Vocês não sabem como eu tô VIADA com tantas reviews no primeiro capítulo da fic! You guys... É muito amor para eu aguentar. Continuem assim ;)
No meu profile te o link para o blog da fic, onde eu vou postar os links de músicas e fotos para ficar mais "visual", ok? Confiram! Quem quiser fazer um banner bem lindo preu colocar lá, sou eternamente grata. Link-me pro Twitter (guanabeer).
E show me the love, suaslindas
2.
Morar com Alice era o tipo de experiência que eu procurei na faculdade, mas demorei um pouco para me adaptar. Primeiro porque eu nunca precisei dividir um espaço com alguém e sempre tive meus horários respeitados, segundo porque agora eu não tinha empregados me cercando para dizer o que deveria fazer e terceiro porque ela era simplesmente louca. Tão louca que no primeiro dia de aula invadiu o banheiro enquanto eu tomava banho e fez xixi em minha frente.
- Alice! - gritei tentando cobrir meus seios e outras partes mais íntimas. - Não podia esperar um pouco?
- Eu estava fazendo xixi nas calças, Bella. - ela respondeu pegando um pedaço do papel higiênico. - E você tem tudo que eu tenho, amorzinho. Nenhuma novidade.
- Mas eu não fico pelada na frente dos outros...
- Tá, acredito em você... - ela riu.
- É sério. Você foi praticamente a primeira pessoa que me viu pelada em... bem, em toda minha vida. - confessei desistindo do banho e me enrolando na toalha.
- Isso significa que... - ela raciocinou e fez uma expressão de espanto. - Você é virgem!
- Sou... - respondi me sentindo incomodada por já estar entrando naquele assunto com ela.
- Mas você tem vinte anos.
- Não é doença ser virgem com minha idade, ok? Eu só não encontrei o cara certo para esse momento.
- Não existe cara certo para isso, apenas alguém com paciência para passar por essa situação constrangedora. E eu não acho que seja doença você ser virgem, só não esperava. Você é linda e rica pelo o que eu percebi ao analisar seu guarda-roupa.
- Você mexeu em minhas coisas? - perguntei saindo do banheiro e vendo a porta do meu closet aberta.
- Só estava analisando as roupas para futuros empréstimos, desculpa. - Alice murmurou realmente se sentindo culpada.
- Não, tudo bem. Eu é que sou meio paranoica com minhas coisas, sabe? Você pode pegar minhas roupas emprestadas quando quiser, é só me avisar antes assim como eu vou querer ser avisada quando você for invadir o banheiro na hora que eu estiver usando.
- Vou bater na porta na próxima vez. - ela assentiu e saiu do meu quarto, mas voltou rapidamente. - E nós vamos arranjar esse cara certo pra você ainda esse semestre.
- Eu não... - tentei explicá-la, mas Alice saiu como um tornado e bateu a porta de seu quarto.
Com aquela conversa constrangedora com alguém que eu mal conhecia sobre minha virgindade, perdi 10 minutos de meu tempo para me arrumar e sair para minha primeira aula na faculdade. E eu ainda tinha que descobrir onde era o refeitório para tomar meu café da manhã, já que não tinha mais uma mesa posta assim que levantasse da cama. Minha roupa para aquele primeiro dia em Oxford já estava lindamente colocada sobre minha cama e Vincent finalmente tinha aprendido a não deitar em cima de meus vestidos para minha sorte de não perder mais tempo limpando pêlo de gato. Voltei ao banheiro para terminar meu banho interrompido por Alice e consegui me arrumar dentro do horário programado, ainda dando tempo de colocar a tigelinha de ração para Vincent e repor sua água fresca.
Fiquei impressionada com a rapidez que Alice levou para se arrumar quando a encontrei abrindo a porta de nosso quarto-apartamento na mesma hora que eu deixei meu quarto para sair e nós duas trocamos um olhar analisando a roupa uma da outra com a mesma expressão de espanto na face. Eu não estava acostumada a ver garotas de minha idade tão casuais como Alice estava vestida - calça jeans, tênis, casaco de moletom jogado no braço e uma bolsa enorme - e por isso achei estranho ver que ela iria assistir aula daquela forma, mas então me toquei que não estava mais em um colégio interno com uniforme e não precisava me vestir de acordo com as normas de ser uma princesa. Talvez meu estilo clássico demais fosse ser o "assustador" no campus.
- Eu estou séria demais? - pedi a opinião dela antes de sair.
- Não! - Alice respondeu rapidamente. - Você está elegante, é isso.
- É que eu vivi tempo demais em um colégios particulares com uniformes sérios, então não estou habituada a casualidade no vestuário.
- Nós vamos resolver seu problema com guarda-roupa mais tarde. Já estamos atrasadas para o café da manhã.
Alice me puxou para fora do apartamento e entrelaçou meu braço no seu enquanto andávamos pelo campus movimentado com o primeiro dia de aula, ela não calando a boca o caminho todo e eu escutando atentamente os detalhes de seu sonho estranho em que ela estava nua no meio de sua primeira aula de Psicologia Experimental. Quando chegamos ao prédio onde o refeitório ficava, ainda encaramos uma pequena fila para pegar nosso café da manhã, mas isso só deu mais tempo para Alice continuar falando e falando. Sério, ela nunca parava de falar e eu adorava isso porque não precisava me esforçar muito para manter uma conversa e só precisava assentir e dizer alguma frase em resposta.
Ela encheu a bandeja com um pote cheio de sucrilhos coloridos, leite, achocolatado em caixinha e pãezinhos doces enquanto eu vasculhava o local atrás de onde o chá estava sendo servido, encontrando café preto, café com leite ou algumas variedades de suco industrializado. Normalmente eu bebia um pouco de chá vermelho no café da manhã com torradas de pão integral, porém o que a faculdade considerava normal para o café da manhã era ovos mexidos, bacon, salsicha e um treco estranho que tinha uma plaquinha informando ser "Pudim Preto", coisas que eu abominava só de olhar. Peguei uma caixinha de leite, um bagel, um pouco de geléia de amora e segui Alice até uma mesa vazia.
- As pessoas daqui devem ter uma inclinação seríssima para um infarto com tanta gordura que consomem logo pela manhã. - comentei passando geléia em um pedaço de bagel e observando Alice mastigar o sucrilho fazendo um barulho chato.
- As pessoas daqui comem peixe frito enrolado no jornal. Isso sim é nojento.
- Nunca terei coragem de comer Fish and Chips. Esse aspecto de ser Inglês eu passo.
- Qual sua primeira aula? - Alice perguntou molhando um pedaço do pão no leite do sucrilho, algo super nojento na minha opinião.
- Introdução ao Estudo Literário I. - respondi sorrindo com todas as matérias gravadas em minha mente. - E você?
- Filosofia. Té-dio! Preferia muito mais pegar um caso clínico de um psicopata para analisar.
- Um dia você chega lá.
- Tem aula pela tarde? A gente poderia almoçar juntas.
- Seria ótimo. Minha última aula da manhã é às 11h.
- A minha é às 12h, tudo bem me esperar 1h?
- Tudo bem. Eu te encontro aqui no refeitório ao meio dia.
- Então, até meio dia. O dever me chama.
Alice soltou dois beijinhos no ar para mim ao se despedir e eu acenei sorrindo para ela até ver sua imagem desaparecer na porta do salão. Arrumei minha bandeja com a embalagem vazia do leite e os talheres plásticos para colocar sobre a lixeira e verifiquei meu celular ao chegar no gramado verde entre o prédio do refeitório e o prédio de Línguas, onde eu teria aula. Reli a mensagem que papa mandou assim que eu acordei me desejando um bom primeiro dia de aula e saber que ele estava na Itália torcendo por mim já me deixou mais relaxada para entrar na sala cheia de gente desconhecida, evitar me sentir constrangida com as garotas me olhando como se eu fosse uma freira perdida por causa de minha roupa séria e sentar ao lado de uma garota com um piercing no nariz que a deixava com cara de boi. Aquilo era faculdade? Bom, eu iria aceitar tudo que viesse com essa nova vida.
Quatro horas de aulas depois eu cheguei a conclusão que os professores não estão nem aí para você e que é cada um se virando para aprender o que era ensinado em sala de aula. Depois que eu fui chamada de lerda pelo professor de IEL porque pedi que ele repetisse os dez últimos livros dados na bibliografia já que o slide tinha passado rápido demais; fiz uma nota mental para comprar um gravador e um notebook para digitar as aulas ao invés de escrever porque seria mais rápido. Já fazia dois anos que eu tinha me formado no Ensino Médio e esse tempo longe dos livros prejudicou um pouco o ritmo em sala de aula, mas eu me esforçaria para completar o primeiro ano de faculdade com sucesso. Naquele momento eu só queria encontrar Alice e rir um pouco das prováveis histórias que ela já teria sobre o primeiro dia de aula.
Dava para se perder facilmente no campus e como eu não peguei um mapa para me localizar, fiquei quase meia hora vagando por uma área que tive a sensação de já ter passado antes, olhando ao redor em busca do refeitório, mas o problema era que todos os prédios eram iguais. E não havia ninguém por perto para eu pedir informação, então continuei andando e rezando para me localizar logo, quando...
- Cuidado!
Recebi uma carga d'água vinda do céu que me molhou dos pés à cabeça e quando eu abri os olhos estava azul. Azul! Como um maldito Avatar fugitivo de Pandora. Minha reação foi ficar parada com a boca em forma de "o" surpresa por ter recebido um balde d'água na cabeça em pleno campus da faculdade sem querer ver a situação de minha roupa, meus sapatos caros e minha bolsa. Eu queria chorar, gritar de desespero, matar o desgraçado que fez aquilo e quando eu vi o bonitinho manifestante do dia anterior parado em minha frente tudo aquilo deu lugar para a vontade de morrer de tanta vergonha. Lá estava ele, lindo e desleixado, enquanto eu estava... azul.
- Puta merda, me desculpe. Eu não te vi passando e quando percebi era tarde demais.
- Está tudo bem... - eu murmurei soltando o ar lentamente pela boca.
- Não está. Você está azul e a culpa é minha. No ateliê tem um banheiro que você pode tentar se limpar um pouco.
- Obrigada.
O acompanhei até o prédio de artes, até o segundo andar em direção a uma sala cheia de quadros em processo, telas brancas e tintas por todos os lados. Ele me indicou o banheiro no final da sala e eu entrei no cubículo mesmo que não pudesse fazer muito a cerca de minha situação no momento. Quase chorei quando vi no espelho meu cabelo ensopado e sujo, minhas bochechas azuladas me dando um aspecto de palidez mórbida e meus lábios parecendo de uma pessoa com hiportemia. Joguei água no rosto e pensei em enxugar com a toalha pendurada, mas ela estava tão suja de outras cores de tintas que eu desisti de me tornar um arco-íris e utilizei minha blusa manchada e transparente para fazer isso. O causador daquela tragédia toda estava me esperando na porta do banheiro e sua expressão indicava que ele realmente não queria me dar um banho de água com tinta.
- Melhorou um pouco... - ele murmurou sorrindo, ou pelo menos tentando.
- Eu preciso de um banho e de uma lavanderia.
- Você é caloura, não é?
- Sou.
- Que maneira mais péssima de começar a faculdade.
- Você não poderia ter pelo menos olhado antes de jogar um baldo de tinta pela janela?
- Desculpe, eu sei que sou o errado nisso tudo, mas é que os alunos daqui já estão acostumados com a dinâmica do prédio de artes e não passam por aqui ao menos que seja necessário. Ninguém nunca sabe o que irá cair do céu.
- O que poderia ser pior que água com tinta? - perguntei apertando meu cabelo para tirar o excesso de água e desviando de meu sapato arruinado.
- Acredite em mim, tem coisa muito pior. - ele respondeu rindo sozinho, mas parou quando viu minha expressão.
- Eu estava perdida procurando o refeitório e nunca iria imaginar que fosse tomar um banho desses.
- Por que eu não pago seu almoço e recompenso por esse primeiro contato totalmente errado?
- Não, obrigada. Você já fez demais por hoje.
- Eu pago a lavanderia, é o mínimo que eu posso fazer...
- Meus empregados fazem isso por mim. - murmurei sem me tocar do que dizia e apertei os lábios de vergonha ao ver sua expressão. - Desculpa, eu pensei que ainda estivesse em casa e tivesse empregados...
- Tudo bem. - ele sorriu ainda me achando meio louca. - Mas já que você não tem mais empregados eu vou pagar a lavanderia. É só você me dar seu endereço que mais eu tarde eu passo lá e em dois dias seu sutiã de coraçõezinhos estará limpo.
- Meu... - olhei para minha blusa e vi que a transparência estava deixando à mostra meu sutiã de coraçõezinhos coloridos, roxa de vergonha ao tapar meus peitos com os braços. - Oh Deus... Tudo bem.
- Onde você mora? - ele perguntou metendo a mão no bolso da calça e tirando um blackberry remendado com uma fita isolante na parte da bateria.
- No prédio Wycliffe.
- Ah, você mora no campus. Caloura...
- Por acaso você não mora no campus?
- Não, ficaria cara demais se eu morasse aqui. Moro perto daqui, em cima de um pub.
- Interessante... Você conhece algum lugar que limpe couro?
- Pra quê?
- Meus sapatos. - respondi mexendo o pé direito sujo de água azul que estava secando e deixando uma mancha. - Isso é couro e eu não posso simplesmente jogar água e limpar.
- Eu levo junto com a roupa e os caras na lavanderia limpam, não se preocupe.
- Sua conta vai sair cara demais, eu não posso deixar que faça isso. Foi minha culpa, afinal. Eu não deveria estar passando por aqui.
- Eu faço questão. Também quero me livrar da confusão que será caso o reitor te veja andando por aí com um sapato manchado de tinta. A culpa sempre é minha de acordo com a linha de raciocínio daquele homem nojento e capitalista.
- É, ele realmente pega no seu pé. - cala a boca, Isabella!
- Como você já sabe sobre nossa rixa? - ele perguntou desconfiado e eu desviei o olhar tentando não falar mais do que já tinha. - É algum tipo de história que vem no Manual do Calouro?
- Não, só que eu passei por aqui ontem e vi vocês dois discutindo sobre o laboratório...
- Então você viu como ele está sendo um porco chauvinista em relação a isso, não é? Esse laboratório deveria estar pronto desde o ano passado, mas até hoje o que nós vimos foi o dinheiro ser desviado para outros cursos. Agora os playboys de Direito têm Constituições novas.
Meu celular começou a tocar o hino de San Marino e eu bufei de raiva por não ter tirado aquele maldito toque que mamãe colocou para que eu jamais esquecesse de onde vim, como se o peso sobre meus ombros já não me lembrasse diariamente qual era minha grande função no mundo. Por falar no Diabo... era minha querida mãe me telefonando naquele momento e se eu não atendesse nos próximos minutos teria que escutá-la dizer como eu era desleixada com minhas obrigações.
- Com licença um minutinho. - pedi ao tirar meu celular da bolsa e me aproximar da janela que provavelmente ele jogou o balde de água em mim. - Oi, mãe.
- Finalmente você atendeu esse celular.
- Eu estava resolvendo um probleminha, mãe.
- Qual problema, Isabella?
- Mãe, o que você quer falar comigo de tão importante?
- Só liguei para checar se suas últimas malas chegaram.
- Malas? Que malas? Eu não deixei nenhuma mala em casa.
- Não, mas ontem quando eu entrei em seu closet percebi que você deixou algumas roupas, sapatos e jóias importantes em casa e pedi que James e Laurent levassem para você essa manhã.
- Eu não acredito que você mandou os dois em uma viagem de quase seis horas só para trazer coisas que obviamente eu não queria trazer!
- Eu aceitei que você deixasse sua coroa principal e jóias reais aqui, mas não vou aceitar que você ande por aí como uma pebleia desleixada. Suas malas chegaram ou não?
- Eu não sei, não estou em casa.
- Onde você está?
- Eu tive aula, mãe. É isso que as pessoas fazem na faculdade, sabia?
- Não venha com sarcasmo para cima de mim, mocinha. Você vai sair de onde você está nesse exato momento e ir para aquele quartinho que você chama de dormitório ver se James e Laurent estão lá com suas malas.
- Argh, ok! Eu estou indo.
- E ligue para mim assim que encontrá-los.
Desliguei quase esmagando o botão de meu celular e me virei para encontrar o manifestante bonitinho segurando uma lata de tinta e um pequeno rolo de pintura em frente a uma tela que tinha quase seu tamanho. Ele tinha uma expressão de concentração máxima e eu notei uma ruga entre suas sobrancelhas e um bico discreto que ele fazia com os lábios finos. Já mencionei que ele era muito bonito? Esqueça, porque naquele momento ele estava incrivelmente lindo.
- Eu preciso ir. - falei chamando sua atenção e ele separou os lábios brevemente deixando a lata no chão.
- Claro, você precisa de um banho para tirar toda essa tinta. - ele comentou assentindo e se aproximando de mim. - Não se preocupe, vou pedir que eles cuidem bem de sua roupa.
- Obrigada.
- Deixe-me anotar seu nome e celular para te ligar mais tarde quando for pegar sua roupa para levar à lavanderia.
- Ah, tem um probleminha. Eu ainda não consegui uma linha de celular inglesa. Meu número não é daqui.
- De onde você é? - ele perguntou parecendo bastante interessado quando disse isso.
- Itália.
- Wow, isso é muito legal. E você fala inglês muito bem, sem aquele sotaque super carregado.
- Estudei em colégio interno em Great Malvern por toda minha adolescência.
- Você é uma garota muito interessante, hum... Qual seu nome mesmo?
- Isabella. - respondi sem controlar meus lábios formando um sorriso quando o vi tão interessado em minha história.
- Isabella... - ele repetiu com o sotaque inglês dando um novo som ao meu nome. - Eu sou Edward.
- Prazer. - disse esticando a mão para apertar a sua e notando que ele me sujou um pouco de tinta verde dessa vez. - Você vai me deixar toda colorida daqui a pouco.
- Se você ficar mais um pouco por perto é bem capaz de sair daqui como uma bandeira do orgulho gay. - Edward comentou me fazendo rir mais alto do que estava acostumada.
- Mas eu preciso ir agora.
- Olha, vamos fazer o seguinte. Como eu sou um pobre estudante de Artes que não pode fazer ligações internacionais, eu passo em seu dormitório à noite e pego suas roupas.
- Mas você pode entrar no dormitório depois do horário? - perguntei meio preocupada em receber uma advertência do monitor logo no primeiro dia.
- Que horário? - ele retrucou confuso.
- Não tem um horário limite para receber visitar nos dormitórios?
- Isabella, nós estamos na faculdade. Você pode entrar e sair de seu dormitório a hora que quiser e receber quem quiser.
- Deus, eu sou patética. - murmurei fechando os olhos quando o vi rindo de minha dúvida imbecil. - Eu estou acostumada com tantas regras e horários em minha vida que essa história de liberdade é muita novidade para mim.
- Você se acostuma rapidinho. - ele me garantiu ainda sorrindo divertido com minhas confusões. - Prédio Wycliffe, não é?
- Isso. Quarto 304 no lado leste do prédio.
- Eu passo lá às 7, tudo bem? - eu assenti concordando com o horário. - Então, até mais tarde, Isabella.
- Até mais tarde, Edward.
Voltar para meu dormitório foi a situação mais constrangedora que um calouro poderia enfrentar quando se estava manchada de azul dos pés a cabeça. As pessoas olhavam curiosas para a garota de salto altíssimo e bolsa no braço cruzando o campus com manchas azuis por toda a roupa e cabelo molhado começando a secar de modo bagunçado. Não queria nem pensar o que minha adorável mãe faria se soubesse que a herdeira do trono de San Marino estava desfilando por aí como em uma situação lastimável. Quando abri a porta de meu dormitório, James e Laurent já me esperavam com duas malas enormes e outras duas menores, o olhar de surpresa que cada um tinha me fez entender que eu estava pior do que imaginava.
- Oi, gente. - murmurei acenando sem vontade para eles. - Podem rir, eu deixo.
- O que aconteceu, alteza? - James perguntou se aproximando para me ajudar com minha bolsa apesar de ser desnecessário.
- Longa história, eu conto em outra ocasião. Então, Renée aprontou mais uma com vocês, não foi? Eu não acredito que ela fez vocês dois viajarem para cá só porque eu deixei algumas roupas em casa.
- Não foi nada, alteza. - Laurent disse, mas eu balancei a cabeça sabendo que "era tudo" sim.
- Não era necessário de verdade, gente.
- Nós fizemos com o maior prazer porque era a senhorita, alteza.
- Obrigada aos dois. - disse me aproximando e os abraçando ao mesmo tempo.
A porta do dormitório abriu sem que esperássemos e Alice entrou parando bruscamente quando me viu completamente azul e abraçada com dois homens bem vestido. Sua expressão mudou de surpresa para confusa e depois para incrédula quando se aproximou e analisou meu estado nada apresentável. Ela tropeçou em uma de minhas malas menores que estava no chão e me puxou pela mão para que eu desse uma volta em sua frente e soltou um grito quando olhou para meus pumps também sujos.
- Oh meu Deus, quem te fez isso? Seu sapato, sua roupa... Oh. Meu. Deus.
- Você não vai acreditar no que aconteceu comigo depois da aula...
- Quem são esses dois? - ela perguntou indicando James e Laurent parados ao nosso lado.
- Eles são meus, hum... Motorista e segurança particular. - sussurrei incomodada por estar falando algo tão... mimado.
- Você tem motorista e segurança? Wow, você é rica mesmo.
- Eles eram meus motorista e segurança, mas eu não preciso disso aqui na faculdade. Eles só vieram trazer minhas últimas malas e já estão indo embora, não é?
- Sim, altez... - James começou a dizer, mas eu lancei um olhar para que ele não continuasse. - Senhorita Swan.
- Nós já estamos de saída. - Laurent acrescentou assentindo e eu respondi de volta agradecida.
- Até mais, gente.
Quando os dois deixaram meu dormitório Alice me puxou pela mão e me fez sentar em nosso sofá velho sem se importar com o estado de minha roupa. Assim que as palavras "você não vai acreditar" saíram de minha boca ela ficou animada para saber em detalhes o que tinha ocorrido para eu estar toda suja de tinta daquela forma e eu contei sobre o incidente com Edward, o manifestante bonito que nós já conhecíamos desde o primeiro dia na faculdade. Seu queixo caía conforme eu transcrevia nosso diálogo e quando eu contei que ele passaria em nosso dormitório mais tarde, ela quase desmaiou de emoção. Pelo menos eu pensei que ela fosse desmaiar porque ficou abanando a mão na frente e repetindo "eu vou desmaiar" até que eu me calasse.
- Isso é um sinal, Bella! É ele!
- Ele o quê, Alice?
- O cara da faculdade que irá tirar sua virgindade.
- Alice, não! - gritei horrorizada com a pressa que ela tinha para incluir sexo em nossas conversas. - Eu mal o conheço!
- Mas ele deixou bem claro as intenções dele quando disse que passaria aqui mais tarde.
- Para pegar minha roupa e levar à lavanderia. Onde está implícito que ele quer transar comigo?
- Todo mundo quer transar com você, Bella. Quer dizer, todo mundo homem.
- Não é bem assim.
- Claro que é. Você tem esse jeitinho de boneca de porcelana bem delicadinha que os homens adoram e quando eles descobrirem que você é selada vão ficar loucos. Só Deus sabe como os homens adoram colecionar selos de menininhas como você.
- Por favor, pare de falar dessa forma. Como se eu fosse um pedaço de carne saído do açougue super suculento que os homens querem comer.
- Bem, eles querem... - ela murmurou rindo e eu revirei os olhos desistindo de colocar um limite de intimidade com alguém que mal conhecia.
Arrastei minhas duas malas enormes para meu quarto e deixei ao pé da cama. Vincent miou baixo me saudando, mas voltou a dormir enrolado na manta que vovó tinha feito para mim. Eu tinha aquela manta desde os sete anos e era um pedaço de minha infância que eu queria preservar puro para me lembrar como era fácil ser virgem e não saber lidar com garotos. Porque esses dois fatos aos 20 anos era quase um atestado de aberração.
Alice continuou sentada mordendo a unha do mindinho quando retornei à sala para pegar as malas menores, mas me seguiu quando eu as abri sobre a cama e analisei o conteúdo. Jóias, uma bolsinha de noite cravejadas em diamantes e uma coroa mais simples que eu usava em ocasiões não tão formais. Antes que Alice visse tudo isso eu fechei a mala e emburrei.
- Desculpa se eu te pressionei para transar com o bonitinho de Artes. Nós nos conhecemos a apenas um dia e eu já estou agindo como se fosse sua bff.
- Tudo bem, eu compreendo que não é natural alguém chegar a minha idade... intocada.
- Não que seja algo anormal, mas eu não entendo como você aguenta ficar sem sexo.
- Eu aguento porque eu nunca fiz, logo não posso sentir falta de algo que nunca tive.
- Quando você deixar o bonitinho de artes te foder até que sua cabeça exploda... - Alice disse com uma expressão de prazer, mas se calou ao ver minha expressão de espanto. - Ok, eu fiz de novo. Foi mal.
- Podemos mudar de assunto? - ela concordou. - Acho que nosso almoço furou com essa confusão toda, não foi?
- Ainda dá tempo de comer alguma coisa no centro da cidade. Assim a gente aproveita e conhece melhor Oxford.
- Ótima ideia. Só vou tomar banho para tirar essa tinta de mim.
- Vou testar a internet wireless do campus.
Novamente, review = preview. E para receber o preview, tem que habilitar para receber PM. Por isso algumas pessoas não receberam o preview do capítulo 2.
Bêzzo!
