– Já estamos chegando? – perguntou a jovem cansada olhando para fora da janela.

– Sim, Srta. Higurashi – respondeu o chofer sem retirar os olhos da estrada.

– Herm! Joe! Já disse mil vezes! Quer parar de me chamar assim? – a resposta de seu motorista pareceu despertar-la de seu transe.

– Me desculpe Srta. Kagome. – respondeu inexpressivo.

– Herm-herm... – continuou.

– Sim, Kagome – finalizou derrotado.

– Muito obrigada.

Kagome Higurashi estava sentada no banco de trás de 'seu' carro, um Mercedes-Benz Kompressor C200 preto. Carro que era dirigido por seu motorista, Joe. Ela estava indo encontrar com os pais na casa de campo deles em Oxford, lugar que ela descrevia como 'fim do mundo'. Kagome já havia mudado de escolas várias vezes, e sabia exatamente quando seus pais pretendiam colocá-la em uma nova. Qual seria o alvo dessa vez? A colegial mudava de escola pelo menos uma vez por ano, o que resultava nas suas poucas amizades. Ou melhor nas NULAS amizades.

Kagome se ajeitou no banco de trás do carro, deitada em seu travesseiro e com o cobertor cobrindo o corpo todo, inclusive a cabeça.

– Já chegamos?

– Não.

– Já chegamos?

– Não.

– Já chegamos?

– Não.

– Já chegamos?

– Não.

– Já chegamos?

– Sim.

– O quê? – berrou Kagome, caindo do banco para o chão do carro.

" Ai...Eu avisei para por o cinto" pensou Joe, preferindo não se expressar em voz alta temendo pela sua vida.

– Como assim chega...mos? – começou Kagome, fazendo uma pausa com o leve choque que a imagem a transmitia.

Kagome já havia estado na casa de campo dos pais uma vez quando menor, mas isso, essa construção em sua frente com certeza não era a tal casa.

– Joe, onde estamos? – perguntou sem tirar os olhos do prédio.

– Joe? – continuou quando não ouviu resposta.

Sentiu um vento gelado atrás de si e se virou para encontrar a porta aberta. Joe estendeu a mão para a jovem. Depois de um breve instante Kagome entendeu o gesto, deu sua mão ao motorista que a ajudou a sair do carro. O frio estava intenso mas Kagome estava vestida para a ocasião. Acabara de vir do Aeroporto e ainda trajava as roupas da viagem.

Kagome vestia um jeans azul escuro, com uma camisa branca de botões e mangas compridas, por cima da mesma um pulôver de lã preto sem mangas e com gola em 'V', usava uma gravata feminina preta para dentro do pulôver, e um par de botas de salto alto de couro preto que chegavam um palmo acima do joelho. Seu sobretudo preto dobrado nos braços foi logo necessário quando o frio se intensificou.

– Joe, onde estamos? – repetiu a pergunta agora que ele estava ao seu lado.

– Em seu novo lar! – respondeu apreensivo porém seguro. (Se é que isso é possível! XD)

0o0o0

– COMO É QUE É? – Kagome praticamente berrou.

– Querida acalme-se! Não é como se você nunca tivesse mudado de escola antes! – respondeu sua mãe apreensiva, mantendo uma certa distância.

Depois da visita – pré-programada com Joe pelo seus pais – ao seu 'novo lar', Kagome estava finalmente em casa junto de seus pais e com muita, muita raiva.

– Sim, claro! É claro que já mudei de escola antes! Vocês sempre me forçam! – respondeu enojada.

– Calma ai mocinha! Você nunca reclamou! – afirmou seu pai.

– Nunca reclamei? Nunca reclamei? – Kagome estava boba, como ousam dizer que nunca reclamou?

Está certo que depois de um tempo Kagome se acostumou com a idéia de estar sempre se mudando, mas essa era a gota d'água, já estava na hora de por um fim nisso.

– Querida, vai ficar tudo bem! Tudo como sempre foi! – tentou acalmar sua mãe.

– Como sempre foi? Como sempre foi? – Kagome agora se sentia idiota repetindo seus pais.

– Não sei se você se tocou mas isso é um IN-TER-NA-TO! – soletrou Kagome.

– Sim minha filha, nós sabemos disso. – seu pai respondeu começando a se irritar.

E assim foi posto um fim naquilo. Mas não do jeito de Kagome. Com certeza não. Depois de uma longa bronca e explicações sem fim de o porque eles estavam fazendo isso Kagome foi mandada para seu quarto.

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– E foi assim! Simplesmente assim! – Kagome andava de um lado para o outro do quarto de seu irmão.

– Relaxa Kagome, vai ficar tudo bem. – afirmou o menino sentado na ponta da própria cama.

– Como 'tudo bem' Souta? – exclamou Kagome indignada.

– Eu mudei de escola para escola, de cidade para cidade, de país para país minha vida toda! – Kagome tentou argumentar ainda andando de um lado para o outro, agora descalça.

– Exatamente Kagome! Essa é a sua chance! Você vai para o segundo ano do Ensino Médio, você ainda tem tempo de fazer sua 'história'!

– Não Souta, não tenho. – Kagome cansou de andar e deitou-se na cama, com a cabeça no colo de seu irmão mais novo.

– Kagome, deixe de ser boba! O ano escolar começa em duas semanas e o papai e a mamãe prometeram que você ficaria na APSJ até se formar no terceiro ano! – finalizou Souta tentando convencê-la.

– Urgh! – foi a única coisa que Kagome conseguiu dizer, e que Souta conseguiu entender pois ela estava com a cara enterrada em seu colo.

– Estão é esse o problema?! – indagou Souta.

– An? – perguntou Kagome confusa levantando o rosto.

– Você está assustada! – continuou o menino de 14 anos.

– Assustada? Eu? Souta não seja bobo! – conseguiu por para fora enquanto se levantava.

– Eu sabia! – disse Souta pondo-se de joelhos na cama.

– Você está com medo! – prosseguiu o jovem rapaz.

– Você nunca esteve em uma escola só durante tanto tempo... e além de ficar 2 anos na mesma, você também vai ter que morar lá! – finalizou triunfante e retornou a posição inicial!

–Que...que...que absur... – Kagome parou para pensar no que o irmão havia dito. – Que droga! É verdade! – a colegial deixou cair suas barreira. Caindo, de novo, sobre o colo do caçula.

– Souta, o que eu vou fazer? – indagou chorosa sem olhar para o irmão.

– Calma Kagome... – começou Souta penteando-lhe os longos cabelos negros com os dedos.

– Vai ficar tudo bem! Eu já estudo lá a 4 anos... É uma ótima escola! – tentou acalmar a irmã.

– Eu sei Souta, mas você vai para a 8ª série e eu para o 2º ano! – exclamou Kagome ainda com o rosto enterrado no colo do irmão!

– Eu já te disse antes Kagome! – começou Souta. – É só você repetir 3 anos que nós ficamos na mesma sala! – continuou o irmão com um meio sorriso, fazendo Kagome dar uma breve risada.

– Do jeito que você é meio burrinha isso não seria muito difí... AIII! – Souta não conseguiu completar a frase pois Kagome, quando entendeu o que ele iria dizer, deu-lhe um tapa em uma das coxas!

Kagome se levantou e ficou observando Souta, que esfregava sua coxa freneticamente tentando aliviar a dor provocada pelo tapa de sua irmã.

– Ai, ai Souta! Só você para fazer eu rir em uma hora dessas! – exclamou Kagome indo em direção de seu irmão e dando-lhe um abraço de gratidão.

– Boa Noite irmãozinho!

E assim saiu em direção a porta.

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Kagome foi direto para seu quarto, sentou-se na cama para depois despencar deitada. Largou as botas no chão ao seu lado direto e ficou contemplando seu quarto. Quando era pequena ele era rosa claro com detalhes brancos, com bonecas e brinquedos espalhados; sua mãe o havia decorado. Não estava muito diferente, exceto talvez pelos diversos suvenires -N/A: sim, é assim mesmo que se escreve!- que Kagome trazia de suas diferentes moradas. Todas as vezes ela comprava pequenos objetos decorativos, cada um representando cada país, cidade ou escola nas quais havia morado/estudado.

– Acho melhor ir dormir...

– Amanhã o dia será longo! – falou para si mesma.

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– Bom dia! – Kagome exclamou,

Ao entrar na cozinha deu de cara com a cozinheira da família, Kaede. Mesmo Kagome estudando em lugares diferentes, seu pais sempre a acompanhavam, por isso, estava acostumada com a comida de Kaede. Tinha tido um mês de férias da escola – e dos pais – e sentia grande falta de uma boa comida caseira.

– Kaede! Que bom te ver! – a colegial exclamou, enquanto abraçava a cozinheira pelo lado.

– Kagome! Você passou tanto tempo fora que pensei que você não iria mais voltar... – Kaede disse retornando o abraço.

– Nossa! Está bonita! Como cresceu! – exclamou Kaede tomando distância mas ainda segurando as mãos de Kagome.

– Não exagere Kaede, só estive fora um mês! Além disso, acho que vou ficar com essa altura pro resto da minha vida... – exclamou sentando-se em um dos bancos altos que ficavam na bancada no meio da cozinha.

– Um mês é muito tempo para uma menina da sua idade! – começou Kaede. – Você deve ter andado comendo só porcaria! Se é que comeu nessa sua viagem! Está tão magrinha! – completou.

Kagome lembrou-se de como Kaede sempre fora. Desde pequena dizia que Kagome nunca comia, e quando comia, comia pouco e besteira! Kagome a conhecia o suficiente para saber o que vinha pela frente.

– Vou fazer um café-da-manhã reforçado para você, ouviu?

BINGO! Era melhor sair dali antes que Kaede a fizesse comer seu peso em panquecas.

– Que tal panquecas de chocolate?! – Kaede perguntou, pegando Kagome pelo seu ponto fraco.

– Cho...cho...chocolate? – Kagome perguntou QUASE derrotada.

– E se tiver na dispensa, eu ainda coloco mini-marshmellows em cima! – finalizou a velha cozinheira. Sabia que Kagome não se negaria.

– Está bem... – a colegial declarou sua derrota.

Depois de quase 20 panquecas de chocolate com marshmellows Kagome não conseguiria comer nada até o almoço! (Eram 8:30h da manhã, e a família Higurashi tinha o costume de almoçar as 14:00h da tarde).

0o0o0

– A Kaede ainda me mata desse jeito! – exclamou a colegial deitada em sua cama – agora arrumada, por uma das empregadas – com a mão direita em baixo da cabeça e a esquerda na barriga.

Kagome deixou a cabeça pender para o lado direito observando a neve em volta de sua janela. "Nevou ontem a noite" pensou, Kagome se levantou de repente indo em direção ao seu closet. "O que vou vestir?" continuou pensando. Puxou um par de jeans desbotados, com rasgos na área das coxas; puxou também uma camiseta branca de mangas compridas um pouco frouxa com detalhes escritos em prateado na frente; um cachecol fino de cashmere azul-claro; um casaco de ski verde bebê. -N/A: Esse tipo de casaco é feito com tecido impermeável e é um tanto volumoso-. Depois de estar quase toda vestida(faltando o cachecol e o casaco), Kagome foi até sua sapateira e puxou seu par de botas preferido(bom, um deles... XD), eram botas sem salto, de camurça azul clara que chegavam um pouco acima do joelho, eram bem frouxas nas pernas desse modo ficando um pouco enrugadas.

Pensou em levar uma bolsa, mas logo desistiu. Sentou na sua penteadeira, abriu sua caixa de jóias e puxou um par de argolas médias de ouro branco e um de seus colares da Tiffany & Co., ele dava varias voltas – de vários tamanhos – no pescoço com um coração na volta mais longa. Pegou seu Sidekick (celular) e seu iTouch(iPod) e colocou-os no bolso do casaco, ainda sem vesti-lo. Desceu as longas escadas rápida mas silenciosamente enquanto enrolava o cachecol no pescoço de modo que ele caísse um pouco de um lado, desse a volta no pescoço e caísse um pouco mais curto do outro lado. Parou, enquanto amarrava os cabelos em um rabo-de-cavalo bem alto, voltou três passos e se olhou no espelho perto da porta.

Estava bem; simples; mas bem, disse um "Vou sair" alto suficiente para ser ouvida do quarto dos pais; saiu pela porta antes que alguém pudesse tentar impedi-la. Colocou o casaco, que até então estava em seu braços e saiu andando. O 'fim do mundo' ficava lindo mesmo coberto de neve. Kagome seguiu pela calçada observando o céu. Depois de um longo momento Kagome estendeu sua mão até seu bolso puxando seu celular, olhou a hora e ficou surpresa, quando saiu de casa eram 9:00h, o relógio indicava 11:30h, estivera andando por duas horas e meia. Tinha que voltar para casa. Seus pais iriam matá-la se ela não estivesse em casa a tempo do almoço.

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N/A: Olá! Cá estou eu com uma nova Fic sem ter terminado a minha outra! Hehe!

Bom eu tive essa inspiração de uma hora para outra e acabei tendo que escrever... XD !
Aqui está o primeiro capítulo...espero que gostem...

O que acharam do roteiro? Não está muito chato?
Por favor tenham peninha de mim e deixem REVIEWS!

Ah! E peço que não reparem nos erros, ainda tenho problemas com
esse maldito, herm-herm, quer dizer, bendito site! XD

Vou tentar postar o outro capítulo o mais rápido possível!
Assim que eu descobrir como eu vou fazer para o Inu conhecer a Kag! ¬¬

XOXO
Mariah,

27/09/08