Disclaimer: Naruto (c) Eu. Processem-me.


Interlúdio

"Amo Fulana tão forte
Amo Fulana tão dor
Que todo me despedaço
E choro, menino, choro.

Mas Fulana vai-se rindo...
Vejam Fulana dançando. "
(Carlos Drummond de Andrade)

Yamanaka Ino foi praticamente escoltada por nós até a Pensão. Ela não queria saber mais de ser famosa, aparentemente. Pediu meu casaco emprestado, escondeu-se e fomos lá. O Shikamaru foi o que se deu melhor com a situação – eu e o Naruto estávamos espantados demais para qualquer outra coisa. Sinceramente, a mulher é linda demais. Dá é raiva.

"Olá!" Yamanaka Simpatia Em Pessoa Ino sorriu ao adentrar o ambiente. Fechamos as portas e as janelas rapidamente. Kushina-san veio até a entrada ver quem era e, quando viu Ino, arregalou os olhos até parecer que eles iam sair das órbitas. "Sou Yamanak..."

"Você não precisa ficar se apresentando" Shikamaru cortou. "Todos nós sabemos quem você é aqui."

Ino revirou os olhos. Kushina-san se apresentou, meio balbuciante. É, eu conseguia entendê-la. "Bem, a maioria deles está no trabalho e Hinata está com Kiba. Só eu estou aqui." Ela disse. "Quer se sentar, Yamanaka-san?"

"Pode me chamar de Ino!" a modelo sorriu, sentando-se sem cerimônia alguma no sofá. Entreolhamo-nos. Talvez ela fosse doida. Ou talvez eu estivesse ficando doido. Não era possível que ela estivesse lá. E nem que eu estivesse apaixonado por ela, afinal, só a havia visto num anúncio. Mas a presença dela causava tantas coisas que era impossível não amá-la a primeira vista, como se ama uma pintura ou uma fotografia.

"Então, Ino..." Kushina franziu o cenho, sentando-se ao lado dela. Tinha mandado o Naruto ir preparar um chá. Ele saiu resmungando, queria ouvir a conversa. Shikamaru disse que iria ao asilo. Ainda estava de pé, olhando para as duas. "Por que você não... apareceu no ensaio ontem?" perguntou, calmamente. Ino deu de ombros.

"Acho que me cansei disso, sabe? Essa cidade é tão bonita... Eu queria conhecê-la, não bater umas fotos e ir embora. E as pessoas lá, elas não me veem como um ser humano e isso me irrita. Elas me veem apenas como Yamanaka Ino, a garota propaganda da Chanel. Queria que eles sentissem minha falta só um pouco."

Que engraçado: uma deusa querendo ser humana, enquanto tantos humanos querem ser deuses.

Kushina assentiu, como se entendesse: "Mas você sabe que eles irão procurá-la, certo? E que, se encontrarem-na aqui, nós seremos acusados de sequestro ou algo do tipo."

"Mas eu irei negar. Direi que vim aqui com as minhas próprias pernas. E eu irei voltar... eu acho. Só gostaria de dar uma volta."

"Não acha isso meio impossível?" intrometi-me. De uma forma muito idiota, que provavelmente a deixaria com raiva de mim, mas não me importei. As palavras simplesmente saíram. "Todos vão te reconhecer na rua."

"Você não conhece lugares secretos?" ela olhou para mim, sorrindo. "Como vocês foram para lá, imaginei que poderiam me levar para passear. E eu vou disfarçada. Dê-me um pouco de maquiagem, óculos escuros e algumas roupas que você verá."

Kushina sorriu e foi inevitável que eu sorrisse também. Ela parecia meio doida, era verdade, mas era bem melhor do que o jeito que eu a imaginava. Naruto voltou com os chás, colocando em cima da mesa. Eu finalmente resolvi me sentar. Eu e Naruto não falávamos muita coisa, mas Kushina conseguia conversar com Ino.

Só queria ver o que iria acontecer quando os outros habitantes chegassem.

X

Sakura e Tenten estavam histéricas na sala. Ino estava rindo da atitude das garotas, mas a maioria de nós só estava envergonhada. Minato e Kushina conversavam baixinho sobre alguma coisa (todas as apostas na nova inquilina), Temari e Shikamaru conversavam, entediados. "Então, que bom que você fugiu!" Tenten sorriu. "Se não, nunca poderíamos te conhecer..."

Temari coçou a garganta. Tenten a olhou, sorrindo. É, um leve aviso de propriedade. E era bom que Tenten já tivesse namorada, afinal, era difícil o suficiente lutar contra Naruto. Não que ele estivesse buscando a atenção de Ino, mas com ele lá... como ela olharia para mim?

Não que eu estivesse preocupado com isso. É.

Estava de noite, mas nossas janelas ainda estavam fechadas. Ino não tinha bagagens e disse que não via problema nenhum em dormir no sofá, mas Kushina disse que nunca trataria uma hóspede daquela maneira. Então, havíamos jantado, Ino havia tomado um banho e colocado roupas da Sakura.

E, bem, ela realmente estava diferente, como disse que ficaria: o cabelo estava solto, ainda, mas caindo de forma que escondia seu rosto. Ela havia passado maquiagem e o rosto tinha perdido parte da simplicidade característica. Usava uma blusa branca e folgada, de mangas curtas e por baixo, uma blusa preta que ia até seus pulsos. Calças jeans largas. Não parecia em nada com a supermodelo que conhecíamos.

Ino ficou de pé: "Eu quero sair. Vamos sair?"

Foi Temari quem primeiro se pronunciou: "A gente tem trabalho amanhã, garota." Falou, revirando os olhos. O que era verdade – estávamos num pleno dia da semana e a doce Ino queria dar um passeio? O pessoal assentiu, meio chateado por deixá-la chateada.

Então eu, como o bom homem nada idiota que sou, disse: "Eu posso ir."

E todos me encararam de um jeito que dizia que eles estavam surpresos ou condenando meu ato, mas Ino me olhou com uma felicidade tão grande que não me importei. "Ótimo! Muito, muito obrigada. Chouji, certo? Vamos!" ela foi para a porta. Ia segui-la, quando Minato segurou meu braço.

"Olha, Chouji, eu entendo que ela seja... bem, ela, mas não se apaixone. Ela irá embora daqui a pouco..."

Sorri, pensando em como isso me deixava triste e dei de ombros, dizendo que não me apaixonaria por ela. O que era meio difícil, considerando como meu coração acelerava só por ver sua felicidade.

Saímos para a noite de Konoha.

X

Ino me fizera comprar pipoca. Agora, andávamos por uma calçada, ela comendo pipocas e eu olhando para o céu, pensando em como aquela cena era impossível. "Eu gosto daqui. É calmo. Não parece com Tóquio..." Ino fez uma careta.

"Hm, às vezes, aqui é uma cidade parada demais..." refleti. Ino riu.

"Você diz isso porque nunca foi a Tóquio, não é? Se fosse, iria ver como é bom morar aqui. Principalmente onde você mora... Todos eles são tão receptivos e calorosos!"

"São, mesmo." Sorri. Ino parou, sentando-se num banco. Sentei-me ao lado dela. Um vento frio bateu e eu senti. O perfume que ela usava. Era tão, tão cheiroso que meus olhos reviraram por uns instantes. O melhor cheiro que eu já havia sentido. Combinava com ela, com sua personalidade. Nunca sentiria outro perfume assim.

"Você não se sentiu incomodado em vir passear comigo, não é?" perguntou, de repente, amassando o saco das pipocas e jogando num lixeiro próximo. Eu ri. Aquela hipótese era tão infundada!

"Claro que não." Respondi. Ela sorriu e se levantou. Franzi o cenho, mas, antes que pudesse me levantar, Ino começou a rodar, sozinha.

A luz de um poste batia bem sobre ela. Ino era tão linda que chegava a ser ridículo. Parecia uma criança brincando sozinha. Ou um pássaro, que tivesse conhecido sua liberdade. Mas, a melhor comparação me veio algum tempo depois: Ino era uma borboleta, livre, bela, colorida. Começou a rir e parou de rodar, olhando para mim. "Você acha que eu sou doida, não é?"

Ri. Eu já sabia que nunca teria nenhuma chance com ela e, bem, ela iria embora, então não tinha nada a perder. "E você não é?"

"Não!"

"O que você é, então?"

"Eu sou... uma dançarina!" chegou perto de mim, puxando-me pelas mãos, ainda rodando. Arregalei os olhos. Se havia uma coisa que eu definitivamente não sabia fazer era dançar. Mas Ino parecia não se importar com o fato de eu ser um gordo feio e atrapalhado, simplesmente continuava dançando e tentando fazer-me acompanhá-la.

"Eu não sei dançar." Murmurei, envergonhado. Ino riu.

"Todo mundo sabe dançar!"

O vento bateu mais uma vez. Senti seu perfume e acreditei nas suas palavras.

X

Olhei para meu relógio. Já era uma da manhã e eu e Ino ainda estávamos andando pelas ruas. Ela parecia não se cansar – e eu também não me cansava dela. Acabamos parando na... sei lá o que era aquilo. Uma pista de caminhada que rodeava a lagoa que tínhamos na cidade. Ino suspirou.

"Desculpe por estar possivelmente atrapalhando seu trabalho de amanhã..."

"Não tem problema." Disse, porque não tinha mesmo. Amanhã eu só iria para a faculdade e as cadeiras do dia só eram à noite, então era tudo muito conveniente. "Você está querendo voltar?"

"Não." Ela soltou um muxoxo. "Por mim, ficaria aqui para sempre."

Então eu percebi que ela estava falando de voltar para a sua vida de sempre, enquanto eu me referia à pensão. "Fique." Falei, sentindo-me muito idiota. Ino riu.

"Eu queria que fosse fácil assim, Chouji. Mas é como Kushina-san disse... Eles vão me procurar. Eu terei que ir embora, apesar de não querer."

"Vamos para casa?" perguntei, depois de um momento de silêncio. Ino parecia cansada, encostou-se a mim. Corei um pouco, sentindo seu perfume e passei o braço ao redor dos seus ombros.

"Vamos."


N/A: Eu atualizei? Depois de um ano e alguns meses? NOSSA. HAHAHA Só para ti, viu, Ferlis? Eu queria que você pudesse voltar a ler ChouIno, por alguma razão. Não tô dizendo porque só existem ChouIno ruins e a minha presta, tô dizendo que quase não existem ChouIno, HAHA. Mas enfim, eu sei que ficou OOC, mas eu realmente espero que você tenha gostado. É de coração. (sempre é)