CAPÍTULO 2: DESTINO...
Quando Bella chegou à galeria de artes, todas as funcionárias estavam pelos cantos matando tempo, ela não deu importância aquilo e foi procurar o que fazer. Não demorou muito e Esme, apareceu para lhe dar uma função muito importante. Da qual ela não delegaria à mais ninguém que não fosse Isabella. Era a compra e venda de materiais históricos para a galeria. Ela não sabia, mas o restante do pessoal a odiava por isso, era a queridinha da chefe. E isso era muito para as amigas-cobras agüentarem.
- Olá Bella. Como foi seu almoço?
- Foi tudo bem chefe. Há algo em que eu possa ajudar?
- Já pedi para que me chame de Esme, apenas Esme. E sim há algo em que quero que você dê uma olhada para mim – sempre muito bem vestida, ela foi à frente e Bella logo atrás – sabe aqueles vendedores de peças antigas que lhe falei mais cedo? – Bella assentiu – estão com ótimas peças para decoração, e sempre é bom termos estoque dos materiais antigos. Em outras ocasiões eu até gostaria de ir pessoalmente ver esses produtos, mas agora com a família e a empresa fica mais difícil.
- Então quer que eu vá em seu lugar. – não foi uma pergunta e sim uma constatação.
- Sei que é fim de semana, e seria sua folga na segunda, mas – ela hesitou – é uma chance de ouro ir em meu lugar, e você sabe que eu não confio em mais ninguém Bella. As meninas são muito afoitas quando o assunto é obra de arte, elas dão mais importâncias aos rapazes do que ao trabalho – elas chegaram à sala de Esme – e como eu já lhe disse antes, você tem faro para essas coisas. E então o que me diz? Claro que terá uma boa comissão, e um bônus pelo trabalho extra.
- Claro Esme. Eu vou com o maior prazer. Quando, e para onde estou indo dessa vez? – Esme sorriu de modo doce para Bella, e indicou a cadeira para ela sentar-se enquanto acertavam passagens e hotel.
E assim elas passaram o restante da tarde planejando e acertando tudo para a viagem de última hora. Bella não reclamava, era importante para sua carreira esse tipo de trabalho. Sem contar que ela ganhava alguns dias de folga, e uma boa quantia em dinheiro como forma de agradecimento. Sua próxima aventura seria em Veneza, onde um colecionador de obras de artes, e peças de porcelana chinesa, estava negociando já havia dias com a galeria. Essa era a oportunidade perfeita para a compra das peças, e ainda seria a oportunidade de conhecer um lugar diferente.
Mesmo com tantas coisas para serem arrumadas de última hora, ela não conseguia esquecer Anthony. O homem misterioso das mensagens, onde será que ele estaria agora? Certamente em condições melhores que ela, já que ele estava em um avião, fazendo o que, ela não sabia. O seu sábado foi tranqüilo, e chegando em casa, arrumou uma mala somente com o necessário, com agasalhos extras, pois sabia que na cidade do amor estaria fazendo frio. Ficou esperando a noite chegar para poder ir à casa de seus pais, assim mataria a saudade e se despediria também. O seu telefone tocando foi o que lhe tirou da inércia. Pensando ser ele, ela deu um pulo. Mas sua decepção não foi tão grande assim, pois quem estava ligando era muito especial também.
- Bellaaa... Preciso te contar as novidades. Quando você vem para a casa do tio Charlie? – sim, essa era Alice. Sua melhor amiga e irmã.
- Oi Lice, vou dar uma passada mais tarde lá, mas por que tanta aflição?
- Ai Bella, eu acho que arrumei um namorado. Ele é lindo e perfeito, você tem que conhecê-lo... – e assim ficaram as duas matraqueando até cansarem. E se não fosse por Bella implorando para desligar, alegando estar com vontade de usar o banheiro, teriam ficado a noite toda ao telefone. Terminando de se arrumar pegou as chaves do carro e saiu, iria passar a noite com a família, e a melhor amiga, pois na manhã seguinte iria viajar.
Sobrevoando Veneza naquele momento, Edward contemplava as luzes da cidade. E ficou imaginando se um dia conseguiria estar na cidade do amor com o seu verdadeiro amor. Avistando o aeroporto Tessera, pediu permissão para pousar. Mesmo sob forte chuva, ele era um ótimo piloto. E em suas incontáveis horas de vôo, nunca acontecera nada grave, tanto nas decolagens quanto nas aterrissagens.
- Permissão concedida piloto – falava alguém da torre de controle – os sinalizadores já estão a postos para qualquer eventualidade. Bom pouso.
Para ele era fundamental um planejamento e um conhecimento das várias pistas das quais aterrissava. Isso lhe dava certo conforto em relação aos erros que não poderia ocorrer. Sabendo que nada poderia faltar para uma manobra, seguiu os sinalizadores que estavam na pista, e devido ao mau tempo, um funcionário ficava com uma luminária indicando o caminho correto. Nada daria errado a não ser que o avião desse algum problema. Ou que o próprio piloto falhasse. Experiente como era, ele percebeu que havia algo de errado com o trem de pouso do lado esquerdo, e sabendo que não tinha como mudar esse fato, decidiu avisar a tripulação de que poderia haver dificuldade para pousarem.
- Atenção tripulação do vôo 774, apertem os cintos – ele pensou em dizer que estavam com problemas no trem de pouso, mas decidiu por omitir em partes os problemas – pode haver um pouco de turbulência, devido ao mau tempo. Peço que todos fiquem calmos.
Em seguida avisou a torre de controle sobre o problema. Eles decidiram evacuar a pista e colocaram de prontidão a emergência, caso de ocorresse alguma fatalidade. Edward foi lento em sua aterrissagem, de início o avião chacoalhou, e tremeu bastante, mas com habilidade ele conseguiu manter o enorme boing 737, em seu curso. Sabia o que deveria fazer, e assim fez. Mesmo com todos os atravancos deu tudo certo. Esperou que todos descessem do avião e saiu com sua mala de mão. De início ele ficou irritado com a possibilidade de passar a noite no aeroporto, mas depois se acalmou, assim ele poderia entrar em contato com Marie, e descansar para o próximo vôo.
- Como vai Edward – seu colega Oliver vinha ao seu encontro – fiquei sabendo do ocorrido, e da sua habilidade na decida.
- Olá Oliver, ainda bem que nada de mais grave ocorreu.
- Isso é verdade. Eu já passei por algo parecido, e não recomendo. É uma sensação muito ruim não estar totalmente no controle da situação.
- Pode apostar que sim. Mas agora vou descansar até que decidam o que fazer. Nem sei a que horas vou voar novamente, a gente se vê. – despedindo-se do colega ele foi para o vestiário, tomou um banho rápido e se trocou. Foi avisado de que seu próximo vôo sairia em quatro horas. Isso daria tempo de dar pelo menos um oi para ela. E assim ele fez, digitando rapidamente uma mensagem curta, porém explicativa.
- Mas Alice isso que está me contando é muito sério. Você arruma um cara pela internet e agora quer minha ajuda para se encontrar com ele?
- Mas Bella ele é lindo e perfeito. Se fosse com você eu ajudaria. Ao invés de me criticar você deve me ajudar e... – ela deixou a frase no ar e ficou olhando para a cara de lerda de sua amiga – o que foi? Por que está rindo para o celular?
- É um cara que eu conheci... quer dizer não conheci ainda, só por telefone mas ele está me mandando mensagem novamente. Mas essa é uma longa história e só vou te contar quando eu voltar de viagem.
- Mas o que ele te mandou? Deixa eu ver.
De: Anthony.
February 11, 21:15pm.
Olá doce Marie, como foi seu sábado? Saiba que o meu foi muito cansativo. Estou com dor nas costas pelas incontáveis horas no avião. Consegui uma folga agora por isso resolvi matar a saudade, se é que me entende rsrsrsrs. Quando vamos nos encontrar? Estou muito curioso para conhecê-la. Espero imensamente que esteja se divertindo, pois dentro de quatro horas retornarei para um avião, e somente amanhã estarei em Londres. Aguardo resposta. Bjussss e durma com os anjos.
- Nossa que fofo. Como você pode se interessar por alguém por telefone e eu não posso pelo computador?
- É diferente. Ele mora aqui em Londres, e se, veja bem, se, formos nos conhecer não vou marcar nada em um local reservado como você, vai ser num parque, shopping ou algo assim.
- Mas é por isso mesmo que preciso de você para ir comigo Bella. Não quero correr o risco de ser um maluco qualquer vindo de longe para me atacar.
- Está certo Alice, mas isso vai ter que esperar pela próxima semana. Se quiser marcar com esse tal Luke, marque para o sábado que vem, e deixa eu responder a mensagem do Anthony.
- Só não entendi uma coisa.
- E o que é?
- Por que ele te chama de Marie, e não Bella?
- Eu não sou boba. Não iria dar meu primeiro nome para ele. Vai que é um maluco ou algo do tipo? – as duas riram disso.
- Certo, você tem razão. E o que vai mandar para ele?
- Já você vai saber. – e assim ela fez, digitando mais rápido do que seus dedos permitiam, ela acabou com a espera de um certo rapaz do outro lado do oceano.
Ele já estava achando que tinha mandado para o número errado a mensagem, ou que ela havia desistido da idéia de conhecê-lo. Mas quando o celular apitou o aviso de mensagem recebida ele ficou sentado e foi com um sorriso bobo nos lábios que ficou por vários minutos antes de responder o 'pequeno texto' de Marie.
De Marie:
February 11 – 21:30pm.
Querido Anthony, uma pena que esteja tão longe nesse momento. Fique sabendo que estou com uma imensa vontade de lhe fazer uma massagem, para melhorar sua dor nas costas. Espero que eu também não fique assim, pois daqui a sete horas, vou estar viajando para uma linda cidade a trabalho. Acredito que nosso encontro vá ter de esperar pelo próximo fim de semana, não sei ao certo quando eu chego de viajem, e mesmo que consiga chegar antes, não posso prometer nada. Estou contando os dias e as horas para saber quem é você. Como vai passar essas quatro horas restante em terra firme, algo programado? Bjusss.
- Você ainda não me disse o que vai fazer em Veneza – Alice perguntou.
- Vou a trabalho, já disse. Comprar peças, trocar algumas, enfim negócios.
- Bem que poderia ir com você. Seria um sonho fazer compras por lá.
- Hum. Quem sabe na próxima – seu celular vibrou novamente, e ela esqueceu do mundo quando viu que tinha uma nova mensagem – espera Lice, ele respondeu.
De: Anthony.
February 11 – 21:45pm.
Não me maltrate assim, sabendo que quer me fazer uma massagem sendo que eu estou tão longe. Posso saber qual é o seu destino nessa viajem? Eu não sei ainda o que fazer para passar o tempo, seria muito abuso eu te ligar?
- OMG. Ele quer me ligar. E agora, o que eu faço? – ficou quicando no quarto como sua amiga sempre fazia.
- Claro que não. Deixa ele ficar no suspense, só assim você vai saber se ele quer mesmo uma coisa boa. Se for um qualquer ele vai desistir.
- Você está certa, mas deixa eu responder.
From: Anthony
February 11 – 21:50pm.
Estou indo para Veneza, mais que isso não vou contar rsrsrsrs. Quer alguma lembrança de lá? E por favor, vamos nos conhecer primeiro por mensagem, não quero estragar o encanto, a não ser que queira desistir da brincadeira.
Ele deu um pulo quando viu que ela estaria indo para o mesmo lugar que ele estava naquele momento. Como o mundo é pequeno mesmo. E agora iriam se desencontrar. A não ser que ele ficasse ali e tentasse encontrá-la. Mas como ele faria isso? Ele não tinha idéia. E agora contar ou não para ela que estava ali? E ela queria continuar somente com as mensagens. Sua cabeça estava cheia de dúvidas. Que garota maluca era essa que gostaria de ficar conversando somente por mensagem? Não tinha certeza se era uma boa idéia contar onde estava. E se ela achasse que ele estava mentindo? Melhor esperar para quando ela chegasse. Pensando que era o certo a fazer ele digitou novamente.
From: Marie
February 11 – 22:05pm.
Realmente um lindo lugar para se ir a trabalho. Obrigada pela oferta de presente, mas pode deixar. Tudo bem continuamos com as mensagens, mas por pouco tempo, quero saber logo como é sua voz. E você não tem curiosidade para saber como é a minha? Agora minha doce Marie, vou descansar um pouco antes de meu próximo vôo. Espero pela sua mensagem me desejando boa noite, e que sua viajem possa ser muito melhor que a minha. Tenha bons sonhos.
- Nossa Bella eu já gostei dele. Todo cuidadoso para não estragar o momento. Da próxima vez que ele quiser ligar você deixa. Vai ser bom para se conhecerem – Alice estava super empolgada com a possibilidade de sua querida amiga arrumar alguém especial, assim como ela gostaria de arrumar também – responde logo que o coitado deve estar cansado, e você também deve dormir para descansar.
- Já vou, estou apenas absorvendo suas palavras. – dizendo isso ela já recomeçou a digitar rapidamente uma resposta para seu querido Anthony.
Depois de tomar um bom banho e se esparramar numa beliche, Edward leu e releu a mensagem que havia recebido. Estava encantado por uma garota que nem mesmo sabia como era, como era a voz, e não tinha nem certeza se Marie era seu verdadeiro nome. Mas isso não importava a ele, somente curtir o momento era necessário. Não demorou muito para pegar no sono, mas não antes de ler novamente a mensagem.
From: Anthony.
February 11 – 22:25pm.
Espero que durma bem, e que seus sonhos sejam os mais lindos possíveis. Não posso pedir para que sonhe comigo, pois não nos conhecemos ainda. Ficamos assim então, quando eu voltar de viagem marcamos alguma coisa. Poderemos nos encontrar naquele parque perto do shopping West Field. Mas vamos combinar direito depois, também vou para casa dormir, amanhã embarco cedo para a 'cidade do amor'. Beijos Anthony, e até breve.
Depois de se despedir de sua amiga e de seus pais, Bella foi para seu apartamento, terminou de arrumar as malas e capotou. Acordou assustada com o despertador e correu para o banheiro onde tomou um longo banho, e se arrumou. Chamaria um táxi, pois se fosse de carro, não teria onde deixá-lo. Quando estava pegando o interfone para pedir ao porteiro que fizesse o favor de chamar alguém, o mesmo lhe avisou que uma senhora chamada Esme estava esperando na portaria. Não sabendo do que se tratava, desceu o mais rápido que o elevador permitia.
- Bom dia Bella. Espero que eu não tenha chegado muito cedo.
- Bom dia Esme, não chegou. Mas posso saber por que a visita tão cedo?
- Ora essa você achou mesmo que eu te deixaria pegar um táxi? Vim te pegar. E o namorado de Rose está comigo.
- Nossa faz tanto tempo que eu não vejo Rose. Ela não foi mais à galeria.
- Ela anda muito atribulada com sua especialização. Mas sempre que me vê te manda lembranças.
- Quando ela puder, peça para que apareça na galeria para colocarmos as fofocas em dia.
- Claro que eu digo, afinal você conhece ela dos tempos da escola de artes não é mesmo?
- Oh, sim. Ela se destacou muito em sala de aula. Mas também teve a quem puxar. Filho de peixe, peixinho é.
- Bom mais chega de elogios, se não daqui a pouco não caibo em mim de tanta vaidade. Agora suba e pegue sua bagagem que estamos de partida.
- Obrigada. Eu não me demoro.
Quando soube que trabalharia na galeria de artes, da mãe de sua amiga de curso, Bella não imaginou como iria gostar desse desafio. E ficou mais feliz ainda, por descobrir que tanto Rose, como sua mãe Esme, eram pessoas amáveis e fácil de lidar. Mesmo Rosalie tendo um gênio forte, era a pessoa mais legal que ela havia conhecido no curso de artes modernas. Como esses pensamentos ela correu de volta ao apartamento com o porteiro em seu encalço. Este lhe ajudou com a mala maior e ela ficou com a de mão. Chegando de volta na portaria Esme estava ao lado de um rapaz muito grande e bonito, com os cabelos escuros e imensos olhos azuis. Ele pegou sua mala e Esme apresentou-os.
- Bella este é Emmett, namorado de Rose. E Emmett esta é Isabella, a assistente mais responsável que eu tenho na galeria e amiga de Rose também.
- Fala aê Isa. Já ouvi minha Rose falar de você. E já conseguiu amolecer o coração da minha sogrinha aqui é? Eu tive que correr várias vezes da sua casa a base de vassouradas – ele disse rindo, pelo jeito era muito engraçado.
- Sério? Esme não me parece do tipo que pega numa vassoura para bater em alguém.
- Você diz isso por que só a conhece na galeria. Mas chegue perto das crias dela para você ver. Ela vira uma fera.
- Emm, deixa de graça, eu não sou isso tudo. Você que é muito abusado, já queria dormir em casa na primeira noite. – ele riu ainda mais da sogra.
Chegaram com tempo de sobra no aeroporto, Bella fez o check-in, e aguardou seu vôo ser chamado. Ela riu muito com as piadas de Emmett, e de como ele conseguia deixar sua chefe sem graça. Ficou sabendo que ele era piloto de avião, assim como o filho de Esme. Ela nunca soube desse detalhe.
Quando chegou a hora do embarque, Esme abraçou-a apertado e lhe desejou uma ótima viagem, Emmett também lhe deu um abraço apertado que quase a deixou sem ar. Ele sabia o que fazia, porque ria como uma criança em dia de natal. Bella mandou um abraço para Rose, e Emmett disse que se encarregaria de transmiti-lo.
Despediram-se e ela seguiu para o portão de embarque. Ficou imaginando se em algum momento seu misterioso Anthony pensara nela durante aquele período de tempo. Ela não parava de pensar em como ele seria.
Sua poltrona era na primeira classe, e isso lhe deu total privacidade, e liberdade para ficar confortável.
Tirou de dentro da carteira duas fotos, uma dela sozinha com Rose e outras das três juntas na mesma foto. Ela fez a montagem parecer perfeita. Sentiu saudades de suas amigas, Alice e Rose. Uma doce, meiga, gentil e sonhadora. A outra atenta, espontânea e determinada. A partir daquele momento, mesmo sem ela saber, sua vida estava traçada.
Ansiedade era a palavra certa para o que Edward estava sentindo naquele momento. Seu plano para se encontrar com Marie estava mais complicado do que tudo, o vôo dela, mesmo que atrase, chegaria uma hora depois da sua partida. Isso o deixou tão frustrado que ele ligou para seu camarada, e cunhado Emmett.
- Manda Edward. – que jeito mais louco de atender um celular ele pensou, mas tudo em Emmett era fora do padrão mesmo.
- Oi, eu só queria saber onde você está? Estou preso no aeroporto de Veneza, o meu avião deu pau, e tivemos que trocar.
- Aff velho, que foda isso. Uma pena que vá se atrasar. Hoje tenho um comunicado importante a fazer para sua família. Vou pedir Rose em casamento. – ouviu risos do outro lado da linha, e por isso não sabia se ele estava brincando ou realmente falando sério.
- O QUE? Como assim, e você só me diz isso agora seu porra? Não te dei permissão para fazer isso...
- Espera aí mano, tem alguém que quer falar com você – ele aguardou, e ficou surpreso quando a voz da sua mãe se fez ouvir do outro lado da linha.
- Filho, que modos são esses? Não foi essa a educação que seu pai e eu lhe demos. E para de se estressar antes de uma decolagem, você sabe como eu me preocupo com você e o seu amigo aqui. – ele sabia mais do que ninguém como ela era preocupada com todos a sua volta – e a propósito, Emmett está brincando, ele não seria louco de fazer isso assim, sem você estar presente. E se ele fizesse isso eu mesmo o caparia. – após isso houve risos de ambas as partes. Dona Esme não era de falar palavrões, quanto mais ameaçar alguém.
- Tudo bem mãe. Mas agora me explique por qual motivo está andando em má companhia logo cedo.
- Oh meu querido, é que Emmett está me prestando um favor. Viemos trazer uma funcionária minha ao aeroporto. Você não a conhece.
- Mas para onde sua funcionária foi? Eu ainda não entendi.
- Ela foi fazer uma transação de peças históricas meu filho. Mas isso não vem ao caso, quero saber de você, tem se alimentado direito? – e começou o questionário que toda mãe já nascia sabendo. Depois de um tempo ao telefone ele teve que desligar, pois seu avião ficaria pronto em pouco tempo. Se ele já estava irritado antes, agora então estava o dobro. Era bem provável que seus planos não dessem certo, pelo menos não hoje.
Depois de se acomodar ela colocou seus fones de ouvido e ficou ouvindo uma música. Era uma melodia perfeita para seu momento nostálgico. Ela ficou observando um casal de velinhos sentados à sua frente. Dava a impressão de que a senhora. tinha medo de voar, pois seu companheiro ficava sussurrando alguma coisa em seu ouvido e ela sorria docemente para ele. Olhando para os dois ela sentiu-se deslocada. Também queria aquela felicidade, aquele amor que os dois transmitiam um para o outro apenas com o olhar. Será que seu amor estava perdido em algum lugar aguardando por ela? Seria tão fácil amar alguém assim.
- Seu vôo está quase pronto piloto – seu superior lhe informou – estamos esperando somente a chegada de alguns outros aviões, e você poderá partir. Caso queira tomar alguma coisa na cafeteria fique a vontade. Assim que tiver tudo certo mando te chamar pelo auto falante.
- Obrigado. Vou tomar um café. – saindo da sala ele ficou a observar as pessoas andando de um lado para o outro. Como as pessoas nunca têm tempo pra nada. Foi para a lanchonete e pediu um café expresso. O vôo de Marie estava no horário, mas mesmo assim, ela não chegaria ao aeroporto antes dele decolar. E para dar mais certeza aos seus pensamentos anunciaram seu nome. Ele pagou o café e saiu. Sua jornada de volta para casa iria começar novamente. E quem sabe no avião ele esquecesse as frustrações de sua vida.
