Capítulo 1

Primeiras Lembranças (Parte I)

"Eu nunca tive muito a ver com ela,
o livro que ela ama eu não li,
Eu nunca tive muito a ver com ela,
o filme que ela adora eu não vi.
Como chegar nela , eu nem sei,
ela tão interessante, e eu aqui, pichando um muro.
Logo eu que sempre achei legal ser tão errado,
Eu que nem sempre calmo, mas nunca preocupado."

Vícios e Virtudes- Charlie Brown

Dor. Muita dor. Podia sentir seu corpo ser cortado, enquanto alguém ria dele, ali indefeso no chão. Ele tentava se mover, mas pareia amarrado. A dor era forte demais, e ele abria a bova tentando gritar. Mas, nenhum som vinha. Sua cabeça parecia partir ao meio, enquanto imagens passavam diante de seus olhos, ofuscadas pela dor. Todas, menos uma. Alguém de cabelos vermelhos lhe sorria.

Draco acordou assustado, suando frio. Olhou em volta aliviado. Estava em um quarto de hotel em Roma, o sol entrava pela fresta da janela. Olhou para a cama e viu uma cabeça ruiva, descançando tranqüila em seu peito, um braço branco e delicado o abraçando. Gina. Ele sorriu com a lembrança dos momento que passaram juntos, e beijando-a no topo da cabeça, a afastou delicadamente. Ela resmungou algo, sorrindo, e se encolheu debaixo dos lençóis.

Vestindo sua roupa, Draco sentiu sua mão tremer. Apertou o pulso tentando se controlar. Fazia muito tempo que não sonhava com as torturas que sofrera nas mãos dos Comensias da Morte, após a morte de Dumbledore. Eles o condenaram por não ter agido, por ter sido muito fraco e não ter seguido as ordens do Lord das Trevas. Sabia que só não fora morto porque se provara inteligente o suficiente, para continuar no trabalho, e talvez Snape e sua mãe tivessem ajudado também, não sabia ao certo.

Eram lembranças terríveis, que ele queria esquecer, mas não podia. Eram o que o fazia lembrar como os Comensais da Morte eram traidores e cruéis, e, olhou para Gina, no quanto ela era maravilhosa. Também sabia que ela deveria ser a causa de seus pesadelos. Pela primeira vez em anos desobedecia uma ordem direta, e as lembranças do que poderia acontecer se descobrissem, voltaram. E Gina era a causa. Ela sempre era a causa de tudo.

XXX

Gina Weasley se espreguiçou na enorme cama do hotel, e sorriu preguiçosa. Apertou os lábios, ainda sentindo o gosto dele na boca, o corpo nu sob os lençóis, ainda sentindo o toque dele. E mesmo assim, tudo parecia tão irreal. E para ter certeza estendeu a mão, procurando-o a seu lado, mas a cama estava vazia.

Com um pulo abriu os olhos, e se levantou. Sorriu aliviada, ele estava sentado aos pés da cama encarando pensativo, o vazio diante dele. Gina engatinhou na cama até ele, abraçando-o por trás, o beijando na bochecha.

-Bom dia.- disse feliz, sem conseguir parar de sorrir.

Ele se virou, colocando um uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Gina sabia que ele estava feliz também, mesmo que sorrisse só um pouco. Havia um brilho diferente nos olhos dele, que ela conhecia muito bem, do tempo em que eles estavam juntos anos atrás.

-Bom dia, Gina. Pedi café da manhã, acabou de chegar.

-Então por que não me acordou?

-Você estava dormindo muito tranqüila. - ele deu de ombros.

Eles vestiram confortáveis roupões do hotel, abriram as grandes janelas do quarto e sentaram na mesa da grande varanda, para tomar café. Dali podiam ver o sol e o céu azul, mas não podiam ser vistos, encobertos pelas plantas e o muro alto. Na bandeja havia cereal, frutas, e pão com manteiga, assim como chá e café para Draco, que não gostava de chá.

-Nem acredito que estamos aqui!- ela não conseguiu se conter, olhando-o por cima da borda da xícara.

-Acho que ninguém acreditaria, se fossemos loucos de contar.- ele respondeu, olhando-a.

-Você sabe que isso tudo está errado, não é?

-E desde quando foi certo?- ele perguntou, rindo.

-Mas, éramos crianças. Agora é para valer. A guerra é para valer.

-Sempre foi para valer, para mim.

-Muito fofo de sua parte dizer isso.- ela sorriu, pegando a uva.- Mas, sabe que se não fosse meu pequeno empurrão, no final do seu quarto ano, nunca haveria um nós!

-Você nos salvou. Ou nos ferrou, depende do ponto de vista.

-Era tudo que eu queria ouvir.- ela riu.- Isso não te dá medo? O pensamento que não deveríamos estar aqui?

-Acho que estamos bem onde deveríamos estar.

-Faz tanto tempo.- ela murmurou.

-Eu nunca te esqueci, Gina.- ele falou sério, de repente era importante para ele falar aquilo.

-Eu sei, eu também não te esqueci. Porque nós temos juntos algo que ninguém nunca poderá mudar.

-O quê?

-O nosso passado. O que quer que tenhamos perdido, nós possuimos juntos o precioso e imutável passado.

Ele tentou sorrir de volta para ela, mas desviou os olhos, encarando as próprias mãos.

-Acho... acho que você não vai mais gostar de mim. - ele murmurou.- Tanta coisa aconteceu desde a última vez que nos vimos. Nós mudamos muito, querendo ou não.

-Eu não vejo nenhuma mudança.- ela respondeu.

-É porque você é diferente dos outros, para mim. Quando estou com você, sou uma pessoa completamente diferente.

-Então, Draco.- ela respondeu séria, forçando-o a olha-la.- Não me importa que tipo de pessoa você é com os outros. O que importa é como você é comigo, e é esse Draco que eu conheço e... ainda amo.

-Um dia, de alguma maneira, vou corrigir tudo isso.- ele prometeu.

-Para que, se tudo que é mais difícil é melhor?- ela brincou.- Por que você acha que eu escolhi me apaixonar por você?

-Eu não sei, acho que você vai ter que me responder.

-Você mudou, não fez um comentário egocêntrico. Fez terapia nesses anos, para diminuir o ego?

-Talvez.- ele sorriu, dequela forma que ela adorava, quando estava sendo ironico.- Eu não tinha mais nada para fazer, sabe?

-Engraçadinho!- ela jogou uma uva nele.

-Quanto tempo você pode passar aqui?

-Apenas sete dias, depois disso eles virão me procurar.- ela respondeu triste.- E você?

Ele a olhou, com um aperto no coração. Uma semana? Ele não dispunha de dias! Ia dizer isso a ela, quando a viu olhando-o com espectativa. Não podia fazer isso com ela. Diabos, que fosse o que tivesse que ser!

-Sete dias também.-respondeu, seu estômago se contorcendo.

-E o que faremos depois? Nunca mais iremos nos ver ou o quê?

-Eu não sei, mas acho que é a única coisa a fazer. Eu não posso passar para o seu lado, e nem você para o meu.

-Eu sei. Mas, não vamos mais pensar sobre isso. - ela falou, tentando soar animada.- Vamos aproveitar nossos dias juntos, já que é tudo que nos resta.

-Eu não estou acostumado a aceitar pouca coisa, mas...

-Draco!- ela riu, jogando outra uva nele, que a pegou com a boca.- Me lembre de nunca mais alimenta-lo assim. E aí, o que você estava pensando quando acordei?

-Nada demais.

-Ora, eu te conheço. O que era?

-Você sabe o que era, então não preciso contar.

-Vamos lá, não custa nada, e você sabe que eu sou tremendamente curiosa.

-Verdade, e muito intrometida.- ele riu, e ela fingiu ficar escandalizada.- A verdade é que estava pensando em você.

-Com aquela cara de desânimo?

-De quando nos conhecemos.

-Entendo a cara de desânimo. Eu também me lembro muito bem.

Agosto, 1992, Floreios e Borrões
-Aposto que você adorou isso, não foi Potter?- Draco perguntou. Não sabia o que os outros achavam de tão maravilhoso em Potter, só por causa de uma cicatriz idiota e sorte, ele era mimado e adorado por quase toda a comunidade mágica. E como ele se achava melhor por causa disso. Chegando até a despresar a amizade que Draco lhe oferecera, e escolhendo o Weasley pobre e a Granger Sangue-Ruim.- O famoso Harry Potter! Não consegue nem ir a uma livraria sem parar na primeira página do jornal.

-Deixe ele em paz. Ele nem queria isso.- uma vozinha furiosa chamou sua atenção.

Draco então notou a ruivinha pela primeira vez, ao lado do caldeirão atulhado, e ela o olhava com profundo desagrado. Sentiu-se sorrir, deveria ter adivinhado. Afinal, todos adoravam Potter.

-Potter, você arranjou uma namorada!- disse, observando a ruiva ficar em uma cor profundamente vermelha.

Roma, atualmente
-Palmas para o momento mais constrangedor de minha vida.- Gina exclamou.

-Pense pelo lado bom.

-Teve um lado bom?

-Desde o primeiro momento eu te achei namorável.

Gina apenas revirou os olhos.

XXX

Eles desceram do táxi trouxa em rua rua lateral, e andaram por meio dos prédios tão altos que formavam paredes, e tão próximos que em alguns lugares eram impossível carros passarem, característicos daquela região da Itália. Mas, foi apenas contornar os prédio, para, sem aviso, se encontrarm em um enorme pátio, onde no centro havia um obelisco egípcio e em frente uma grande construção. Era enorme, e lotado de turistas. Gina encarava tudo de boca aberta, Draco quase indiferente.

-Você não acha incrível o que os trouxas conseguem fazer sem varinha?- ela perguntou, enquanto eles tentavam se aproximar.

-É bem grandinho.

-Você já veio aqui antes?

-Morei alguns meses em Roma.

-Sério? Você nunca me disse isso.

-Você nunca perguntou. Foi depois de nos separarmos. Treinei um pouco aqui, fiz pequenas missões...

-Oh, não me fale dessas coisas.- ela o interrompeu.- Não quero saber de nada que você fez como Comensal da Morte, e em troca eu não te conto o que eu fiz também.

-Acho que será mais seguro, caso queiram nos interrogar depois que a missão acabar. Apesar de que, se eles realmente quiserem nos interrogar, já temos memórias incriminadoras o suficiente.

-Tinha me esquecido como você pode ser animador.

-Sou realista é diferente. E você sabia que esse lugar não foi feito só por trouxas? Agrippa também ajudou a construi-lo.

-Aquele bruxo das figurinhas de sapo-de-chocolate? Uau, você conhece história, Draco.

-Quem sabe?Talvez uma coisa ou outra.- ele respondeu evasivo.

Vários turistas apontavam coisas que só eles sabiam o que poderia ser, e tiravam fotos enlouquecidos. Draco soltou muxoxos de despreso, e Gina sem ligar resolveu ir na frente, encantada. Havia sido difícil convence-lo a passear por Roma junto com ela, mas com jeitinho o tirara do hotel depois do almoço, e o arrastara até ali. Enquanto estudava o obelisco no centro do pátio, também observava Draco, espantando algumas pombas. Segurou a risada, outra lembrança vindo a sua cabeça.

Setembro 1992, Trem de Hogwarts
Gina estava na cabine, com outras meninas, Hermione em um canto lia um livro. As outras cochichavam alegremente, e ela Gina, tímida, escrevia em seu diário, conversando animadamente com Tom. Foi quando ouviu a porta da cabine se abrir, e as meninas pararem de falar. Ergueu a cabeça imediatamente, esperando talvez serem Harry e Rony, a procura de Hermione.

Mas, era só o garoto loiro da Floreios e Borrões, Malfoy. Já ouvira muitas histórias sobre esse nome, para não se sentir um pouco nervosa.

-Vejam só.- ele exclamou, vendo Hermione, que o estava ignorando continuando sua leitura.- É a sangue ruim sabe-tudo. O que faz aqui sozinha, cadê o resto do trio-maravilha?

Gina a viu corar, por cima da borda do livro, mas Hermione continuou ignorando-o.

-Vá embora, Malfoy.- Gina falou, sem conseguir se segurar.

-Olhe, é a feiosa, namoradinha do Potter. Também está sozinha.- ele se fingiu de triste, mas seus olhos brilhavam maldosamente, rindo-se dela.

-Estava muito bem sozinha, sem você aqui, e pretendo continuar como estava.

-Brigou com o Potter, é?- Malfoy respondeu, sério e levemente corado, porque algumas garotas soltaram risadinhas ao ouvir o que Gina dissera. - Talvez ele não agüentou conviver com uma traidora de sangue como você. Ou talvez você só seja chata mesmo.

A cabine imediatamente ficou em silêncio, e Gina ficou calada sem saber o que fazer. Vendo o embaraço dela, Hermione ficou de pé furiosa, apontando a porta da cabine.

-Vá embora, Malfoy! Ou vou relata-lo a um professor!

-Que medo, Granger.- ele zombou.- Vou embora apenas porque aqui não tem ninguém que valha a pena.

E com isso virou, e saiu. Mas, Gina não se sentiu tranqüila, as palavras dele, ecoando em sua cabeça. Será que Harry a achava chata mesmo? É que sempre se sentia tão nervosa perto dele. Quando voltou a si, Hermione estava lendo novamente, e por se sentir tão triste, logo em seu primeiro dia a caminho de Hogwarts, voltou a conversar com Tom."

Roma, atualmente

-Quer entrar?- Draco chamou, despertando-a. Gina estremeceu, então sorriu.

-Tá meio quente aqui mesmo. Vamos.

-Sabe, nunca vi Roma tão bonita.- ele comentou, enquanto eles atravessavam o resto do pátio.

-É mesmo? Por que? É o verão ou sou eu?- ela perguntou sorridente, jogando levemente o cabelo ao vento.

-Acho que é o verão.- ele respondeu, olhando em volta. Ela lhe deu um tapinha, e ele sorriu.

Logo eles passaram pelas colunas de mármore na entrada, e entraram no Pantheon, e Gina ficou mais uma vez com a boca entreaberta. Era uma única sala circular, um círculo perfeito, todo feito de mármore e esculturas. O chão tinhas desenhos geométicos, as paredes tinham concavidades com estátuas e desenhos, os pilares eram esculpidos e um altar enorme, se misturavam com trechos mais antigos, totalmente de tijolos. Mas, o mais impressionante era o teto. Uma cúpula enorme, com um buraco no centro, que fornecia grande parte da iluminação do lugar.

-É lindo.- ela murmurou. Até Draco olhava em volta, curioso. Nesse momento um rapaz se aproximou dela.

-Turista?- perguntou em um inglês com forte sotaque.

-Sim. Você?

-Sou um guia, posso ajuda-la? Sabia que o grande Raphael está enterrado aqui?

-É mesmo?- Gina sorriu, nesse momento Draco se aproximou furioso.

-Olá, senhor. Sou um guia, e estava agora mesmo contando a sua esposa que Rapahel está enterrado aqui.

-É mesmo? Agora conte alguma coisa que a gente não saiba.

-Ah, mas tem várias coisas...

-Eu ficaria encantado,- Draco o interrompeu- em disperdiçar minha tarde ouvindo como esse lugar foi construído e reformado através dos séculos, mas felizmente tenho mais o que fazer. Tenha um bom dia.- e com isso arrastou Gina para longe.

-Draco, por que você fez isso?

-Esses caras são insuportáveis. Não param de falar, além do mais... ele estava dando em cima de você.

-Draco, que absurdo! Ele só estava fazendo o trabalho dele.

-Ah, é? Olhe para trás.

Gina olhou, o guia a estava encarando, mas disfarçou rapidamente.

-Sangue-sugas.- Draco murmurou, por entre dentes. E Gina riu.

-Ei, entendido de arte, por que tem esse buraco no teto? É só para deixar a luz entrar?

- Agora deve ser, antes era para a fumaça dos sacrifíos escapar. Não sei porque não fecharam quando transformaram o lugar em Igreja, deve molhar tudo quando chove. Hoje é chamado de buraco dos demônios.

-Por que?

-É uma história que ninguém sabe ao certo, dizem que foi por onde demônios escaparam, numa das reconstruções do lugar. Aqui, podemos parar, ele não pode mais te ver.

-Como você soube que ele estava dando em cima de mim?

-Digamos que ele não estava olhando para seu rosto.

Constrangida, Gina tentou subir o decote, que nem era grande.

-Por que eles tem que tirar tantas fotos?- Draco murmurou, observando um grupo de turistas particularmente animados, então sorriu.- Isso me lembra de nós também.

-Como?- ela perguntou curiosa.

Setembro 1992, Jardins de Hogwarts.
-O Colin tem razão.- uma vozinha fininha interrompeu Draco, que parou no meio do caminho, se virando para encarar a garotinha Weasley. Ela o encarava desafiante, mas ele podia ver que ela também tremia.- Você só tem inveja do Harry.

-Por que? Por ter a cabeça rachada? Ou por tirar fotos com o estúpido do Lockhard, e depois assina-la para um idiota do primeiro ano? Ou então,- seus olhos se estreitaram de malicia - de namorar você? Eu nunca teria inveja dele por nada, principalmente por namorar uma ruiva sardenta e feiosa, com vestes de segunda mão, e de uma família de traidores de sangue.

-Ele não é meu namorado.- foi tudo o que ela conseguiu murmurar, a garganta apertada.

-Inacreditavelmente o Potter acabou de subir no meu conceito.- ele sorriu, olhando-a de alto a baixo.- Patética. Que espécie de família puro sangue teria um carro trouxa?

-Uma família respeitável.

-Espero que seja respeitável o suficiente para ter alguma influência no Ministério da Magia, já que não tem dinheiro. "Seu pai está enfrentando um inquérito no trabalho." Foi o que sua mãe disse hoje de manhã, naquele berrador. Quem sabe o que terão que fazer para sobreviver? Adeus, sardenta.- sorriu ao ver lágrimas nos olhos dela, e dando as costas, foi embora com Crabbe e Goyle que riam estupidamente."

Roma, atualmente
-Não temos as melhores lembranças um do outro, não é mesmo?- Gina perguntou.- Pena, porque é tudo que temos. Tenho outra também, nada feliz. Foi logo depois que meus lapsos de memória começaram.

Setembro 1992, Hogwarts
Gina conversava com Tom, escrevendo no diário no pátio da escola.

"Não entendo. Hoje eu, de repente, acordei em frente a casa do Hagrid, do outro lado do jardim. E ainda não sei como fui parar lá. Ainda mais coberta de penas de galo." a letra caprichada dele correu rapidamente no pergaminho, "Vai ver você estava distraída. Muito trabalho numa escola nova, isso pode acontecer. Já ouvi outros casos assim." ela se apressou a reponder "Você deve estar certo, Tom. Mas, foi muito estranho."

-Você soube sobre o seu irmão? -a voz arrastada de Malfoy chegou aos ouvidos de Gina, e ela fechou rapidamente o diário, guardando-o na mochila o mais rápido possível. O loiro continuou, sem reparar.- Eu estava mostrando as novas vassouras que meu pai deu ao time da Sonserina, Nimbus 2001, duvido que conheça...

Ela conhecia. Gina teve que segurar a boca, para não abri-la. Nimbus 2001 eram último lançamento! As melhores vassouras para quadribol, atualmente. Ela daria tudo para dar uma olhada em uma! E Malfoy comprar sete! Sete daquelas vassouras! Era muito dinheiro! Mas, Gina continuou impassível, ouvindo a história dele, sem ter para onde fugir. Crabbe e Goyle formavam uma muralha humana, a impedindo.

-Em todo o caso. Seu irmão acabou tentando me azarar, acertando ele mesmo, e saiu vomitando lesmas pelo jardim inteiro. Isso é um comportamento normal Weasley, ou ele é especialmente idiota?

-Vai ver ele vomitou por ter visto sua cara, Malfoy.

-Está brava hoje. - ele repondeu, perdendo um pouco a pose.- Cuidado, você pode acabar como ele.

-Talvez, se você não sair da minha frente.

-Não fui eu quem o enfeitiçou, foi ele mesmo com aquela varinha emendada. A culpa não é minha se sua fmaília não tem dois galeões, para esfregar um no outro, e não pode comprar uma varinha nova. Eu teria vergonha de ser tão pobre.

-Vá embora.- Gina disse, quando mais pessoas se viraram para olhar a discussão. Mas, Malfoy não se mexeu. Humilhada, ela forçou seu caminho por entre Crabbe e Goyle. A verdade é que se sentia muito sozinha em seu primeiro ano. Apenas uma menina da Corvinal fazia companhia a ela, Luna Lovegood, mas ela era tão estranha, que era difícil conversarem muito. Por isso, só tinha Tom. Ele era o único que realmente se importava com ela. Nem mesmo Harry falava com ela, isso por que haviam morado quase dois meses na mesma casa."

Roma, atualmente
Draco e Gina, depois de passar algumas horas no Pantheon, se cansaram e saíram para caminhar, sem muita direção. Roma era enorme, e muito antiga. Para onde olhavam haviam casas antigas, museus, e muitas, muitas Igrejas. Era tudo muito conservado, e bonito. Mas, mal prestavam atenção, aproveitando a presença um do outro. Estava tão quente, que Draco parou e comprou dois sorvetes.

-Esse aí é bom mesmo?- Gina olhou com dúvida, para o sorvete de pistache dele.

-Quer um pouco? - ele perguntou, pegando um pouco em sua colher, e dando a ela.

-Gostoso. Quer experimentar o meu de amora?- ela perguntou, lhe estendendo a casquinha.

Na hora que ele se abaixou para abocanhar um pouco, ela enfiou o sorvete na cara dele, que ficou todo melado em volta da boca.

-Bom, muito bom.- ele respondeu, tentando ficar sério. Ela riu, puxando-o com a mão livre, e beijando-o, limpando o rosto dele. Ele não resistiu, rindo e esfregou o rosto no rosto dela, que soltou gritinhos.- Agora que estamos bem cobertos de sorvete de amora e baba, que tal sentar um pouco?- ele perguntou.

-Eles se sentaram em uma grande praça, com uma bela fonte, que jorava água em todas as direções.

-E aí, que mais que você se lembra de mim, no meu primeiro ano?- ela perguntou curiosa, pegando mais do sorvete dele.

-Sei lá, não muito. Nós não nos dávamos muito bem, se lembra?

-Não se lembra de mais nada, nem de outra discussão?

-Não, me lembro que tinha a impressão de que você ia soltar fumaça pelas orelhas toda vez que brigávamos.- então ele começou a rir.

-Que foi?

-Teve uma vez que você realmente soltou fumaça pelos ouvidos, mas não foi por minha culpa.

-Ah, não. Eu me lembro disso. Foi culpa do Percy, por que eu tinha que dar ouvidos a ele?

Outubro 1992, Hogwarts
Gina passa pelo corredor, suas orelhas soltavam fumaça, por causa do remédio contra gripe que Madame Pomfrey lhe dera. Como se não bastasse apenas os lapsos de memória, Harry a vira naquela situação miserável. Quisera por tantos anos ir para Hogwarts, e agora tudo o que mais queria era voltar para casa e sentir sua mãe a abraçando, dizendo que daria tudo certo.

-Olhem é uma salamandra de fogo! Oh, não. É só a cabeça da Weasley em chamas!

A voz de Malfoy soou, junto com as risadas de várias pessoas. Gina se viu sozinha, em meio as risadas, totalmente desprotegida. Se já estava com vontade de chorar, agora só queria se esconder de vergonha. Com lágrimas nos olhos, saiu correndo humilhada, sob o coro de "Cabeça de fogo! Cabeça de Fogo!"

Roma, atualmente.

-Me desculpe.- ele pediu.

-Tudo bem, era uma época diferente, a gente ainda não se conhecia direito.

-Sempre achei seu cabelo ruivo lindo.

-Que bom.- ela sorriu- Porque eu não tenho vontade nenhuma de muda-lo.

-Está escurecendo. Está com fome?

-Um pouco.- ela admitiu.

-Porque eu conheço uma cantina muito boa, perto de um lugar que eu gostaria de te levar.

N/A- Eu sei que parece meio parado, mas vai melhorar logo! Eu adoro essa fic e espero que gostem também. Vai demorar um pouco os próximos capítulos, porque estou estudando muito (infelizmente) e quase não entro na internet. Bem, quero agradecer Tre Star, e me desculpar pel demora. Por favor, comentem!!!!! Mary Campbol