Há muito tempo, numa terra distante, onde Deuses habitavam, existiam duas deusas. Éris e Delta, elas eram irmãs de sangue, porém não de criação.

Um velho feiticeiro bondoso que habitava uma vila por perto recebeu Delta dentro de uma cesta quando ainda era bebê. Junto dela havia um talismã em forma de ampulheta, detalhado em ouro seu nome, Delta.

O feiticeiro recebeu-a em sua família, desconhecendo de seus poderes imortais. E quanto mais crescia mais bela e bondosa, Delta ficava.

Certo dia, em um de seus passeios matinais, Delta, afastou-se um pouco mais de sua casa em direção a floresta e encontrou uma maçã suculenta ao topo de uma árvore. Como em sua família de criação faltavam alimentos, Delta fez o que pode para pegar a maçã.

De repente uma moça de cabelos negros e olhos avermelhados surgiu de dentro de uma sombria floresta.

Sua beleza era impecável, e por mais que Delta tentasse adivinhar o que havia por baixo daqueles olhos, não conseguia.

"Deseja esta maçã?Posso lhe arranjar muito melhores." Disse a moça de olhos avermelhados.

"Falta-nos alimentos. Poderia realmente nos ajudar?" esperançou-se Delta, sorrindo graciosamente.

"Posso lhe arranjar maçãs. Mas apenas se me seguir pela floresta." Disse a moça, mostrando-lhe a floresta escura de onde barulhos e bichos peçonhentos saiam a caçar.

Delta não desconfiou da moça, mas antes que desse ao menos um passo, olhou para casa, imaginando sair da floresta com uma cesta de madeira, farta de alimentos.

"Qual o seu nome?" perguntou Delta curiosamente ingênua.

"Meu nome? Éris. O teu eu não preciso perguntar, Delta."

Éris saltitou para trás de uma árvore, voltou aparecer do outro lado.

"Mas que colar bonito!" invejou Éris.

"Obrigada, ele veio de meus pais verdadeiros... que agora não sei se olham por mim."

"Meu colar é exatamente igual ao seu, somente pela cor. Ele feito de prata, mas o homem que cuida de mim tomou-o." Emburrou-se Éris.

Delta estremeceu, para onde estariam indo, por que estavam aprofundando-se na floresta escura e sombria?

Éris saltitou, chacoalhando seu vestido preto e vermelho e balançando os cabelos ao vento.

"Venha, é por aqui, mas dance comigo, assim os animais não te percebem!"

As duas saltitaram feito as bailarinas do teatro Grand Jetés pareciam infinitos, como se estivessem bailando uma sinfonia.

Mas a elegância de Delta invejava Éris mais que tudo.

Éris parou de dançar de repente, mas Delta deixando levar-se pela emoção continuou a dançar leve feito uma pluma. Seu vestido branco e azul, com um leve toque de prata nas mangas bufantes balançando ao ritmo de suas pernas finas e longas.

"Por que você parou, Éris? Os animais não vão te perceber?"

"Você é uma insolente, eu te trouxe até aqui, agora vá com toda a sua elegância e beleza para casa, sozinha!"

"Mas prometeu-me que iria me dar alimentos! Prometeu-me que voltaríamos juntas!"

"Nada é o que parece..." sorriu malignamente a moça.

Éris desapareceu entre as árvores com o sorriso maligno nos lábios rubros, enquanto Delta permaneceu imóvel, sozinha numa floresta sombria.

'Você brilha como o Sol, Delta. Devíamos levá-la a Grécia, para conhecer as bailarinas teatrais gregas!' lembrou a garota, o que o pai de criação havia lhe dito.

Delta imaginou o Sol guiando-a para fora da floresta. Então dançando voltou pelo caminho feito, entre Grand Jetés e Pliés. Rodopiando e cantarolando sua sinfonia favorita, Suite Op. 66. De Waltz.

Então entre abriu os olhos, estavam expostos novamente a claridade. Delta suspirou e caminhou para o velho casebre.

"Delta! Aonde uma menina de tua idade vai a esta hora?" bronqueou sua mãe de criação.

"Desculpe mama. Eu estava procurando algo para comermos, sim?"

"Ah, desde pequena, sempre bondosa. Mas não te preocupe, teu pai há de caçar um peixe para comermos de almoço."

Delta assentiu.

"Pequenina, onde está teu amuleto?"

Delta passou as mãos brancas pelo pescoço.

"Mama, desculpe, atravessei o canteiro de flores. Uma moça me encaminhou á floresta, dizendo que ia de me dar algum alimento. Mas não o fez. Largou-me na floresta sozinha. Dancei até aqui. Perdi meu amuleto."

"Tudo bem, há de ficar bem."

Lilian fechou o livro e sorriu docemente para o bebê que havia em seus braços.

-Bons sonhos, Harry... – disse a ruiva beijando a testa do bebê e colocando-o no berço azul.

Ela desceu as escadas em direção a um homem de cabelos bagunçados e sentou-se no colo dele.

-Dormiu? – perguntou o homem entrelaçando os braços na cintura da ruiva.

-Sim, felizmente. E contei um conto novo, um conto que achei em sua estante. – sorriu Lily.

-O conto de Delta e Éris?

-Esse mesmo.

-Minha mãe me contava quando eu ia dormir... pena que temos que nos esconder. Se não estaríamos na casa de mamãe, e ela te ajudaria com o Harry, e é claro com as tarefas de casa.

-Tih... tenho que te contar uma coisa.

-Pode falar meu Lírio.

-Eu estou grávida, de novo.

-Sério?Que noticia boa! – disse Tiago dando um beijo estalado na bochecha rosada de Lily.

-Já sei o sexo do bebê!

-É um menino?É? – perguntou agitado.

-Não, é uma menininha. Quero chamá-la de Sara, em homenagem a sua mãe.

Os dois sorriram acomodados, e beijaram-se docemente.

O dia seguinte estaria cheio de surpresas, surpresas que eles não esperavam.