II
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Devo admitir que sou fã da Garota Número Dois. Veja só, até me lembro do nome dela: Samantha. Não gosto muito desse nome, ele parece que trava na boca, mas o que se há de fazer?
Samantha era uma garota loira, lá por volta dos quinze anos. Estávamos agora, evidentemente, no quinto ano. Antes que você pense besteira, devo dizer que sim, entre a Um e a Dois houveram outras garotas, é claro. Estou listando apenas aquelas mais marcantes na vida do jovem James.
Ele, que agora tinha o ar experiente dos garotos experientes, se orgulhava de suas conquistas, é claro. Ainda que Lily Evans estivesse agora oficialmente o odiando, James não se deixava abalar. Se ela não o queria, outras quereriam. E foi por causa de toda essa auto-estima que ele foi surpreendido pela Garota Número Dois.
Porque, minhas caras senhoritas, Samantha foi a primeira garota que teve a audácia de roubar um beijo de James Potter.
Sabe, ela era bem bonita e não era Slytherin. Era Ravenclaw, e James já tinha uma certa queda por garotas dessa casa. Logo, nem seria difícil conquistá-lo. Talvez ele até já tivesse reparado nela antes. Mas sabe como são as garotas, elas querem tudo pelo jeito mais difícil e emocionante.
Foi assim que Samantha aparentemente resolveu que seria maravilhoso para o seu currículo agarrar James Potter sem aviso prévio. Eu não poderia ter visto o fato melhor nem mesmo se fosse o próprio James, pois estava caminhando por Hogsmeade ao lado dele quando aconteceu.
Lembro-me claramente do borrão loiro que era a menina puxando o rapaz e o beijando. A coisa toda não deve ter durado mais do que uns dois minutos, senão menos, mas tive tempo o suficiente para rir da cara assustada de James, que mal podia fechar os olhos e se poupar de ver as pessoas admirando aquela cena.
Samantha – eu só fui saber realmente o nome dela alguns dias depois – foi embora, radiante, depois de cumprir seu objetivo. James ainda passou alguns instantes com cara de bobo, mas se recuperou logo; tentou fazer sua melhor expressão de ela-não-se-conformou-ainda-coitada e sorriu.
- Você viu? Que louca! – ele falou discretamente, me puxando pelo braço.
- E tinha como não ver?
E então ele voltou a sua velha pose de pavão orgulhoso. Afinal, ele devia ter pensado, ela era louca, mas tinha bom gosto.
Em ambos os sentidos.
