N/A: Esse segundo capítulo é centrado na Ino (: Sei lá, eu queria escrever sobre esse encontro no ponto de vista de cada um e achei melhor separar os capítulos para não ficar muito confuso. Não sei se nos próximos eu vou dividir desse mesmo jeito. Enfim, enjoy!
2. Something in his style that shows me
Não é que Ino não gostasse de ajudar na floricultura; ela só não gostava de acordar cedo. Principalmente acordar cedo depois de ter chegado totalmente exausta de um dia excepcionalmente ocupado no hospital. Normalmente não era tão exaustivo, mas no dia anterior Neji havia aparecido com ferimentos profundos e ela ficara responsável de tratá-lo. Seu controle de chakra ainda precisava melhorar e juntando com a profundidade dos ferimentos – que o Hyuuga recusou-se a explicar como conseguira, fazendo com que a loira pensasse que era alguma missão confidencial ou algo do tipo – ela havia gasto bastante energia e precisava de descanso.
Mas, nããão. Ela tinha que abrir a loja.
Bem, não tinha jeito. Ela também tinha que ajudar em casa, afinal de contas. Então, lá foi ela, arrastando os pés e com os olhos ainda embaçados por conta do sono. Destrancou as portas e deixou-as abertas em um convite silencioso para a rua ainda deserta. Quando era a vez dela abrir a floricultura, ela sempre o fazia uns dez minutos antes do que o necessário. Sim, um hábito estranho para alguém que era tão contrária a ideia de acordar cedo como ela, mas isso lhe dava uns minutos para cuidar de suas filhas.
Sim, suas filhas. Era como ela se referia às flores. Não em voz alta, é claro, só em sua cabeça. Ino não queria nem imaginar em como Sakura a provocaria se soubesse que era assim que se sentia em relação às flores. Quero dizer, todos sabiam que a kunoichi tinha uma afinidade especial com elas, mas ninguém sabia que era tão grande.
Ainda se sentindo um pouco irritada por ter tido que acordar cedo, ela colocou o avental da loja sobre sua roupa, bocejando. Dirigiu-se, então, até alguns arranjos. Sentiu, então, todo o cansaço esvair de seu corpo e um sorriso brincar em seus lábios.
- Bom dia, meus amores... – ela sussurrou, estendendo as mãos para ajeitar as flores. – Como passaram a noite? Sentiram minha falta? Sim, eu sei que sim...
- Bom dia.
Seu primeiro reflexo foi corar. Não acredito que me pegaram fazendo isso, ela pensou, virando-se rapidamente. O segundo pensamento coerente a se formar na mente da loira foi, Que pessoa normal acorda a essa hora da manhã para comprar flores?, enquanto ela tentava se recompor, sorrindo timidamente.
- B-Bom dia!
E então Ino parou para analisar o cliente. Ruivo, alguns centímetros mais alto do que ela, olhos azuis assim como os dela envoltos por uma tinta preta, o kanji Ai tatuado na testa...
Sabaku no Gaara.
Memórias da luta que ocorrera entre o homem a sua frente e Lee-san em seu primeiro Exame Chuunin invadiram sua mente. E então, ela lembrou-se do estado em que seu companheiro ficara após a luta. Se não fosse Tsunade-sama, o moreno provavelmente não poderia mais viver como um shinobi.
O sorriso escapou de seus lábios, a cor sumiu de seu rosto e ela sentiu seus olhos arregalarem um pouco. Havia poucas coisas que a deixavam com medo, e o homem a sua frente era uma delas. Engoliu em seco, desviando o olhar.
Recomponha-se. Recomponha-se!
- Tulipas... estou correto? – ela o ouviu dizer suavemente.
Arriscou um olhar para ele e percebeu que ele indicava, com um gesto da cabeça, as flores que, até aquele momento, estivera cuidando. Franziu o cenho. Se não estivesse tão amedrontada, acharia graça um homem tão mortal quanto ele ter algum conhecimento sobre flores. De repente, a voz de Sakura lhe veio à cabeça:
- Ele agora é o Kazekage – ela havia lhe dito há algum tempo atrás. – Pelo o que eu ouço da Tsunade-sama, ele está bem mudado. Não é mais aquele assassino a sangue frio.
Respirou fundo. Nunca indicariam alguém que só pensasse em matar para ser o Kazekage.
Então talvez ele realmente esteja mudado... ?
- S-sim. – pigarreou, tornando a olhar para o homem a sua frente. Se ele percebera o medo que a invadira no momento em que o reconhecera, não demonstrava. O sorriso que estava em seus lábios quando a cumprimentara, porém, não estava mais lá. – Você gostaria de levar algumas, Kazekage-sama? – perguntou, abaixando levemente a cabeça em forma de respeito.
- Não realmente – ele respondeu, olhando em volta para analisar o lugar. – Só estava de passagem... – pareceu que ele queria completar a frase, mas logo desistiu da ideia, voltando a olhar para a kunoichi a sua frente. – Ino, não é?
Novamente sentiu seus olhos arregalarem um pouco, mas dessa vez de surpresa. Não se lembrava de ter conversado com ele antes, então como ele sabia seu nome? A pergunta devia estar estampada em seu rosto, pois logo ele acrescentou:
- Eu me lembro da sua luta. Só não lembro seu nome completo, desculpe.
- Yamanaka – ela se ouviu dizendo, antes que pudesse pensar a respeito. – Yamanaka Ino.
- Yamanaka... Ino... – ele repetiu quietamente.
Fora algo no modo com que ele disse seu nome, como se saboreasse cada sílaba. Ou talvez, algo no modo com que ele a olhou. Como se tentasse gravar a imagem dela a ferro em sua mente, para nunca mais esquecer.
O que quer que tenha sido, Ino sentiu o medo ir embora. Pouco a pouco, ela se sentiu relaxar na presença de Gaara. Isso fez com que ela percebesse umas pequenas coisas: seus braços estavam ao lado de seu corpo, em uma postura relaxada, diferentemente de antes, quando ele parecia sempre estar com os braços cruzados; apesar de não estar sorrindo, sua expressão facial era suave, leve, como se estivesse em paz consigo mesmo; mas o mais chocante eram seus olhos. Havia tanta gentileza neles, diferente de antigamente, apesar de parecerem cansados. Era como se um peso houvesse sido tirado de seus ombros.
- Você parece gostar bastante de flores.
- Oh – ela piscou, voltando a realidade. Então corou furiosamente, lançando um rápido olhar para as tulipas. Incrível como ele conseguira fazer com que ela corasse duas vezes em um intervalo tão curto de tempo. – É, bem... eu... – ela gaguejou, tentando pensar em uma desculpa para estar conversando com as flores no momento em que ele entrara na loja, mas nada lhe veio a mente. – G-Gosto sim – limitou-se a responder, dando-se por vencida.
Quando voltou a olhar para o rosto de Gaara, notou que o sorriso havia voltado aos seus lábios. Era um belo sorriso, ela constatou. Ele deveria sorrir mais.
Inesperadamente, Ino soltou uma risada. – Anh, você me pegou no flagra.
Mais inesperadamente ainda, ele riu de volta. – Não se preocupe, eu não vou contar para ninguém.
Ele deveria rir mais. A loira se pegou sorrindo gentilmente para ele.
- Obrigada.
