Só Quero Dizer Que Te Amo
Cap. 2
Já ia tarde da noite quando Kagome despertou de seu sono; seu corpo estava dolorido, seu estômago roncava e fazia frio naquela noite.
Entrando em casa, recebeu um bombardeio de perguntas da sua mãe, de seu avô e até de Souta, seu irmão mais novo, o por quê daquela visível depressão, desde que deixou de voltar para a outra era, era em que vivia Inuyasha.
— Kagome, onde estava? — seu avô perguntou.
— Kagome, por quê você não namora logo o InuYasha? — sua mãe lhe perguntou na "lata", fazendo ela corar.
— Kagome, você está apaixonada pelo menino-cachorro?
Ela simplesmente suspirou, indo em direção ao banheiro sem responder nenhum deles, achando que talvez um belo banhoquente pudesse ao menos lhe tirar aquela sensação de vazio e perda.
Dentro da banheira, ela tentava relaxar, sonhando que a qualquer momento ele estaria espiando pela fresta da janela, a admirando pelo seu atraente e belo corpo.
Mas ele não estava ali, não estava em sua era, mas cravado literalmente em seu coração.
Depois do banho, foi direto pra cama, apesar de não ter o compromisso de acordar cedo, pois era sábado o dia seguinte e não iria para a escola.
Logo adormeceu; e adivinhem com quem ela sonhou?
Ao mesmo tempo, Inuyasha levantou da árvore em que estava sentado e saiu vagando pela floresta, onde a lua, totalmente cheia, clareava a mata, fazendo um lindo reflexo no rio que corria calmamente.
Parou na cachoeira onde Kagome costumava banhar-se e sentou, segurando o Kotodama, sendo invadido por uma imensa saudade e a mesma sensação de vazio e perda que Kagome estava sentindo.
— InuYasha. — a voz de Miroku tinha lhe tirado do transe.
— O que quer Miroku?
— Sei o está sentindo, mas não adianta ficar assim. — Miroku estava realmente com pena de Inuyasha, pois mesmo ele sendo um tipo difícil de lidar, era um amigo para todas as horas.
— Como quer que eu fique, se ela já não está... — e não conseguiu terminar a frase, pois sua voz ficou presa na garganta e as lágrimas teimavam em rolar de seus olhos.
— Sei que você é orgulhoso, mas agindo assim só vai fazer você sofrer mais ainda, e pior, te afastar mais da Kagome. — Miroku colocou sua mão no ombro do amigo, como se aquele gesto pudesse passar um pouco de otimismo aele.
— Obrigado Miroku, mas tenho a nítida impressão que perdi ela para sempre — levantou e saiu andando em direção a floresta.
— Aonde você vai, Inuyasha? — perguntou Miroku.
— Seguir meu caminho, meu destino, se é que eu ainda tenha um. — a tristeza e o abatimento eram visíveis naquele meio youkai, que outrora era o verdadeiro símbolo de força, garra e coragem.
— Vai se entregar, Inuyasha? — Miroku não acreditava que ele tinha se entregado.
— Adeus Miroku, e despeça-se dos outros por mim. — e saltou entre as árvores deixando Miroku sozinho, perplexo por aquela decisão de Inuyasha.
Miroku correu para a aldeia para dar a notícia para os outros. Entrou tão afobado na casa de Kaede, onde dormiam além dela, Sango e Shippou.
— ACORDEM TODOS!O Inuyasha foi embora. — tropeçou e caiu em cima de Sango, com a cara no meio das pernas dela.
— Seu monge pervertido, tarado, ordinário! — na mesma hora tacou seu bumerangue, que ficava sempre ao seu lado, na cabeça dele.
— Aaaaiiiii, tem um monstro aqui! — era Shippou que acordara no susto, não conseguindo entender o que estava acontecendo.
— Mais o que está acontecendo? — era Kaede, a mais calma, depois daquela cena.
— Aaaiiii, minha cabeça. — ele estava levantando, coçando o enorme galo que tinha ficado. — vocês estão loucos?
— Você é que entrou aqui feito um louco gritando. — dizia Sango, se enrolando numa manta, com medo dos olhares tarados de Miroku. — e ainda tentou abusar de mim.
— Não é nada disso; eu só vim... — não teve tempo de continuar, pois Shippou, meio que dormindo, acertou sua cabeça com o próprio cajado de Miroku.
— Matei o monstro — Shippou comemorava, só depois se dando conta que o monstro era Miroku. — haaaaa, matei o Miroku!
— Ele não morreu, só está dormindo — constatou Kaede, arrastando o monge para a cama que lhe era reservada.
— O que será que ele queria? — Sango estava curiosa.
— Amanhã nós saberemos. — Kaede sentou na sua cama, e antes de dormir perguntou a Sango. — onde será que o Inuyasha se meteu?
— Não sei, mas ele tá meio estranho. — Sango olhava em direção a porta. — de manhã ele estará aqui perturbando. Boa noite!
O sol entrava pela casa, acordando as mulheres; só Miroku continuava dormindo.
Kaede tinha ido falar com os habitantes da vila; Sango estava preparando a refeição da manhã, com Shippou pertubando seu juízo.
— Shippou, por que você não vai acordar o Miroku? — perguntava Sango, louca pra se livrar daquele enjoado filhote de raposa.
— Tá bom, deixa comigo. — e foi correndo atender a ordem de Sango.
Entrou na casa correndo e foi logo cutucando Miroku.
— Miroku, acorde — falou Shippou, cutucando Miroku.
— Sango, me dê um filho... — Miroku sonhava.
— Miroku, acorde — Shippou cutucava o ouvido de Miroku com um pedaço de bambu.
— Kagome, case comigo... — ele delirava.
Depois de tanto insistir, Shippou pegou um balde d'água e virou em cima do monge, quase afogando o coitado; e saiu correndo, pois temia que a reação dele não fosse das mais positivas.
Miroku chegou no lugar onde Sango, Shippou e Kaede estavam fazendo a refeição matinal, enxugando a cabeça, que tinha dois enormes galos, resultado da noite anterior.
— Bom dia, se é que se pode dizer isso, depois do que fizeram comigo essa noite. — resmungou o monge.
— Você é que foi o culpado por ter entrado tarde da noite gritando que nem um maluco. — Kaede o censurou pelo papelão.
— E queria "tarar" a Sango! — gritou Shippo.
— Não foi nada disso. — disse Miroku aborrecido.
— Diga-me, o que você queria falar de tão importante? — Sango perguntou curiosa.
— O Inuyasha foi embora.
— O quê? — perguntaram todos ao mesmo tempo.
— Ele se despediu de mim essa noite. — Miroku fechou sua expressão. — ele falou que iria seguir seu caminho.
— Mas e a Kagome? ele vai desistir dela? — perguntou Sango.
— Ele se resignou a achar que já a perdeu.
— Coitado do Inuyasha. — choramingou Shippou.
— Espero que ele esteja bem. — comentou Kaede.
E o dia na vila começou mais triste, quando todos souberam da partida de Inuyasha.
Na era atual...
— Kagome, acorde. — sua mãe estava com seu café da manhã numa bandeja.
— Deixe-me, mamãe. — falou Kagome, com uma voz de quem esteve chorando a noite toda.
— Sei o que você está sentindo. — a voz de sua mãe era suave. — sei que você o ama.
— Como sabe mamãe? — Kagome olhou pra sua mãe, que reparou nos olhos inchados pelas lágrimas dela.
— Você é minha filha e nós duas somos mulheres, então é natural que eu saiba o que você está sentindo.
— O que eu faço mamãe, não quero perdê-lo — falou para sua mãe, num tom que quase era uma súplica, um pedido de ajuda.
— Posso ser sincera com você? — a voz da sua mãe tomou um tom mais firme.
— Por favor, mamãe!
— Vá atrás dele, diga que o ama; e o principal... — o tom de voz da sua mãe ficou mais firme.
— O quê mamãe? — Kagome estava ansiosa.
— Engula o seu orgulho, pois amar é acima de tudo, abdicar. — e sorriu de um jeito que conseguiu iluminar a alma de Kagome, que há algum tempo era só escuridão, como uma tempestade de tristeza.
— Obrigada mamãe, obrigada por tudo! — Kagome abraçou sua mãe, chorando, mas de felicidade.
— Só mais uma coisa...— sua mãe falou.
— Sim, diga.
— Vá agora pra outra era e declare todo seu amor para o Inuyasha. — e abriu um sorriso de felicidade para Kagome.
— Obrigada mamãe. — e abraçou a sua mãe, sentindo que a felicidade voltara a pulsar em seucorpo e em sua vida.
Kagome tomou apressadamente seu café, arrumou sua tradicional mochila e foi correndo para o poço sagrado, irradiando uma alegria que podia contagiar até as almas mais tristes que existiam na Terra.
Chegando a era em que seus amigos e seu amado viviam, foi logo correndo para a vila, na esperança de encontrar ele, que se tornou a própria razão da vida dela.
A primeira pessoa que encontrou foi Miroku e foi logo perguntando por Inuyasha.
— Olá Miroku, como estão todos? E o Inuyasha? — perguntou ela com toda alegria.
— Kagome, vamos até a casa da velha Kaede. — Miroku respondeu, meio sem jeito.
Chegando na casa de Kaede, lá estavam reunidos ela , Shippou e Sango.
Kagome sentiu um clima pesado, como se seus estivessem sem jeito para falar com ela.
Até Shippou, que era totalmente agarrado com ela, estava triste, quieto num canto.
Kaede parecia querer sempre desviar o olhar dela e Miroku, depois de acompanh�-la até a casa, tinha sumido no meio da vila.
Não agüentando mais aquele clima, decidiu perguntar primeiro o que estava acontecendo, deixando para depois perguntar pelo Inuyasha, que ela tinha reparado que não estava por ali.
— Gente, parece que vocês não ficaram felizes ao me verem.
— Todos estamos felizes sim, mas tem uma coisa... — falou Sango, com uma expressão de tristeza no rosto.
— E, cadê o Inuyasha? — antes que Sango falasse, perguntou pelo seu amado.
— Não vou enrolar, Kagome... — a expressão de Sango ficou séria. — o Inuyasha foi embora, pra não voltar; nem hoje, nem amanhã, nem nunca mais.
Kagome sentiu como se o chão se abrisse sob seus pés e o céu desabasse, sentindo toda aquela vida, aquela alegria que a tinha invadido de manhã depois das palavras de sua mãe, esvaindo-se de seu corpo, tornando-a como uma morta viva, como a Kikyou...
FIM DO CAP. 2
