COMANDANTE POTTER
SINOPSE: Apenas um mês. Era o tempo que faltava para que Lily Evans se tornasse finalmente uma Auror... contudo, como se o único propósito de sua vida fosse tornar a dela mais difícil, Comandante Potter, o auror consagrado do esquadrão Ordem da Fênix, invade seus dias com seu mau humor extremo e seu tédio infinito. E, é claro, aquilo só podia significar uma coisa: até o final daquele mês um dos dois acabaria morto.
[SHORTFIC - JILY]
DISCLAIMER: Personagens principais pertencentes a J.K. Rowling. | Realidade Alternativa, ou seja, embora eles continuem sendo bruxos e vivendo no mesmo universo no qual foram criados, alguns fatos cânones foram modificados ao meu bel prazer. | Contém cenas de sexo explícito, ou seja: não gosta, não leia. | Shortfic de 3 capítulos, todos eles prontinhos para serem postados. | Comentários serão sempre muito bem vindos.
NOTAS: Olaaaaaaaaar, amores! Tudo bem?
Eu jurei que esperaria uma semana antes de postar o segundo capítulo da fanfic... mas eu não seria a Miller caso não postasse antes, não é mesmo?
Aaah, eu estou MUITO feliz com o feedback que recebi logo no primeiro capítulo! Passei praticamente dois dias inteiros sem conseguir parar de escrever essa fanfic, porque simplesmente não conseguia pensar em outra coisa, portanto receber todos esses comentários incríveis... ah, é o melhor presente *-*
Obrigada pelo carinho e apoio de sempre, gente! Vocês são incríveis!
Espero que gostem do segundo capítulo!
II - MISSÃO: GINGER.
[DOMINGO – CASA DOS POTTER]
Quando acordou, a primeira coisa que sentiu foi uma dor excruciante no estômago. Ele rugia contra seu abdome, revoltado com a falta de alimentação. Ao abrir os olhos precisou estreitá-los por conta da claridade que fazia com que até aquele movimento mínimo fosse doloroso. Sentindo cada músculo em seu corpo reclamar, Lily se ergueu da cama, afastando-se enquanto um suspiro penoso escapava de seus lábios.
Somente depois de ter se espreguiçado – do modo como sempre fazia ao levantar – é que sua mente reagiu, fazendo com que ela percebesse que não fazia ideia de onde estava.
Com o cenho franzido, voltou-se lentamente, certa de que jamais havia colocado os pés num lugar tão requintado antes. As paredes de mogno lustrosas contendo alguns quadros de paisagens maravilhosas, a cama alta e com dossel por onde cortinas de seda vermelha escorriam, decoradas, o tapete onde ela estava pisando, o qual parecia muito mais confortável que a cama em seu apartamento... não, ela definitivamente não havia estado em um lugar tão elegante antes.
E nem tão desconhecido.
— Mas o que... — Começou a resmungar consigo mesma, contudo o som de alguém abrindo a porta fez com que ela se voltasse rápido demais naquela direção, entontecendo.
— Bom dia, querida. — Uma senhora bonita com longos cabelos negros adentrou no quarto, segurando uma bandeja cheias de coisas que fizeram o estômago de Lily rugir ainda mais revoltado.
— Hm... bom dia? — Lily retribuiu o cumprimento, levemente desconfiada, embora não o suficiente para parar de desejar fervorosamente pular na direção da mulher e roubar a bandeja de suas mãos. Afastou os pensamentos, conhecendo-se bem demais para saber que, quando o assunto era comida, ela não tinha muito controle sobre suas ações. — Me desculpe, mas... quem é você? — Indagou, encarando-a com confusão estampada em seu rosto. — Onde eu estou?
A mulher sorriu antes de soltar a bandeja sobre a mesinha ao lado da cama, caminhando até estar em frente a Lily logo em seguida.
— Meu nome é Euphemia. Euphemia Potter. Sou mãe do James. — E então franziu o cenho, preocupada. — Ele a trouxe para cá durante a madrugada, disse que você precisava ficar em um lugar seguro.
— Oh... — Lily não soube o que dizer, sentindo-se zonza, tanto pela informação de que James Potter a havia levado para sua casa quanto pela falta de alimentação. — Isso é... esquisito.
— Você está pálida, querida. Venha. — E então empurrou Lily cuidadosamente de volta para a cama, pegando a xícara que havia na bandeja e entregando-a para a garota. — Tome, isso vai te ajudar.
Sem contestar, Lily bebeu e suspirou aliviada ao sentir o líquido quente descer por sua traqueia, parecendo esquentá-la por dentro. Somente quando a xícara estava totalmente vazia do que deveria ser o melhor chá que já havia tomado, é que voltou a prestar atenção na mulher.
— Eu... Potter é o seu filho? — Foi a primeira coisa que perguntou, sem conseguir pensar em mais nada, finalmente analisando a senhora. Não havia dúvidas quanto a quem Potter havia puxado. Os olhos castanhos da mãe, os traços fortes no rosto e até mesmo a cor dos cabelos eram os mesmos. Exceto que Euphemia parecia muito mais simpática do que James Potter jamais havia sido. Pelo menos não nos últimos anos. — Vocês se parecem bastante.
Ela sorriu.
— Todos dizem isso. — Seu sorriso, contudo, esmoreceu em seus lábios quando esta se aproximou, analisando Lily com um olhar estranhamente maternal. — Querida, o que houve com você? James não me deu muitos detalhes, apenas me disse que você esteve doente e que precisava ficar quieta até melhorar. Ele estava apressado, tinha uma missão ou algo assim...
Lily gemeu.
— A missão de Domingo? Droga! — Resmungou, levemente irritada. Havia esquecido completamente de perguntar a Potter o que deveria fazer enquanto ele estivesse fora. — Ele não disse para onde iria?
— Não, querida. — Euphemia parecia compreensiva. — James não costuma falar sobre o seu trabalho quando está em casa. — E ela parecia levemente contrariada com aquele fato, mas não comentou mais nada. — Está com fome? Eu trouxe bolinhos. — E pegou a bandeja, esticando-a para Lily.
— Obrigada. — Lily disse e, sem hesitar, pegou um dos bolinhos, mordendo-o com mais vontade do que a necessária. — Meu Merlin, esse é o melhor bolo que eu já comi em toda minha vida. — Falou, fechando os olhos para apreciar a explosão de gostosura que o doce trouxera para sua boca.
— Fico feliz que tenha gostado. Fiquei com medo que não comesse doces. — Euphemia comentou, levemente divertida com o comportamento da garota.
Lily abriu os olhos, sentindo-se corar ao perceber que havia falado de boca cheia.
— Não comer doces? Sério? Existe alguém que não goste? — Ela bufou, após mastigar. — Se existe, essa pessoa certamente não sabe apreciar as coisas boas da vida. — Sorriu para a mulher, que parecia lisonjeada com os elogios. — Não sei como Potter consegue ser magro quando tem esses bolinhos em casa.
— Bem, ele não passa tanto tempo em casa para poder apreciá-los. A verdade é que com essas missões, quase não o vejo. Para você ter uma ideia: fazia quase três semanas que ele não aparecia aqui quando ele te trouxe. — O olhar no rosto dela era triste. — Suponho que eu deveria estar acostumada, mas... — Deu de ombros.
— Minha mãe costuma dizer o mesmo quando eu vou visitar. — Lily sorriu, nostálgica ao pensar na casa de sua família.
— Oh, sua mãe também sofre por você ter escolhido essa profissão?
— Ah, na verdade ela não tem muita ideia do que é um auror. Eu sou nascida trouxa. — Lily sentiu as bochechas corarem e se amaldiçoou por aquilo. Não, ela não precisava ficar com medo das reações das pessoas cada vez que falava sobre sua descendência.
Euphemia pareceu surpresa, mas sorriu quase imediatamente.
— Sério? Oh, querida, você é muito corajosa. Com essa guerra explodindo à nossa volta e tanta gente se escondendo... precisa ter muita audácia para querer lutar. Principalmente vocês, nascidos trouxas. — Estendeu a mão e tocou no rosto de Lily, maternal. O coração de Lily arrefeceu com o carinho, fazendo-a sentir-se saudosa ao lembrar de sua mãe fazendo o mesmo.
— Temos que fazer o que temos de fazer, não é? — Lily murmurou, corada.
— Suponho que sim, querida. — Euphemia concordou e então, afastando as mãos de Lily, se ergueu. — Como James não me trouxe nada, tampouco me informou onde buscar, separei algumas peças de roupas para você. São minhas e talvez fiquem um pouco largas, mas acredito que serão boas o suficiente até você conseguir voltar para casa... James disse que era para você esperar até ele voltar antes de ir embora. — Sorriu. — James também pediu que eu ficasse de olho para que você não fizesse nada imprudente. — Rolou os olhos. — Como se ele não vivesse fazendo coisas imprudentes o tempo inteiro. — Sua expressão era um misto de repreensão e divertimento ao falar do filho. — Bem, Lily, o banheiro fica logo ali — indicou uma porta perto do grande armário que ficava em frente à cama. — Se precisar de alguma coisa é só me chamar. Estarei no jardim.
— Obrigada, Sra. Potter. Você é muito gentil. — Lily disse, sinceramente agradecida.
Fazia muito tempo desde que não era tratada tão bem por alguém. Supôs que a convivência com James Potter fez com que ela sentisse falta de pessoas com boas maneiras.
Suspirando, encaminhou-se para o banheiro, surpreendendo-se com o requinte do local. Tinha certeza de que se vendesse apenas a banheira daquele lugar, teria mais dinheiro do que se juntasse o salário de um ano inteiro.
Depois do que pareceu ser um longo tempo – ela demorou-se propositalmente no banho, usando mais sais e sabonetes do que sua pele merecia – Lily se enrolou na toalha, caminhando até o lugar onde Euphemia havia deixado suas roupas.
Sorriu com o gesto, imaginando como era possível que alguém tão doce quanto àquela mulher pudesse ter um filho tão estúpido. Bem, ninguém era perfeito.
Estava secando os cabelos quando ouviu alguém chamar.
— Evans? — A voz conhecida parecia provir de algum lugar da cama.
Assustada, Lily pegou a varinha da mesa de cabeceira, aproximando-se das cobertas bagunçadas, atenta.
— Evans? — A voz voltou a chamá-la.
Com um feitiço de levitação, Lily afastou os travesseiros, surpreendendo-se ao deparar-se com um embrulho retangular abaixo do lugar onde ela estivera deitada. O som saía dali. Aproximando-se, reconheceu as letras redondas e elegantes de Potter sobre o papel: "Me chame assim que acordar", dizia.
Rasgando o embrulho, Lily encontrou o que deveria ser um espelho. Deveria. Já havia ouvido falar daqueles objetos; eram como walkie-talkies trouxas, só que mágicos. Nunca pensou que viveria para colocar as mãos em um. Ao virá-lo para si, onde seu reflexo deveria estar, o rosto sujo e ensanguentado de James Potter a encarava.
— Merlin, Potter! O que aconteceu com você? — Ela indagou, assustada com seu estado.
— Evans! Pensei que não tivesse visto o meu recado. — Potter respondeu e então ajeitou os óculos que estavam totalmente tortos em seus olhos. — Você está bem?
— Você está bem? — Ela repetiu. — Isso é sangue? — Aproximou-se um pouco mais da imagem, analisando-o, preocupada. Onde diabos ele teria conseguido ficar daquele jeito? Merlin, ele precisava continuar vivo até o final de seu treinamento!
— Sim, é sangue, mas não é meu. — Ele disse e pareceu dar de ombros, mas Lily não tinha como saber. — As coisas agora estão mais calmas por aqui. — Passou uma mão pelos cabelos. — E você ainda não me respondeu, Evans.
— Eu estou bem, acordei não faz muito. Sua mãe é um amor. — Ela respondeu e então bufou. — Potter, como você conseguiu sair tão ranzinza sendo criado por alguém legal como ela?
Potter não respondeu, apenas estreitou os olhos em seu habitual olhar de reprovação, fazendo com que ela bufasse.
— Ei, por que você me trouxe para a casa dos seus pais? — Lily quebrou o silêncio tenso que parecia persegui-los até em conversas por espelho. — Não seria melhor ter me deixado no hospital? Não quero dar trabalho para ninguém, Potter.
— Evans, você foi amaldiçoada. Até onde sabemos você pode ter sido marcada ou qualquer coisa assim. Não podemos te deixar em um lugar tão inseguro como o hospital...
— E então você teve a ideia genial de me trazer para a casa dos seus pais? Potter você pode tê-los colocado em risco! — Lily ofegou, horrorizada com a possibilidade, mas Potter simplesmente rolou os olhos.
— Evans, você não acha mesmo que eu deixo meus pais desprotegidos, acha? — Sua voz era cheia de ironia. — Só o fato de serem meus pais faz com que eles sejam alvos em potencial. Você estar aí não faz diferença alguma.
— Que reconfortante, Potter. — Lily disse e então suspirou, sabendo que estava sendo idiota. — Quando você volta? O que eu vou fazer até lá?
O sorriso que brotou nos lábios dele era maquiavélico. E Lily não gostou nada daquilo.
— Separei alguns livros para você ler. Eles estão na minha sala. Faça pesquisas, Evans. Se divirta estudando. Quando eu voltar você vai poder retomar a ativa, mas, enquanto isso, vai ficar fora de qualquer perigo, me entendeu?
— Você não pode estar falando sério, Potter! — Lily ofegou, ofendida. — E se você demorar mais de uma semana para voltar? Todos os outros alunos vão estar treinando e eu vou ficar aqui, lendo? Isso é ridículo.
O sorriso no rosto dele aumentou.
— Não me desobedeça, Evans. Se eu ficar sabendo que você fez algo diferente do que eu mandei ou que se meteu em encrencas... bem, nem me espere voltar. Você pode pedir dispensa antes disso.
— Como você... — Ela estava prestes a perder sua paciência e fazer mais um de seus discursos revoltados para Potter quando ele a interrompeu.
— Evans, você está sem roupa? — Ele perguntou, pasmo. Seus olhos castanhos estavam arregalados enquanto a encaravam.
— Eu... Não! Eu estava no banho e... oh meu Merlin. — Lily sentiu o rosto inteiro corar ao perceber que estava apenas enrolada na toalha. — Tchau, Potter! — Resmungou para o espelho, mas depois lembrou que não sabia como é que desativava. — Merda. Como desliga isso?
Ela podia ouvir a risada dele do outro lado o que só fez com que aquela cena se transformasse uma das mais humilhantes de toda a sua vida. Era realmente irônico que James Potter, o cara que nunca ria, estivesse as gargalhadas por causa dela.
— Tchau, Evans. Não se meta em confusões. — Riu mais um pouco. — Se vista senão vai acabar pegando uma gripe. — E então o silêncio sobreveio.
Quando Lily voltou a virar o objeto em suas mãos, o espelho refletia apenas o seu rosto, extremamente corado de constrangimento.
— Filho da mãe. — Ela resmungou, irritada, antes de jogar o espelho sobre a cama e começar a se vestir.
[DOMINGO – EM ALGUM LUGAR DA ALBÂNIA]
— Do que está rindo, Prongs? — Sirius indagou, aproximando-se de onde ele se encontrava e sentando ao seu lado.
Estavam no meio de uma floresta na Albânia em uma missão extraoficial da Ordem da Fênix. A barraca que dividiam junto de Moody e Frank Longbottom parecia ter sido virada pelo avesso: os móveis estavam todos espalhados, virados e quebrados depois de serem descobertos pelas pessoas que deveriam investigar. Contudo, para James, apesar dos machucados, fora uma boa briga já que, naquele momento, os causadores de toda aquela baderna se encontravam desmaiados e amarrados no canto oposto de onde eles estavam.
— Nada. — James resmungou, sentindo o sorriso desvanecer em seu rosto enquanto guardava o espelho num dos bolsos internos de seu sobretudo.
Sirius, percebendo o movimento, arqueou uma sobrancelha. Um sorrisinho maroto brotou no canto de seus lábios.
— Nada? Tem certeza? Ou a causadora desse sorriso seria a mesma moça para quem você me obrigou a emprestar o meu queridíssimo espelho? — Sugeriu e sentiu-se satisfeito ao ver a coloração avermelhada subir pelo rosto de James.
— Cale a boca, Padfoot.
— Já percebeu que toda vez que eu falo sobre a Evans, você fica na defensiva? — Sirius prosseguiu, divertindo-se demais com o desconforto do amigo.
— Daqui a pouco você vai ter de ficar na defensiva porque eu vou te amaldiçoar se continuar com isso. — James resmungou antes de se levantar, encaminhando-se para onde Moody e Longbottom conversavam. — Nada?
— Nada. — Frank suspirou, cansado. Ele estava tão sujo e machucado quanto James, mas, assim como ele, também havia levado a melhor. — Eles ainda vão demorar algum tempinho para acordar. A poção que nós demos para eles era muito forte.
— Evans leva jeito para essas coisas. — Sirius, que havia seguido James até ali, comentou. — As poções dela parecem ter melhor efeito do que as dos outros. — Sorriu. — Acho que vou parabenizá-la quando a ver novamente.
James estreitou os olhos para o amigo, mas não ousou comentar a óbvia indireta.
— Evans é a sua aluna, não é, James? — Frank perguntou, interessado. — Alice era colega dela na Grifinória. Ela vive lá em casa, na verdade. As duas são melhores amigas até hoje. — Ele não pareceu perceber a expressão que tomou o rosto de James quando continuou: — Sabia que ela tem quase tantas detenções quanto você e o Sirius em Hogwarts? — Riu com o comentário.
— Sério? — Infelizmente aquela única palavra soou muito mais interessada do que James gostaria, o que fez o sorrisinho no rosto de Sirius aumentar. — Nunca imaginei que a Evans fosse rebelde. — James prosseguiu, ignorando deliberadamente o amigo. — Pelo jeito que ela é nerd imaginei que fosse a aluna modelo. — Mas ele sabia que estava mentindo, afinal dois dias atrás havia ouvido a própria garota dizer que fugia da escola para fazer sabe Merlin o que.
— Você pode dizer que ela era a aluno modelo, também. — Ele concordou. — Monitora, monitora-chefe e tudo o mais. Recebeu prêmios pelas melhores notas. — Frank sorriu para os dois. — Ah, em seu quinto ano ela virou capitã do time também. Grifinória teve a Taça em todos os anos com ela. Os olhos de Alice brilham toda vez que lembra disso, porque ela também era do time.
— Lily é como a sua versão feminina, James. — Sirius, que parecia estranhamente deliciado com as palavras de Frank, piscou para James.
— É... só que mais esperta. E desastrada. — Frank complementou.
James grunhiu em concordância com a última parte, lembrando-se de todas as vezes que precisara respaldar a garota por conta de sua falta de equilíbrio ou atenção.
— Evans é uma ótima auror e será uma ótima integrante da Ordem. Por um momento, fiquei assustado com a possiblidade do veneno acabar a matando. Graças a Merlin meus medos não se concretizaram. Não podemos nos dar ao luxo de perder mais ninguém. — Moody interrompeu-os, sério como sempre. — Agora, se vocês puderem parar de fofocar e quiserem me ajudar a colocar as coisas em ordem, eu agradeço. — E então deu as costas para eles, mancando em direção ao meio da barraca, sacudindo a varinha enquanto consertava os móveis destruídos.
Ao segui-lo, James tentou afastar os pensamentos de qualquer lugar perto de Lily Evans, mas, mais vezes do que era necessário, encontrava-se sorrindo com a lembrança da conversa que tivera mais cedo com ela e do modo como suas bochechas coraram rapidamente.
Então ela havia sido capitã do time da Grifinória? Engraçado, Evans nunca lhe pareceu uma jogadora. Meneando a cabeça, James perguntou-se em qual posição ela deveria jogar. Apanhadora, talvez? Ela era bastante ágil, pensou, lembrando-se do dia em que correra dos dementadores junto dele. E seu porte físico se encaixava perfeitamente na posição, contudo... ela também tinha força nos braços. O que podia fazer dela uma ótima batedora ou artilheira, assim como ele.
Estava tentando imaginá-la montando em uma vassoura quando outra imagem sobreveio sua mente.
Como não havia percebido? A garota ruiva do terceiro ano que participara dos testes para apanhadora e deixara todos embasbacados após pegar todas as bolas de golfe que Sirius rebatera com força! Ela fizera parte de seu time por todo o sétimo ano, por Merlin!
— Sirius! — Ignorando o fato de que deveria estar prestando mais atenção no que estava fazendo, já que havia objetos sendo reparados voando por todos os lados, James voltou-se para o amigo, os olhos arregalados. — A Evans era a apanhadora do nosso sétimo ano! A Ginger! — James não conseguia acreditar.
Lembrava do apelido, pois havia sido ele quem o dera após a garota ter praticamente dado ao Taça ao time da Grifinória, que precisava de 200 pontos de diferença para poder ganhar, afastando o apanhador adversário da direção onde o pomo estava. "Nossa Ginger" ele lembrava de berrar à plenos pulmões, erguendo-a em seus ombros, feliz demais com a vitória. A última vitória. A captura do pomo fora tão incrível que não havia ninguém na casa que não sorrisse para Ginger quando ela passava.
Sirius não parecia estar surpreso com a revelação.
— Você sabia? — James estava pasmo. — Por que não me disse?
— Pensei que você soubesse, James. Ela era praticamente a mascote do time. — Sirius bufou, não parecendo acreditar no comportamento do amigo. — Meu Merlin, Prongs, você se bloqueou tanto com as mulheres que isso afetou a sua memória. — Balançou a cabeça, dramático. — É, meu amigo, acho que está na hora de começar um tratamento.
— Cale a boca, Padfoot. — Resmungou, sentindo o rosto esquentar novamente. — Eu só... ela era uma criança! Quero dizer, ela nem se parece a mesma!
— Você também não parece o mesmo, parece? — Sirius bufou. — E ela não era exatamente uma criança, James. Ela tinha o quê? Catorze anos? — Suspirou, divertindo-se. — Pobre garota. Imagine a reação dela ao reencontrar você, o ex capitão do time dela, que a apelidou de Ginger, e receber todo o seu mal humor como resposta? — Sirius encarou-o, aumentando ainda mais o sorriso ao perceber a expressão chocada no rosto de James. — É, pelo visto você acabou com o herói da adolescência dela, Prongs.
James ainda estava pensando numa resposta para Sirius quando o primeiro dos visitantes acordou.
— Ei, vocês. Venham. — Moody chamou-os, sorrindo horrivelmente com sua boca rasgada. — Temos trabalho a fazer.
[SEGUNDA-FEIRA – DEPARTAMENTO DE AURORES]
— Hey, Lily! — Marlene correu até onde ela estava, abraçando-a rapidamente. — Fiquei sabendo sobre o seu envenenamento. O que aconteceu? Você está bem?
— Sim, estou... ah... bem, foi em uma missão. Não posso dar mais detalhes, você sabe como é, Marley... — Deu de ombros, culpada. A amiga, contudo, entendeu perfeitamente.
— Fico feliz em saber que você está bem! — Marlene sorriu para ela. — O que vai fazer hoje depois do trabalho? O Potter teve um imprevisto médico, não é? Diggory comentou que ele e o Black contraíram Caxumba Gnomiana e estão de laudo. — Suspirou, não dando tempo para que ela respondesse. — Vou indo, Lily, Vance me deixou sair em missão sozinha hoje! — Seu sorriso era resplandecente, mas ela baixou o tom de voz antes de continuar. — Parece que ela vai sair com a Jones. — E então voltou a falar normalmente. — Mande melhoras para o Potter!
— Tudo bem... — Lily disse, hesitante, antes de observá-la se afastar. Qualquer pensamento sobre uma missão entre Emmeline Vance e Gwenog Jones foi varrido de sua mente ao lembrar do que Marlene havia dito. — Caxumba Gnomiana? — Murmurou consigo mesma, confusa. — Mas o Potter não... — Mas calou-se, estreitando os olhos, desconfiada.
Caminhando a passos rápidos, Lily dobrou o corredor e subiu um lance de escadas até chegar na sala do Comandante J. Potter. Murmurou a senha que ele havia deixado para ela e esperou a porta abrir. Olhou para os dois lados antes de adentrar, sentindo o coração martelar contra o peito.
Como Potter havia dito, os livros que tinha separado estavam sobre sua mesa, mas Lily não lhes deu atenção. Não. Havia algo muito errado em toda aquela história, só precisava descobrir o que era exatamente.
Potter tinha uma missão no Domingo, ele mesmo havia dito para ela.
Seria coincidência demais ele adoecer justo naquela data. Isso para não falar que Sirius Black, seu melhor amigo, também havia sumido. Lily lembrava muito bem dos dois garotos na escola, espertos demais para que algo tão trivial como Caxumba Gnomiana os abatesse.
— O que você está vai fazer, Lily Evans? — Murmurou consigo mesma, sentindo as palmas das mãos começarem a suar de nervosismo antes de começar a fazer algo que era, sem sombra de dúvidas, muito errado.
Sem saber exatamente o que estava procurando, Lily começou a remexer nas gavetas e armários à sua volta. Um bisbilhoscópio pequeno e brilhante que havia sobre a mesa de Potter começou a fazer barulho. Com um breve aceno de varinha, Lily o desativou.
Sabia que o que estava fazendo era totalmente ilegal. E sabia, também, que Potter não lhe devia satisfações. Só que, depois de Lily quase morrer para salvá-lo das maldições daquela porcaria de Floresta e de ter encontrado a floresta para início de conversa, tinha pensado que o tratamento dele seria diferente.
Talvez estivesse se deixando levar por conta daqueles sonhos estúpidos em que ficava revivendo o beijo que ele havia dado nela, a sensação de seu corpo próximo... não que aquilo significasse alguma coisa, de fato. Talvez seus hormônios – saturados pela falta de uso – estivessem fazendo com que ela parasse de pensar direito.
Mas, apesar de saber que não deveria fazer o que estava fazendo, ela continuou.
Marlene McKinnon, que era uma boa aluna, porém não tanto quanto Lily, já estava saindo para fazer missões sozinha! Na segunda semana! Era injusto demais que ela, Lily Evans, depois de tudo, tivesse de ficar lendo.
Estava quase desistindo de achar algo suspeito – embora muitas coisas na sala dele fossem suspeitas – quando, após o que lhe pareceram milhares de tentativas, ela acertou a senha do fundo falso da última gaveta da escrivaninha.
— Grifinória, francamente. Que senha mais fraca para alguém tão inteligente, James Potter. — Resmungou, sorrindo de forma maldosa antes de meter a mão dentro do fundo.
Só para tirá-la rapidamente logo em seguida.
O que quer que tivesse dentro da gaveta fez com que bolhas começassem a brotar imediatamente nos dedos de Lily.
— Filho da... — Ela resmungou antes de murmurar outro feitiço e fazer com que as bolhas diminuíssem. Aproximando o olhar, Lily percebeu que havia tocado em pó de mico mágico. Fazia o mesmo que o pó de mico trouxa, só que em níveis mais elevados. Conjurando um frasco de vidro de tamanho médio, Lily murmurou "accio" para o pó e recolheu-o dentro do pote antes dele a alcançar. Com muito mais cuidado, voltou a colocar a mão dentro da gaveta, sorrindo ao encontrar dois rolos de pergaminho selados.
Com muito cuidado, Lily utilizou o feitiço "geminio", copiando os dois pergaminhos e colocando as imitações dentro da gaveta, virando o pó do vidro sobre eles antes de fechar o compartimento e trancar a gaveta.
Se Potter queria que ela pesquisasse, então era pesquisa que ela iria fazer.
Guardando os rolos de pergaminho dentro das vestes, ela pegou os grandes livros de cima da mesa dele e então saiu da sala, tentando conter o sorrisinho divertido que tentava escapar por seus lábios.
[SEGUNDA-FEIRA – CASA DOS POTTER]
Lily suspirou pelo que parecia ser a milésima vez na última hora.
O livro à sua frente continuava com a terceira página aberta, exatamente onde havia começado. Estava entediada. Não aguentava mais ler nenhuma daquelas enciclopédias gigantescas que o comandante Potter havia deixado como dever de casa. Não aguentava mais pesquisar sobre todos aqueles feitiços e maldições. Sequer aguentava continuar sentada.
Frustração era o nome do sentimento que a corroía. Isso para não falar que os pergaminhos que havia roubado com muito custo da sala dele estavam totalmente vazios. Nem todos os feitiços reveladores que ela conhecia – incluindo os que havia lido nos livros que Potter sugerira – fizeram mossa no pergaminho.
Por fim – depois de xingar bastante seu comandante – Lily desistira de tentar decifrá-los. Ou, bem, era do que tentava se convencer enquanto a sensação de fracasso revirava em seu interior.
— Está tudo bem aí, Lily? — Sr. Potter indagou assim que saiu para o jardim, deparando-se com ela sentada em um banco perto da grande piscina congelada. O sol, fraco, estava se pondo então.
— Hey, Sr. Potter.
— Já disse que pode me chamar de Fleamont, Lily.
— Fleamont. — Lily disse e sentiu-se corar. — Não é muito fácil chamar pelo nome o grande preparador de poções que eu sempre admirei. — Brincou com o senhor, descontraída, feliz por ter sua companhia ao invés de continuar sozinha com todos aqueles livros e pensamentos derrotados.
— É sempre bom saber que ainda existem jovens que gostam da prática das poções... as pessoas costumam acreditar que magia é só agitar a varinha e dizer uma porção de palavras complicadas. Mas o que nós, preparadores de poções, fazemos é muito mais impressionante, Lily. — Ele assentiu, sorridente. Lily retribuiu o sorriso.
Havia passado praticamente o Domingo inteiro conversando com ele sobre poções e ingredientes. Lily rezava internamente para que Euphemia não contasse para Potter o surto que ela tivera ao descobrir que o pai de seu comandante era o homem de quem ela comprava cada mísero encarte ou publicação – como se James Potter precisasse de mais algum motivo para ser arrogante.
Lily amava poções. Era sua matéria favorita depois de Feitiços. Adorava a sensação que transformar ingredientes singelos em potentes excipientes mágicos. E, também, era uma boa forma de uma pessoa hiperativa como ela se acalmar: cortar, contar, esperar, analisar, sentir. Ela podia fazer tudo aquilo enquanto estava perto de um caldeirão.
Fleamont parecera muitíssimo feliz com o interesse dela, o que fez com que Lily se perguntasse há quanto tempo o pobre homem não conversava com ninguém sobre o assunto que o tornara tão famoso.
Ao observá-lo sentar ao seu lado, Lily foi tomada por uma inspiração súbita. Aprumando-se, preparou-se para o que ela sabia ser uma mentira perigosa e nada honrada.
— Hm... Fleamont, o senhor... você sabe preparar a Poção Recuperadora? — E então rolou os olhos para a própria pergunta. — Quero dizer, é claro que você deve saber, mas eu sempre tive dificuldade. Sei que é uma poção rápida, mas nunca sei qual o ponto da araramboia...
— Ora, querida, é muito fácil! Mas entendo, a araramboia é um ingrediente bastante chato de lidar... — E então ele sorriu para ela. — Se quiser, posso te ensinar. Tenho certeza de que possuo todos os ingredientes necessários...
— Eu adoraria. — Lily sorriu para ele, animada.
X—X
Algumas horas depois, no meio da madrugada, Lily travava uma batalha mental. O pequeno frasco cheio de líquido âmbar parecia pesar em suas mãos, enquanto ela andava de um lado a outro pelo quarto que ocupara pelos últimos dois dias.
— Vamos, Lily, se decida. — Murmurava consigo mesma, sentindo-se ansiosa.
Sabia que Fleamont e Euphemia deveriam estar dormindo àquela hora. Sabia que ela deveria estar dormindo àquela hora, mas a curiosidade era grande demais. E sua consciência também.
Por um lado, estava furiosa com James Potter. Nos dois últimos dias, todas as vezes em que ele havia entrado em contato com ela, dissera as mesmas coisas "não saía da minha casa ou do Departamento, Evans". "Não se meta em encrencas, Evans". "Não respire, Evans".
Estava farta daquilo! A falta de respeito que Potter tinha para com as atribuições de Lily, a forma como ele não parecia pensar que ela era capaz de fazer qualquer coisa sem ele a deixava louca!
Sabia que um pouco daquilo se devia ao fato de estar magoada.
Pelos últimos dois anos, James Potter conseguira destruir toda a imagem bondosa que ela possuía dele enquanto estiveram em Hogwarts. O Auror James Potter não tinha absolutamente nada a ver com o garoto que a aceitara no time da Grifinória em seu terceiro ano, a única menina a fazer parte do time vencedor. Nada a ver com garoto que a havia erguido depois de ganharem a Taça, bradando "Ginger" à plenos pulmões, sorridente.
Sim, ela sabia que as pessoas mudavam e que não fazia a menor ideia do que tinha acontecido com ele para que ficasse ranzinza daquele jeito, mas, francamente, ele sequer parecia lembrar dela!
Não que isso devesse significar muita coisa. Só que, infelizmente, significava.
Suspirando, Lily sentou na beira da cama ao lado dos pergaminhos roubados. Encarou-os por vários segundos, perdida em pensamentos.
— O que eu devo fazer? — Murmurou, confusa e então fechou os olhos, sabendo que pensaria melhor se o fizesse.
Quando finalmente voltou a abri-los, o que pareceu ser uma eternidade depois, não hesitou ao abrir o frasco e virar uma gota do conteúdo em cada um dos pergaminhos, sorrindo quando as primeiras Runas apareceram.
O sorriso, infelizmente, não durou muito tempo quando, ao traduzir as informações, percebeu que James Potter e a Ordem da Fênix não eram o que ela havia pensado.
Sentindo-se traída, Lily voltou a selar os pergaminhos depois de limpá-los com um feitiço, guardando-os dentro de sua bolsa junto com a poção. No dia seguinte ela iria até o Departamento de Aurores e devolveria o que havia pego e, assim que o fizesse, faria um passeio até o Caldeirão Furado para dar início à sua primeira missão sozinha.
[TERÇA-FEIRA – EM ALGUM LUGAR DA ALBÂNIA]
James percebia a exaustão cobrar seu preço quando se deitou na cama e fechou os olhos, sentindo cada músculo em seu corpo doer. Estava quase se deixando levar pelo inconsciente quando ouviu a voz – a maldita voz que permeara seus sonhos pelas três últimas noites (e mais algumas antes disso) – de Evans soar próxima ao seu ouvido.
Esticando a mão para baixo de seu travesseiro, puxou o espelho retangular que havia deixado ali.
— Potter.
— Evans. — Cumprimentou-a de mal humor, irritado por ter sido interrompido quando estava prestes a dormir. Voltando a esticar a mão, pegou os óculos que havia deixado na mesa ao lado de sua cama. Colocou-os e deparou-se com o rosto corado da garota encarando-o.
Havia um brilho esquisito em seus olhos, o que certamente não podia significar algo bom.
— Por que está me chamando há essa hora, Evans? Aconteceu alguma coisa? — Tentou manter o tom de voz baixo, não querendo despertar Sirius e Frank que dormiam nas camas próximas. Moody estava do lado de fora, guardando o acampamento.
— Bem... — Ela hesitou.
— O que você fez com os cabelos? — Indagou, perplexo, ao vê-la com uma franja que ele sabia não existir antes de tê-la deixado na casa de seus pais. — Ficou bem em você. — As palavras escaparam da boca de James antes que pudesse controlá-las. Xingou-se mentalmente ao fazê-lo. Que diabos estava pensando, por Merlin? Seria o sono que o estava deixando louco? — Quero dizer, parece que...
— Cortei. Eles viviam caindo nos meus olhos. Estava irritada. — Respondeu, sucinta e então encarou-o, algo ilegível perpassando por seus olhos. — O que você classificaria como "encrenca" ou "diferente do que eu mandei", Potter? — As bochechas dela pareciam dois camarões em seu rosto.
James estreitou os olhos, a vergonha pelo que havia acabado de dizer completamente varrida de seus pensamentos diante de sua pergunta.
— O que você fez, Evans?
— Você precisa entender, Potter, que eu...
— O. Que. Você. Fez. Evans? — Voltou a perguntar, entredentes.
— Hm, pode ser que eu tenha ido até o Caldeirão Furado hoje... — Ela comentou, os olhos arregalados tentando transparecer inocência. James bufou, sabendo que era apenas um blefe.
— Evans... — Começou a dizer, irritado.
— E eu consegui informações, Potter. Informações que eu tenho certeza de que você vai gostar de ouvir. — E então ela sorriu para ele, parecendo mais marota do que ele jamais havia visto. James surpreendeu-se com aquilo, porque aquele era o mesmo tipo de sorriso que ele costumava dar antes de... bem, antes. — Ah, outra coisa... — Ela corou novamente, mais intensamente daquela vez. — Nós temos uma festa para ir no sábado. Você precisa estar aqui até lá ou eu serei obrigada a ir sozinha.
— Evans, o que...
— Potter, essa é a nossa melhor chance de descobrir alguma coisa!
— Você parece convencida disso. — James resmungou, mas, em sua mente, calculava um modo de voltar a tempo para poder ajuda-la.
— Meu comandante disse que eu devia ter mais certeza ao falar. — E então, sorrindo mais um pouco, ela encerrou a conversa, fazendo com que o espelho refletisse apenas a expressão surpresa de James.
[SÁBADO – APARTAMENTO DA EVANS]
James sentiu-se estranhamente nervoso ao erguer o braço para dar três batidas na porta de número treze. O corredor do prédio era apertado e cheio de botões esquisitos que, segundo o que havia aprendido nas aulas de Estudo dos Trouxas em Hogwarts, deveriam ser tomadas e interruptores. Moveu-se inquieto enquanto ouvia passos apressados do outro lado.
Quando a porta finalmente foi aberta – depois de jurar ter ouvido chaves caírem no chão pelo menos duas vezes – sentiu-se ofegar ao vê-la.
— O que foi? Tem algo errado? — Evans indagou, assustada, voltando os olhos em direção ao corredor atrás dele e então baixando-os para o vestido vermelho que estava vestindo. — Meu vestido está...?
— Não tem nada errado, Evans. — James murmurou e rolou os olhos, tentando aparentar a calma que não sentia enquanto sensações revoltosas pareciam levar a melhor em seu interior. — Você está... diferente. — Resmungou.
— Obrigada, eu acho. — Ela disse e estreitou os olhos, suspirando antes de dar espaço para que ele passasse. — Fique à vontade, eu só preciso terminar de me arrumar.
— Você ainda não está pronta? — James perguntou, confuso, encarando-a como se procurasse alguma coisa fora do lugar.
Não encontrou nada.
— Você acha que eu vou usar esse vestido com essa cara, Potter? — Evans rolou os olhos para ele, como se James houvesse falado a maior estupidez que ela já ouvira. — Eu já volto. — Disse para ele, afastando-se por um corredor lateral, deixando-o em pé no meio do que deveria ser a sala de estar.
Confuso com a troca de palavras que haviam acabado de ter, James voltou o olhar para o local à sua volta, tentando ocupar a mente com qualquer coisa que não fosse o grande decote no vestido de Evans. E o que ele deixava à mostra. Que tipo de homem ele se tornaria se se deixasse levar por aqueles instintos primitivos?
— Pare com isso, James. — Resmungou consigo mesmo, sentindo-se estúpido. Fazia muito tempo desde que se encontrara daquele jeito. Muito tempo desde que seu corpo havia tido aquelas reações de adolescente hormonal.
Caminhando em direção a um aparador, perto de outro móvel que ele não soube identificar, James sentiu as sobrancelhas arquearem ao deparar-se com várias fotografias enquadradas sobre ele.
A primeira delas era uma foto trouxa, que não se movia, onde havia duas garotinhas. Uma ruiva – que só podia ser Evans com aqueles olhos verdes quase esmeralda – e uma loira que, pelo formato do queixo e das sobrancelhas, deveria ser a irmã dela. A segunda foto era mágica, pois suas integrantes moviam-se, agitadas. Quatro garotas, que James reconheceu como Marlene McKinnon e Dorcas Meadowes, ambas calouras no Departamento de Aurores, Alice Fawcett, que era a noiva de Frank e, por fim, Lily Evans. Nenhuma delas deveria ter mais do que treze anos na época do registro e, com os cabelos ruivos caindo sem forma no rosto, Evans tinha um brilho de diversão em seus olhos, como se estivesse planejando a próxima marotice.
Sem que percebesse, James estava sorrindo antes de passar para a próxima, que também se movia. Era da capitã Lily Evans. Ela tinha a Taça de Quadribol em uma mão enquanto que, com a mão livre, fazia o número três. O sorriso em seu rosto não podia ser maior.
Ele estava observando uma foto trouxa particularmente engraçada em que Evans estava com a língua para fora e uma garrafa de firewhisky na mão direita, quando ouviu o som de salto bater contra o piso de madeira.
Ao voltar-se, precisou se controlar para não acabar ofegando novamente.
O que quer que Evans houvesse feito em seu rosto, seus olhos pareciam ainda maiores do que o normal. E muito mais verdes.
— Hm... — Ela disse, estreitando os olhos ao perceber que ele segurava sua foto. Constrangido, James soltou-a rapidamente.
— Estava observando suas fotos. Parecem felizes. — Comentou e então passou as mãos pelos cabelos, sem perceber que ela acompanhava o movimento com um pouco mais de atenção do que seria necessário.
— É... todas têm uma história. — Ela disse. — Essa que você estava segurando foi no dia em que soube que tinha sido aprovada para o curso de aurores. — Fez uma careta para ele. — Suponho que se eu soubesse como as coisas caminhariam, talvez minha expressão não fosse tão divertida.
James rolou os olhos para ela, sem querer se pronunciar sobre a clara indireta que havia recebido.
— Está pronta?
Evans assentiu e então puxou um pedaço de papel em tons pastéis de cima de uma mesa.
— Aqui diz que a festa começa as oito horas da noite, ou seja, estamos dez minutos atrasados. — Olhou para ele, parecendo nervosa. — É melhor nos apressarmos.
— Certo. — James assentiu e então a seguiu para fora do apartamento. — Você sabe onde fica?
— Sim, é um salão de festas trouxa. — Fez uma careta enquanto terminava de trancar a porta. — Ele me disse que haveria muitas pessoas interessadas na causa que Voldemort defende por lá.
— E como exatamente você conseguiu essa informação, Evans? — Indagou, curioso sobre os métodos da garota.
Ela sorriu para ele.
— Bem, Potter, não é você que diz que eu tagarelo demais? — Piscou para ele, desconcertando-o. — Vem. Temos de estar pelo menos trinta metros longe desse apartamento se quisermos aparatar.
— Parece que você reforçou bastante a proteção por aqui. — Ele comentou, impressionado.
— Se você fosse um nascido trouxa e tivesse sido envenenado por algo não identificado, colocado em seu caminho em nome de Voldemort, só o maior odiador de nascidos trouxas... bem, teria feito o mesmo. — Ela respondeu, fazendo-o franzir o cenho.
— Você provavelmente tem razão. — Disse e então recebeu um sorriso esquisito como resposta. — O quê?
— Já percebeu que têm repetido bastante essa frase nos últimos dias, Potter? — Sorriu um pouco mais, fazendo-o bufar.
[SÁBADO – LONDRES – SALÃO DE FESTAS THE ROOF GARDENS & BABYLON]
Lily sentia-se inquieta. Não apenas porque estava infiltrada em uma festa para a qual certamente não teria sido convidada caso soubessem o que era, mas também porque sentia que estava sendo observada apesar da iluminação precária do lugar.
Tentou não dar muita atenção para aquilo, sorrindo e cumprimentando algumas pessoas próximas, engatando conversas vazias sobre o tempo e a decoração, enquanto alguns bruxos esquisitos que passavam por perto a observavam com expressões que ela não sabia identificar.
Era claramente uma festa bruxa, exatamente como o homem de quem havia conseguido a informação havia dito que seria. Também como ele dissera, muitos representantes de famílias sangue-puro estavam por lá, esbanjando arrogância por onde quer que cruzassem. James, que havia aplicado alguns feitiços de transfiguração realmente bons em seu rosto para não ser reconhecido – levando em consideração que ele era filho de Fleamont Potter e, bem, também era James Potter, Lily conseguiu compreender – conversava, animado, com uma bruxa bonita e interessada demais no lado oposto do salão.
Lily estava tentando não olhar muito naquela direção, mas sentia o rosto esquentar cada vez que imaginava sobre o que eles poderiam estar conversando que parecia ser tão animador.
Respirando fundo, preparou-se antes de se aproximar de um homem macilento de uns vinte e poucos anos que parecia estranhamente deslocado, parado perto de uma das janelas enquanto erguia os olhos de segundo em segundo em direção às escadas que levavam à saída.
Ela gostaria de ter perguntado para Potter se ele estava achando aquele comportamento tão esquisito quanto ela, mas não quis interromper sua conversa importantíssima. Bufou. Certo, como se ele estivesse mesmo investigando alguma coisa junto da moça bonita.
— Olá. — Lily deu o seu melhor sorriso para o homem, recebendo um olhar surpreso e arregalado em resposta. Ele certamente não estivera esperando uma abordagem como a dela. — Está tudo bem aí?
— Er... olá. — A voz dele estava tremida e ela viu quando ele limpou a garganta, nervoso. — Tudo ótimo. E com você? Belo vestido.
— Obrigada. — Ela sorriu mais um pouco, piscando mais rápido que o habitual e sentindo-se satisfeita quando percebeu o desconcerto dele. — Estou ótima também. Ah, perdão, meu nome é Lihana Elverdork. — Esticou a mão para ele, recebendo um aperto frouxo em cumprimento.
— Severus Snape. — Ele respondeu e então sorriu para ela.
— Está esperando por alguém, Severus? — Ela não se importou em usar seu primeiro nome, sabendo que precisava ser simpática o suficiente, galante o suficiente, para tentar extrair alguma informação dele.
Havia funcionado com o homem no bar, teria de funcionar com ele também.
— Hm, na verdade estou..., mas não é nada importante. — Fez um sinal de descarte com a mão, deixando bastante óbvio que a presença dela era muito mais interessante do que qualquer pessoa que estivesse esperando.
Lily franziu levemente o cenho, preocupada que talvez ele não fosse um suspeito em potencial... antes de desistir, porém, teria de investigar mais a fundo. Naquele momento, um Elfo Doméstico se aproximou com uma bandeja em mãos. Rapidamente e sem dar chance de negar, Lily pegou dois drinks, esticando um deles para Snape que não recusou.
Ela esperou ele terminar de beber o conteúdo do copo antes de bebericar o seu, desconfiada. Havia levado um bezoar consigo, ressabiada demais de que acabasse envenenada novamente.
Continuou conversando com o homem, sorrindo demasiadamente para ele toda vez que tinha oportunidade – nem sempre era necessário, mas ele parecia ficar zonzo sempre que ela o fazia, portanto Lily continuou.
Snape já estava no quarto copo de firewhisky – e Lily não havia chegado nem na metade do primeiro – quando começou a falar algo que fosse interessante.
— E você, tem planos para o futuro, Severus? — Ela perguntou, tentando parecer mais interessada do que se sentia.
— Bem, eu tenho alguns projetos. — Snape disse e então sorriu para ela, levemente arrogante. — Você já ouviu falar sobre os planos do Lorde das Trevas, Lihana?
Lily sorriu um pouco mais, certa de que a chama de interesse que brilhava em seus olhos parecia totalmente diferente para ele.
— Oh, mas é claro. São grandes. — Sorriu mais um pouco. — Adoro coisas grandes. — Impingiu o máximo de segundas intenções que seu aperto no estômago lhe permitia, sentindo-se enojada por estar sendo tão vulgar.
Funcionou. Ouvir aquilo foi o que ele precisou escutar antes de desatar a falar tudo o que ela queria ouvir.
Quando, por fim, se afastou de onde ele estava, dizendo que precisava conversar com alguns conhecidos, mas que logo estaria de volta, Lily guardou desajeitadamente o pedaço de pergaminho que Snape havia lhe entregado.
O papel, por mais pequeno que fosse, continha três nomes de pessoas que, segundo o que ele havia dito, eram informantes com quem ela poderia entrar em contato caso quisesse aderir a causa.
— Evans. — O sussurro conhecido de James Potter nunca foi tão bem-vindo aos ouvidos de Lily.
— Graças a Merlin! — Ela disse, voltando-se para ele enquanto sentia o alivio se alastrar por todo seu corpo. — Eu estava te procurando.
Sem respondê-la, James segurou-a pelo braço, puxando-a em direção a uma das alcovas junto à parede próxima de onde eles estavam.
Mais uma vez, Lily sentiu-se incomodada com a quantidade de olhares que estava atraindo. Estava prestes a comentar aquilo com Potter quando ele fechou a cortina da alcova em volta deles, soltando um suspiro de alívio antes de erguer a varinha e remover o efeito dos feitiços transfiguradores que havia feito.
— O que está fazendo, Potter? Se alguém te ver assim pode...
— É só por alguns minutos, Evans. Não estava conseguindo respirar direito com aquele nariz. — Ele resmungou, irritado, passando as mãos pelos cabelos logo em seguida. Sem conseguir evitar, Lily riu quando a imagem de Potter tentando flertar com a moça bonita enquanto sentia falta de ar preenchia sua mente. Sabia que era maldade da parte dela, mas não conseguia evitar sentir-se estranhamente vingada. — Do que está rindo, Evans? Pare com isso, vão acabar nos ouvindo. — Ele reclamou, irritado.
— Potter, nem que quiséssemos seríamos ouvidos com essa banda tocando. — Rolou os olhos para ele, limpando abaixo deles com as pontas dos dedos, tirando as lágrimas de riso que haviam ali.
— Conseguiu alguma coisa? — Potter indagou, rabugento como sempre.
Bufando para ele, Lily assentiu, animada.
— O quê? — Ele continuou, inquieto.
— Enquanto você estava de conversa fiada com a moça bonita, eu fiz o meu trabalho. — Disse, sem conseguir conter as palavras que escapavam de sua boca, culpando a meia dose de Firewhisky em seu sangue por isso. Ela percebeu que ele estava prestes a responder, mas, antes que o fizesse, prosseguiu: — Encontrei esse cara. Ele estava parado, meio esquisito, como se estivesse esperando por alguém e, bem, ele estava. — Sorriu, satisfeita com as informações que havia recolhido. — Conversa vai, conversa vem, ele acabou deixando escapar alguns nomes de pessoas que poderiam me ajudar caso eu decidisse seguir pelo caminho do Lorde das Trevas. Além, é claro, do próprio nome. — Rolou os olhos e então puxou o pedaço de pergaminho do meio dos seios, animada demais para se importar com o olhar de Potter sobre ela. — Aqui.
— Guarde isso, Evans. — Potter resmungou, a voz saindo mais rouca do que lembrava. — Deixe para me mostrar quando estivermos fora daqui.
— Certo. — Ela bufou, sentindo-se levemente irritada pela falta de animação demonstrada pelo seu comandante. E pensar que havia esperado alguns sorrisos sinceros... como fora idiota.
— Hm, Evans... — Potter a chamou enquanto ela voltava a guardar o pergaminho. Estava escuro demais para que Lily percebesse a cor rosada de suas bochechas e o modo como ele estava suando de nervoso. — Qual era o nome de quem te deu esse pergaminho?
— Severus Snape. — Ela respondeu rapidamente, sorrindo ao pensar em sua eficiência. Não apenas conseguira descobrir o que o homem do Caldeirão estava tramando, como também obtivera sucesso com Snape.
Potter, contudo, não parecia muito feliz com a informação.
— Você está brincando. — Ele disse, incrédulo.
— É claro que não, Potter. — Lily bufou, encarando-o com uma sobrancelha arqueada. — Por que eu faria uma coisa dessas?
— Severus Snape? — Ele repetiu como se as palavras tivessem um gosto amargo em sua boca. — Você tem certeza disso?
— Sim...
— Merda! — Potter expirou, irritado demais, fazendo com que Lily finalmente entendesse seu estado de espirito.
— Você... o conhece? — Indagou, curiosa.
— Se eu o conheço? Snape era o meu inferno em Hogwarts, Evans. Ele me odiava. Odeia. Nós tentamos nos matar mais vezes nos últimos anos do que eu consigo lembrar. — Passou as mãos pelos cabelos novamente. — Se ele desconfiar que eu estou aqui... nós estaremos bastante encrencados.
— Mas, por que...?
— Ele sempre idolatrou o Lorde das Trevas, Evans. Grande parte das minhas detenções se deram porque algum professor me pegou duelando com ele. — James rolou os olhos antes de puxar levemente a cortina, espiando a festa por entre o tecido. — Snape sonha com o poder desde que aprendeu a andar. Assim que saiu de Hogwarts ganhou sua marca negra. — Potter voltou-se para ela, encarando-a, sério. — Se Snape, que é um dos favoritos dele, está aqui, significa que eles estarão planejando algo grande hoje, Evans. E nós precisamos descobrir.
— Certo... — Lily, que havia ficado desconcertada com as palavras de Potter e pelo ódio velado que ouviu em cada uma delas, murmurou. — Mas como faremos isso? Quero dizer, você mesmo disse que se ele desconfiar que está aqui...
— Bem, é só não darmos motivos para ele, não é? — James sorriu levemente, parecendo divertir-se com a ideia de enganar o antigo desafeto. — Vamos, Evans, você precisa sair primeiro. Ninguém pode nos ver juntos.
— Certo. — Ela voltou a repetir, contudo não se moveu.
Potter arqueou uma sobrancelha para ela, indagativo.
— Eu... ah... — Ela começou a falar, sentindo-se nervosa e idiota diante do que estava prestes a dizer. — Acho que algumas pessoas desconfiam de mim, Potter.
James arregalou os olhos, amedrontado por suas palavras.
— Do que está falando? Por que acha isso? — Indagou.
— Bem, tem toda essa gente me olhando. Alguns deles ficavam me encarando por minutos à fio... eu me sinto desconfortável. Por todo o tempo em que estive conversando com o Snape, vários deles me encaravam. Eu... não sei. E se eu deixei algo escapar? Se eu acabei fazendo algo errado? — Ela ergueu os olhos para ele, sentindo as bochechas esquentarem diante do sorriso incrédulo que beirava os cantos da boca dele. — Não estou brincando, Potter. — Reclamou, irritada. — Eu estou nervosa e isso não é engraçado!
— Evans... — James não conseguiu controlar a risadinha que escapou de seus lábios, mesmo sabendo que apenas a irritaria. — Pelo amor de Merlin, Evans. Você não vê? — Encarou-a, observando-a firmemente, fazendo com que ela se remexesse inquieta com o que viu nos olhos dele. — Eles estão te olhando porque você está incrivelmente maravilhosa.
A expressão que tomou o rosto dela ao ouvir aquelas palavras teria sido adorável caso James não tivesse se arrependido imediatamente de pronunciá-las.
O silêncio que pairou sobre eles era muito mais tenso do que qualquer outro que já haviam dividido. Parecia haver estática no ar, causando arrepios por toda a extensão de seus corpos a cada vez que respiravam.
James não conseguia lembrar de quando decidira fazer aquilo, mas, antes que percebesse, estava em frente a ela, mais perto do que era estritamente necessário, apesar do pouco espaço da alcova.
— Potter... — A voz dela saiu em um murmúrio rouco que fez com que ele se arrepiasse por inteiro. Seus olhos verdes estavam quase negros naquele momento e encaravam-no cheios de alguma coisa à qual James simplesmente não pôde resistir.
Fazendo o que tivera vontade desde o instante em que ela abrira a porta de seu apartamento, James terminou com o restinho de espaço entre eles, puxando-a contra si antes de beijá-la.
N/A: E aí, gente? Não esqueçam de me contar o que estão achando, sim? Comentem! Juro que não cai pedaço escrever no retângulo ali embaixo hehe
Dúvidas, sugestões, etc, estou sempre nas redes sociais linkadas na minha bio :)
Beijinhos e até breve :*
