Oi, pessoas lindas que estão lendo minha fic! Tá... Parei.
Desculpa a demora para postar mas o cosmos resolveu conspirar contra mim e minha corretora e tudo que podia aconteceu para nos impedir de postar esse capítulo antes. (Sério... Tudo mesmo. Usem sua imaginação, caras leitoras. Desde senhas inválidas até carros quebrados! ) Obrigada pelas reviews! Os comentários seguem ao final do capítulo. Boa leitura e se divirtam!
Que herança, hein?
Um ano e dois meses depois...
InuYasha coloca ambas as mãos atrás da cabeça e fica encarando o teto branco. Só mais alguns segundos...
3s: A idiota da Kagome deve estar até babando agora, pensa com um princípio de raiva se recordando da noite passada quando a dita cuja tinha ligado para ele exatamente às dez horas da noite quando ele estava no trabalho.
FlashBack
- Kag, estou muito apertado aqui – diz apressadamente ao atender o celular que tocava insistentemente há mais de 10min. - Não posso conversar agora - do outro lado da linha ele escuta um suspiro sonolento.
- Não vou demorar. Sango... – ela boceja fazendo com que ele bocejasse também. –... pediu para te lembrar da festa na casa dela amanhã – InuYasha massageia a área entre os olhos e uma de suas enfermeiras se aproxima para falar sobre um paciente. Ele afasta um pouco o celular de perto da boca e dá as novas instruções rapidamente para a mulher loira que acena e vai embora para cumprir suas ordens.
- De que horas? – ele pergunta cansado voltando sua atenção para Kagome. Ela responde com algo ininteligível, já que nem parecia ter ouvido sua pergunta e a ligação é finalizada. InuYasha encara o celular com as sobrancelhas arqueadas. Ela dormiu?!
2s: Ter insônia é realmente uma bosta.
1s.
O despertador em formato de um coração rosa começa a berrar ao seu lado e ele o silencia rapidamente. Tinha sido "presente" de Kagome. Ela rira bastante ao ver a cara dele ao abrir o pacote e se deparar com aquilo. Claramente, o desafiava a usa-lo. E ele usou.
InuYasha levanta da cama e segue para sua corrida habitual, na volta ele toma um banho, prepara seu café da manhã e com uma checada rápida no relógio de pulso, ele consta que está totalmente pronto para voltar para o hospital com dez minutos de antecedência. Sorrindo satisfeito, ele entra em seu carro esporte preto e vai embora.
'-'
Kagome resmunga em seu sono ao escutar um sonzinho distante, mas o ignora acreditando não passar de fruto da sua imaginação e se vira para o outro lado. Depois de algum tempo, o barulho do que parecia ser água enchendo alguma coisa, cessa. No momento seguinte, o cobertor é retirado com brusquidão de por entre seus dedos e ela é erguida no ar. Soltando um grito estrangulado, Kagome abre os olhos para se deparar com Sesshoumaru pouco antes de seu corpo ser atirado dentro de uma banheira cheia de água fria.
- Sesshoumaru! – grunhe engasgando e afasta a água e o cabelo molhando dos olhos. – O que você pensa que está fazendo?!
- Você já está atrasada – diz rispidamente. Sua mente confusa e irada tenta desvendar o que ele estava fazendo ali, então se lembra. Carro na oficina, carona, Sesshoumaru. Ela pisca se sentindo ridícula por estar sentada na banheira com o pijama grudado a sua pele. – Estava acompanhada ontem à noite? – ele pergunta observando suas roupas. Kagome se encolhe instintivamente e estreita os olhos.
- Como é?
- Esse é o tipo de roupa que as mulheres usam para mim – era meio difícil saber se ele estava fazendo uma brincadeira ou falando sério, mas conhecendo Sesshoumaru... Definitivamente ele estava falando sério.
- Qual o problema em eu me vestir assim para dormir sozinha? – ela frisa bem a última palavra. Sesshoumaru dá de ombros.
- Admiro uma mulher que use isso apenas para si mesma – Kagome revira os olhos, já menos irritada.
- Quão atrasada eu estou? – pergunta. Ele cruza os braços se recostando ao umbral da porta em uma posição que o deixava bem sexy.
- Já era para você estar lá há cinco minutos.
Com os olhos arregalados em choque, Kagome se atira para fora da banheira ensopando o chão e o empurra para fora apressadamente. Ela fecha a porta em sua expressão quase divertida e volta para a banheira, sem o pijama dessa vez para tomar uma banho extra rápido. Ao sair praticamente correndo do banheiro, ela vai até seu armário e pega o primeiro conjunto executivo que avista: uma saia cinza que chegava até dois dedos acima do seu joelho, uma blusa branca com um pequeno decote e um terninho da mesma cor da saia, tudo feito sobre medida para se encaixar com perfeição ao seu corpo. Afinal, ela precisava estar sempre apresentável. Chegando a sala, ainda calçando os sapatos pretos de salto, ela pega sua bolsa e tropeça até Sesshoumaru que já estava na porta. Ele já tinha chamado o elevador, o que é um alívio. Assim, não demoram muito a alcançar o carro esporte prata.
- Por que não me acordou antes? – pergunta sentada ao lado dele no carro. Kagome se olhava no espelho enquanto passava maquiagem e, por isso, perdeu de vê-lo trincar os dentes. Uma expressão de raiva um bocado rara para ele.
- Tentei – ele responde com sua habitual voz fria, mas ela captou uma pontada de irritação que a fez imediatamente olha-lo quase borrando o rímel. – Interfonei centenas de vezes. Se eu não te conhecesse acharia que você já estava no trabalho, mas como conheço, sabia que ainda estaria na cama – Kagome cora suavemente.
- Desculpa, Sesshy – ela usa seu apelido deliberadamente para amansá-lo, o que funciona. Seus dedos ao redor do volante relaxam. Ela sabia que ele odiava se atrasar. E esperar era pior ainda. Kagome se inclina e planta um beijo na sua bochecha deixando uma marca de batom. Sorrindo, ela a remove com o dedo. – Bob não despertou – esse é o nome do despertador dela. Sesshoumaru bufa e ela sabe que está completamente perdoada. – Então... – Kagome começa voltando a se olhar no espelho para arrumar os cabelos dessa vez. –... minha amiga, Rin. Você se lembra dela, não? Pois bem, ela está voltando do exterior essa semana – seu comentário pode ter parecido trivial, mas nada era trivial com Kagome. Pelo canto do olho ela observa as simples mudanças no rosto do amigo e suspira silenciosamente quando ele não reage como ela esperava à nova informação.
- Pare com isso, Kagome – diz sem se alterar e manobra o carro para fazer uma curva. Ela sorri enquanto pergunta inocentemente:
- O que estou fazendo?
Agora ela já estava completamente apresentável. Seus olhos castanhos emoldurados por longos cílios estavam mais abertos e expressivos, seus lábios destacavam-se discretamente com um batom claro, seu cabelo escuro estava brilhoso e liso caindo em camadas nas suas costas e ela tinha, ainda bem, conseguido ocultar uma espinha solitária que tinha aparecido essa manhã.
- Tentando me arrumar alguém - resmunga. Ela sorri largamente para ele.
- Então você admite que já pensou nessa possibilidade – ele franze os lábios.
- Essa sua lógica não faz sentido.
- Só me dê uma chance – implora. – Vocês são perfeitos um para o outro.
- Não.
- Sesshy... Você vai fazer trinta anos. Já está em tempo de parar de fugir de compromisso – ele olha para ela enviesado sabendo que Kagome não desistiria tão facilmente.
- Quem disse que fujo de relacionamentos?
- Seu histórico com mulheres. Você não teve nenhuma namorada desde a Kagura e ela foi sua única namorada – Sesshoumaru faz uma careta com suas palavras. – Por favor, Sesshy. Tenho certeza que vocês vão se dá bem. Só o que eu quero é que conversem e...
- Está bem – exclama exasperado. Kagome tinha o dom de tira-lo daquela sua máscara de indiferença e era por isso que ele gostava tanto dela. Kagome era diferente, especial, apesar de ser insistente demais. – Agora me deixe em paz – sorrindo, Kagome volta a se encostar no banco. Durante o resto do caminho os tópicos da conversa foram cuidadosamente escolhidos por ele para que não precisasse passar por outro aperto. Mas isso não dura muito tempo já que assim que chegam ao trabalho dela, são recepcionados por Jakotsu que esperava a chefe do lado de fora da empresa.
- Não acredito! – ele exclama de olhos arregalados ao ver Sesshoumaru atrás do volante. Jakotsu tinha uma paixonite por ele e por isso não consegue se conter, e arrodeia o carro ficando bem ao lado da porta de Sesshoumaru. Kagome tenta conter o riso ao ver a expressão de Sesshoumaru se transformar ao olhar para a esquerda e se deparar com Jakotsu grudado a sua janela. Ela realmente não sabia como ele tinha chegado ali tão rápido. – Veio me ver? – pergunta com os olhos brilhando. Sesshoumaru que em 99% dos momentos era um homem controlado e completamente senhor de si, ficava meio perdido na presença de Jakotsu e Kagome. Ele ficava um pouco constrangido com toda aquela atenção e adoração excessiva do funcionário dela. E agora ele estava com os dois. Um dentro do carro com ele e o outro, sonhando com isso.
- Vou te ajudar dessa vez porque você concordou em falar com a Rin – diz Kagome se inclinando na sua direção para plantar outro beijo na sua bochecha.
- Te espero na esquina na hora do almoço – fala sem conseguir esconder seu alívio. Kagome sorri.
- Não precisa, vou almoçar com o insuportável do seu irmão hoje. Tenho que convencê-lo a ir à festa de Sango. Você vai, certo? – maquinalmente, ainda parecendo desconfortável com a presença de Jakotsu com o nariz grudado a sua janela, ele concorda. – Me pega depois do expediente? – ele concorda de novo e arranca com o carro, assim que Kagome fecha a porta. – Você o assusta desse jeito – ela ralha com Jankotsu que faz bico.
'-'
- Então, esse é o vigésimo quinto caso de acidente de moto só essa semana. Não sei o que... – InuYasha ia dizendo enquanto assinava uma prancheta que lhe tinha sido entregue por um auxiliar de enfermagem, mas é interrompido por Miroku. Pela milionésima vez InuYasha se pergunta como Miroku consegue fugir da sua ala, que ficava do outro lado do hospital por ele ser ginecologista, e conseguia chegar ali, a área de traumatologia onde InuYasha trabalhava há pouco mais de dois anos.
- Como eu ia dizendo, antes de você fazer esse comentário totalmente inoportuno... – Miroku olha enviesado para InuYasha que bufa. – Ontem outra de minhas pacientes me mandou uma mensagem dizendo que o meu toque era o melhor que ela já tinha sentido. Só que, cara, Sango pegou meu celular bem na hora – ele suspira dramaticamente. InuYasha olha para o amigo e solta uma sonora gargalhada. Se fosse outra pessoa, as enfermeiras teriam reclamado, mas como era o Doutor Taisho, elas apenas admiravam como seus olhos se estreitavam enquanto ele ria ou como seu rosto, normalmente cansado se embelezava ainda mais com o divertimento. – Ela me fez dormir no sofá e ainda passou uma hora no telefone com a paciente.
- Doutor Taisho – soou uma voz masculina no alto falante interrompendo a conversa dos dois. InuYasha enxuga as lágrimas que se acumularam no canto dos olhos tamanho o seu divertimento. – Dirija-se ao bloco cirúrgico.
- Não se esqueça da festa – Miroku se despede apressadamente ao ver InuYasha começar a se afastar. InuYasha responde algo evasivamente e segue as instruções do auto falante.
'-'
- Como ele não quer aparecer, Sango? – Kagome grunhe para sua vice-presidente. Elas estavam na sala de Kagome que era toda decorada em tons leves que davam uma atmosfera calma quando a luz do sol entrava pela parede de vidro que ficava a sua esquerda. Decorada por dois sofás espaçosos, duas estantes – uma atrás da mesa e outra na parede a sua direita -, tapetes felpudos, quadros de paisagens e várias fotos da família e amigos. Era isso o que preenchia a enorme sala da presidente e dona da editora Higurashi.
- Bankotsu acabou de ligar e disse que não vai à noite dos autógrafos – Kagome suspira pesadamente se recostando na cadeira que cede suavemente para trás. Esse escritor era particularmente trabalhoso. Ele era recluso demais, exigente demais, mal humorado demais, mal educado demais.
- Diga-me de novo por que o aceitamos – pede massageando a região entre os olhos. Sango sorri.
- Ele nos rende alguns milhões... – e por alguns queria dizer, muitos. Era muito dinheiro mesmo. Quase sem pensar, Kagome retira os sapatos, agradecida por sua mesa ser completamente fechada, assim podia fazer isso mesmo que estivesse com algum cliente e coloca os pés descalços sobre o tapete. A sensação aconchegante relaxa seus músculos e a ajudam a pensar. Pouco tempo depois, Kagome aperta um botão no telefone à sua frente chamando sua secretária, Ayame.
- Sim? – pergunta em tom profissional.
- Ligue para o Bankotsu, por favor, e passe diretamente para mim assim que ele atender.
- Sim, senhora.
-Obrigada, Ayame – e desliga.
- Qual o plano? – Sango pergunta ansiosa. Kagome sorri torto.
- Ele vai descobrir o poder de persuasão de Kagome Higurashi. Ralei muito para chegar aqui e aprendi a ser dura também. Se ele consegue ser tão idiota, eu também consigo - até o fim da manhã, Kagome conseguiu a noite de autógrafos e mais uma para fotos.
Kagome estava onde sempre sonhou. Mesmo aos trancos e barrancos, ela abriu sua empresa e a fez prosperar. Mudou-se para seu próprio apartamento que a qualquer momento podia ser invadido por Sesshoumaru - já que tinha tido a brilhante ideia de deixar uma chave com ele para que ele tomasse conta de Buyo, seu gato, enquanto ela estava viajando há algumas semanas e não tinha se lembrado de pegar de volta. Tinha um carro que no momento estava na oficina para alguns reparos simples e sempre que tinha um tempinho, dava uma passada no centro de câncer para ler para as crianças ou apenas brincar com elas.
Claro que há pouco mais de um ano, ela entrou em uma grande crise quando sua empresa sofreu um abalo, mas se recompôs e seguiu em frente. Sua prima Kikyo sumiu depois daquele episódio na casa de InuYasha e não o contou sobre o ocorrido. Kagome tinha jurado a si mesma que se a prima não contasse, ela iria, mas nunca teve coragem. Principalmente porque InuYasha parecia ter superado a ex desaparecida como também parecia desconfiar que ela tinha fugido com Renkotsu.
Então se ele já tinha deduzido grande parte... Para quê reviver esses fatos desagradáveis? Kagome suspira. Ela sabia que estava sendo covarde, mas quem não hesitaria em machucar um amigo? De qualquer jeito não havia mais importância, eles não estavam mais juntos e Kikyo sumiu. Vez por outra, Kagome ouvia seu nome ser pronunciado durante uma conversa entre a mãe e o avô, mas nunca foi capaz de compreender o que diziam e nem se atrevia a perguntar.
- Kagome? – tirando-a de seus devaneios, a voz de Ayame sai do aparelho. Balançando a cabeça para voltar à realidade, Kagome aperta o botão que estava vermelho.
- Sim?
- O senhor InuYasha está aqui – informa com uma alteração quase imperceptível na voz. É... InuYasha causava isso nas mulheres. Surpresa, Kagome olha para o relógio na parede. Pontual. Apressadamente, ela pega sua bolsa, joga o celular lá dentro e calça os sapatos.
- Obrigada – agradece a secretária e desliga saindo da sala logo em seguida. Um homem alto, de ombros largos, olhos dourados, cabelos pretos e curtos e, como suas amigas costumavam classifica-lo: maravilhoso, lindo, charmoso, pedaço de mau caminho, a espera do lado de fora com os braços cruzados parecendo relaxado, encostado a parede. Sua blusa social azul está dobrada até os cotovelos e a calça jeans se ajustava muito bem as pernas torneadas.
- Anda, Kag. Estou com fome – a apressa assim que ela aparece sorrindo. Ela escuta o suspiro de Ayame as suas costas e revira os olhos.
- Você está sempre com fome, InuYasha.
- E você sempre com sono – ela parece notar uma pontada de raiva por baixo do divertimento dele, mas deixa para lá. – Quem te trouxe? – pergunta quando entram no elevador. Kagome cola as costas à parede e se olha no espelho.
- Sesshoumaru - o resto do caminho até o carro é feito em silêncio. Kagome andava preocupada a respeito de alguns contratos e InuYasha estava bolando um plano para enrola-la o suficiente para não ter que ir àquela festa de criança. Só teriam pirralhos gritando e correndo, músicas infantis, sujeira. A única coisa boa era a comida de graça. Pelo menos até Kagome notar onde estavam. – InuYasha, não ouse me levar àquele bar de novo! – Kagome praticamente grita e impulsivamente, ele gira o volante para o outro lado perdendo a entrada. – Me leve para aquele restaurante que fomos no meu aniversário.
- PARA UM ALMOÇO EM DIA DE SEMANA QUE NÃO VAI DURAR NEM UMA HORA?! – exclama parecendo chocado. Ela cruza os braços olhando-o enviesado.
- Nunca mais ouse me levar para aquele bar! E não grite comigo! Tive diarreia com aquela comida, perdi três quilos. Três quilos! Portanto, pode ir abrindo sua carteira e me levando para um lugar que preste. Deixe de ser tão mão de vaca. ¬¬
- Limpeza intestinal de graça – argumenta, mesmo que já estivesse fazendo o que ela tinha dito. Assim, ele não precisaria ficar ouvindo-a reclamar durante todo o almoço. Não que ela fosse fresca nem nada, mas ela gostava de importuna-lo e de não ter diarreia. Kagome lança um olhar tão raivoso para InuYasha que ele acaba rindo.
- Meu presente de aniversário adiantado para você será um laxante – ela grunhe ainda mais irritada com seu divertimento e sai do carro quando InuYasha estaciona a frente do restaurante. Ele tinha duas áreas, a aberta e a climatizada. Ela gostava da área aberta e ele da área fechada, mas como ele já tinha feito o imenso favor de leva-la até lá, Kagome seguiu direto para dentro. – E então você verá como é bom ficar desentupido – continua ao se sentar à mesa para dois. InuYasha revira os olhos e pega o cardápio relanceando um sorriso exageradamente bonito para a garçonete que provavelmente esqueceu o próprio nome. O que Kagome consta ser verdade quando ela se atrapalha para se apresentar. Eles fazem os pedidos e se encaram desafiando um ao outro a começar.
- Desembucha, Kag – InuYasha resmunga cruzando os braços para se preparar.
- Você tem que ir para a festa das crias do Miroko – era assim que InuYasha os chamava já que parecia incapaz de decorar seus nomes. Claro que eram cinco e com alguns nomes difíceis, mas ele tinha a obrigação de saber pelo menos o de um, o do qual ele era padrinho. Ela não sabia da onde Miroko tinha tirado a ideia de colocar InuYasha como padrinho do Shippou.
- Eu já disse, tenho trabalho – diz com expressão de tédio. Kagome se reclina na cadeira e cruza os braços com um sorriso maligno nos lábios rosados.
- Realmente, ter tantas mulheres é bastante trabalhoso – em resposta, ele inclina a cabeça de lado com um sorriso torto.
- Sim, é. Mas realmente estarei ocupado.
- Vai tentar me enrolar, Taisho? – pergunta arqueando uma sobrancelha. InuYasha revira os olhos.
- E daí se eu tiver um encontro? Não vou para festa de criança.
- Mas lá tem comida de graça – ela protesta fingindo-se de indignada. Sorrindo, ao entender seu jogo, ele se inclina apoiando os cotovelos da mesa e se aproximando mais dela.
- Não – diz de maneira bem expressiva colocando até mesmo a língua entre os dentes. Kagome dá de ombros.
- Então como indenização por causa das lamentações que ouvirei por toda a noite porque não consegui te convencer a ir, me arrume àquele cardiologista lindo da ala norte do hospital onde você trabalha. Ele é perfeito – conta com um olhar sonhador. - Acho que o nome dele é Kouga - brinca para provoca-lo.
- Você nem sabe o nome dele – InuYasha grunhe com os lábios franzidos em reprovação. - E o lobo fedido? Tem notícias dele?
- Já disse para não chamar ele assim - ralha. - E sim, tenho notícias dele.
- Mas vocês terminaram!
- E daí? Ainda somos amigos. E não ouse me julgar por não saber o nome do cardiologista, duvido que você saiba o nome de todas as suas amantes – ele abre a boca para protestar, mas a fecha logo em seguida. – Foi o que eu pensei – com suas palavras, chegou o almoço. Kagome sorri para a garçonete, mas é ignorada já que ela só tinha olhos para InuYasha. – Pelo visto, você terá que fazer todos os pedidos hoje - revira os olhos. - Pediria um suco para mim? - ele bufa divertido e pede dois sucos. Enquanto comiam em relativo silêncio, algo atrás de Kagome atrai a atenção de InuYasha que arregala, quase imperceptivelmente, os olhos. Curiosa, ela ia se virar para olhar, mas é impedida por um chute por debaixo da mesa. – Aí – grunhe massageando a perna e fazendo cara feia para ele.
- Ah, merda! Ela está vindo! – ele resmunga parecendo querer sumir, mas mesmo assim manteve a pose. Costas eretas, corpo apenas um pouco tenso e agora ostentando um sorriso de boas-vindas.
- Vou conhecer outra das suas amantes? - ela ri quando ele balança a cabeça engolindo em seco com um o sorriso congelado no rosto. - Eu te ajudo a se safar dessa e você vai à festa. Caso contrário, eu pioro a situação – completa ameaçadoramente. InuYasha olha enviesado para ela ainda ostentando o sorriso simulado.
- Fico dez minutos – grunhe entre dentes se erguendo para receber a mulher.
- Dez minutos – ela concorda sorrindo.
- InuYasha, o que é isso?! – a mulher pergunta se prostrando ao lado deles medindo Kagome com o olhar. Ela tinha uma pele incrivelmente branca, longos cabelos escuros, olhos verdes, um corpo de matar e era realmente muito bonita, mesmo com essa expressão furiosa.
- Essa é Kagome – ele apresenta apressadamente. Kagome sorri e se levanta para cumprimentá-la.
- Oi. InuYasha fala muito de você – mente descaradamente. A mulher, por sua vez, parece vacilar um pouco com suas palavras fazendo Kagome sorrir sem nem precisar fingir falso contentamento, afinal ela tinha conseguido resolver seu "problema", ele iria para a festa. InuYasha lança para ela um olhar de aviso que é ignorado.
- Amiga? – indaga com a testa franzida e a analisa dos pés à cabeça novamente. – Você não é do tipo que é só amiga – Isso foi um insulto? Era o que Kagome queria pergunta, mas opta por continuar sorrindo e dizer:
- Bem... Eu sou gay, então acho que faço o tipo amiga. Dos homens pelo menos – e pisca sedutoramente fazendo a mulher corar envergonhada. Pelo canto do olho, Kagome vê InuYasha arregalar os olhos surpreso com sua audácia. – Então, como pode ver... Nenhum perigo para você – InuYasha parecia parecia pronto para dar por encerrada aquela conversa, mas Kagome tinha outros planos. Quem disse que ela não podia se divertir um pouco?
- Então, querida... – InuYasha começa, mas é interrompido por Kagome.
- Ei, por que você não se senta um pouco com a gente? - pergunta segurando o braço da mulher.
- Hm... Não, eu... - ela parecia desconfortável e o mais delicadamente que pôde, afastou a mão de Kagome.
- Só queria saber sobre o relacionamento de vocês - insiste inocentemente. - Ele já te contou daquele dia em que comeu amendoim e a língua dele inchou tanto que teve que ficar pendurada para fora? – a mulher fica ainda mais vermelha ao fazer força para não rir e InuYasha fulmina Kagome com os olhos. – Oh, você não sabia? – exclama fingindo estar constrangida. – E sobre o dia em que passou trancado no banheiro por causa da prisão de ventre? – ao ver os dois ficarem vermelhos, Kagome tapou a boca com a mão. Ele a encarava destilando ódio e a mulher, estava dividida entre a vergonha e o divertimento. – Mas tenho certeza que ele te falou sobre... – o resto da sua frase é interrompida por InuYasha quando ele se prostra ao seu lado dando um beliscão na sua cintura.
- Se eu perder a minha amante, você será a substituta – rosna próximo ao seu ouvido fazendo-a morder o interior da bochecha para não rir. Essa ideia podia realmente tenta-lo se Kagome não fosse... Kagome. Afinal, ela era muito bonita com seus olhos castanhos destacados pela pele clara, seus cabelos pretos que chegavam até o meio das costas e emolduravam seu rosto pequeno. Era magra, possuía os seios fartos e pernas torneadas que estavam à mostra por causa da saia cinza. Kagome revira os olhos exageradamente para a mulher alheia aos pensamentos do melhor amigo.
- Ele está me implorando para parar - conta. - Mas você não vai abandona-lo apenas por que deixei escapar essas coisas, vai? – pergunta fazendo bico. A mão de InuYasha que estava na sua cintura aperta a sua carne em advertindo e ele a solta para colocar ambas as mãos, uma em cada braço da mulher.
- Olha, querida – Kagome tinha certeza que ele só a chamava assim porque não lembrava seu nome, mas a mulher não pareceu notar já que se derreteu toda. – Nós estamos tratando de um assunto sério. Passo na sua casa mais tarde – ela concorda tímida, sorri se desculpado para Kagome e volta para a sua mesa. InuYasha e Kagome voltam a se sentar e ela sorri vitoriosa. – Não vou agradecer – ele grunhe se recostando a cadeira e cruzando os braços. – Você quase arruinou tudo – Kagome ri da sua expressão emburrada e por isso é obrigada a pagar a conta.
- Injustiça – ela reclama quando encontra InuYasha do lado de fora do restaurante encostado ao seu carro. – Por que não pudemos rachar? Foi muito ridículo da sua parte fugir daquele jeito para o banheiro quando a conta estava chegando e pior ainda você nem ter ido a mesa depois. Eu podia estar sem dinheiro! – ele apenas ri e senta atrás do volante. Franzindo os lábios, Kagome entra no carro também. Convencê-lo tinha custado um pouco caro, mas isso era mais um objetivo concluído.
De qualquer forma, InuYasha a levou de volta para o trabalho e ligou para a mulher que tinha encontrado no restaurante. Marcaram um encontro para dali a duas horas e ele voltou para casa para se aprontar. Tomou banho, fez a barba, passou perfume, colocou uma roupa legal do jeito que sabia que ela gostava: uma blusa social preta e jeans, ajeitou os cabelos e voltou para o carro. Ele olha o relógio digital e sorri maliciosamente. Tenho bastante tempo...
A festa seria na própria casa de Miroku e Sango porque tinha um espaço bem grande no quintal onde cabia o pula-pula, a barraca de pipoca e algodão doce, os brinquedos de escalar que Kagome não conhecia muito bem e outras bugigangas para as crianças. As crias do casal correram para ela pedindo para brincar, mesmo o mais novo que não tinha mais que quatro anos. Kagome se abaixa para pega-lo no colo e beija o topo da cabeça dos outros quatro. Como o casal conseguia se virar com tantas crianças é um mistério.
Ela olha o celular. Oito e meia da noite. Se o InuYasha não vier... Pensamentos maldosos passam por sua mente, mas são interrompidos quando vê a aproximação do carro dele. Suspirando decepcionada porque seus planos teriam que ser adiados, ela chamou Sango e apontou.
- Está vendo? Ele veio – fala orgulhosa. – Me deve o dinheiro da aposta – Sango faz uma careta e passa uma nota para Kagome que rapidamente a guarda no bolso para InuYasha não ver.
- Satisfeitas? – pergunta assim que as alcança. Sango sorri concordando e Kagome empurra para InuYasha a criança que ainda estava no seu colo. Desajeitadamente, ele segura o garotinho parecendo assustado, depois olhou para Kagome planejando devolve-lo, mas é interrompido quando o menininho vomita bem em cima dele. Arregalando os olhos, Sango segura o filho (depois que o estrago já estava feito) e corre com ele para dentro de casa, indo atrás do Miroku. – Kagome! – InuYasha rosna. – Isso é culpa sua.
- Minha? Não fui eu que vomitou em você – fala tentando conter o riso.
- Mas você me deu ele – acusa entre dentes olhando o estrago na sua camisa.
- Era o seu afilhado! – ele pisca perdido por um momento.
- Ah, é mesmo – revirando os olhos, Kagome o deixou a própria sorte naquele mar de crianças. Se esquivando de tantas coisinhas pequenas, InuYasha segue para o banheiro para se limpar, mas o cheiro de vômito o força a se livrar da camisa e é assim que ele sai do banheiro, seminu. – Ei, Miroku – chama ao ver o amigo passar por ele com um dos filhos no braço. Ele olha por sobre o ombro e franze o cenho ao ver InuYasha.
- O que você está fazendo? Se cubra agora, eu tenho uma filha! – fala enquanto coloca o filho no chão que no mesmo momento corre até InuYasha e fuça no seu bolso roubando sua carteira.
- Miroku! Seu filho está me roubando! – acusa começando a correr atrás do pirralho.
- Ora, InuYasha, ele não está roubando nada. Só está brincando.
- Com o meu dinheiro. Me pergunto onde ele aprendeu esse tipo de coisa – e para de correr olhando acusadoramente para Miroku que dá de ombros e pega o filho pela camisa puxando-o na sua direção e recuperando a carteira abatida de InuYasha.
- Agora vá se vestir, cara – ordena quando devolve a carteira. InuYasha sobe as escadas bufando e vai até o quarto do casal para pegar uma camisa do Miroku. Na descida um dos amiguinhos das crias tromba nele e derruba refrigerante na sua calça novinha. Nunca ter filhos... Nunca ter filhos... Repetia para si mesmo enquanto respirava várias vezes para se acalmar.
- Sango – chama ao vê-la entrar na cozinha. – Como você aguenta? – ela sorri.
- Com o tempo você se acostuma – afirma.
- É, InuYasha – Kagome fala da porta dos fundos. – Nem todo mundo têm tantas frescuras quanto você – ela usava uma simples calça jeans e uma blusa preta de alças finas, o decote não era muito pronunciado, mas valorizava seu busto, sem falar que seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e calçava sandálias de dedo. Ela estava bonita, mesmo com aquela mancha de chocolate no rosto que nem parecia notar. InuYasha fecha a cara olhando para a própria calça e suspira pesadamente. É nesse exato momento em que os celulares de Kagome e InuYasha tocam simultaneamente. Ambos fazem uma careta para o aparelho, atendem e se afastam para ouvir melhor. Ao retornarem, se encaram surpresos.
- Kikyo? – InuYasha pergunta. Kagome acena concordando ainda meio pálida. Por que o hospital tinha ligado para ele também quando Kagome era a familiar da Kikyo?, se pergunta enquanto a ouvia explicar para Sango e Miroku que precisaria ir correndo para o hospital porque algo tinha acontecido à prima. Terminada a narrativa, ela e InuYasha seguem para o carro dele. O que era agora? Será que algo de muito grave aconteceu com Kikyo?, se pergunta preocupada.
- Por que eles te chamaram também? – ela pergunta quando o carro entra em movimento. InuYasha dá de ombros.
- Talvez porque eu trabalhe lá - o resto do trajeto é feito em silêncio e quando entram no hospital, são recepcionados por uma mulher usando calças de linho preto e um terninho da mesma cor. Ela segurava uma pasta na mão e com profissionalismo, guiou os dois para uma sala.
- O que aconteceu com a minha prima? – Kagome pergunta assim que se senta em uma das várias cadeiras ao redor da mesa oval. Não era mentira que ela não simpatizasse ou falasse com Kikyo desde que a tinha pegado aos beijos com Renkotsu, mas mesmo assim se preocupava.
- A Senhora Kikyou e o senhor Renkotsu não resistiram ao acidente de carro – chocada, Kagome leva a mão a boca e encara a mulher de olhos arregalados. InuYasha, inconscientemente, coloca a mão sobre seu ombro em apoio. – E deixaram algo para vocês.
- Algo como uma herança? Para nós dois? – InuYasha pergunta surpreso já que Kagome parecia em choque. A mulher acena mesmo que não parecesse satisfeita com o termo. – E o que seria?
- Um bebê.
Tchan tchan tchan tchan...
Kikyo é uma flor. Trai o namorado. Perde o contato com a família. Engravida. E ainda morre. ¬¬ ô povinho pra gostar de dar trabalho!
Brincadeirinha, gente... Nem eu sou tão ruim assim. Quer dizer... *Sorriso maléfico*
Gente, espero que tenham gostado (primeiramente que tenham lido...) porque as emoções vão começar agora.
Sintam-se à vontade para deixar reviews. Sério, podem dizer o que acham. É fácil: só apertar naquele botão aí em baixo. Faça um sorriso brotar nos lábios dessa autora. :D
Resposta às reviews:
Marieta100: MINHA PRIMEIRA REVIEW! *-* Tirei até um print da página quando vi! Obrigada! Pois é, Kikyo não merece confiança. Suas suspeitas fazem total sentido! Agora você sabe de onde saiu nosso bebê, resta saber para onde ele vai! Espero que tenha gostado do novo capítulo! Conta o que achou e quais seus palpites para os próximos!
Guest: Sério? Amou? *-* Muito obrigada pelo apoio! Espero que tenha amado esse também! Manda uma review dizendo o que achasse!
Nami: Mais uma vez esse verbo lindo! Amar, amar, amar... Acho que estou apaixonada! S2 S2 S2 Espero que eu possa corresponder as suas expectativas e que realmente seja uma fic q você ame cada vez mais!
