Kakashi POV
Depois de meia hora acreditei estar focado o suficiente para retornar para a sala e fazer companhia a Yugao até que Tenzo chegasse com Sakura.
Ela estava sentada a mesa de jantar lendo alguns papéis. Aquilo era o relatório da ultima missão?
- Oh, perdão por estar lendo suas coisas. – Ela me notou e ficou levemente corada por ter sido pega espiando, guardou os papéis rapidamente dentro da pasta em que pertenciam. – Só queria uma visão mais técnica da tal missão que "invadi".
- Entendo. – Alguns raios de luz já começavam a inundar meu apartamento e seu cabelo refletia num tom de violeta ainda mais claro. – Aceita um chá? – Ela gesticulou que sim e eu me dirigi à cozinha.
Meu apartamento não era dos maiores. A sala, cozinha e sala de jantar ficavam juntas em um plano aberto, apenas separadas por uma ilha para refeições rápidas. O único banheiro ficava dentro do meu quarto, o que era péssimo quando se tem visitas. Não que eu tivesse muitas, Tenzo dormindo bêbado no sofá não conta.
- Então, Rokudaime Hokage hum? – Ela veio até mim com dificuldade, sorrindo de lado e arqueando uma sobrancelha.
- Isso devia ser sigiloso. – Minha voz soou contrariada.
- O que você diria da ANBU do Hokage se não soubéssemos quem será nosso próximo líder? – Yugao sempre gostava de ser a mais esperta do ambiente a qual se encontrava.
- Eu duvido que algum ANBU saiba disso, além de você. – A encarei com olhar acusador. Ela revirou os olhos.
- Kakashi senpai eu só queria te parabenizar. Estou orgulhosa de ter sido subordinada direta do futuro Hokage. – Suspirei, ela não conseguiu ficar meia hora sem me chamar de senpai. A água já estava borbulhando, comecei a preparar o chá.
- Não é algo que eu realmente queria. – Dei de ombros.
- Claro que não. – Ela riu.
- Qual a graça?
- Você nunca deseja os títulos que adquire, e é exclusivamente por isso que você os consegue. – Seus olhos faiscaram. – Pare de ser um bebê e aceite meus parabéns.
- Arigatou. – Por debaixo da mascara soltei um sorriso, esse humor me trazia lembranças. – Açúcar ou mel? – O chá já estava pronto.
- Mel, por favor. – Ela se sentou na pequena bancada.
- Você devia estar deitada na cama. – Acabei pensando alto. Ela estava se movendo de um lado para o outro e era visível o seu desconforto ao fazer os movimentos.
- Eu sei. – Ela tomou um primeiro gole do chá e parece ter queimado a língua. Soltei uma leve risada que a fez me encarar com ódio, se ela tivesse um sharingan eu estaria perdido.
Ouvimos batidas na porta. Devia ser Tenzo e Sakura. Segui para abri-la.
- Ohayō, senpai. – Tenzo estava com umas sacolas na mão, mas nada de Sakura.- Vocês precisam parar de me chamar de senpai. – Cocei minha têmpora direita.
- Acho que ele prefere Rokudaime agora. – Yugao disparou antes de tomar um longo gole de seu chá. Por Kami, o gesto era mesmo provocante ou era provocante porque era Yugao? Tenzo foi entrando em meu apartamento e seguindo para o lado de Yugao, a cumprimentando com um abraço e um beijo em sua bochecha. Bufei. Eles haviam estreitado sua amizade depois que sai da ANBU.
- Verdade, o futuro Rokudaime Hokage de Konohagakure. – Ele finalizou com uma reverencia dramática que arrancou uma risada de Yugao. Meus ombros caíram.
- Podemos parar se você começar a me chamar de Yamato. – Revirei os olhos.
- Tudo bem. Yamato. – Segui para o outro lado do balcão o qual estavam sentados. – E a Sakura?
- Péssimas noticias, ela está em uma missão em Suna, treinando médicos ninjas. Mas acredito que com mais um ou dois dias Você já vai estar melhor Yugao e vai poder se curar sozinha. – Ele colocou as sacolas de papel em cima da bancada. – Trouxe alguns itens seu do dormitório da ANBU. Acho melhor você permanecer aqui por um tempo. Mais calmo. – Encarei Yamato pedindo por socorro, ele sabia como eu ficava perto da Yugao e dá essa sugestão. Ele abafou uma risada. – Vai ser bom para os dois. – Usei de toda minha força de vontade para não socar a cara dele ali mesmo.
- Eu posso ficar no dormitório tranquilamente. – Ela rebateu, o que me fez respirar aliviado e também ficar apreensivo, ela não queria ficar ali.
- E quem vai fazer teus curativos? Sabemos que tem muitas mãos capazes no dormitório feminino da ANBU, mas também sabemos que você não gosta de nenhuma. – Ele a refutou, o que a fez suspirar alto.
- Não tem problema algum você ficar aqui, acabamos de voltar de uma missão e devo ter uns dias de folga. – Cocei minha nuca enquanto selava meu destino. Ela me encarava um pouco surpresa, devia ter pensado que não queria sua companhia.
- Bom, se você não se importa. Vai ser bom ficar um pouco distante daquela loucura. – Os dormitórios da ANBU eram conhecidos por ser um local extremamente competitivo e violento, qualquer desentendimento era motivo para uma boa briga.
- Eu tenho que entregar o relatório da ultima missão para a Godaime. – Logo me lembrei. – Yamato pode te fazer companhia. – Minha afirmação foi uma pergunta silenciosa para ele, que assentiu. – Bom, então vou indo. – Fui para o quarto para me trocar e sair, pela janela. Como um fugitivo.
Meu principal problema com Yugao era que ela mexia comigo, de um jeito que nenhuma outra jamais mexeu. Me distraia, se tornava meu foco. Durante nossas missões na equipe Ro esse poder dela foi crescendo periodicamente até se tornar quase impossível concluir uma missão com neutralidade, eu sempre acabava a protegendo. Quando eu fui convidado a me retirar da ANBU, senti como se estivesse me livrando de um fardo, mas com o tempo a saudades dela me consumia, eu sentia falta da sua voz, do seu perfume, do seu cabelo, das suas mãos cuidando de meus ferimentos, da sua atenção, sua forma mandona quando estava cuidando de mim. Cheguei a pensar que era alguma comparação absurda com Rin, uma necessidade de suprir sua ausência. Não era Rin. Eu nunca me senti dessa forma próximo a ela, ela era uma amiga, uma irmã, Yugao era uma tentação. E eu sabia que era errado, ela havia sido minha subordinada, confiava em mim, era errado deseja-la, era errado pensar em me envolver com ela dessa forma, mas o que eu podia fazer para evitar? Seus olhos me prendiam, seus lábios usualmente vermelha me hipnotizava com cada palavra que dizia, o uniforme ANBU apenas acentuava ainda mais as curvas que seu corpo havia adquirido com o passar dos anos.
Detesto admitir, mas sou fraco. Yugao era minha fraqueza, tudo que eu conseguia pensar quando ficávamos à sós era qual seria o sabor de seu beijo.
Yugao POV
- Olha Tenzo... Yamato, como você quiser ser chamado... Eu acho que vou atrapalhar o Kakashi ficando aqui, ele nunca gostou muito da minha presença, sempre foge. – Minha voz soou decepcionada. Eu admirava Kakashi, mas por algum motivo eu lhe causava repulsa.
- Ele não foge de você. – Tentou defende-lo.
- Ele escapou pela janela. – Rebati, ele riu.
- Velhos hábitos. – Disse entre risadas. - Alias, por que você invadiu nossa missão?
- Não lembro. Amnésia temporária. – Apontei para onde estava a ferida na minha cabeça. – Se foi mesmo do jeito que Kakashi me contou, deve ter sido bem patético.
- Foi um pouco. – Dei um tapa em seu ombro por concordar comigo tão facilmente. - Você invadiu nossa luta se jogando entre Kakashi e seu oponente, ele teve um trabalho duplo, neutralizar o inimigo e te retirar, ferida, do meio da luta. Você precisava ver o quão transtornado ele ficou ao ver que você estava sangrando. Não sobrou um refém sequer para Ibiki. – Eu não conseguia imaginar essa cena.
- Isso é muito vergonhoso. – Escondi meu rosto sobre o balcão.
- Eu trouxe uns remédios para você. – Ele abriu umas das bolsas e me entregou uma tonelada de medicação.
- Arigatou. – Agradeci um pouco desanimada.
- Yugao, como você está em relação ao Hayate... Já faz alguns anos. – O encarei, questionava o porque da pergunta. Hayate era um tabu para mim. – Apenas curiosidade, foi uma fase difícil, mas você não tem tocado no assunto depois... Depois do Edo Tensei.
- Kami me permitiu encerrar esse capitulo da minha vida durante a guerra. – Suspirei. – Os momentos que tive ao lado dele foram únicos. E vão permanecer eternos, no passado.
- Isso é bom, fico feliz. – Ele me deu um de seus sorrisos genuínos. – Toma sua medicação e vamos nos aproveitar um pouco da TV a cabo do Kakashi. – Precisei rir, Yamato era bom demais para esse mundo.
Passamos as próximas horas assistindo TV, eu acabei me apoiando em seu ombro e senti quando ele me abraçou. A medicação estava me deixando sonolenta e não iria demorar muito para que eu caísse no sono.
Era irônico que estivesse sendo "obrigada" há passar um tempo com Kakashi, depois de tanto tempo, essa seria a realização de meu sonho de menina. Quando o conheci aos treze anos, daria tudo para estar vivendo esse momento. Sendo cuidada por ele, não o contrario. A vida lhe mostrou que o sentimento que nutria quando menina não era recíproco. Quando ele saiu da ANBU acho que tive minha primeira desilusão amorosa, chorei por semanas e sequer conseguia sair do dormitório. Hayate me salvou. Pela primeira vez eu fui amada e desejada. Podíamos ter construído um futuro juntos. Mas ele foi tirado de mim. Minha única certeza era a amizade de Yamato, meu porto seguro. Meu irmão.
Kakashi era uma inconstância, sempre uma incerteza. Ora tão distante e agressivo ora protetor e carinhoso. Ele me fazia perder a razão. Pelo visto, esse ainda era um de seus talentos. Me fazer tomar atitudes insanas como me ferir para protegê-lo. Acho que Kakashi sempre será um enigma sedutor para mim. Seria interessante se um dia eu tivesse a oportunidade de soluciona-lo.
Mas um capitulo meninas S2 Muito feliz que vocês estão gostando da história!
Isso me incentiva demais a continuar a escrever *.*
Espero que gostem de mais esse capitulo S2
