Disclaimer: Como sempre, Sailor Moon não me pertence pq se pertencesse 'cês só iam ver SilMil.

Essa fic. é a segunda pra quinzena VK 2017 (que com fé em deus eu vou conseguir completar dessa vez!). As fics vão ser postadas em dias alternados do mês de novembro com temas diferentes.


Tema 2: Akai Ito

"...Há tanto tempo venho procurando, venho te chamando, você existe, eu sei.
Em algum lugar do mundo você vive, vive como eu, onde eu ainda não fui..."
(Você Existe, Eu Sei - Biquini Cavadão)

No surrado caderno de anotações, com as folhas já manchadas pelas marcas de digitais do dedos sujos de grafite o general rabiscava a silhueta feminina. As nuances dos traços indicavam a profundidade, a luz, as sombras e os detalhes feitos na página amarelada.

Kunzite olhou a imagem em preto e branco, não muito satisfeito, folheou o caderno, repleto de estratégias de guerra misturadas a mesma cena rabiscada na última página em diferentes posições, ele estava tentando encontrar algum detalhe perdido anteriormente que poderia formar por completo a imagem da mulher de vestido branco, parada em meio as dunas do deserto e com os cabelos dourados dançando em frente ao rosto. Aquilo tinha se tornado quase que uma obsessão, afinal, nos últimos dois meses ele sonhava com a moça e o cenário de areia e aprendera, desde de muito novo, a não subestimar o significado dos sonhos, ainda mais os recorrentes.

Ele não sabia muito bem quando o sonho iria acontecer, podia vir por 3 dias seguidos, em dias alternados, ficar uma semana sem vir. Mas era certo que quando surgia, após ele adormecer, em seu inconsciente, Kunzite estava no meio do deserto, completamente sozinho, sem armamento, sem suas vestes oficiais, apenas com as roupas de algodão e linho claras que utilizava para pintar e uma longa fita vermelha e brilhante presa ao dedo mindinho.

A fita subia uma duna alta até o horizonte e, todas as vezes, seu desejo era segui-la. Ele enrolava a fita, com certa dificuldade, ao pulso, sempre lutando contra uma tempestade de areia repentina. Quando ele finalmente chegava ao topo do banco de areia, a tempestade não passava de um vento seco, até um pouco aconchegante, então a poeira baixava e conseguia vê-la: a mulher com os longos cabelos loiros tampando o rosto, o vestido dançando contra o corpo e a outra ponta da fita vermelha também amarrada em seu dedo. Num ímpeto ele se aproximava e, a cada passo, sentia o ar indo embora, a visão embaçando e os músculos enfraquecendo. No fundo sabia que cada vez que se aproximava dela, naquele sonho louco, a vida dissipava de seu corpo. Não que ele se importasse, parecia muito mais certo – irracionalmente falando, claro – vê-la ou tocá-la. Então, toda as vezes em que estava quase perto, a moça se desfazia em um clarão e ele acordava, suado, confuso, perdido e, claro, corria para a mesa onde o velho caderno sujo de grafite estava para esboçar tudo o que conseguia se lembrar.

- Kunzite? – A voz masculina vinha do outro lado da porta, acompanhada de batidas.

O general fechou o caderno e o guardou na gaveta logo abaixo da escrivaninha, indo em direção a porta para atender o visitante.

- Mestre – ele abriu e deu passagem para o rapaz entrar – o que faz acordado a esta hora?

- Mestre? Pelos Deuses, você é meu melhor amigo há anos, não precisa esse jeito polido quando estamos a sós! – Endymion jogou-se na cama do general, despreocupado - meu pai me chamou para uma conversa, estava indo para o meu quarto quando vi as luzes das suas velas saindo por debaixo da porta, só isso.

- Você deveria ir dormir, deve ser mais de 2 da manhã.

- Ora, Kunzite, vamos lá, eu não tenho mais 8 anos para você me mandar ir para cama! – Revirou os olhos. - Não vai perguntar o conteúdo da conversa com meu pai? – Sentou de uma vez, com certa indignação pela falta de interesse do outro.

- Assuntos pessoais do meu rei e meu príncipe, ainda mais os tratados na madrugada, não deveriam ser da minha conta, não é? - Era claro o tom de sarcasmo na voz.

- Não seja um idiota – Endymion riu – de qualquer forma, meu pai vai chamar você daqui há algumas horas, mesmo... Mas acho que você vai gostar de saber que amanhã nós vamos receber um representante do Milênio de Prata!

Kunzite ficara tão branco que se Endymion tivesse notado, certamente faria alguma piada sobre ele estar da cor dos próprios cabelos. Naquele instante se esquecera dos sonhos recorrentes e lembrou-se de todos os esforços que ele vinha fazendo para conseguir algum tratado e poder, enfim, conquistar a confiança da aliança de prata. A Terra era o único planeta da Via Láctea fora da aliança que obtinha proteção do reino Lunar com sua poderosa rainha Serenity e o Cristal de Prata. Um representante ali, na sua frente, era algo extraordinário e causar boa impressão era a chave para conseguir um aliado precioso.

- A Aliança de Prata... – Kunzite se sentou na escrivaninha, não evitando um de seus raros sorrisos.

- Sabia que seria do seu interesse – Endymion se levantou, e deu um tapinha debochado no ombro de Kunzite – boa noite e boa sorte pra dormir, general!

- Dymion, espere – o general chamou antes que o outro pudesse fechar a porta – você sabe quem vem?

- Eu não perguntei muito ao meu pai, estava tarde, eu estou morrendo de sono além do que, a única preocupação dele é com minha presença lá.

- O que sabemos sobre a rainha...? – Ponderou pensando na incógnita que o povo da lua era - não acho que ela mandaria qualquer um para cá.

- Use um daqueles seus livrinhos de anotação, você tem dedicado muito tempo na biblioteca rabiscando neles.

- Por favor, Endymion – olhou para o amigo parado na porta e apontou os dedos indicador, médio e anelar para frente – leia nas entrelinhas!

- Também te amo! - Endymion riu por cima dos ombros – boa noite!

Endymion estava certo sobre o general ter sorte se conseguisse dormir. Logo após o príncipe fechar a porta, Kunzite abriu seu armário e revirou algumas pilhas de papéis, livros, pergaminhos até pegar um caderno muito semelhante ao que guardara na escrivaninha momentos antes. Sentou-se, alisou a capa de couro gasto como se desejasse que alguma informação importante estivesse ali e começou a folhear as páginas repletas de anotações e desenhos tão confusos que só quem havia escrito – no caso ele mesmo – saberia interpretar.

Não demorou muito até que os olhos acinzentados encontrassem exatamente a página procurada. Na página havia o esboço de uma meia-lua, logo abaixo do desenho, o que Kunzite poderia por sua própria "organização", chamar de título estava "Reino Lunar". As anotações eram diversas, ele lembrava de tirar informações de todo tipo de livro que ele havia conseguido na biblioteca dos antigos e juntar tudo que achasse relevante ali no caderninho. Passou mais duas folhas até se deparar com o tópico "Guarda Lunar". A página tinha alguns símbolos interligados e os dizeres:

"Recebem o título de Marinheiros. São poderosos guerreiros com poderes providos de seus próprios cristais. Pertencem as 5 famílias nobres da Via Láctea: Lua, Vênus, Marte, Mercúrio e Júpiter, cuja a aliança atravessa os séculos. Seus poderes são passados hierarquicamente sem falhar nenhuma vez, indícios de que são extremamente poderosos. Os Marinheiros são diretamente responsáveis pela segurança, bem-estar e proteção dos monarcas e seus sucessores, por isso, estão à frente de negociações, tratados e acordos antes de qualquer contato direto de qualquer pessoa com seus monarcas."

- Encontrei – Kunzite olhou pela janela, ainda estava escuro, talvez ele conseguisse mais alguns minutos de sono.

Os primeiros raios de sol invadiram o quarto pelas frestas das cortinas, Kunzite despertou subitamente. Diferente do que ele pensou minutos antes de finalmente sentir o sono chegar, após o alívio de encontrar as informações que precisava, não conseguira descansar nem um pouco durante a noite: a moça de cabelos dourados o visitou de novo e, desta vez, ele podia jurar que viu os olhos e eles eram azuis como céu que clareava do lado de fora.

Logo os pensamentos voaram e tomaram a atenção para o caderno preto o qual ele deixou ao seu lado na cama antes de adormecer, havia algo mais importante com o que se preocupar do que com um sonho. Kunzite se levantou, tomou um banho revigorante e, pouco antes de terminar de colocar a habitual capa nos ombros, alguém bateu à sua porta.

- General Kunzite – o rapaz loiro fez uma reverência e parou ereto em posição de sentido.

- Adonis – cumprimentou de longe.

- Permissão para me reportar, senhor.

- Concedida.

- O rei pede que o senhor vá a sala de guerra o quanto antes para se unir ao conselho e a guarda, senhor – o garoto falava tão ensaiado que dava a impressão de que havia ficado horas falando aquilo em frente a um espelho.

- Diga ao rei que estarei lá em breve – manteve seu olhar sério.

- Sim, senhor! – O rapaz disse um pouco animado demais e permaneceu por, pelo menos, 40 segundos parado ali como se fizesse parte da decoração da porta.

- Dispensado, soldado – Kunzite levantou as sobrancelhas, achando muito engraçado como o garoto saiu a passos rápidos e duros, como um boneco de madeira.

O general terminou de se vestir e encaminhou-se para a reunião reportada minutos antes, encontrando no caminho, Zoisite trocando algumas palavras com Jadeite.

- Olha só quem, finalmente, saiu para ver a luz do dia – Zoisite debochou.

- Ele tem que manter o bronzeado de algum jeito, não é? – Jadeite deu um sorrisão enorme que fazia um par divertido com o olhar maldoso.

- Calem a boca – Nephrite surgiu logo mais atrás de Kunzite, abraçando-o pelo pescoço – sabemos muito bem que nosso jovenzinho aqui só não é muito sociável – riu junto com os outros.

- Muito engraçado – Kunzite se soltou do cafuné e revirou os olhos. – Precisamos ir à sala de guerra – e começou a andar na frente dos três.

- Bom, pelo menos você tem mais desenvoltura que o soldado novo o... o... – Jadeite colocou a mão no queixo - Como é o nome mesmo?

- Adônis – Nephrite completou.

- O garoto parece que tem as articulações presas – Zoisite ponderou.

- "Sim senhor, senhor. ", "Posso ajudar, senhor? ", "Senhor, senhor, senhor! " – Jadeite fez uma imitação do soldado que fez até Kunzite rir.

- Não seja tão duro com o garoto, ele só quer mostrar serviço – Nephrite advertiu.

Seguiram juntos até a sala de guerra, onde a postura dos quatro mudou completamente: diferentemente do modo como se tratavam nos corredores, que mostrava bem os jovens entre 18 e 21 anos que eram, na sala eles adotaram a atitude séria e silenciosa e tomaram seus lugares na mesa comprida, onde cadeiras estavam dispostas para os membros do conselho. Na ponta, estava sentado Étlio. O homem devia ter por volta de seus 45 anos, seus olhos eram castanhos e severos, em sua sobrancelha direita havia uma falha causada por uma cicatriz que lhe subia a testa e sumia no couro cabeludo onde os primeiros fios brancos manchavam os fios tão escuros que chegavam a ficar azulados, este era o rei da Terra e pai de Endymion que, por sinal, estava sentado à sua direita. A esquerda, a cadeira da rainha estava vazia e, claramente, assim permaneceria, uma vez que a rainha Cálice, havia falecido há muitos anos.

Kunzite tomou seu lugar ao lado de Endymion, sendo seguido por Jadeite ao seu lado, Nephrite a sua frente e Zoisite logo lado do rei nas américas e, poucos minutos depois, chegaram Mileto, o velho sábio; o mestre tesoureiro Crômia e a conselheira real, Beryl. Enfim todos os 9 membros estavam presentes e ocupavam seus devidos lugares a mesa.

- Bom dia, senhores e senhorita – Étlio cumprimentou os presentes, sem trocar o tom severo. – Espero que tenham descansado esta noite, pois hoje teremos um dia cheio. Desculpe trazê-los tão cedo, mas eu precisava mobiliza-los o quanto antes para a oportunidade que bateu a nossa porta. É sabido por vocês que, há muito, tentamos negociar nossa aproximação com a aliança de prata e graças ao nosso general Kunzite, que ultimamente vem fazendo algumas pesquisas intensas e me entregando relatórios muito completos com informações importantes, eu consegui manter algum contato com a rainha Selene nos últimos meses.

- Selene, rainha da lua!? Detentora suprema do poder do Cristal de Prata!? – Crômia colocou uma das mãos na boca.

- Sim, senhor Crômia – o rei sorriu vitorioso. – Esta noite, nós receberemos um representante da guarda pessoal da rainha, o oficial e sua guarda pessoal virão passar algum tempo conosco, duas semanas para ser mais exato. Segundo a carta da rainha, que recebi ontem, o navio da lua deve atracar no cais do castelo pontualmente às seis horas da tarde, quero que preparem tudo para a chegada deles.

- Mestre, sei o quanto é importante, mas não acha muita audácia desse povo avisar tão em cima da hora? – Beryl interviu – não é de bom grado para nós sermos tão serventes a eles, não sabemos como eles são, se suas lendas de poderes magníficos são verdadeiras ou não, sobre seu comportamento, se estão dispostos a serem nossos aliados, tenho receio.

- Senhorita Beryl, - Nephrite virou o rosto para a ruiva sentada a sua diagonal – também não seria prudente dispensar visitantes estimados que já estão a caminho. Em parte, concordo no que diz a vulnerabilidade, mas é uma oportunidade pela qual estamos lutando há, literalmente, séculos.

- Não sabemos nada sobre eles, há séculos nossos reis tentam contato e são devidamente ignorados, é muito estranho o interesse repentino! - Beryl questionou mais uma vez.

- Entendo que é realmente preocupante, mas nós podemos reforçar a guarda quando chegarem, discretamente – Zoisite concordou. – Sabemos que não é de bom tom receber a visita com exércitos, de qualquer forma.

- Não estamos dispostos a começar uma guerra, de qualquer forma, imagino que eles também não - Endymion comentou. - Procuramos uma aliança de proteção e apoio a Terra inteira, precisamos dela, afinal, são outros 8 planetas contra o nosso e, se algo acontecer no futuro, estaremos em desvantagem. É tudo pelo bem do nosso povo, precisamos tentar senhorita Beryl.

- Sim, tem razão jovem mestre - Beryl sorriu ao ver o príncipe se dirigir a ela, como se cada palavra que ele dissesse fosse mais lógica do que a de qualquer outro.

- Bom…. Dito isso, mais alguém tem algo a dizer? - Étlio perguntou, correndo os olhos pela mesa onde permaneceu o silêncio - então, creio que já posso delegar as funções de cada um. Crômia, quero que vá a cozinha e despensa, quero que converse com os chefs e que eles indiquem o melhor cardápio possível para esta noite. Também quero que verifique o estoque de baile e vá ao centro para buscar os ingredientes que faltam para preparar o banquete e, obviamente, velas, flores, tecidos e o que mais julgar necessário para a decoração do salão, inclusive, quero todos os lustres acesos. Beryl, confio que você possa acompanhar Crômia, confio em seu toque feminino para dar beleza a decoração.

- Sim, mestre - responderam os dois designados em uníssono.

- Mileto, preciso dos seus melhores tônicos para abrilhantar os jardins, acredito que seus aprendizes podem ajudar a espalhá-los, correto?

- Sim, meu rei. Inclusive tenho algo novo que desabrochará as rosas ao anoitecer - era visível o orgulho na voz do senhor.

- Ótimo, vocês três estão dispensados, tenho assuntos a tratar com a minha guarda.

Os três membros, já designados fizeram uma breve reverência e saíram da sala para cuidar de suas funções. Assim que os passos deles já não podiam ser ouvidos ao longe, o rei entrelaçou os dedos sobre a mesa e limpou a garganta para continuar.

- Quero que, apesar de tudo parecer muito bonito, mantenham meu reino seguro, fui claro? - Olhou cada rapaz nos olhos, de uma forma penetrante como só o rei tinha.

- Sim, mestre - afirmaram.

- Confio muito na guarda que escolhi para o meu povo, é função de vocês tornar essa visita segura e aconchegante.

- Mestre, por que é tão delicado que lidemos com os lunares assim? - Jadeite parecia intrigado desde o início da conversa.

- Ora garoto, muita gente não vai ficar muito feliz com a chegada deles, as pessoas do reino contam histórias por aí de arrepiar os cabelos.

- Está falando das histórias sobre os lunares roubarem a vitalidade de humanos comuns para viver eternamente? - Jadeite debochou.

- Não só esta - Nephrite deu de ombros. - Já escutei muitas lendas sobre como eles encantam homens e mulheres com sua beleza fora do comum e os comem vivos. E que é por esse motivo que se mantém distantes, para ninguém saber como são e continuarem a fazer o que bem entendem com humanos.

- É por isso que a senhorita Beryl não os queria aqui, ela acredita nas lendas? - Endymion franziu o cenho.

- Não importa o que camponeses cheios de minhocas na cabeça falam, o que importa é que estamos conseguindo algo inédito - Zoisite interviu. - É importante para nós e, mesmo que o povo não entenda, estamos fazendo isso por eles.

- Teremos, então, de reforçar a segurança para que nosso reino confie em nós - Endymion disse como se fosse óbvio.

- Não é tão simples assim, - Kunzite respirou fundo - colocar todo um exército armado em volta do castelo não é bem uma recepção muito calorosa e pode ser muito ofensivo. Como Zoisite disse anteriormente, teremos de fazê-lo discretamente.

- Bem observado, General Kunzite - Étlio concordou com um movimento de cabeça. - É por isso que planejei algumas coisas com Endymion na noite passada.

Kunzite lançou um olhar ao príncipe que, claramente, significava algo como xingar o mestre de cretino. Afinal, ele dera a informação, mas não foi tão completa assim. Endymion só respondeu com um aceno de ombro, como quem pudesse dizer que não podia fazer nada quanto a isso.

- Zoisite e Nephrite, quero que vocês organizem a guarda da maneira mais discreta e segura que conseguirem. Por favor, mantenha a área do castelo e vilarejo vigiada e segura em todas as alas. Sei que parece impossível aumentar a segurança discretamente, mas conto com vocês e acredito que o farão o melhor segundo as nossas necessidades.

- Faremos como desejar, mestre - Nephrite acenou.

- Jadeite, preciso que organize os membros da guarda pessoal para mim e meu filho, também quero que escolha os soldados a dedo para receber nosso visitante no cais, 20 ou 30 devem bastar.

- Já até tenho alguns deles em mente, mestre.

- General Kunzite, para você eu tenho um trabalho um pouco mais delicado e especial, - o rei apoiou os cotovelos na mesa. - quero que você seja o acompanhante do nosso convidado durante a sua estadia aqui.

- Quase uma dama de companhia - Endymion não conseguiu segurar a piada que fez com que os outros três generais tentassem segurar o riso na frente do rei.

- Filho… - repreendeu dando um sorriso muito discreto, perceptível apenas a olhos muito atentos.

- Mestre, eu não acho que eu esteja muito qualificado para esta tarefa, a senhorita Beryl é quem está acostumada e é quem acredito ser apta a receber os convidados - ignorou a recente piada.

- Beryl, de fato, é quem tem lidado com cada representante que recebemos dos reinos da Terra, mas acredito que você seja o mais qualificado para receber nosso convidado pessoalmente e proporcionar uma boa experiência a ele. Quero que compreenda que, desta vez, temos algumas peculiaridades e entendo seu receio, general, mas você tem se dedicado mais a descobrir sobre os costumes lunares. Pelo que sei, tem passado mais tempo na biblioteca pesquisando e fazendo anotações do que treinando com espadas.

- O general Kunzite, realmente, não tem dedicado muito de seu tempo a outras coisas que não aos seus caderninhos - Zoisite zombava da situação discretamente.

- Mestre, eu acredito que só por estudos eu não seja suficiente - Kunzite tentou argumentar.

- A menos que o general consiga passar todas as informações colhidas nos últimos meses a senhorita Beryl em 15 minutos, afinal eu já a designei as tarefas a ela e imagino que ela não terá muito tempo livre, poderemos entrar em um acordo - pela primeira vez, Étlio mostrou algum sinal de diversão e sarcasmo vendo a cara do general a quem se dirigia oscilar em expressões sem poder encontrar um argumento. - Creio eu, senhores, que eu possa encerrar por aqui. e...

- Mestre, - Kunzite recuperou a postura - desculpe a interrupção. Mas, antes, poderia me dizer quem da guarda da rainha da lua virá?

- Ah sim, desculpe - o rei pigarreou - quem vem é de grande importância para rainha e também para nós, a guarda de Vênus.

Kunzite esteve envolvido com a leitura sobre venusianos durante todo o dia. Logo após a reunião - depois de aguentar as gracinhas dos companheiros shitennou, é claro - ele se retirou para a biblioteca, absorto em cada linha de capítulos de livros diversos, anotando palavras-chave em mais um de seus cadernos surrados.

As frases soltas incluíam "Sensitivos, possuem poderes de captar emoções", "Tem uma capacidade ímpar de manipular vários tipos de metais", "Sobrenaturalmente poderosos e sedutores", "Reino flutuante", "Principais aliados de lua em séculos" e "Líderes natos". Nada muito esclarecedor, mas que revelavam que seu visitante pudesse ter uma personalidade bem diferente.

Quando o relógio do castelo bateu cinco da tarde, o general fechou o livro e o colocou sobre uma pilha de tantos outros empilhados na mesa em que ele estava sentado e suspirou, olhando pela janela o céu começar a demonstrar os sinais de que o sol sumiria em breve o que era um aviso de que visitante interplanetário estava chegando.

Kunzite sentia-se frustrado por não conseguir nada relevante e, mais ainda, pelo trabalho designado a ele. A voz de Endymion citando "dama de companhia" ecoava pelos seus ouvidos como uma canção irritante. Pelo menos, ele conseguira ir para seus aposentos sem nenhum sinal de piadinha, uma vez que seus companheiros estavam ocupados demais para esbarrar com ele durante o caminho.

Kunzite entrou em seus aposentos, lavou-se, colocou seu traje branco - imaculado e impecavelmente passado - e 10 minutos antes do relógio bater o horário de chegada da guarda da rainha da lua, ele já estava devidamente posicionado no cais com o pequeno exército de 30 homens escolhidos por Jadeite enfileirados fazendo um pequeno corredor para Kunzite.

O vento forte, salpicado de gotículas de água salgada, do pouso do navio da lua sobre as águas sacudiu os cabelos e a capa do general. Ele não podia negar que aquele transporte era fascinante, afinal era um navio interplanetário feito de um material desconhecido que refletia cores vivas e brilhantes em seu casco perolado, o que compunha ainda mais o cenário fantástico com o céu terrestre colorido de laranja, roxo, vermelho e azul e os últimos raios de sol logo atrás da embarcação.

O navio velejou ainda alguns metros até atracar. O som das correntes das âncoras se desenrolando e caindo na água quebrou o silêncio tenso entre os presentes e logo em seguida, como mágica, um pedaço do enorme casco da embarcação desceu em uma rampa que encaixava perfeitamente no porto. Uma tropa de soldados pálidos como a luz do luar desceu por ali e fez um pequeno corredor que se unia ao corredor de guardas terrestres, deixando o caminho entre a abertura no casco até o general Shitennou um corredor esquisito de homens desiguais.

Logo após, um soldado lunar tocou uma espécie de trombeta retorcida que brilhava em diferentes intensidades conforme a nota e falou algo em uma língua que Kunzite era incapaz de entender. Quando a última letra saiu da boca do soldado, uma mulher e um homem surgiram na entrada do navio. O rapaz era pálido como seus cabelos e, nele, a particularidade das orelhas, olhos e rabo felinos tornavam-o uma figura, no mínimo, interessante aos olhos terrestres. Talvez, para o general, ele pudesse ter chamado mais atenção por suas características únicas, mas seu olhar ficou preso a mulher que o acompanhava.

Foi coisa de segundos: O vento litoral terrestre balançou forte os cabelos loiros da moça, ela os ajeitou e abriu os olhos para encarar o homem que a aguardava logo abaixo. A respiração de Kunzite prendeu e parecia ser mais difícil mantê-la a cada vez que ela se aproximava. Kunzite poderia jurar ter visto a mesma fita vermelha de seus sonhos aparecer diversas vezes entre eles, como uma visão.

Poucos metros de distância o casal lunar parou e o rapaz felino, chegou mais a frente.

- Saudações do reino lunar - ele fez uma referência. - Imagino que não deva ter entendido as palavras proferidas por nosso soldado, então, permita-me apresentar-nos: Eu sou um dos conselheiros da guarda lunar, meu nome é Artemis e essa, senhor, é Venus. Princesa do planeta Vênus e líder das senshi da princesa da lua.

- É um prazer conhecê-lo - ela abaixou cordialmente.

A sorte de Kunzite era que, no geral, ele era muito bom em esconder emoções, ou teria engasgado ali mesmo, diante dela.

- Eu sou o general Kunzite, primeiro em comando e serei responsável por sua estadia aqui - colocou a mão esquerda no no peito e reverenciou. - Espero que tenham feito uma boa viagem.

- Sem dúvida um pouco cansativa, mas muito boa sim - Venus sorriu e Kunzite poderia jurar que o chão ia abrir debaixo dele.

- Eu imagino - tentou ignorar as próprias reações. - Irei guiá-los até seus aposentos pessoais para que possam descansar e se preparar para o jantar com nosso rei. Meus soldados cuidarão de sua frota, caso qualquer homem precise de algo, basta falar com Adônis, ele coordenará esta operação - indicou o jovem loiro parado no início da fila, que bateu continência ao ouvir seu nome.

- Obrigada pela hospitalidade - ela olhou para os soldados e fez um sinal para que eles obedecessem as coordenadas do jovem soldado.

- Lady Venus e conselheiro Artemis, por favor, sigam-me - Kunzite se virou, evitando olhar para trás.

- Será um prazer - Artemis olhou, curioso, o cenário que o cercava.

Alguns soldados receberam o sinal do general para montar uma pequena escolta. Todos caminharam em silêncio, atravessando os jardins e os corredores do castelo, sempre atraindo olhares curiosos da pequena multidão de trabalhadores do rei que tentava ver, por entre a barreira de soldados, os visitantes. Por fim, subiram as escadarias que levavam aos corredores de acesso particular do castelo, onde os lunares foram deixados pelos soldados, tendo Kunzite como seu guia. O local era repleto de portas e janelas imensas, nas paredes onde não haviam janelas, haviam quadros, tapeçarias, armaduras, armas, objetos como vasos, espelhos e caixas de música. Venus achou engraçado ver tanta coisa em padrões diferentes e cheias de cor, estava muito acostumada ao branco simétrico de onde vivia.

Pararam em frente a uma porta vermelha, alta e com adornos dourados. Kunzite girou a maçaneta adornada e abriu o aposento.

- Aqui está - Kunzite apontou o lugar - espero que esteja de acordo.

- Notoriamente que sim - Artemis analisou o aposento pela vão da porta.

- Bom, vou deixá-los descansar - Kunzite abriu espaço para que os visitantes passassem para dentro. - Creio que em alguns minutos, alguém deva passar aqui para deixar seus pertences, eu venho buscá-los para o jantar às oito e meia, tudo bem?

- Sem problemas - Venus concordou.

- Com sua licença - Kunzite reverenciou e fechou a porta. Assim que a maçaneta fez o clique, era como se o ar tivesse voltado imediatamente aos seus pulmões.

Os dias passaram agitados. Logo após o jantar de boas vindas, onde Artemis mostrara seu poder de argumentação e interesse na cultura terrestre, e Venus sua simpatia e personalidade completamente magnéticas, que capturaram a atenção do rei, príncipe e todo o shitennou. Além disso, eles não passaram despercebidos dos olhares curiosos do reino dourado, o que fez não faltar pequenas multidões curiosas - algumas um pouco alteradas e hostis, com medo do desconhecido, que foram contidas pela guarda - seguindo-os por cada canto do reino. Kunzite acompanhou Venus e Artemis em suas visitas a lojas, restaurantes, orfanatos, estalagens, hospitais e feiras. O que, segundo Artemis, era uma oportunidade sem igual de entender a economia e a cultura do povo terrestre, o que para ele era totalmente fascinante.

Kunzite descobrira em Venus uma criatura extremamente encantadora, não somente pela beleza fora do comum, mas a mulher era de sorriso fácil e de um carisma únicos, como já percebera no jantar, aquela personalidade extremamente magnética. O general tinha certeza de que ela conseguiria conquistar a confiança de qualquer pessoa se quisesse. Esse tempo com ela eram momentos em que ele sentia toda a força do corpo esvair e uma constante falta de ar cada vez que a voz de Venus entrava em seu ouvido, ou a corrente de choque cada vez que ela lhe tocava. Para ele, estava cada vez mais claro de que ela era a garota da fita vermelha que rascunhava em seu caderno e que suas visões não eram loucura, eram bem reais, a fita aparecia ali, ele só não sabia porque.

Kunzite bateu a porta, achava estar acostumado com as sensações que Venus causava nele, mas as borboletas no estômago sempre apareciam cada vez mais agitadas e, obviamente, estavam lá quando ela abriu a porta.

- General - Venus reverenciou em um movimento delicado.

- Lady Venus - desviou o olhar da mulher dentro de seu vestido branco, antes que ele se sabotasse.

- Para onde vamos?

- Hoje será algo mais tranquilo, meu rei acha que estes dias devam ter sido muito cansativos e pediu para que eu os levasse para conhecer nossas estufas e plantações além do jardim.

- Bom, imagino que será uma agradável caminhada - ela saiu andando pelo corredor.

- O senhor Artemis?

- Ah, sim. Perdão - Venus balançou a cabeça negativamente em uma auto-reprovação. - Ele está em uma conferência com meus homens e precisa enviar um relatório a rainha, creio que seremos somente nós dois hoje, general.

- Oh… Sem problemas - mentiu pra si mesmo, sentindo os músculos do pescoço contraírem.

Atravessaram os jardins da entrada - onde era visível o cuidado que Crômia havia tido com os tônicos pedidos pelo rei - passaram pela horta e pelo pomar. Vez ou outra Kunzite explicava algo sobre o caminho, as estátuas, as flores e o cultivo e Venus se contentava em olhar para o seu guia, sorrir e fazer algumas perguntas vagas, perceberam como a conversa sempre fluia quando Artemis estava lá, ele tinha várias perguntas, comentários e sabia guiar o passeio entre os três muito bem, o que não era bem o caso ali. Finalmente chegaram as estufas, o clima lá dentro era controlado, bastante úmido, porém a visão era linda: rosas por todos os lados e de todas as cores.

- Essa é a estufa particular do príncipe Endymion - Kunzite guiou Venus pelas flores.

- São maravilhosas! - Venus não conseguiu segurar a exclamação.

- Nosso príncipe tem certa fascinação por jardinagem e, como você pode ver, ele gosta muito de rosas.

- Ele cuida disso tudo sozinho? - Se aproximou de uma das flores e deslizou os dedos em suas pétalas.

- Não exatamente só, Crômia é quem prepara as poções, tônicos e adubo, mas meu mestre costuma gostar de passar muito tempo aqui cuidando delas.

- É algo muito delicado para pensar nas mãos de um príncipe guerreiro cuidando.

- Bom, guerreiros também tem paixões, não é? - Sentiu-se um pouco idiota em dizer isso.

- Certamente que sim - caminhou até uma roseira amarela. - Eu nunca havia visto flores tão lindas assim na lua nós não temos… - foi interrompida ao tentar segurar uma flor pelo caule e sentir a dor aguda - Ai!

- Lady Venus? - Se aproximou por instinto.

- Não é nada - ela mostrou o dedo indicador que, agora, ostentava um corte de onde o sangue saia sem parar. - Foi apenas um corte.

- Deixe-me ver - um choque atravessou o corpo de Kunzite quanto ela pousou a mão machucada sobre a sua.

Kunzite tirou um lenço de um de seus bolsos e pressionou a ferida. Para um corte tão pequeno, havia bastante sangue ali. Evitava olhar o rosto despreocupado da venusiana, pois, das vezes em que olhava, era apenas um sorriso doce e calma que encontrava, enquanto ele tentava controlar os batimentos cardíacos. Um piscar de olhos e, a linha vermelha estava lá, presa ao mindinho dela em direção a mão dele, tão perto que o que ele via era um emaranhado de fita. A respiração de Kunzite travou por um instante e essa reação, ele não conseguia conter.

- Você também a vê, não é? - A voz doce de Venus capturou toda a sua atenção.

- Perdão?

- A fita vermelha - os olhos azuis se perderam na infinidade de rosas ali - como nos sonhos.

Kunzite engoliu seco, o coração acelerou ainda mais, era como se ele tivesse corrido sem parar por metros. A mão que ele usava para pressionar a ferida afrouxou, deixando o lenço cair e fazendo a luva que ele usava, pintar-se com as gotas vermelhas de sangue dela.

- Desculpe - Venus olhou a luva suja e puxou o braço de volta - eu te sujei.

- Não, eu…. - engoliu seco, ignorando o pedido de desculpas completamente - como você sabe?

- Então você realmente vê - suspirou, aliviada.

- Eu vejo, mas… Como?

- Bom, eu percebi que o senhor é bestante estudioso e o seu rei me disse isso também, quer dizer, o contato que fizemos foi por causa das suas pesquisas, não é?

- Sim…

- Deve saber que meu planeta é conhecido como planeta do amor - olhou para ele, estava um pouco nervosa. - Claro que é uma interpretação completamente equivocada, dominamos o metal e nossa magia é profundamente sensitiva quanto a ligações das pessoas e seus destinos. As vezes, nós conseguimos ver o vínculo do destino de cada pessoa, é o que chamamos de Akai Ito.

- O que isso quer dizer?

- "Um fio conecta os que estão destinados a conhecer-se…. Independentemente do tempo, lugar ou circunstância…. O fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir." - Venus falou como uma oração - minha mãe dizia isso todas as vezes que me contava a história dos deuses que amarravam as conexões entre as pessoas.

- Está me dizendo que é… destino?

- Basicamente, sim - deu de ombros. - Não é algo que eu saiba explicar muito bem, mas eu consigo ver as conexões. Eu vejo a minha com minha princesa, com minhas companheiras de batalha e até com Artemis. Eu vejo o que lhe conecta ao seu príncipe e seus shitennou, mas... - Puxou o ar pesadamente - eu não tenho explicação do porquê você consegue ver também, como eu, talvez seja por que é diferente.

- Diferente?

- Bom, é a primeira conexão vermelha que eu vejo, geralmente elas são azuladas, mas há alguns meses eu comecei a ver uma única fita vermelha que não me levava a ninguém, e então, comecei a sonhar com…

- Você - falaram em uníssono.

- Eu sempre estava em pé numa duna, eu não conseguia me mexer, o vento era forte e eu sentia algo puxar meu dedo e, a cada noite, eu percebia um homem chegando perto, mas nunca consegui distinguir muito bem como ele era porque ventava muito - Venus analisou o rosto de Kunzite, que escutava de cenho franzido. - Na noite anterior de chegar a Terra, no meu sonho, eu te vi. Então, quando eu cheguei a Terra, quando eu desci do meu barco, lá estava o homem do meu sonho.

- Eu sabia que era você - ele completou e, por impulso, tocou o rosto dela.

Venus fechou os olhos, sentindo toda a corrente de choque que emanava do toque dele, por todo o seu corpo. Ela sabia muito bem o que aquilo queria dizer e sabia também que seu corpo precisava daquilo, mesmo que fosse a coisa mais errada do universo.

O general também não ficou ignorante ao toque e, sem pensar muito, levantou o queixo de Venus e aproximou seu rosto do da senshi, estava tão perto que sentia a respiração descompassada dela junto a sua. Venus fechou os olhos, entregando-se ao toque suave dos lábios dele contra os seus e era como se o abismo entre eles, agora, fosse nada. Ambos sentiram o peito apertar, a mesma sensação de morte que experimentaram em seus sonhos, mas que não importava, estava feito e parecia muito mais certo do que qualquer outra coisa.

Se separaram, ofegantes e sérios, encarando os olhos um do outro, entre o desejo e a dúvida. Desviaram o olhar por instante para notar a fita vermelha: ela estava brilhando em volta deles, emaranhada em toda a estufa, enrolada nas flores, espalhada pelo chão, fazendo voltas neles mesmos.

- Lady Venus, eu….

- Eu preciso ir, eu acho que já sei o caminho para o meu quarto - ela se afastou bruscamente. - Você me buscará para o jantar?

- Como em todas as noites - assentiu, não insistindo para acompanhá-la.

- Até lá - Venus saiu sozinha da estufa, a passos largos, sem olhar para trás, ainda perseguida pelo brilho e caminho feito pela fita vermelha que só os dois poderiam ver.

No caminho para o seu quarto, recebeu alguns olhares indiscretos por quem passava, sua atenção estava voltada para o quanto a fita que a ligava a Kunzite rodeava o reino inteiro, fazendo voltas, subindo e descendo, entrando e saindo de portas e janelas. Cada vez que ela notava a extensão do que a ligava em Kunzite, sentia o peito apertar, o ar faltar e preferia que o chão a engolisse!

O que acabara de fazer?

Ia contra seu código de guerra, contra seu reino, contra tudo o que ela havia jurado proteger e amar.

Quando finalmente chegou ao aposento, verificou se Artemis estava lá e, para sua sorte e alívio, não estava. Ela precisava ficar só.

Deitou e encostou a cabeça no travesseiro, tocou os lábios, sentindo um leve formigamento ali. Teve vontade de sorrir, por saber que havia encontrado alguém com quem teria uma conexão tão poderosa em que só ouvira falar nas histórias de seu povo, mas também vontade chorar ao mesmo tempo. Lembrou-se das palavras de sua mãe, as quais havia omitido ao general:

"Quanto mais longo for o fio, mais trágicos e tristes são os destinos das pessoas destinadas."


N/A: Oi meninas, tutu pom? Hoje eu vou ensinar pra vocês a escrever uma fic de 6k de palavras e um monte de parte/personagem dispensável. Tô me sentindo o próprio Tolkien HAHAHAHAHAHA... Mentira!

SOCORRO, acho que nunca fiz uma one tão grande. Eu fui só escrevendo as ideias vindo, viado... Quando eu vi eu tava com um universo inteiro montado. BEM LOCO.
Se você surgiu aqui por acaso, queria dizer que a Ayashi Purple e a Pandora Imperatrix também estão participando do mês VK, então, vai lá ler as histórias desse ship maravilhoso delas também s2