Recepção calorosa

Com a mudança exigindo quase todo o meu tempo, a semana passou bem rápido. Tudo estava indo bem, tirando um rato maldito que havia no meu quarto e que não me deixava dormir à noite.
Acordei numa manhã sentindo cheiro de panquecas. Quando entrei na cozinha me arrastando, os meus pais já pareciam estar lá, de pé, havia muito tempo.
- Amanhã já começam as suas aulas. O que você acha de ir ao meu trabalho e conhecer um pouco da história da cidade enquanto você ainda tem tempo para isso? – passar o meu último dia sem aula com o meu pai, visitando o Salem Witch Museum, não estava bem nos meus planos.
- Eu acho que posso conhecer a história da cidade pela internet, pai. – é bem menos cansativo.
- Qual é graça de usar a internet quando você pode conhecer tudo ao vivo? – a graça é que eu não preciso sair de casa, mãe.
- Você tem vergonha de mim? – perguntou o meu pai. Por que os pais sempre usam esse tipo de chantagem?
- Tudo bem, tudo bem. Eu só preciso me arrumar. – meu pai sorriu, se sentindo vitorioso.
O museu era feito de pedra, com o que parecia ser duas torres na frente, uma janela enorme bem no centro da construção e o nome do museu escrito em letras grandes em cima da porta. Eu passei a manhã inteira com um grupo de turistas, ouvindo histórias loucas e vendo quadros de meninas sendo diagnosticadas como possuídas pelo demônio e outros de julgamentos. O mais assustador, porém, era um dos turistas que não parou de me encarar desde que eu botei os meus pés no lugar.
Graças aos céus, o museu teve que fechar para o almoço e eu e meu pai voltamos para casa.
- Então, o que você achou? – perguntou o meu pai, superinteressado em saber a minha opinião.
- Fascinante. – respondi sem nenhuma emoção.
Amanhã as aulas iriam começar e as coisas não podiam ficar piores.

No dia seguinte, eu acordei bem cedo. Não porque eu estava ansiosa ou coisa parecida, mas porque aquele rato continuava no meu quarto. O que uma garota precisava fazer para ter pelo menos uma noite tranqüila de sono? Eu levantei, peguei as roupas que eu havia escolhido no dia anterior, fui tomar banho e depois fui até a cozinha. Como de costume, o café já estava pronto.
- Bom dia, Sakura! Pronta para hoje? – não, pai.
- Claro, sempre! – essa sou eu, sarcástica desde cedo.
- Antes de eu deixar a sua mãe no trabalho dela, eu vou levar você até o colégio. – meu pai era o único da família que sabia dirigir.
- Tudo bem, mas será que a gente pode parar de falar sobre o colégio? – argh.
- Vejo que alguém acordou de mau humor. – minha mãe cantarolou pela cozinha.
O que eu poderia dizer. O colégio era normal, os professores eram normais e o tipo de alunos que estudavam lá também eram normais.
No intervalo, uma menina da minha sala chamada Ino me convidou para lanchar junto com ela no pátio, e confesso que fiquei aliviada por não ter que ficar sozinha.
- Então, como era a vida na sua antiga cidade? – ela perguntou.
- Normal, sem bruxas e fogueiras. – Ino sorriu com a minha resposta.
- Eu acho que as coisas aqui podem parecer meio assustadoras para quem é de fora. – com toda a certeza.
O intervalo seguiu sem muitas outras conversas. Eu estava quieta, só conferindo o lugar. Foi quando os meus olhos encontraram os de um garoto.
- Ei, Ino, você sabe quem é aquele ali perto daquela árvore? – apontei, discretamente, para o garoto.
- Ah, pode desistir. Aquele é o Sasuke Uchiha e também está no segundo ano, mas ele nunca dá bola para nenhuma garota. – ela disse, parecendo meio triste. Ele até que era bonitinho, com seu cabelo escuro todo desgrenhado e arrepiado e aqueles olhos profundos e misteriosos, mas não era por achar ele bonito que eu queria saber o seu nome: Sasuke Uchiha era o turista que não havia tirado os olhos de mim no museu, no dia anterior. E ele estava me encarando. Eu. De novo.
- Não, não é isso. Eu o vi ontem no museu e pensei que era um dos turistas. Ele me assusta um pouco.
- Eu acho que você é a primeira garota que diz isso! – Ino riu de uma forma escandalosa.
Que ótimo. O turista, que na verdade não era um turista (mas possivelmente um tarado psicopata), estudava no meu colégio. Como sempre, as coisas podiam sim ficar piores.


Então, o que vocês acharam do segundo capítulo? Eu espero que vocês tenham gostado.