita para você! E quanto à reconciliação de vocês, não se preocupe! Eu cuidarei disso!

- Você cuidará disso do nosso jeito... Ou do seu jeito?

Rindo travessa, Jeannie se levantou, ajeitou o vestido e respondeu:

- Do meu jeito, é claro! Mas Anthony não poderá ficar sabendo de nada ou ele brigará comigo. Bem, é isso! Melhoras, Major Healey! – e foi embora.

Continua...