Capitulo 2

20 minutos depois um homem estava chegando em frente a casa dos O'Brian. Era uma casa branca com telhas vermelhas, totalmente fora de Manhattan.

Ele conferiu a fechadura, estava trancada, como ele esperava. Segurou sua arma com as duas mãos e jogou todo o seu peso contra a porta. Ainda fechada.

Estou ficando velho, ele pensou, e um sorriso lhe veio aos lábios. Jogou seu ombro outra vez contra a porta. Ela abriu dessa vez. Colocou sua arma em punho e entrou na casa. Verificou a sala e a cozinha. Nada estranho. Subiu as escadas e abriu a porta do primeiro quarto do corredor. Era um quarto com paredes azuis royal. Tinha uma pequena cama num canto, e noutro uma escrivaninha com um computador provavelmente tão bom quanto os que o homem costumava trabalhar anos atrás.

Isso lhe trouxe outro sorriso aos lábios. Chloe, pensou, provavelmente menos infeliz do que o outro homem tinha pensado mais cedo.

– Hey Prescott? – O homem chamou olhando em volta do quarto – Você esta ai?

O garoto tremeu de dentro do armário e tentou não fazer qualquer barulho.

– Hey, meu amigo Jack me mandou – O homem guardo a arma no coldre – Eu sou um amigo da sua mãe também.

O menino prendeu a respiração. O homem ainda não tinha dito as exatas palavras.

– Jack me pediu para te dizer uma frase. Vou repeti-la e você aparece então, certo?

O homem deu uma pequena risadinha.

– Cubs sucks – ele finalmente disse e deu mais outra risadinha.

O homem viu um pequeno garoto em seu pijama de flanelas sair de dentro do armário.

– Hey buddy – O homem andou até ele e se ajoelhou e lhe estendeu uma mão – meu nome é Tony.

O garoto tinha um olhar cheio de medo e receio. Coçou a cabeça e estendeu a mão para o homem de cabelos escuros a sua frente.

– Eu conheço você – ele disse ainda coçando a cabeça – mamãe tem uma foto sua.

Tony sorriu. O fez feliz saber que Chloe o tinha apresentado para o seu filho. Mesmo depois de tudo o que ele tinha feito.

Mas desde que ele tinha feito seu acordo com o FBI, ele tinha tentado se aproximar de Jack e Chloe.

– Ok Prescott, eu vou precisar de um favor seu, certo? – Tony disse colocando-se de pé novamente. Abriu o armário, pegou uma mala que estava em um canto e colocou em cima da cama do garoto – Coloque aqui algumas roupas e alguma coisa que você ache importante, certo? Sapatos e meias também.

O garoto sacudiu a cabeça e andou para dentro do armário. O homem deu um sorriso. O filho de Chloe era realmente adorável. Andou até a janela do quarto do garoto e a trancou, depois puxou as cortinas.

– Eu vou até o quarto da sua mãe e volto já, ok?

– Espere – o garoto chamou quando Tony estava prestes a sair do quarto – Qual é mesmo o seu nome? – ele perguntou um tanto confuso.

Tony sorriu de novo.

– Tony... – ele pensou por um tempo – Você pode me chamar de tio Tony se quiser.

– Certo – o menino murmurou para si mesmo, exatamente da forma como Chloe fazia as vezes, virou as costas e voltou para o armário.

Tony foi até o quarto de Chloe, trancou a janela e fechou as cortinas. Quando estava saindo do quarto, reparou em um porta-retratos perto da cama de Chloe. Tinha uma foto dele, e ele estava junto com Michelle. Doeu um pouco ver essa foto. Ele sentia tanto a falta dela.

Seu telefone vibrando o livrou de todos os pensamentos. Era uma mensagem de Jack.

Estou no avião agora. Quando eu chegar, eu ligo para você. Mantenha-o em segurança.

Tony fez seu caminho de volta ao quarto do garoto. Prescott estava acabando de fechar a mala. Eram 10 para as 6. E o dia já ia amanhecer.

– Tio Tony – o menino sussurrou se virando para ele – Minha mãe vai ficar bem? – O menino disse baixinho segurando as lagrimas que estavam a ponto de escorrer de seus olhos.

Tony agachou-se novamente na frente do garoto e olhou para aqueles olhos azuis de Chloe.

– Hey – ele disse baixinho – Eu e o tio Jack, vamos trazer ela em segurança pra você, certo bud – antes que Tony pudesse terminar a frase, sentiu aqueles pequenos bracinhos apertarem o seu pescoço.

Ele puxou o garoto pra si. Prescott afundou a cabeça no pescoço de Tony e começou a chorar. Tony passava a mão em suas costas enquanto o garoto estava em meio aos soluços.

– Calma buddy – O homem sussurrava para o menino – Ela vai ficar bem. Shhh.

Depois de alguns minutos e o ombro de Tony encharcado, o menininho de grandes olhos azuis parou de chorar.

– Ok garoto. Você esta com fome?

O garoto sacudiu a cabeça afirmativamente.

– Nós podemos pegar um café da manhã no McDonald's e então você pode conhecer a minha casa, o que você acha?

O garoto pensou por um segundo.

– Acho que esta tudo bem.

– Certo.. – Tony o segurou com um braço. E o cobriu com o edredom que estava no pé da cama. Com sua mão livre ele pegou a mala em cima da cama. O garoto afundou a cabeça no pescoço de Tony novamente e eles saíram da casa.

Tony abriu a porta de trás e jogou a mala dentro. Abriu a porta do carona e sentou o garoto nela, em seguida o cobriu com o edredom. Bateu a porta e caminhou até o lado do motorista.

24242424242424

24242424242424

Jack estava sentado em sua poltrona esperando o avião decolar. Ele não achava uma boa ideia pegar um avião comercial. Mas ele não via outra forma de chegar à costa leste rápido o suficiente. Amaldiçoou-se mil vezes por estar tão longe de Nova York. Checou seu telefone novamente, esperando uma mensagem de Tony.

Após alguns minutos todos os passageiros já estavam dentro do avião. As três horas da manha, não era de se esperar que tivessem muitos passageiros. E algum tempo depois, o avião já estava saindo do chão.

24242424242424

24242424242424

– Ok, champs, o que você quer comer? – Tony disse parando no drive thru.

– Panqueca está bom – O garoto olhava o sol nascer pela janela.

– Suco de laranja? – Tony perguntou ao garoto.

– Uva.

Tony fez o seu pedido e dentro de 20 minutos estava parando o carro em frente a própria casa.

Andou até a porta do pequeno garoto, e lhe entregou a sacola de papel.

– Você pode levar isso? – Tony perguntou enquanto abria a porta de trás e pegava a mala.

– Claro – o garoto agarrou a sacola.

Tony agarrou o garoto com a mão livre e bateu a porta do carro com o pé.

– Você sabe – O garoto estava dizendo enquanto Tony o carregava pelo jardim – eu posso andar com meus próprios pés...

Ele soava exatamente como Chloe, Tony pensou mais uma vez.

– Não em suas meias, garoto.

Tony apoiou a mala no chão e destrancou a porta da casa. Pôs o garoto no chão e a mala para o lado de dentro. O garoto ficou parado esperando a reação de Tony, abraçando a sacola de papel com os dois braços contra o peito. Os olhinhos azuis do garoto pareciam perguntar-lhe o que ele deveria fazer agora.

– Sente-se garoto. Nós vamos comer e então você vai dormir um pouco, está bem?

– E o Jack?

– Bom, Jack vai demorar mais algumas horas para encontrar a gente. Agora, sente-se e aproveite suas panquecas.

24242424242424

24242424242424

– Boné legal – o menino apontou para o boné azul e vermelho que estava na mesa de centro.

– Você gostou dele? – Tony provavelmente tinha mais uma meia dúzia de bonés do Cubs.

Ele pegou o boné na mesa e colocou na cabeça de Prescott. Obviamente ficou grande, caindo sobre os olhos do garoto.

– Ficou bem em você – Tony riu enquanto se sentava na sua poltrona novamente – você pode ficar com ele.

– Sério? – O menino empurrou o boné para que ficasse fora de sua vista e olhou para os olhos castanhos de Tony – Eu nunca assisti um jogo de basebol.

– Sério? – Tony disse terminando o seu café – Nós temos que mudar isso, garoto.

– Tio Tony – O garoto pareceu hesitar – Você pode me levar para assistir um jogo qualquer dia?

– Claro! – Tony estava orgulhoso de si – Se sua mãe deixar, eu e tio Jack, podemos te levar para Chicago para assistir o próximo jogo do Cubs, o que você acha?

O garoto pareceu pensar por um minuto. Tony ficou com medo que ele ficasse preocupado com Chloe novamente.

– Você acha que ela vai deixar? – ele perguntou preocupado – Eu nunca viajei sem minha mãe.

– Eu tenho certeza de que ela vai deixar ! – Tony sorria. O garoto de seis anos era realmente incrível. No fundo, ele pensou em Michelle novamente. Se ela tivesse tido o seu filho, ele teria agora provavelmente um ano a mais que Prescott. Talvez eles estivessem brincando juntos agora. Ou talvez isso tudo nem estivesse acontecendo. Mas algo o tirou de seus pensamentos pela segunda vez naquela manhã.

– Tio Tony – Prescott estava chamando já pela segunda vez, quando Tony finalmente olhou nos olhos dele – Eu posso assistir TV?

– Claro. Mas você tem que dormir um pouco, certo? – Tony caminhou até ele e arrumou as almofadas do sofá para que ele pudesse deitar, depois o cobriu com o edredom e o entregou o controle da televisão – Eu vou estar bem aqui quando você acordar.

O garoto ligou a TV e passou por alguns canais. Poucos minutos depois ele caiu no sono, ainda com o boné do Cubs na cabeça.

Cerca de 3 horas depois, Prescott acordou tendo um pesadelo. Arrumou o boné na cabeça mais uma vez, e olhou a sua volta.

– Tio Tony? – ele começou a ficar preocupado – Tony?

– Estou aqui, garoto – Tony veio andando da cozinha – Esta tudo bem?

– Eu tive um pesadelo – o garoto disse sentando no sofá – Jack já esta aqui?

– Ainda não garoto... Mais algumas horas. Você quer que eu sente ai com você? – ele ofereceu com um sorriso meigo.

O garoto só balançou a cabeça afirmativamente.

Tony caminhou até o sofá em que o garoto estava dormindo e se sentou. Depois puxou aquele pequeno garoto, com os olhinhos azuis tão brilhantes e um boné muito maior que ele, para si. O garoto fechou os olhos e aterrou a cabeça no peito de Tony, enquanto ele o cobria com o edredom.