UM PEIXE FORA D'ÁGUA

PADALECKI ALTERNATIVE UNIVERSE

CAPÍTULO I


Uma casa imensa e luxuosa como aquela nem em filmes ou seriados de TV. O luxo daquele lugar chegava a ser obsceno. Não era comunista, nem seu pai aceitaria que fosse, mas devia ser proibido alguém morar sozinho num lugar tão grande quando tantos não têm nem mesmo um teto para se abrigar.

Móveis, quadros, objetos de decoração. Tudo ali parecia proibitivamente caro. Não duvidava que um único objeto daqueles lhe permitiria custear todo um ano numa boa faculdade.

Seguiu explorando o lugar. Parecia errado alguém gastar tanto para decorar uma casa quando faltava dinheiro para coisas que deveriam ser prioridade para todos os membros da sociedade.

Ainda assim, estava fascinado com o lugar. Era como aquelas mostras em que diferentes arquitetos e decoradores se unem para trabalhar conceitos de espaço e funcionalidade. Ambientes completamente diferentes, mas que, de alguma forma, se complementavam e se harmonizavam.

Havia uma luzinha realçando cada objeto de arte. Era impressionante como aqueles pequenos pontos de luz, alguns deles coloridos, integravam-se eles próprios na decoração, fazendo tudo parecer parte de uma mesma grande obra de arte. Cada objeto perfeitamente posicionado. Aquilo não era uma residência. Não podia ser. Como alguém pode morar dentro de uma obra de arte? Aquele lugar não combinava com xícaras de café tomadas só até a metade e esquecidas sobre a mesa ou com sapatos e meias largados no chão.

Chegou a um cômodo gigantesco. As luzes estavam apagadas, mas parecia haver uma abertura ou uma claraboia no centro do ambiente que permitia a entrada de luz externa. Aqui não tinha objetos iluminados. Os objetos eram poucos e funcionais. Ou apenas passavam despercebidos na vastidão do ambiente. Só aquele cômodo era umas vinte vezes maior que todo o seu apartamento. Ok que vivia num ovo. E também podia estar exagerando quanto a serem vinte vezes. Mesmo assim era um salão imenso.

Era estranho ver paredes tão afastadas entre si e nenhuma divisória ou coluna. O pé-direito alto reforçava a amplidão e criava uma sensação estranha. Fazia a pessoa se sentir pequena. A impressão que tinha é que voltara a ser criança, um garotinho de cinco anos para quem tudo parece gigante. Sentiu até vontade de correr de um lado para o outro e de ficar pulando em cima de um daqueles sofás enormes. Será que até isso fora planejado?

Ao que parecia, ali era o home theater da casa, com a opção de poder ser usado como um grande salão de festas. Grandes e confortáveis estofados demarcavam três ambientes distintos. Um onde se sobressaia uma TV descomunal. Outro com sintetizador, mesa de som, bateria, guitarras e enormes caixas de som tradicionais. Tudo o que uma banda de garagem poderia querer e muito mais. E um terceiro, intimista, composto por um único sofá em destaque no centro do ambiente e um rack onde se destacava um aparelho de som top de linha.

Não encontrou CD's. Descobriu que as músicas estavam armazenadas num HD externo acoplado ao aparelho de som. Era um misto de aparelho de som e computador, com uma gigantesca playlist. As caixas de som, pequenas e de design futurista, pareciam flutuar ao redor do sofá.

Era impossível não se impressionar com o recurso de iluminação usado para realçar aquele sofá central e fazer dele a verdadeira razão de ser daquele ambiente imenso. Primeiro imaginou que fosse simplesmente a luz externa atravessando uma claraboia, mas nada ali era óbvio ou fora deixado ao acaso. A luz que vinha de fora tinha a suavidade do luar, mas sabia que não podia ser a Lua. Estavam na Lua Nova. Não havia uma lua visível no céu. E havia ainda um efeito ondulante que obviamente tinha a ver com água.

O resultado era uma luminosidade levemente azulada, difusa, suave e ondulante dava uma sensação de irrealidade àquele ambiente. Um toque de magia. E, agora que vira de perto e que descobrira o truque que fora usado, achava ainda mais difícil de acreditar. Nem sabia que algo assim era possível. Nunca tinha visto nem em filme. Naquele trecho da sala, o teto era também o fundo de uma piscina. Dava para ver que havia uma robusta estrutura metálica suportando uma espessa placa de vidro reforçado e que acima havia uma piscina. Uma piscina de verdade. E acima da piscina, o céu. E .. uma Lua?

Parecia a Lua quando vista através daquela massa de água. Mas, era um refletor do exato tamanho e luminescência da lua cheia naquela latitude, estrategicamente posicionado para iluminar a maior área possível do salão.

Nunca imaginou que terminaria sua noite num lugar assim. Em um outro mundo, que nem sabia que existia. Ou melhor, sabia de ouvir falar. Mas, descobria agora que quem falava deste mundo também não o conhecia. O mundo dos muito ricos era algo distante, completamente dissociado da sua experiência de vida.

Nunca perdera tempo especulando como os ricos viviam. Agora, pensando a respeito, tinha certeza que sua imaginação nunca seria capaz de criar um cenário tão magnífico como o que estava vendo. Decididamente, não tinha vocação para a arquitetura e não tinha a criatividade de um artista. Mas, sabia reconhecer e apreciar a beleza quando a via. Nos lugares e nas pessoas.

Quando que podia imaginar que aquele carinha que frequentava a mesma boate que ele, um quase proletário, fosse alguém assim tão rico? Via-se de cara que era um playboyzinho mimado e que tinha dinheiro, mas nunca imaginaria que pudesse ser tanto. O carinha usava roupas descoladas, mas nada que chamasse tanta atenção. O carro era do ano, modelo caro, mas não era nenhum carrão importado ou um esportivo de luxo. Bem que ouvira dizer que os realmente ricos não precisam ostentar. Esse não ostentava na rua. Já em casa ... Bem, ele era jovem. Talvez aquela fosse a casa dos pais dele. Se assim fosse, dera muita sorte dos pais não estarem em casa.

Para ser justo, não era o playboy quem estava deslocado naquela boate da moda. Se havia alguém que não reunia as condições mínimas para frequentar um lugar caro como aquele, esse alguém era ele. Era um penetra. Frequentava porque conhecia um dos seguranças e ele o deixava entrar por uma porta lateral, exclusiva dos funcionários.

Se tentasse a entrada principal, seria barrado pela hostess, famosa por ser implacável com os que chamava depreciativamente de povinho. Ela sacaria no ato que sua roupa de grife viera de uma ponta de estoque de muitas coleções atrás e que seu tênis de marca era falsificado. Não é o que se espera de um futuro advogado, mas, quando juntasse um pouco mais de dinheiro, compraria um tênis original e se redimiria com o trademark.

O segurança chamava-se Martinez e, como o nome entregava, era latino. Morou um tempo na sua comunidade e foi seu colega no secundário. Nunca foram amigos e, na época, mal trocaram meia dúzia de palavras. Aconteceu de voltarem a se encontrar de uma forma bem constrangedora para ambos. Não por acaso, bem longe de onde poderiam encontrar conhecidos. Ou assim acreditavam. Foi quando descobriu não ser o único a ter segredinhos sujos.

Martinez o colocava para dentro da boate, mas o acesso tinha pedágio. Da primeira vez, achou humilhante ficar de joelhos em frente ao ex-colega naquela saleta escura e apertada, usada como depósito de bebidas. Havia se acostumado a ser o que ficava de pé, o que comandava o ritmo, o macho. Sentiu-se inferiorizado e indigno e, ao final, retirou-se constrangido, sem ânimo para entrar no salão da boate e curtir a noite. Jurou nunca mais se submeter a esse papel. Mas, sua determinação não durou um mês. Ainda via aquele acordo como algo humilhante e sujo, mas apesar disso - ou até por causa disso - extremamente excitante.

Com a repetição, desencanou. Que mal tinha? Era prazeroso e ajudava a entrar no clima.

Que seu pai jamais descobrisse que se prestava a esse papel. Não imaginava qual seria a sua reação. Já era grandinho e se sustentava por conta própria, mas odiaria desapontá-lo. O velho não merecia. Não poupara esforços para lhe dar uma boa formação. Seu pai queria netos. Daria esses netos a ele. Ter filhos sempre esteve nos seus planos. Formar-se-ia advogado, casaria com Sandy e essas escapadas ocasionais ficariam no passado. Esquecidas.

Esquecidas? Não todas. Duvidava que um dia esquecesse algum detalhe daquela noite louca. A adrenalina no estacionamento da boate; a excitação de ter o playboyzinho tão desejado nos seus braços, indefeso; a magia daquela casa imensa e maravilhosa. Uma noite tão louca que, quando acordasse em sua própria cama, duvidaria que aquilo de fato ocorreu.

Ligou o aparelho de som num volume adequado àquela hora da madrugada. Não conhecia a música, mas era suave e envolvente. Soava vagamente familiar. Um arranjo diferente para uma música conhecida. Desistiu de tentar identificá-la. O importante é que era perfeita para o estado de espírito em que se encontrava. Deitou no confortável sofá, de olhos fechados, e deixou-se embalar pela música. O som que saia das caixas era de uma limpidez extraordinária. Podia-se perceber claramente que voz e instrumentos foram gravados separadamente, em faixas diferentes. E que cada faixa saía de uma caixa diferente. A posição das caixas fazia que se sentisse envolvido pelo som. Sentiu-se no paraíso.

Escutou a música seguinte de olhos abertos, querendo desfrutar ao máximo cada momento. Luz e som num casamento perfeito. Era hipnotizante ficar ali olhando para o céu através daquela massa de água suspensa embalado por música suave. Um solo de saxofone. Sabia ser um clássico do jazz, mas novamente não saberia identificar nem a música nem o instrumentista pelo nome. Percebeu o quanto sua cultura musical era limitada. O quanto ainda tinha a aprender. O longo caminho para superar as limitações de seu berço pobre.

Se continuasse ali acabaria pegando no sono. Era tentador, mas não podia. Era um intruso. Não fora convidado pelo dono da casa. O mais provável é que o playboy nem mesmo lembrasse já tê-lo visto alguma vez na vida. Se acordasse e o encontrasse ali, ia querer chamar a polícia. Mesmo tendo agido com boas intenções, seria constrangedor explicar passo a passo como as coisas se deram. O que estava fazendo ali.

O dono da casa. O playboyzinho gostoso de ar rebelde que tanto mexia com a sua imaginação. Havia algo nele que atraía sua atenção. Não eram as roupas, muito menos o carro ou a casa que só conheceria depois. Não era o dinheiro. Nunca fora interesseiro. Quando pusera os olhos nele da primeira vez nem sabia que era rico. E, agora que sabia, tinha certeza que isso só tornaria tudo mais difícil. Tiraria a sua naturalidade. Colocaria seu interesse sob suspeição. Sabia que quanto mais dinheiro ele tivesse, maior o fosso existente entre eles. O que tinha para oferecer a quem já tem tudo?

Nunca sequer trocaram uma palavra. Nunca se olharam nos olhos. Mas, algo lhe dizia que não era o dinheiro que fazia dele alguém especial. Era algo que existia nele. Algo bom que vinha de dentro. Uma luz interior que existia apesar do dinheiro e não por causa dele. Desde o primeiro instante em que o vira, tivera a estranha certeza de que ele mudaria sua vida.

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Voltou para onde o deixara. O quarto que supôs ser o do playboy. Ele permanecia na mesma posição em que o largara. Ao se aproximar, sentiu o cheiro desagradável de vômito. Por sorte, virara o rapaz de lado ou ele poderia ter engasgado e morrido sufocado com o próprio vômito. Acontecera com um pinguço de sua comunidade há não muito tempo. Não podia imaginar nada pior que ver-se às voltas com um morto. É como diziam na sua comunidade: até que conseguisse provar que focinho de porco não é tomada ia passar um bom tempo vendo o sol nascer quadrado.

Achou por bem tirar aquele lençol e a camisa suja de vômito e passar uma toalha molhada na boca do rapaz. Tanto dinheiro e ele estava ali, totalmente vulnerável. Ele teve sorte. Se quem o deixou neste estado pretendesse fazer algo de ruim com ele, o coitado não teria como se defender.

Virou-o de frente e começou a desabotoar-lhe a camisa. O carinha era realmente lindo. Parecia ter mais ou menos a sua idade. Puxou-o para si, de forma a libertá-lo da camisa e poder puxar o lençol. O cheiro de vômito era um corta-tesão. Mesmo assim, a tentação era grande. Ele ali tão próximo, a pele muito clara, o cabelo curto arrepiado de um bonito tom de louro. Cabelos cor do trigo tão sedosos quanto imaginou que seriam. Os traços finos. A textura da pele, firme e macia. Nem muito magrelo, nem com músculos em excesso. Perfeito até demais. Ia precisar de todo o seu autocontrole para não cometer uma loucura.

Terminou de tirar a camisa e passou uma toalha úmida na boca, pescoço e braço direito do rapaz. Secou com uma segunda toalha. Girou-o para retirar o lençol e a fronha sujos. Empilhou a roupa suja num canto do banheiro da suíte. Foi no quarto ao lado e pegou dois travesseiros. Ajeitou-o na cama com cuidado e, ao final, cobriu-o com um lençol limpo.

- Está me devendo essa. Isso de limpar vômito só quando se é pago ou se é muito amigo. E você nunca que ia querer um pé-rapado como eu como amigo ou namorado, não é mesmo? No máximo para uma sessão de sexo. E eu aceitaria, sabe? Mesmo sabendo que seria uma única vez. Ia tentar fazer que fosse inesquecível. Fazer você ficar com um gostinho de quero mais. E falando nisso .. Como é que você gosta de fazer? Vou logo avisando que gosto de ficar por cima.

Sentiu seu membro imediatamente se animar. Se fosse um cafajeste arrancaria a calça e a cueca do rapaz, nem que fosse apenas para apreciar a visão daquele belo corpo masculino nu. Respirou fundo. Era melhor não seguir com essa linha de pensamentos. Não tinha esse direito. Era errado. Mais: estaria cometendo um crime. E depois .. Não tinha certeza se o cara era mesmo gay. De outras vezes, havia uma garota com ele. De certo, somente que tinha amigos gays. Quanto a ele próprio, não tinha presenciado nada que lhe permitisse afirmar com certeza.

E mesmo que ele fosse gay? Podia não ser o tipo dele. Não tinha refinamento. Podiam não ter interesses em comum e a conversa não engrenar. Será que se o tivesse abordado na boate ele teria lhe dado uma chance? Ou, só de olhar, adivinharia que estava diante de uma fraude, de alguém que não tinha grana para frequentar boates como aquela, e o dispensaria sem nem se dignar a responder?

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Foi na direção do cofre escancarado no interior do closet e ficou olhando para ele. Aquele lugar colocava a todo o momento suas convicções à prova. Ficou tentado a bisbilhotar o interior do cofre para saber quanto de dinheiro vivo havia ali. Não eram muitos maços, mas parecia haver bastante dinheiro. Entre os maços de dinheiro, um estojo de relógio vazio. Devia ser do relógio que ele tinha no pulso. Para ficar guardado num cofre, era certamente um relógio caro. Não era de ouro. Mas, talvez fosse de um material ainda mais valioso. Quem sabe? Não entendia de relógios. Não conhecia as marcas famosas. Nem mesmo usava um.

- Com esse dinheiro, eu resolvia a minha vida. Ou arruinava ela de vez. A sua sorte foi ser tão bonitinho. E de eu ter ficado de olho de você. Se fosse o outro, essa noite teria acabado muito mal para você.

Se tivesse juízo, já teria ido embora. Já fizera o que se propusera a fazer. O playboyzinho não ia acordar tão cedo. Ficando ali arriscava-se a ser surpreendido por um empregado e ia ser bem difícil explicar sua presença ali. Ou talvez não. Talvez o playboyzinho fosse do tipo que trazia para casa estranhos que acabara de conhecer em boates suspeitas para nadaram nus, sob a luz da lua, em piscinas suspensas, depois de uma boa foda.

- Não! Não acredito que você seja um desses. Espero realmente que não.

Não pretendia esperar o playboy acordar, mas de nada adiantaria sair naquele momento. Era alta madrugada e os ônibus não estavam mais circulando. Se é que existia alguma linha de ônibus ligando a área mais nobre da cidade à mais miserável. O mais provável é que tivesse que pegar dois ou três ônibus. O melhor a fazer era sentar e esperar pelo menos mais duas horas. E aquela poltrona grande e confortável lhe pareceu o lugar perfeito para isso.

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Acordou ao ser sacudido por um policial. Ao lado dele, um segundo policial com a mão pousada sobre o revólver ainda no coldre. E dois homens de preto que podia apostar serem os seguranças da casa. Afastada, próximo à porta, uma senhora. Devia ser a empregada. Devia ter sido ela quem chamou os seguranças e a polícia.

- Você está sendo acusado de invasão de propriedade. Acusações adicionais de tentativa de roubo e de administração de droga ilegal com intenção de roubo ou ataque sexual poderão ser apresentadas no futuro. Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá e deverá ser usado contra você num tribunal. Você tem direito a um advogado. Se você não puder pagar, será nomeado um defensor publico para defendê-lo. Você está em condições de entender as acusações?

- Estou, mas .. Espera! Isso tudo é um grande equívoco. Não fui eu quem drogou o rapaz. Ao contrário, eu o salvei e o trouxe para casa em segurança. Eu não roubei nada. O cofre já estava aberto quando eu cheguei aqui. Quando acordar, ele próprio vai poder confirmar.

- Você vai poder apresentar a sua versão dos fatos ao delegado. É ele quem vai decidir. Faça o favor de nos acompanhar sem oferecer resistência.

E, dirigindo-se aos seguranças:

- Vocês dois! Esse quarto fica lacrado até que passe por uma perícia. Nenhum empregado deve tocar em nada, em lugar nenhum da casa, que se encontre fora de seu lugar habitual. Se for dado falta de algo, a autoridade policial deverá ser prontamente informada. Avisem a todos os empregados.

E, falando com o colega policial:

- Esse não acorda. A dose administrada parece ter sido alta. Foi bom ele ter vomitado. Já chamei uma ambulância para levar o rapaz a um hospital para desintoxicação. Ele deverá ter o sangue coletado para exame toxicológico. Na ausência de um parente ou responsável legal, você irá acompanhá-lo na ambulância. Me avise assim que ele recobrar a consciência. Tome um depoimento preliminar ainda no hospital. Veja o que consegue descobrir. Vamos precisar tomar o depoimento dele na delegacia antes de fechar as acusações.

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Estava ferrado. Era a sua palavra. Não tinha mais ninguém naquele estacionamento. Ninguém que tivesse visto e pudesse depor a seu favor. Nem mesmo o playboy. A menos que o próprio bastardo que o drogou confessasse, ninguém ia acreditar na sua palavra. Menos ainda quando descobrissem onde morava. Quando descobrissem como entrara na boate. Estava realmente ferrado.

Ainda atordoado com o rumo que as coisas tomaram, deixou-se conduzir passivamente até a viatura policial. O encontro com o playboyzinho ia realmente mudar a sua vida. Mas, não de um jeito bom.


18.05.2016