Ponto de Vista 2 – Ruki .: Dia 1 - Parte 1 :.



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E aqui começa o ponto de vista do Ruki!! xD~
Algumas coisas vão estar diferentes porque essas são as interpretações e sentimentos dele!
Espero que gostem!! ^__^~

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Eu estava fazendo zapping nos canais da TV durante a tarde, depois do almoço, esperando a porcaria do encanador chegar. A pia do meu banheiro tudo bem, uso o outro; a da área de serviço também, posso não usá-la... Mas a da cozinha?? O cano daquilo lá era justo o que não podia furar. Os pratos sujos do almoço ainda estavam lá e não podia lavá-los sem ter que lavar a cozinha junto! Merda.

Assim que finalmente a campainha tocou, desliguei a TV e fui atender. Sabia que seria o carinha lá, mas olhei pelo olho mágico mesmo assim; já é automático. Mas quando vi o que tinha lá fora me esperando... Meu Deus.

Era um rapaz loiro e alto, e estava com a cabeça levemente virada para a esquerda, provavelmente lendo a plaquinha que tenho por ali. Usava uma faixa estampada cobrindo o nariz. Meu primeiro pensamento foi que se tratava de um ladrão e arregalei os olhos. Mas que tipo de ladrão viria sozinho e tocaria a campainha? Notei que usava um macacão típico de trabalhador e desci o olhar até bolsa estilo carteiro, onde vi escrito o nome da empresa. Bom, menos mal.

Ajeitei minha camisa um tanto amarrotada por estar jogado no sofá, pigarreei por ter ficado muito tempo calado e posicionei minha mão na maçaneta. Lembrei que sim, eu tinha fechado os registros da casa. Finalmente a girei e pude ver a cara do sujeito de frente.

- Boa tarde – disse. – Senhor Matsumoto?

- Sim, eu mesmo. – respondi, seco.

Abaixei um pouco minha cabeça o olhando torto. Que tipo de empresa manda um funcionário com uma faixa idiota no nariz?? O olhei de cima a baixo, demonstrando claramente minha desconfiança.

- Sou o encanador da empresa que o senhor ligou hoje de manhã. – disse, piscando algumas vezes.

E me olhou de cima a baixo também, porém um pouco mais... Enfaticamente. Pareceu reter um pouco mais o olhar em meu pescoço, analisando-o.

- Ah sim, sim, pode entrar. – falei, resolvendo parecer polido.

Saí da frente da entrada andando para trás e para o lado; eu estava parecendo um guarda inglês parado ali. Ele era mesmo da empresa, não tinha mais o que temer. Só aquele olhar diferente... Apontei com a mão para dentro de casa, convidando-o a entrar.

- Qual o seu nome? – perguntei, sem hesitação alguma. Um funcionário aparecendo desse jeito e ainda esquecendo de se apresentar? Que tipo de empresa foi essa que contratei, Jesus??

- Ah, desculpe senhor, meu nome é Suzuki. – ouvi-o responder enquanto entrava e o olhei atentamente. Ele estava baixando levemente o tronco e levando os dedos à testa, tentando se desculpar. Só que informalmente. – Por favor não se incomode com esta faixa que estou usando. – continuou – Sofri um grande corte no nariz ontem e achei que usar uma faixa fosse menos assustador que um curativo gigante... – riu enquanto explicava. Tinha um sorriso bonito.

- Ah sim, sim... – respondi.

Então era isso... E então também queria dizer que se tratava de um funcionário novo e inexperiente, hum? Fiquei aliviado. Pelo menos não tentaria roubar alguma coisa ou trabalhar horrivelmente, como fizeram alguns outros. Ah, péssimas lembranças.

- Realmente é melhor. – falei. – Mas também talvez fosse melhor avisar sobre isso assim que se apresentar pro próximo cliente... – brinquei, aproveitando para ajudá-lo e tentar aliviar um pouco a tensão que eu sentia vir dele. Apesar dessa tensão parecer um pouco... diferente.

- Ah, sim... Obrigado pela sugestão! – respondeu, rindo bastante.

Era um moço simpático, afinal de contas. Corou quando agradeceu, e o riso dele me pareceu... sei lá. Parecia aliviado com alguma coisa.

Muita gente pode discordar de mim, mas eu realmente prefiro encanadores inexperientes. Eletricista não, realmente o cara tem que saber das coisas. Mas pra ser encanador só precisa conhecer as ferramentas e saber como usá-las. Bom, pelo menos é o que eu acho. Ah, e ter força física. Mas esse último ele parecia ter, e de sobra... Enfim, o fato é que, não tendo experiência com clientes, não são metidos a sabe-tudo. E eu posso explicar tudo o que está acontecendo direitinho, sem interrupções arrogantes ou algo do gênero.

E pois é, eu preciso desses serviços o tempo todo... Meu cachorro, Koron, é um tanto doido, sabe? Acha que os ossinhos que dou de presente pra ele servem pra mijar em cima e que os canos da casa servem pra morder. Já passei pimenta, tabasco, tudo! Mas ele continua indo morder e roer, dá raiva. Parece até que gosta da pimenta. Aí eu tenho que ficar pondo dentro de casa esses encanadores ridículos.

Queria um que pudesse vir sempre, tipo o "oficial", mas nunca encontrei um que prestasse o suficiente pra isso. Mas esse Suzuki... Parecia ser um bom homem. Esperava me dar bem com ele.

Expliquei então pra ele dos três vazamentos nos canos da minha casa que teria que consertar. Ficou prestando bastante atenção em mim, o rapaz. Não tirava os olhos do meu rosto. Fiquei até encabulado.

Pensei em mandá-lo consertar meu banheiro primeiro, para não deixar por último e ele ter que passar todo suado e fedorento pelo meu quarto limpinho. Mas o da cozinha era mais importante e urgente, então decidi levá-lo logo para lá.

Ele me seguiu de perto. Não precisava, minha casa não era tão grande assim. Ele pareceria estar com medo de se perder, se não estivesse me olhando daquele jeito tão... Diferente. Malicioso, eu diria.

Chegamos lá e abri a porta do armário embaixo da pia, apontando para o cano. Entrei ali para mostrá-lo exatamente da onde vinha o vazamento. Eu gosto de fazer isso; já tive um doido aqui que disse saber tudo e para eu não me preocupar, mas na hora pôs a solda num lugar completamente aleatório. E o vazamento continuou, logicamente.

Ouvi Suzuki rir um pouco e agachar-se na minha frente. Estava com um sorriso nos lábios... diferente. Pude sentir aquela malícia novamente. Nossa, esse cara gostava de provocar, heim? O que ele estava pensando?? Preferi pensar que fosse um sorriso pervertido mesmo do que achar que ele também fosse um daqueles que se acham e ficam irritados quando quero mostrar tudo direitinho.

Ele pôs a bolsa no chão e retirou de lá uma malinha. Tadinho, tão acabadinha a malinha... Mas quando a abriu, vi que estava completa. E em bom estado, as ferramentas! Bom saber que ele cuida bem dos seus pertences.

Estava sorrindo quando pediu para que eu abrisse a torneira da pia. Aquele sorriso travesso. Levantei-me e abri, e o resto de água que ainda tinha no cano desceu.

- Está bom, pode fechar, Matsumoto-san. – pediu, e já estava posicionado, pronto para trabalhar, embaixo da pia.

- Ah, pode me chamar de... – deixei escapar. Merda! Porque eu sempre faço isso?? – Ruki... – já que tinha começado, terminei logo.

Que mania essa que eu tenho de preferir que me chamem pelo apelido!! Falei tão automaticamente, para alguém que eu não conhecia! Note bem, eu não mal o conhecia, eu não o conhecia. Mas dane-se. Se falei assim, foi porque meu inconsciente achou que ele fosse confiável. Mesmo com aqueles sorrisos pervertidos. Então não me arrependi, e sorri.

O vi me olhar com surpresa. Sorriu novamente, um sorriso bem largo, e pareceu ter gostado muito dessa demonstração de intimidade repentina. Bom, tomara que não tenha pensado que sou oferecido ou algo do tipo. Mas também, se pensou, foi culpa minha ne, porque senti meu rosto corar naquela hora.

- E você pode me chamar de Reita. – disse. E voltou a atenção ao cano.

Ai... Aquele sorriso que vi no rosto dele enquanto voltava pra lá me preocupou. Sorriso de prazer por ter pensado em algo muito bom. Senti um calafrio na barriga.

Ora, ele me disse o apelido dele também? Ou me achou ultra oferecido ou ultra simpático, e quis retribuir a simpatia. Bom, qualquer que seja o caso, acabou demonstrando ele mesmo ser bastante simpático.

Reita, hm? Legal, gostei. Até combina com o meu, olha só. E parecia saber trabalhar bem...

Resolvi observá-lo. Sempre faço isso, na verdade, pra fiscalizar qualquer merda que esse povo insiste em fazer. Mas... Reita pelo menos era uma visão muito mais bonita do que aqueles outros retardados que resolvem dar as caras horríveis por aqui...

Fui até a despensa e peguei meu querido banquinho de madeira. Para alguém com uma estatura igual a minha, esse utensílio era mais que útil, era necessário. Como queria ver todos os detalhes do trabalho, e por que não, do trabalhador também, o pus bem no meio da cozinha. De frente pra ele.

Sentei e fiquei lá, olhando. Ainda apertei um pouquinho os olhos para ver bem nitidamente. E não posso negar, era uma boa visão.

Ainda mais com ele me jogando olhares tão insinuantes... O que queria? Eu tava com alguma coisa na cara pra ele olhar daquele jeito?? Ou eu tava fazendo alguma coisa? Baixei o olhar pras minhas mãos e nem tinha percebido que uma apertava a outra.

Quando olhei pra ele de novo, tomei um susto: ele estava escorregando pra fora do armário. Me retesei, imaginando o que iria falar. E se o cano não desse pra ser consertado? E se a solda não fosse agüentar?? Teria que trocar todo o encanamento??? Ai, não...

Mas ele se sentou e ficou me fitando com a boca aberta... ofegante. Devo dizer, aquela cena me fez prender a respiração. E que raios de olhar era aquele que fez meu coração bater rápido??

- Será que o senhor teria como me arranjar um copo d'água, por favor?

Ah... Precisava fazer esse teatro todo só pra pedir um copo de água??

- Ah, claro, certamente! – respondi.

E me levantei rapidamente, para virar logo. Não estava mais conseguindo conter o riso. Peguei um copo no armário e vi aqueles olhos me fitando profundamente. Será que me achou tão interessante assim? Senti meu pescoço e minhas orelhas ficarem bem quentes.

Abri logo a geladeira e me permiti sorrir. Não era todo dia que tinha alguém me olhando assim. Tudo bem, um completo desconhecido, e ainda por cima homem! Mas fazia tanto tempo que não me sentia desejado por ninguém... Ah, o que a carência não faz...

Peguei a garrafa e enchi o copo. Quando virei os olhos pra cima, vi meu reflexo numa panela e só aí percebi que estava mordendo os lábios. Caramba, como assim? Coloquei a garrafa de volta no lugar, mas antes de fechar a geladeira, tinha que ajeitar a cara, ne? Já que não dá pra controlar o coração nem os pensamentos. Puxei meus lábios, que insistiam em ficar esticados, para dentro da boca e os apertei, com força, para depois jogá-los pra fora, em um biquinho. Só assim pra fazê-los voltar ao normal. Ou pelo menos tentar.

Fechei a porta da geladeira e meus olhos procuraram automaticamente seu rosto. Já deveria esperar... Mas não consegui conter minha surpresa ao ver aqueles dois pontos castanhos me analisando tão profundamente, e engoli em seco. Bom, porque meu sorriso sumiu. As pupilas dele estavam dilatadas. Podia até ver as cenas que ele deveria estar imaginando...

Cheguei perto em passos hesitantes, e ele com o braço esticado, esperando. Me olhando. O tempo todo. Parecia hipnotizado, e me hipnotizando. O que ele queria? Me seduzir?? Só fechou os olhos quando levantou o copo para beber a água.

E cara... Que sede... Ainda bem que o copo era grande, senão ele poria tudo pra dentro de uma vez só. Bebeu com tanta vontade que começou a babar. Mas nem ligou, continuou bebendo, e mais devagar até. Só pra me atormentar.

Segui aquelas gotas, que acabaram por se tornar fios, com os olhos. Eles escorreram pelos cantos da boca, passaram pelo queixo e foram descendo pelo pescoço, se misturando com algumas gotinhas do suor que já aparecia, desenhando todos os músculos daquela parte. Desceram mais, e os vi se juntarem nas clavículas, formando um fio só. Foi descendo mais e mais, até desaparecer dentro de sua camisa. Continuei descendo meu olhar, seguindo pelo corpo dele como se ainda estivesse vendo aquele fio... Mas quando cheguei numa determinada parte, tive que levantar os olhos de novo. Ali não, por favor.

Sorte que ele ainda estava acabando de beber. Se tivesse me visto olhando prali, provavelmente eu me esconderia na despensa, de vergonha. Logo afastou o copo da boca, erguendo-o na minha direção para devolvê-lo enquanto limpava o queixo molhado com as costas das mãos.

- Muito obrigado!! – agradeceu.

Estava muito feliz, como se tivesse feito a coisa mais prazerosa do mundo. Bom, com o calor que ele devia estar sentindo, até entendo. Estiquei meu braço e fechei a mão sobre o copo enquanto olhava pra cara dele. Talvez esperando mais um daqueles olhares.

Eu não estava afobado nem nada, talvez só tenha esticado o braço demais, mas quando encostei no copo, senti meus dedos bem em cima dos dele. Virei meus olhos prali, mas ele não moveu os dedos do lugar e nem fez menção disso. Eram quentes...

Escorreguei os meus para entre os dele e puxei o copo, enquanto voltava meu olhar pra cara dele. E estava me fitando daquele jeito pervertido, de novo. Tive até que fazer uma certa força para puxar o copo, parecia não querer largar. E pra não deixá-lo cair, trêmulo como já estava me deixando.

- Disponha... – respondi, lembrando que deveria ser educado, pelo menos.

Dei um passo para o lado, movendo meu braço a fim de alcançar a pia. Não lembrava de estar tão longe assim dela, então tive que dar mais um passo e esticar mais essa porcaria de braço curto pra conseguir pôr o copo na bancada.

Ouvi-o tossir enquanto andava devagar de volta ao meu banquinho, sentando-me em seguida. Ele estava procurando uma ferramenta na maleta; pegou-a e deitou-se embaixo da pia novamente. Pareceu hesitar antes de deitar, como se afastando pensamentos da cabeça para trabalhar. Não sem antes, obviamente, lançar mais um daqueles olhares pra mim.

Mas que raios de idéias será que ele estava tendo? Pra ficar me olhando, me examinando daquele jeito? Estava querendo saber que tipos de reações eu teria? Pra ele saber o que faria depois... O que será que ele queria fazer depois??

Levantei de novo e peguei um copo d'água pra mim, tentando afastar esses pensamentos nada castos da cabeça. Será que Reita estava tendo pensamentos nada castos?

Coloquei o copo na boca, e deixei a água geladinha encostada no meu lábio para aliviar o calor. Eu não precisava daquela pressa que ele teve, então bebia gole a gole, aproveitando.

Claro que continuei a observá-lo trabalhando, sentado. Estava indo muito bem, parecia saber exatamente o que fazia. Ao contrário de vários que tive aqui, que ficavam tentando coisas aleatórias antes de finalmente adivinhar o problema (que não quis que eu dissesse) e o que fazer para consertar.

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Bom gente, resolvi dividir em duas partes porque eu tenho medo de capítulos com mais de 5.000 palavras... _
O 2o dia também será dividido, ou seja.... a fic vai ser mais comprida que pensei! o.o'''

Quem mandou o Ruki pensar tanto, hmmmmm??? xDDD~
Espero que tenham gostado!! ^_____^~