Parte 2
Os dias que se passaram,não ocorreram muita coisa de especial,tudo se resumiu em pintar a casa e o celeiro. E também cuidar da horta,que só foi maior por que eles precisavam produzir em dobro,pois a colheita seria dividida entre os dois que estavam lá e o que o Donatello queria.
Raphael,até começava a gostar um pouco de estar lá,especialmente junto com Casey, porém ainda não era bastante prazeroso, pois sentia falta do barulhos da cidade. O trabalho todo que fazia dava uma movimentação,apesar de não ser a agitação desejada,como as que exigia uma luta – brigar nas ruas era o melhor hobby que ele tinha. E mesmo se fosse maior a sua vontade de permanecer na roça,nunca daria o braço a torcer de que estava apreciando o campo.
Entretanto,não tinha espaço só para trabalho,nas horas vagas,eles ou descansavam,ficando de papo pro ar e conversando as vezes no chão e outras acomodados numa rede,ou então se divertiam jogando baralho. O humano até tentou convencê-lo a pescarem juntos,mas o cascudo se negou com o argumento que era uma atividade entediante demais,comparando até com Golf.
O celeiro foi a parte mais trabalhosa de todas as tarefas que faziam,especialmente por que além de reformá-lo,tinham que limpa-lo – Casey não tinha animais para acumular tanto feno. Só que,não foi só isso que fez demorar mais,o que atrasou um pouco mais para concluir aquilo foram as brigas típicas deles. Logicamente que também aconteceram alguns momentos de troca de caricias e beijos,entre eles.
Em certo tarde,quando pararam para descansar e se refrescar embaixo de uma sombra da árvore, o justiceiro olhava para a sua fazenda. Lembrou do que o Raphael falou sobre ela e começou a imaginar-la cheia de animais e plantações. As vezes tinha essa vontade de viver lá e fazer daquele terreno,uma verdadeira fazenda e não uma simples casa de campo,onde ele vinha algumas vezes. Trabalhar na terra e apreciar a simplicidade e a calmaria do campo.
Entretanto,ao mesmo tempo,adorava a vida urbana, especialmente a noite, estava acostumado com o movimento,as luzes, das facilidades de lá,do seu emprego e principalmente bancar o mascarado para combater os crimes,junto ao seu companheiro. Aquele prazer que a adrenalina que sua vida de "herói" lhe proporcionava não tinha preço,especialmente quando vinha acompanhado do ninja.
"Nunca me senti tão dividido na minha vida,como agora." Pensou ele,sério e tentando se decidir.
Seu semblante logo mudaria,ao ver Raphael tentando despistar uma borboleta amarela que o incomodava e que patentemente cismou em posa-lo algumas vezes,fazendo o mutante ficar cada vez mais irritado. E pouco a pouco vinham mais três perto dele,fazendo assim o bravinho já pensar em pegar seus Sais – que ainda estavam guardados em sua mala – e acabar com elas.
Casey ria daquela cena...
-Raphael,é apenas uma borboleta. – mal conseguia falar por causa do riso.
Mas o tartaruga não deu atenção o que ele dizia,continuou caçando ou as impedindo de prosseguir com as mãos. Além de bufar e rosnar,para aliviar a sua tenção. E o humano seguia achando aquilo hilário.
Depois parou um pouco e pensou:
"Não. Devo pensar no Raphael também. Não só em mim. Ele não gosta muito daqui. Ele também é da agitação. Claro que eu poderia faze-lo aprender a se acostumar,mas, iria afasta-lo dos seus irmãos. Eu também não quero me afastar deles, são a minha família." Foi então que se deu conta de uma coisa: "Nossa! Quem diria! Eu,fazendo planos para o futuro. Ter uma vida a dois com o Raphael. Nunca me imaginei fazendo isso. Arnold Jones,você realmente está mudando." Ficou espantado consigo mesmo.
Enquanto isso o seu parceiro agora resolveu ameaçar e amaldiçoar os pássaros que parecia que iam se aproximar também. Só que não o fizeram.
O cara de cabelos longos,então levantou-se,aproximou-se do namorado e o abraçou – mesmo o de bandana estando de costas e pelo pescoço.
-É tudo culpa sua.-diz em tom de brincadeira.
-Hãn?! Culpa minha o que?
-Por todos os meus pensamentos.
Só que o esverdeado não estava entendendo direito,mas não perguntou mais nada,somente levantou os braços do Jones para cima e assim se libertar. Fazendo isso virou-se...
-Grunf! Me deixa em paz. – fala isso e se afasta.
-O que foi? Tá fugindo de uma luta? – perguntou o homem,com as mãos na cintura,sorrindo e num tom de desafio.
Isso foi o suficiente,para fazer o zangadinho parar e rapidamente volta-se para encará-lo e ficar em pose de luta.
-Eu NUNCA recuso uma luta rapaz. Você se esqueceu quem eu sou?
-Pois venha! Mas sem sais.-o chama com as mãos também.
-Com prazer.-dá um sorriso de canto e prepara as mãos,como quem estava prestes a atacar. Alias,foi só terminar de dizer isso que ligeiramente avançou com tudo nele.
Apesar de toda a preparação e de tudo aparentar ser algo sério,aquilo não era uma briga de verdade e sim uma "brincadeira de bater", um combate amistoso. Isso incluía socos,nas mãos e braços,e pontapés. Disputa corporal,a fim de saber quem era o mais forte,ou quem jogava o oponente no chão numa velocidade mais rápida,como no judô.
O joguinho,entre eles, terminou algumas horas depois,quando acabaram rolando descontroladamente no chão,impulsionados por eles mesmos,sem nenhuma finalidade,a não ser parar quando ficassem cansados. E no caso,o mutante ranzinza se viu encima do seu oponente,ou melhor dizendo amado. Logo que notou meio isso,ficou olhando nos olhos dele – com ares de apaixonado - e só disse algo quando se recuperou um pouco do esforço...
-Gosto de te ver assim,no chão,você fica mais bonito. – murmurou ofegante e dando um sorriso malicioso.
Arnold ficou o tempo todo sério e mirando também,meio sem jeito,mas ao ouvir isso sorriu...
-Não iria me render perante a você.
Nisso o de pele verde rapidamente se aproximou e o beijou ligeiramente e ao ver que o deixou espantado – como pretendia – falou:
-Será que não?
-Você é um malandro mesmo,não é? – sorriu novamente e acariciou o pescoço do adorado,com a mão direita. – Tudo bem,eu me rendo.
O ninja zangado então deu um outro beijo nele – esse não foi tão veloz quanto o outro,mas também durou pouco tempo.
Assim...
-Posso levantar?
Sem dizer nada o outro macho se distanciou e assim deixou o senhor Jones se sentar na grama,ajeitar-se,colocar os braços sobre os joelhos que estavam levantados e se abanar um pouco...
-Está calor não?
-Sim,principalmente depois dessa movimentação. Eu queria uma cerveja bem gelada agora.
-Eu também. Mas se quiser eu faço um chá gelado.
-Bah. Mas esse chá não tem gelo.
-Mas a água é fresca. Pensei que você tinha gostado.
Casey já havia feito esse chá recentemente,pegando água de dentro da moringa.
-Eu sinto falta de um refresco, cerveja e chá bem gelados. Bebidas com gelo. Entende?! - fala de um jeito nervoso.
-Calma! Eu sei,mas ter é melhor que nada. Não é ruim.
-Não existe algum mercado por aqui?
-Tem,só que fica muito longe e eu estou economizando tanto gasolina quanto dinheiro,sabe eu não tenho muito, é para podermos voltar.
-Eu também trouxe dinheiro.
-Quantos?
Raphael não respondeu só se levantou para buscar o dinheiro,apesar de não ter pedido para ser seguido Casey foi junto.
Já no quarto,o bravinho do grupo,abriu a sua mala,vasculhou e pegou uma carteira – meio gasta,já que ele adquiriu o objeto de dentro da lixeira(como a maioria das coisas que seus irmãos haviam conseguido para arrumar a casa) – virou-se para o humano e deu aquilo para ele.
-Não tem mais nada aí.
O Jones ficou um tanto surpreso e estranhando aquela cena, nunca imaginara que isso pudesse acontecer com os dois algum dia. Enfim,ele pegou e contou o dinheiro que tinha lá,eram três dólares e 50 centavos.
-Onde conseguiu esse dinheiro?
-Nos bueiros caem moedas às vezes. E as notas,achei num monte de neve.
-ah...compreendo...-meio sem ação.
-O que dá para comprar?
-Bem,eu ainda tenho 500 dólares. Então...
-...Casey...esqueça a cerveja, fique com esse dinheiro.
Arnold ficou muito espantado com aquela fala,como ficou um silêncio mortal e os dois somente se olharam,um parecendo mais frio que o outro,o mutante se incomodou com aquele clima e se retirou minutos depois. Mas, o cara que estava parado por um momento,resolveu dar alguns passos e...
-Raph!
-O que?-parou no meio do corredor,mas não virou.
-Você...está querendo me dar mais dinheiro...para comprar gasolina,é isso?
-Faça o que você quiser com ele,eu não tenho planos para gasta-lo. Não dá para comprar o que eu quero com essa mixaria.
-...ahn...Obrigado então.
O tartaruga,realmente queria colaborar lhe dando seu dinheiro para auxiliá-lo. E mesmo parecendo que haveria um certo interesse nisso, um beneficio próprio, há de se pensar numa coisa: com gasolina ou não, o ranzinza poderia achar um jeito de voltar para casa – tendo como aliado seu orgulho e teimosia. De qualquer forma,tentou disfarçar que estava fazendo um ato de caridade.
Depois que guardou a grana,o Casey pensou consigo...
"Está tão diferente do Raphael que eu conheci. Eu sempre o vi como uma criatura difícil ríspida,que quando bravo era capaz de retalhar mil soldados. Ainda é assim,mas agora o vejo com um olhar amoroso, as vezes sua voz é suave e que algumas vezes querer me acariciar. Não sei se você é assim em algum momento com seus irmãos e seu pai,mas comigo jamais demonstrou tanta afeição,carinho. Sem ser tapas nas costas,sorriso amistoso e brincadeiras entre amigos,ou qualquer tipo de gesto que demonstrava só fraternidade. Eu creio que o beijo rompeu mais as barreiras dos seus sentimentos. Está mudando. Mas de forma lenta e camuflada. Creio que permanecerá seu orgulho e teimosia,além de sua irritação."
O ninja foi até a varanda e ficou na frente da entrada e da escada,parecia olhar a paisagem,mas na verdade estava centrado em seus pensamentos...
"É...Eu acho que mudei...um pouco. Talvez seja essa mudança que o Splinter falava e esperava."
Um tempo depois,os dois estavam juntos observando como as verduras e hortaliças haviam crescido bem. Depois de ouvir alguns elogios do humano,pelo seu trabalho,o mutante resolveu a abrir finalmente a boca para dizer alguma coisa...
-Se está tudo bem,quanto voltamos?
Casey virou-se um pouco surpreso para ele,mas antes de dizer algo sorriu...
-Está com saudades de casa não é?
-Só me responda.-fez uma expressão de bravo,pois havia se incomodado com a pergunta.
-Em breve. Faltam só 4 semanas.
-Custava responder?-disse isso ficando por alguns minutos com o rosto na frente dele,o encarando e depois se distanciou.
-Não precisa disfarçar sei que sente falta dos seus irmãos e do seu mestre. Eu também sinto.
O de cabeça quente continuou de costas. Pouco depois o senhor Jones se aproximou dele e lhe deu um beijinho na cabeça,na careca do companheiro e saiu dali rindo enquanto o outro rosnou,todo vermelho.
-Ei! Pare de me azucrinar!-coloca a mão na sua cabeça,se mostrou irritado pois ficar acanhado o incomodava.
-Raph,você tem que entender que não precisa ter vergonha e que algum dia terá que admitir para todos.-diz virando-se para ele e parando de rir mas continuava sorrindo entre os dentes,já havia estava um pouco longe.
-Admitir o que?
-Que está perdidamente apaixonado por mim.
-ORA PARA COM ISSO!GRUNF!-muito vermelho.
-ehehe você tá vermelhinho!
-E você agora ta parecendo chato,igual ao Michelangelo.
-Calma,você fica bem assim.Não é a sua cor favorita?
-E por que você acha que eu manteria isso em segredo?-sorri entre os dentes,fazendo pose de superior.
-O que? Sua timidez?
-Não. Eu estar apaixonado por você.-diz com os braços cruzados e os olhos entre abertos.
Raphael queria mostrar que estava muito seguro de sua fala e que realmente havia mudado,além disso tinha curiosidade em saber a reação do humano quando disse-se algo assim. E realmente,isso deixou ele um pouco surpreso,mas não tanto.
-Você pretende contar para os seus irmãos?
-E por que não contaria?
-Por que você é um covarde Raphael.-fala isso calmamente, mas queria provocá-lo na verdade.
-O QUE?!
-Foi o que eu disse.-frio.
Casey já pressentia isso do companheiro,especialmente o que veio a seguir,o ninja correu até ele,quase avançou nele mas na verdade agarrou a sua blusa com toda a sua raiva.
-REPETE ISSO SE FOR HOMEM!
-Não ouviu bem? Eu disse que você é um covarde!
-ORA SEU...
O tartaruga pretendia dar um soco nele,já estava fazendo menção de que faria a tal ação tão típica dele,enquanto o outro agarrava firme a sua enxada,esperando um movimento dele, tinha a intenção de se proteger com o objeto. Só que para a sua surpresa, o mutante de cabeça quente desistiu logo – assim rapidamente virou-se,bufou e largou o seu amado,tudo quase ao mesmo tempo. Em seguida começou a caminhar até uma árvore.
-Raph?-perguntou o fazendeiro não estava entendendo a mudança repentina dos planos.
O de bandana vermelha não disse nada,assim que estava frente a frente a árvore começou a socá-la,para descarregar a sua raiva.
O senhor Jones ao ver a cena,imaginou que ele estaria socando outra coisa para palpá-lo,por isso não o impediu e o ficou observando,esperou. Embora não ter entendido o motivo da recusa dele dar-te um soco e talvez começar uma briga – nem que fosse amistosa.
O réptil só pensou em não machucar aquele que amava e tentar mudar,um pouco que seja,para o seu pai ficar orgulhoso.
Por isso continuou socando a árvore, ou melhor foram três. Até ficar totalmente satisfeito. E quando parou,ficou de joelhos no chão,ofegante e cansado.
-Raphael,você está bem?-finalmente se aproximou dele ao vê-lo exalto.
-Acho que sim...-cabisbaixo.
-Eu sei que algumas vezes você faz isso. – ele falava sobre socar as árvores para descarregar a raiva. – Mas,desta vez você realmente me deixou preocupado.
-E por que?
-Você nunca foi de desistir de me dar um soco.-tocou nas mãos dele e olhava-as para ver se estavam machucadas, realmente havia um pouco de ferimento e inchaço.
-Isso é coisa minha.
-Você poderia, eu não iria ficar bravo,já estou acostumado a ganhar uns murros seu. Não ligo. Além disso,até seus murros de raiva estão sendo macios.
-Está dizendo isso para me agradar.
-...É melhor você tratar desses machucados.
-Não está sangrando.
-Ainda assim é melhor colocar uns curativos.
Arnold então insistiu para que ele levanta-se e fosse para dentro da casa,o ajudou nessas ações. Depois foi colocar os curativos nas mãos dele examinou os dedos dele para sentir que havia algum osso quebrado,apesar dos gritos de dor e protestos do outro insistiu que deveria fazer isso.
Após isso,ficou decidido que Raphael ficaria em repouso,isto é,não ajudando o Jones em tarefas pesadas como fazia. Somente fazendo as domésticas por uns dias.
Apesar disso a permanência dele no local não foi adiada. E naquele dia,os dois quase não se falaram, havia um pouco de tristeza no rosto deles. Eles não fizeram nenhum comentário sobre a viagem,a fazenda e se iriam sentir falta daqueles dias,além do lugar – para que tudo não soa-se como uma despedida,já que ambos iriam se ver novamente.
Assim como ida,eles tiveram que parar um pouco para descansar e abastecer. Só que desta vez,cada um iria dormir no seu canto. E Casey teve que usar o dinheiro que tinha,mais aquela quantia que Raphael lhe ofereceu – felizmente deu tudo certo.
Finalmente quando chegaram em Nova York – a noite - o Jones parou próximo a um beco sem saída para que o mutante pudesse descer ele,além de se despedir disse...
-Foi bom enquanto durou. Tenha uma boa noite.-disse isso sorrindo e olhando para ele.
Raphael,olhou sério para ele e somente disse...
-Até mais.
Assim saiu de dentro do carro,olhou para os lados,antes de entrar dentro do buraco do bueiro. Quando achou uma brecha conseguiu ir sorrateiramente,estava levando consigo uma caixa com os vegetais que o Donatello havia pedido.
Logo já estava em casa,ao entrar...
-E aí cambada eu voltei!
-RAPHA!
Eles estavam calmamente vendo o jogo de basebol na televisão,mas se esqueceram daquilo ao ve-lo chegando,felizes foram rapidamente recebê-lo e abraçá-lo.
-Opa!Opa! Vão com calma! Pêra aeh!-recuando um pouco,ao vê-los indo para cima dele,unidos.
-Bem vindo de volta!-todos.
-Como foi lá? Viu algo de novo? Tem galinhas lá? Trouxe algo para mim?-dizia Michelangelo,que pulava tudo animado.
-Ah já vi que trouxe as minhas verduras, obrigado!-notou Donatello e assim que viu aquela caixa logo pegou para si.
-Tudo bem.-disse Raphael para o nerd.
-Conta! Conta!-continuava o de laranja.
-Ah Mikey dá um tempo! Não tô com paciência.
-Calma Mickey!-pediu o Leonardo.
-Já volto,vou por isso na cozinha.-diz Donnie saindo dali. Visualizar e classificar aquelas verduras e legumes iria entretê-lo por bastante tempo,para a alegria de alguns.
-Sim,eu tô cansado e com vontade de tomar algo gelado. – jogou a sua mala no sofá. - O que tem na geladeira?
-Espera Raph! Entendo que esteja exalto,mas acho que deve ir ao encontro do Mestre Splinter também.
O ninja de bandana vermelha já fazia menção de ir até a cozinha também,pouco depois de Donatello,já havia até virado e estava de costas,mas parou quando o líder falou sobre o sensei.
-Ele...falou alguma coisa sobre mim?-sério e ainda de costas.
-Bem,ele comentou algumas vezes que estava ansioso pela sua volta e curioso para saber do que ocorreu lá.
-Eu também!Eu também!-Michelangelo levantou o braço alegremente.
-er...mas acho que o mestre deve ser o primeiro a saber.-Leonardo falou isso diretamente para o mutante animado.
-Ah que droga! Eu sabia que tão cedo não iria relaxar e tomar uma cerveja.- resmungou e olhou para baixo.
-Ora por favor faça um esforço. Você não pode voltar desse jeito, sem dar satisfações para ninguém,como se nada tivesse ocorrido. Provavelmente o Sensei quer conversar a sois contigo e ele merece essa atenção e privilégio e...
- Ok!Ok!Ok! – levanta e balança os braços para o alto,dando a entender que queria que o irmão interrompesse o discurso e o sermão - Eu já estou indo! Eu já estou indo!-disse já caminhando.
-É,parece que você nunca muda.-de braços cruzados e com ar de decepcionado.
Mas nesse momento,ao ouvir isso,o mutante virou-se e disse bem sério...
-...Pelo contrario Leo,eu acho que mudei um pouco.
Isso fez o líder ficar um pouco surpreso. No entanto quando o ranzinza voltou a andar até o seu destino,nesse meio tempo,antes dele ir embora totalmente,sorriu e disse...
-Então,eu fico feliz em ouvir isso.-sentiu um certo orgulho e ficou contente.
Raphael seguiu seu caminho sem comentar a fala do outro ninja,somente deu uma breve olhada para ele e foi definitivamente. No caminho pensou...
"Provavelmente ele irá querer saber de muitas coisas e talvez até me dê muitas broncas."
Quando entrou no quarto dele,sorrateiramente,o viu sentado no chão meditando. O tartaruga,se aproximou lentamente e na metade resolveu chamá-lo baixinho...
-...Mestre...
O velho rato então sem demora abriu os olhos, ficou espantado em ve-lo,mas sorriu demonstrando eu contentamento...
-Então era esse o motivo de tanta animação lá fora.-alisou a barba. Como eles estavam vendo o jogo de basebol,o rato imaginou que fosse euforia por causa do esporte. – Aproxime-se mais meu filho e sente-se.
Raphael obedeceu.
-Queria me falar algo?
-Não,ainda,eu quero primeiro ouvir de você como foram seus dias junto ao Arnold Jones.
Então o ninja começou a contar,o deixando a par de tudo e tentando detalhar o Maximo que podia,justo ele quem não era muito disso,gostava de dizer as coisas sem rodeios.
Depois disso voltou para a sala,se sentou no sofá e curtiu o jogo junto com seus irmãos,pois apesar de esconder sentiu falta deles,especialmente daqueles momentos onde todos estavam juntos se divertindo.
As semanas que se passaram foi totalmente dedicada somente a família,para matar as saudades,por isso Raphael não saiu nem uma vez para fora,o que foi um milagre para todos.
Pensando nisso o senhor Jones resolveu não ir procurá-lo tão cedo.
Dez semanas depois,pela manhã,Casey mal havia acordado e ouviu algo batendo na vidraça da janela de seu quarto. Viu Raphael do lado de fora,logo se levantou e andou até lá para abrir – próximo a escada de incêndio.
-Rapha! Você é louco? Alguém pode te...
-Cala boca seu idiota!-colocou as mãos no rosto dele,se mostrando irritado,mas não estava.
Mas o ninja não interrompeu só com aquela fala,também o beijou,assim que entrou totalmente no cômodo. O senhor Jones aceitou,ficaram parados,de pé e se beijando por uns minutos,porém o humano tentou parar com aquela ação...
-...Gosto disso...mas você apareceu num momento inoportuno.-se distanciou dele e foi para a frente do seu guarda roupa começar a escolher o que vestir.
-Você já vai trabalhar? Eu vim cedo,dá tempo...
-...Mas eu ainda tenho que me arrumar e tomar café...É o meu primeiro dia,depois das férias entende?
-Não irei te atrasar,se isso te preocupa tanto...
-Não quero perder o meu emprego Rapha. Também preciso dele para permanecer na cidade.-estava escolhendo uma calça comprida.
-hn,você fala como se ser mecânico fosse trabalhar numa empresa multinacional,ou alguma coisa assim.
-Tá,mas ainda assim preciso dela para não morrer de fome. Agora, se você viesse á noite nós...-
-...Se eu viesse a noite,não seria surpreendente.-coloca a não na parede e se apóia todo ali,fazendo pose e dando um sorriso malicioso.
Ele então parou de observar as roupas e virou o rosto para o mutante.
-...Pelo jeito você acordou com gás.
-É,tomei gasolina no café da manhã.-gracejou.
-Bem lembrando. Han...Você tomou mesmo café? Por que pode me acompanhar se quiser.
-Já comi,mas posso te fazer companhia,se quiser.
-Quero sim. Só espera um pouco.
Casey colocou a roupa que pretendia vestir emcima da cama e andou até a cozinha. Quando o justiceiro abriu a geladeira para pegar dois ovos e bacon congelados,o tartaruga percebeu lá dentro daquele eletrodoméstico havia algum espaço,ou seja ,estava meio vazio.
Quando o dono da casa começou a fritar a sua comida na frigideira e assubiando, o ninja resolveu falar...
-Se quiser eu procuro dinheiro na rua,como fiz antes.-estava de pé naquele momento.
-Hãn? Pra que?-virou o rosto,enquanto movia a espátula.
-Sua geladeira ta quase vazia Casey.-estranhando,pois achou que ele não havia percebido.
-Sim,eu tive que esvaziar,havia algumas coisas fora da validade.-voltou-se para os ovos e o bacon observando se estavam no ponto.
-hum...e o seu pagamento vai sair quando?-havia sentado antes de falar e colocou os braços sobre a mesa.
-...A situação não está tão ruim assim Raphael?
-Não?! –muito surpreso. - Depois eu que sou o orgulhoso. Se soube-se disso teria pegando parte da comida que tem lá em casa, a April exagerou em nos dar coisas semana passada. Alias,você deveria ter vendido aquela sucata de carro que você tinha lá no celeiro.
-Acho bonitinho você se preocupando comigo.-sorrindo e gracejando.
-Hunf. –com expressão de braço e envergonhado.
Eles ficaram um pouco calados durante a hora em que o cara começou a finalmente preparar todo o café,pondo a comida no prato e suco de laranja num como,em seguida levou a mesa junto com os talheres.
-Relaxa. Eu devo ter um dinheiro guardado pelos cantos,eu as vezes faço isso.-falou isso e foi se sentar. Os dois ficaram frente a frente.
-...hun,se for igual as minhas economias,não vai dar nem para comprar um leite. Hn,imagina se você um dia tiver que sustentar uma criança.
-hum,o que você quer dizer com isso?-ele já estava com um bacon no garfo prestes a levá-lo até a boca,quando se espantou com aquilo.
-Hãn?...eu...er..e…eh….-corado.
-Calma. Pode deixar.-mostra a palma da mão,num sinal de "pare".
-...Não pense besteira...-sem graça e cabisbaixo.
-Não pensei.
-É claro que pensou!-se levantou e apontou o dedo para ele,parecia meio irritado.
-...Raphael...-falou serenamente.
-O que Arnold?-de braços cruzados.
-Hãn! Ei,por que você me chamou pelo nome?
-Você também me chamou pelo meu.
-Mas isso...
-...Você geralmente me chama só de Rapha,ou raph.-interrompeu.
-Está bem. Mas...
-Não vai comer o seu café?
-Sim. Não me interrompa! Eu quero dizer que...eu só achei estranha essa sua frase.
-Eu sabia.
-Mas não quer dizer que eu tenha pensado algo mais a respeito...
-Não finja,se você achou estranho é por que pensou que...que...er...
-Não precisa se explicar Rapha.
Então Casey voltou a comer,ou melhor começou a comer e os dois ficaram em silêncio. O humano olhava para o seu amado,que tentava desviar o seu olhar. O tartaruga ficou sentado durante esse tempo.
Quando terminou, se levantou...
-Vou ao banheiro me arrumar,se ouvir um barulho é o barbeador.
-...espere Casey! -chamou a atenção dele ao notar seu movimento e menção de se virar para sair do cômodo.
-Sim?
-Não vai lavar a louça?-disse isso,sem olhar para ele,nem ao menos uma espiada.
-Vou,quando terminar.
-Não,deixa que eu lavo.-se levantou e começou a pegar o prato,as talheres e o copo.
-Não precisa fazer isso Raphael.
-Eu vou fazer!-caminhou até a pia,já decidido e com expressão de zangado.
-Tá bem!-mostrou as palmas das mãos,quase pedindo calma.
Então assim que o viu lavando,o justiceiro saiu da cozinha,mas parou no meio do caminho,pareceu que pensou um pouco e decidiu voltar.
-Raph.-apareceu no canto da porta.
-Hun?O que foi?
-É que...eu entendo,você não está preparado para isso.
-Isso o que?
-Você sabe.
-O que? Ter responsabilidades?
-Bem...não era bem isso,mas de certo modo,tem haver...
-Hunf! Eu posso ser responsável sim! Até você quer me tratar como um adolescentezinho rebelde?-levemente irritado.
-bem...não podemos negar que você é sim meio temperamental né.
-Eu sei me cuidar! Posso cuidar das minhas próprias coisas. Inclusive de uma casa.
-Isso eu concordo. –se aproxima dele e coloca a mão na cabeça do mesmo,fazendo carinho. - Você realmente é bom lavando e cozinhando...
-Escuta,eu não sou sua empregadinha. Se quis lavar a louça é por que me deu na telha!
-Tá eu sei. Só que...-tira a mão da cabeça dele.
-É melhor você ir se arrumar,não quero ser o culpado pelo seu atraso ou por ter perdido o seu belíssimo emprego.-apontando para ele com o garfo,como se isso fosse uma ameaça.
-Calma,estressadinho.-ele distanciou-se um pouco,meio chateado.-Fique a vontade aí.
Depois saiu definitivamente do local,foi então fazer o que deveria,se arrumar,escovar os dentes e se barbear. Enquanto isso Raphael,após lavar a louça,se sentou um pouco na cadeira,só que não conseguiu ficar muito tempo ali,estava um pouco curioso em saber o que faltava naquela casa e decidiu vasculhar a dispensa,primeiro olhou os armários de baixo e de cima. Quando ia observar a geladeira – havia visto pouco o que havia lá – ouviu os passos de Arnold voltando e então regressou a sentar-se na cadeira.
O senhor Jones apareceu na porta e disse...
-Eu já vou indo.
-Eu também.-se levantou.
-Podemos sair a noite para brigar ou tirar o racha,o que acha?
Raphael se se encostou à mesa e estava de braços cruzados,prestava atenção no que ele queria lhe dizer. E a frase o fez sorrir.
-Hun...agora falou a minha língua. É só me dizer a hora e o lugar. Darei um jeito de ir.
-As sete. No terraço da pizzaria do Sam. Está bem?
-Estarei lá.
E ele realmente foi. Só disse para o mestre onde iria e ainda assim foi a sois,pois se fala-se para os outros eles iriam querer ir também e o ninja de bandana vermelha queria que fosse somente ele e Casey,como sempre. Para ele,era como um encontro,como namorar.
Quando o mutante chegou no terraço,o mascarado já estava na beirada,observando as coisas lá em baixo.
-Por que exatamente estamos aqui?
Raphael estranhou,pois aquele estabelecimento não era nos confins de cidade,ou melhor,estava no centro e não naqueles "universos obscuros" quase submundos que os dois costumavam freqüentar.
-Recentemente veio um grupo mal encarado de motoqueiros que resolveram-se contra o local e disseram que iriam voltar hoje para acabar com tudo.
-Compreendo.
Então,quanto os tais homens apareceram e entraram na Pizzaria,logo que começou a conversa entre o líder e o dono do lugar, os dois "heróis" apareceram na frente da porta,interrompendo os vilões. E assim furiosos por causa da interrupção, os dois partiram para cima e a ação começou. Mas para não estragar o restaurante e ter que pagar a conta depois, eles fizeram o possível para a briga se concentrar lá fora. Conseguiram isso e também venceram aquele combate,com muito esforço pois eram muitos.
Mais tarde,os dois estavam caminhando pelas sombras de um beco deserto, de vigília. Arnold estava atrás,enquanto o ninja se encontrava na frente. Estava tudo quieto, até que Casey resolveu falar...
-Podemos parar um momento?
-O que foi? Cansou?
-Não. É que eu quero te entregar isso.-tirou algo do bolso e sem virar-se,ou deixar que o Raphael fize-se isso,estendeu a mão e o mostrou uma caixa preta na frente do rosto dele.
-Hãn?-ficou surpreso e curioso.
-Pegue e abra.
Raph fez o que ele pediu,estranhando tudo aquilo e tendo até um certo receio,mas abriu a caixa,ainda de costas para o amado. Lá dentro tinha um "anel" feito de arame revestido com papel dourado.
-O...o que é isso?-vira-se para ele.
-Isso é uma pergunta retórica?-perguntou isso antes de levantar a máscara para cima.
-...me explique melhor isso.-levemente irritado por não estar compreendendo.
-Significa que eu quero me casar contigo Raphael.-fica com um joelho no chão,na posição de pedido de casamento,se sente meio sem graça,mas achava que deveria fazer aquela ação,especialmente para ficar mais evidente.
-Casar?!...ahn...bem...eu não sei o que dizer...
-Só diga sim. Por que garanto que você não irá querer dizer não.
-...Não me pressione...-virou-se de costas,meio envergonhado e de braços cruzados.
-Ora,vai dizer que não quer ser a senhora Jones.-se aproximou,colocou as mãos no casco dele e apoiou seu queixo na cabeça do mesmo, gracejou e quase riu do que disse.
-GRR!Pare com isso!-se irritou e se afastou um pouco.
-ahaha calma. Me responda.
-...eu...aceitaria...se...se casamento não me soa-se como uma festinha frufru. Eu não penso igual a uma mulher. Mesmo que eu goste de um homem.-disse isso agora virado para a frente dele.
-Ora Raphael,você não vai precisar se vestir-se de noiva.-ainda brincando.
-Não falo disso! Olha aqui,precisamos mesmo nos juntar assim? Com festa,pompa,juiz de paz? Isso é ridículo!-fazendo uns movimentos com as mãos.
-Bem,não precisamos fazer algo grande...Mas acho que devíamos nos casar no papel.-desta vez falava e estava sério.
-Como? Um juiz iria achar estranho um humano casar-se com uma tartaruga.
-Você vai estar disfarçado.-estranhando aquela barreira que ele colocou,sendo que por tantas vezes todos os tartarugas saíram da superfície dando um jeito de se disfarçar como humanos.
-Mesmo assim alguém iria achar esquisito. E outra coisa...eu não tenho sobrenome.
-Ai,para de colocar dificuldades!-começando a se irritar.
-Olha aqui.Não acho que precisamos disso. - aponta do dedo para ele. - Já...selamos a nossa união lá na fazenda,ficou tudo claro para mim e para você o que temos...Não precisa disso tudo se quer que eu viva com você.-fica meio acanhado falando aquilo.
Arnold Jones respirou fundo e pensou por alguns segundos.
-Raphael, você pode não ter um sobrenome agora,mas casando comigo terá. E mais,você terá direitos e benefícios. Entenda que isso é preciso. -pegou na mão dele.
O mutante ficou encabulado,assim que ele terminou aquela frase o ninja logo tirou sua mão dali e falou...
-...Quando vai ser?
-Bem,primeiro eu preciso ir conversar com o Mestre Splinter.
-Para que?
-Para ele dar a permissão para nós casarmos.
-E precisa disso?-estranha e cruza os braços.
-Claro. Faz parte do protocolo.
-Isso me parece ridículo,além de antiquado.
-Posso parecer uma pessoa rebelde,mas há certas regras que eu creio que devem ser respeitadas,como eu aprendi com o meus pais,pedidos de casamento devem ser feitos assim.
-Pela primeira vez te vejo muito cafona.
-Pois é,mas é com o cafona aqui quem vai se casar.- aponta para si mesmo com o polegar. - Afinal,você me ama,certo?-e volta a sorrir.
-Detesto quando você faz isso.-expressão de bravo.
-Pois eu adoro. Podemos ir?-sorri entre os dentes por uns segundos e depois começa a andar até ele,até ultrapassá-lo alguns centímetros.
-Agora?!-surpreso e movendo a cabeça,acompanhando o movimento dele.
-Quanto mais cedo melhor.
Raphael suspira antes de dizer.
-Tá. Vamos.-logo começa a caminhar também.
Demorou um pouco,mas os dois chegaram no esconderijo dos ninjas,foram bem recebidos e cumprimentaram todos,fizeram isso o mais rápido possível e ao ver onde o plinter estava – ele se encontrava sentado num dos sofás,distraído lendo um livro– os dois caminharam até o sensei.
-Mestre.-chamou Raphael. Casey estava atrás dele.
-Sim.-levantou o rosto.
-Ahn...queremos falar a sois com você.
O senhor Jones confirmou com a cabeça. Os outros irmãos somente observaram tudo de longe,mas somente Leonardo e Donatello notaram algo, os dois companheiros estavam de mãos dadas.
-Oh.-o velho encostou parte o dedo dobrado no queixo e sorriu,parece que pressentia era um assunto importante a ser tratado.-Muito bem,podemos conversar. Sente-se.
-Hãn?! Aqui mesmo?-perguntou o mutante surpreso com a decisão do pai.
-Sim.
Os dois ficaram um pouco sem graça só de pensar que os outros iriam ouvir a conversa...
-Mas...é um assunto importante...-disse Arnold,mas quando pretendia falar mais coisas foi interrompido imediatamente.
-Então,podemos participar da conversa?-perguntou Michelangelo animado e se aproximando,ele estava curioso.
-Não.-disse o sensei.
-Hãn,mas...
-Você ouviu o mestre.-disse Raphael rispidamente.
-Calma Raphael,também não é assim.-disse o namorado.
-Isso mesmo,não precisa falar assim com o seu irmão.
O ninja de vermelho pensou em falar algo e até fez menção em abrir a boca,mas desistiu e ficou um tanto nervoso,de braços cruzados.
-Michelangelo,Leonardo e Donatello eu sugiro que todos vão para o Dojo e esperem lá.
-Certo sensei.-disse Leonardo fazendo uma reverencia. Seguido pelo Donnie.
Mikey tentava se justificar,grita e esperneia muito como uma criança,mas foi arrastado pelos irmãos até o outro cômodo e ninguém cedeu as suas clemências.
-Ah. Eu espero que nenhum de vocês resolva ir bisbilhotar ou entreouvir pelas portas ou paredes. Se não serão castigados.-adverte o ancião,de costas para eles e levantando o dedo indicador da mão direita.
-Sim mestre.-disse somente o líder e o cérebro do grupo,deram uma parada para ouvir aquilo e logo continuaram caminhando.
Michelangelo e Donatello eram os que tinham mais curiosidade de saber do que se tratava a tal conversa. Pois,para eles aquilo era novidade,não era todo dia em que o fazendeiro e o instrutor deles vão dialogar longe de todos e fazendo mistério. Leonardo porém já imaginava do que se tratava...
Por fim os três definitivamente estavam sozinhos na sala. O rato assim que percebeu o silêncio de vozes – por que havia barulho de água – pediu para os dois se sentarem no sofá de dois lugares. E ele fez o mesmo,só que na poltrona.
-Muito bem. Podem começar a falar.
-Mestre...eu não sei se o senhor sabe. Ahn...eu amo o seu filho,o Raphael.
-Ah,é mesmo?-fingiu surpresa,mas de um jeito que ficava nítido que era ironia de sua parte.
-...ah...o senhor já sabia?-deu um sorriso sem graça.
-Sim.-respondeu Raph encabulado.
-Mas,siga,eu imagino que há mais coisas a serem ditas.-disse o rato risonho.
-Er...sim. Eu quero pedir a sua permissão para que ele se case comigo.
-No civil,eu imagino.
-Sim.
-Já conversaram sobre isso?
-Sim.-confirmou o humano.
-Eu quero dizer,conversaram aprofundando no assunto.
-Bem,eu acho que seria estranho para o juiz de paz ver um cara todo encapotado indo se casar.-diz o de pele verde.
-Podemos nos encapotar ainda,podemos nos casar no inverno.-argumentou o cabeludo.
-Olha,na verdade eu não concordo muito com isso...Eu não estou a fim de festa.-diz o mutante.
-Eu entendo Raphael. Mas acho que o Arnold Jones tem razão,seria o mais correto que se casassem para ter uma vida a dois. Só que,porém pensando no caso dos encapotados, creio que seus irmãos não irão poder presenciar no cartório.
-Verdade,precisamos de mais testemunhas. Esqueci disso.
-A ruiva poderia ser.
-Bem,eu vejo se arranjo outra testemunha.
-Quanto ter festa, eu sugiro que almocem ou jantem aqui para comemorar. Especialmente pelos seus irmãos Raphael,entende. É uma mudança de vida tanto para vocês como para eles.
-Bem...Se for só um jantar ou almoço,tudo bem.
-Bem,desculpe perguntar isso Arnold. Mas irão morar na sua casa Arnold?Ou pretende que seja na fazenda?
-Ahn...na minha casa. Pelo menos por enquanto. Quer dizer,ela é meio pequena. Então,terei que me mudar,quanto tiver uma chance.
-Hum...Mais uma coisa, estão realmente cientes de que isso que querem?
-Eu...penso que sim.-disse o de cabelos longos,estranhando aquela pergunta.
-É uma mudança bem grande de vida meu filho.
-Nós já tivemos a nossa experiência lá na fazenda. -disse do sais. -Parece que você está nos casando mestre.- completou e sorri entre os dente.
O sensei queria sentir firmeza na decisão e perceber se estavam amadurecidos o bastante para isso.
-Está bem. Eu dou a minha permissão.
Os dois se olharam felizes e corados,mas Casey se mostrou mais alegre com a noticia.
-Agora irei chamar os outros para contar a novidade.-começou a caminhar.
-Hãn!? Mestre!Não!-ficou muito chocado o ninja e se levantou pedindo para o sensei parar.
-Porque não? Eles precisam saber.-vira-se,pois estava de costas.
-Rapha,você não quer que eles saibam disso no dia não é?-diz o noivo.
-GRRR! Está bem! Chame-os, mas EU falo!-ficou bravo e apontou para si mesmo,se enchendo de coragem.
-Oh,de acordo.-por uns segundos o mestre esbugalhou os olhos mas em seguida voltou ao normal e sorriu, sentiu um certo orgulho do filho por querer enfrentar-los.
Casey ficou muito espantado com aquela frase do amado,mal podia acreditar e ficou mudo.
Assim o rato saiu para chamá-los. O mutante dos sais,ficou parado,de pé,com os braços cruzados e sério,enquanto esperava-os. Estava todo cheio de si,determinado e estufando o peito.
Quando todos apareceram no local,o ninja zangado se aproximou deles, Leonardo pretendia dizer algo mas foi bruscamente interrompido...
-Escutem! Temos uma novidade para vocês. Eu e o Casey pretendemos nos casar.-agarrou o amado pelo braço,mas não de maneira grosseira.
-O QUE?!-Michelangelo ficou bem surpreso
-É sério isso?!-Donatello meio incrédulo e chocado.
-Sim. É a mais pura verdade.-disse calmamente o outro.
-Mas...mas...Como assim? O que aconteceu? Dês de vocês estão namorado?-Mikey estava muito confuso.
-Por que não nos contou nada?-perguntou o de roxo.
-Ora,dá para saber por que né?-disse Leonardo ao que não acreditava.
-Ah sim,por orgulho e timidez.
-Não precisava falar assim Leo.-disse o ranzinza.-Eu não esperava outra reação de vocês...Exceto de você Leo.-disse Raphael,a última frase falou diretamente para o líder,enquanto apontava para ele com o dedo,naquele momento estava bem próximo do mesmo só que logo se afastou,de todos e foi até Casey novamente.
-O que?! Você tava sabendo Leo?-pergunta Donatello.
-Sim.-meio envergonhado,coloca a mão na nuca.
-E por que não no contou?!-Michelangelo,desta vez estava somente chateado.
-Porque eu achei que próprio Raph é que tinha que dizer,não eu.
-E o que você tem a nos dizer Casey?-diz o do bastão,se aproximando e apontando para o dito cujo.
-er...bem...eu...-Arnold gaguejou,sem saber o que dizer e o que pensar.
-Ei! Deixa ele em paz! Eu já disse tudo! Pronto!-diz o ninja de cabeça quente.
-Calma Raph! Todos só estão muito chocados com essa revelação. Deve dar um tempo para eles raciocinarem.-se aproxima o de azul e tenta aliviar a tenção.
-Leo,mas e se ele resolver ir embora hoje?!-disse o de laranja,começando a se sentir triste.
-Não! Não farei isso por que prometi ao mestre que...irei dar um jantar ou almoço antes de...-sem graça em dizer isso.
-UMA FESTA!Ah! Aí eu aprovo! – diz o mais animado do grupo.
-Mas...vai ser uma festa de despedida,pra que toda essa animação?-diz o nerd.
-Não vai ser uma festa!-diz em voz alta o senhor zangado.
-Calma Donnie, resignação, essa é a lei da vida.-Leonardo vai até ele,coloca sua mão no ombro do mesmo para consolá-lo.
-E...para quanto será?-perguntou o geek.
-Não sei! Não nos apresse!
-O mestre acabou de nos dar permissão,agora precisamos também comunicar ao tribunal primeiro e bolar a data.-disse o justiceiro.
Só que isso demorou, especialmente por que Casey precisava juntar dinheiro para pagar as taxas que seriam cobradas para que a realização da cerimônia(os casamentos americanos civis são feitos assim).
Então,enquanto isso os dois continuaram se encontrando quase todas as noites. Porém,desta vez ficavam mais tempo no esconderijo do esgoto e as vezes saiam, ficavam para jantar, treinar, ver TV com todos os outros ninjas. Casey achou que deveria ser assim para que todos se acostumassem com a idéia de que eles tinham um relacionamento,o humano sempre tentava demonstrar o quanto amava aquele mutante cabeça quente,menos ele,detestava por sua timidez e por querer manter a sua fama de mal. Entretanto,o ninja usava o anel de noivado,sendo que Donatello se prontificou para ele mesmo fazer uma aliança que coube-se direito no dedo do irmão.
Enrolaram durante meses,apesar do Splinter lembrar ao casal todos os dias...
Foi quando que antes da transição da estação,Raphael resolveu ir visitar Casey em sua casa,o esperou encima do telhado,até o rapaz chegar do trabalho – pois ele não sabia o horário exato que ele regressava.
Assim que chamou pela janela,foi convidado a entrar...
-Pode vir,mas se veio jantar...não farei agora...estou cansado.-disse o Jones abrindo a janela e o vendo entrar,mas assim que fez isso caminhou até a sala e se sentou no chão.
O ninja somente o seguiu e o observou,parou só por um momento e depois andou até a cozinha,sem pedir e sem cerimônia pois os dois não tinham isso. Pegou uma lata de cerveja e voltou – ele não trouxe copos, pois os ambos estavam acostumados a tomar a mesma garrafa,lata e copos,não se incomodavam com isso dês que começou essa relação - se aproximou dele,deitou no colo do mesmo e disse ...
-...eu também estou,treinei eu queria vir aqui...
O Jones ficou surpreso e corado em vê-lo fazendo isso,foi inesperado,já que Rapha nunca havia feito isso. Mas decidiu não ficar pensando muito e pegou a lata de cerveja com o intuito de abri-la,só que logo o mutante tomou o objeto de suas mãos...
-Não. Deixa que eu abro.-sorrindo,meio encabulado também.
-...ahn...obrigado...-acanhado,mas aceitou.
Abriu rapidamente,sem muito esforço,lambeu os respingos que ficaram na borda da lata, e logo depois deu para Arnold...
-Não vai beber?
-Tenha você primeiro esse privilégio.
-Obrigado.-sorri.
Enquanto o via beber o tartaruga pensava sobre querer comer um petisco junto com a cerveja,porém recordou que ao pegar a bebida notou que a geladeira não estava tão cheia. Fazia um tempo que não ia lá naquela casa e parece que as coisas não mudaram dês da sua última visita,imaginava até como a dispensa estava. Mas achou que provavelmente ele estava economizando demais para o casamento.
-Arnie...- agora Raphael o chamava assim,especialmente quanto estavam a sois.
-Hun?-respondeu depois daquela longa golada,acariciou a cabeça dele.
-Não quer mesmo que lhe ajude a pagar as taxa?
-Não.
-Acho que você deveria arranjar um emprego melhor. Especialmente para encher melhor a dispensa.
-Hãn?
-Parece que nada mudou na geladeira. Continua a mesma.-levanta-se,mas fica sentado,apoiando o corpo com as mãos que estavam no chão.
-Mas eu fui fazer compras,mas eu já consumi metade das coisas. Eu não compro muito como a April por que tem muita gente na sua casa...eu moro sozinho. Sendo assim economizo mais.
Raphael parou um momento,mas não tardou para continuar...
-Eu começo a ficar impaciente com isso...Temos que marcar logo a data. Também não agüento o mestre Splinter me lembrar disso diariamente.
-Eu concordo.
-Pois não parece. Com essa enrolação...
-Acredite,eu quero acabar com essa enrolação. Eu...estou cansado de viver sozinho,quero compartilhar a minha vida com você... – acaricia ele com a mão direita o deixando corado.
-O...o único porém nisso é que...eu meio que serei uma "dona de casa".-fazendo aspas com os dedos. -Não quero ficar trancado na sua casa...
-A casa também será sua. E...você pode sair quando quiser...eu prometo não fazer bagunça,se você também não fizer...
-Não faço tanta bagunça,já falei para você parar com essa mania de achar que eu sou aquele adolescentezinho irresponsável que você conheceu no passado...-se levantou,irritado e aponta para ele com o dedo da mão esquerda.
-Ah,pra mim você não mudou muito não.-sorriu e se levantou também.
O mutante virou-se,ficando de costas para ele,ainda chateado. Enquanto o Jones riu brevemente e lhe deu um abraço.
-Eu gosto de você desse jeito mesmo.-posou o queixo sobre a sua cabeça. – Meu emprego não é ruim,eu trabalho no que gosto, eu ganho o suficiente para me sustentar. E eu vou conseguir sustentar você também.
-Hunf. Se ganha muito por que está economizando tanto?
-São muitas taxas. E depois,eu tinha vontade de a gente viajar para ter a nossa lua de mel.
O senhor zangado se espantou e virou-se...
-Nem vem! Não precisamos disso!-tira os braços dele de si e vira-se.
-Mas...
-Pode fazer parte da tradição. Mas ainda prefiro ir logo para a sua casa.
-Não seja impaciente Raph. Esse será o dia mais feliz das nossas vidas. Temos que aproveitar.
-Aproveitaremos,mas na minha e na sua casa.
-Na nossa.-sério e de braços cruzados.
-Não é ainda. Então,você irá amanhã mesmo para o tribunal?
-Eu tentarei fazer isso.
-Não vai tentar,vai conseguir!
-Calma Rapha!-mostra as palmas das mãos.
-Você não tem pressa também?
-Sim,mas...
-Então.
-Vou fazer o possível.
-Maravilha,então quando tiver o dia marcado me avise. E olha eu prefiro que seja sexta feira...
-Rapha! Onde você vai?
-Para casa.
-Não quer jantar e ver um filme comigo antes?
-Você não tem que jantar?
-ah sim...eu esquento uma lasanha no micro ondas e a gente janta á bem?
-hunf. É isso que você faz quando está com fome?-cruza os braços.
-Só quando eu estou cansado demais para cozinhar. – vai até a cozinha. E o ninja o segue.
-Hunf! Depois eu que sou o preguiçoso. Deixa que eu cozinho seu molenga!-ele pretendia caminhar até o fogão.
-Não.Não hoje.- o impede colocando a mão no ombro dele- Raph. Você está sendo muito legal,mas eu...prefiro assim,somente hoje está bem?
-Tá. – chateado.
-Você gosta mesmo de cozinhar.-ri entre os dentes e fica de braços cruzados.
-Ora,me deixa em paz!-moveu a mão, irritado com aquela nítida provocação.
Arnold continuou sorrindo,mas não continuou gracejando,foi logo abrir a geladeira e pegar a caixa onde estava a lasanha,desembala,coloca num prato e põe no forno microondas. Enquanto ele programava,o mutante ficava olhando para o lado.
-Essa marca é muito boa. O filme que vai passar é bom,acho que você ainda não viu...
-Casey...isso vai demorar?
-O que? O filme ou a comida?
-Os dois. Não quero chegar tarde em casa.
-Você?!-espanta-se,ele nunca se importou muito com horários.
-...Se eu me atrasar,o mestre splinter irá ficar bravo e irá pedir para meus irmãos virem me procurar,entende? Não quero que nos incomode. Eu sei muito bem que esse será o primeiro lugar que vão me procurar.
-Bem,eu não quero te deixar em maus lenços,especialmente agora que parece estar andando na linha - riu da última frase.
-Para de rir idiota,você ainda não me respondeu!
-Bem,o filme irá terminar tarde...Mas,e se eu ligar para a April e pedir que ela...
-Não incomode a ruiva. E o mestre splinter não irá gostar que eu fique até muito tarde aqui,ele irá achar que estamos apressando as coisas.
Casey ficou chateado e sério. Raphael então não gostando de o ver com aquela expressão – se mostrou incomodado e irritado com isso – pegou a mão direita dele...
-Não piore as coisas.-o olhou bravo
-Tudo bem,que seja só um jantar então.-esboçou um sorriso.
Então quando tocou o alarme do microonda,avisando que a comida estava pronta,Arnold pegou a lasanha e partiu em duas. O mutante ajudou a arrumar a mesa. Só que,aquela foi a refeição mais silenciosa que os dois fizeram juntos e sozinhos. Nem na fazenda era tão assim.
Ambos também lavaram a louça,e foi nesse momento em que saiu uma fala...
-...Você já sabe quem mais será a nossa testemunha?
-Sim. O aquele dono da Pizzaria que algumas vezes fomos lá defender.
-Mas...mal o conhecemos.
-Sim. Mas pensei nele por que o mesmo já nos disse que era eternamente grato e que devia essa para a gente.
-Bem...se você insiste.
-Não tem mais ninguém que pode nos ajudar.
Eles conversaram sem emoção. E do nada emudeceram, uns minutos antes de terminarem de lavar os pratos, e mais ou menos nesse momento o senhor Jones pegou na mão dele e tocou a aliança do mesmo...
-Tudo vai dar certo.
O outro observando toda a ação somente ficou encabulado e um pouco depois disso,retirou a mão dali demonstrando incomodo, especialmente por que os dois estavam com as mãos molhadas,cheias de sabão e escorregadias.
-Tá . Sei. –foi somente o que disse,enquanto ruborizava.
Assim que terminaram por completo, o mutante sem mais delongas se despediu e foi embora,pela mesma janela que entrou.
Continua...
