2º Capítulo – Eu voltei!
- Eu não sou boba, Sara! Você está sendo muito específica. O que está havendo?
Sem ter muito por onde escapar resolveu contar, "meia-verdade". Falou que tinha tido um sonho, com todos os CSI's e terminou dizendo que tinha ficado pensando neles. Deu uma risadinha para ressaltar, que não tinha importância.
- Tolices... Acho que ainda, não desliguei de vocês!
Catherine pareceu aceitar a história, que ela contou. Não a pressionou mais com aquilo. Mas pressionou-a com outra coisa.
- Sara?
- Sim...
- Quando você vai voltar? Ele sente muito sua falta.
- Ligo sempre pra ele. Gil sabe, tudo que se passa comigo...
- Isso não é suficiente, você sabe.
Sara sentiu seu coração doer. Foi como se a outra a tivesse apunhalado. Ainda ficou mais um pouco ao telefone. Fez algumas perguntas sobre a Lindsey, Ronnie e outras coisas. Prometeu telefonar outras vezes. Desligou o celular e, dirigiu-se a sua sala. O horário do almoço tinha acabado.
Sara voltou ao trabalho, mas não conseguia se concentrar. Umas covinhas, uns cachinhos e um par de olhos azuis, maravilhosos, não a estavam fazendo ter atenção, ao que estava datilografando. Ao sair do trabalho, voltou pra casa, tomou outro banho, colocou uma calça comprida e uma camiseta (roupa que ela achava, que combinava mais com ela), e foi jantar num restaurante, a poucas quadras do apartamento.
Voltou pro apartamento às 20:40 h, e se meteu na cama, lendo um livro. Acabou adormecendo sem perceber. Era pouco antes das três, quando ela acordou assustada, gritando e suada. Tivera o mesmo pesadelo novamente. Nem ao menos, tentou dormir de novo.
Levantou-se e foi até a cozinha preparar um chá "Quem sabe assim me acalmo e melhora a cabeça", pensava, enquanto a água fervia. Desta vez, o pesadelo tivera um componente diferente: a dor de cabeça. Pensou em Grissom e sorriu à lembrança. Logo em seguida, franziu o cenho, "o que Catherine queria dizer com aquele,'ele não está bem'?". Conversara com ele, na semana passada, e não achara, nada estranho.
Lembrava-se muito bem do pesadelo: estavam perseguindo um suspeito. De repente, sabe-se lá porque, o carro da frente para, e dele sai um sujeito, que corre desesperadamente. É noite fechada, pouco se enxerga. Ela apenas reparou na placa, minutos antes, que anunciava, que estavam em Red Rocks. É um cânion, que fica a 17 km de Vegas. Durante o dia, pode ser uma atração turística, muito bonita. Mas à noite, é um lugar perigoso e assustador. Na SUV, só ela e Grissom. Cautelosa, com aquela escuridão toda, ela achava melhor, pedir reforço. Grissom não concordava.
- É muito perigoso, Gil! O sujeito pode estar armado. É melhor pedirmos ajuda!
- Qual! Ela demoraria a chegar. Já estamos aqui mesmo! – Respondeu Grissom teimosamente.
Avançaram um pouco, até que ela, indo na frente, com sua lanterna, estanca.
- Não dá pra seguirmos mais, Gil! PRECIPÍCIO.
Grissom vinha logo atrás dela, com sua lanterna. Nem teve tempo de dizer alguma coisa: o suspeito apareceu do nada, empunhando um pedaço de pau, que bateu em Grissom, com toda a força.
Ela ainda, conseguiu gritar GIL!, Mas não adiantou, com o impacto inesperado, Grissom caíra, precipício abaixo. Ela gritava NÃO! Chamava GRISSOM! e, acordava, nesse ponto.
Lembrando agora, voltou a sentir-se mal. O coração voltou a disparar e o pijama estava outra vez, alagado de suor. Falara com Catherine, mas isso não a tranqüilizava. O que ela via em sonho, podia nem ter acontecido, talvez, não acontecesse nunca.
Ela não sabia, coisa alguma, mas sabia que não deixaria de se preocupar se não fosse verificar. Afinal, ela havia saído de Vegas, para resolver problemas, não para criar problemas!
Foi resoluta até o telefone, e comprou uma passagem de avião, para 6ª feira, após o expediente. Quando a moça da agência aérea perguntou o destino, Sara nem pestanejou e respondeu com voz firme Las Vegas! Estava decidida.
Ao fazer o trajeto oposto, lembrou-se como não conseguia parar de chorar, aquela noite, também revia Grissom espantado e atrapalhado, com o beijo-surpresa, que ela lhe sapecou, no laboratório. Sorriu. Grissom, tão discreto, levou um enorme susto, com o que ele devia ter interpretado, na hora, como uma "extravagância" dela. O restante era uma lembrança meio borrada, da qual ela não recordava de forma, muito nítida.
