CAPÍTULO I
— Sentem-se, por favor, senhoras.
O gerente do pessoal sorriu com fria amabilidade, esperando que as três moças se sentassem nas cadeiras dispostas diante da mesa antes de acomodar-se na sua, muito mais confortável.
Bella olhou discretamente para as outras duas concorrentes ao cargo que pleiteava, as quais imediatamente identificara como suas rivais e que agora fitavam serenamente o homem que tinham dian te de si. Sentia-se algo constrangida diante daquele procedimento incomum; ao rezar para que suas qualificações fossem superiores às das outras não imaginara que as três seriam convidadas a entrar juntas na sala do gerente.
Arriscou outra olhadela e teve de reconhecer que ambas transmitiam uma aura de refinamento: roupas coordenadas com cuidado, maquilagem discreta, cabelos com cortes modernos e penteados com apuro. Imaginou se devia ter se produzido melhor, mas logo descartou o pensamento com determinação. Sem conhecer a personalidade do suposto futuro chefe, a discrição só podia trazer-lhe vantagem.
O gerente do pessoal pigarreou. Um típico executivo subalterno, Bella avaliou, orgulhoso de si próprio por ser parte de uma engrenagem dinâmica e determinado a acompanhar os passos de seus superiores. Irradiava eficiência, do cabelo curto e bem penteado aos sapatos lustrosos. E as abotoaduras que usava traziam o logotipo da companhia.
Tocou o aro dourado dos óculos antes de falar, maneirismo que, conforme Bella havia notado já em sua segunda entrevista, sempre precedia uma pergunta mais importante. Ela fez o máximo para relaxar e aparentar calma e confiança.
— Primeiro quero parabenizar vocês três — ele murmurou, numa hábil tentativa de evitar ferir suscetibilidades. — É um grande feito terem se salientado entre as inúmeras candidatas para a posição em questão. Entretanto, devem ter em mente que apenas uma pode ser a escolhida, e esta escolha não cabe a mim. — Após breve pausa, obviamente para criar suspense para a afirmação seguinte, disse: — Como sabem, a posição é de secretária de confiança e assistente pessoal de um de nossos principais executivos. Agora posso revelar-lhes que este executivo é o próprio Sr. Cullen.
Bella experimentou uma inquietação momentânea, enquanto as outras duas não conseguiram conter os sorrisos. Edward Cullen criara grande fama quando, na quebra das bolsas de valores, em 1987, conseguira manter suas empresas por meio da diversificação. Seria emocionante trabalhar com um homem cuja astúcia e habilidade para ganhar dinheiro tornaram-no mundialmente conhecido e respeitado no mundo dos negócios. Além de solteiro e sexy, não era menos famoso pelo sucesso que fazia entre as mulheres.
Caso fosse a escolhida, Bella esperava que ele mantivesse sua vida pessoal distintamente separada da profissional. Não gosta va de mulherengos. Teria preferido um patrão comprometido com a vida familiar, embora sua experiência com o genro de Eleazar Denali tivesse provado com clareza que alguns homens deixam o casamento em casa quando saem para o escritório. E a vida ti nha lhe ensinado, havia muito tempo, que garantias só aquelas que a própria pessoa conquista.
Mas, em se tratando de sua carreira, não podia desprezar a chance de ser a assistente pessoal de Edward Cullen. Aquele era o último degrau da escala; dali ela poderia ir a qualquer lugar... Se provasse ser boa o suficiente.
— Creio que todas vocês entendem que o Sr. Cullen é um homem muito ocupado — o gerente continuou. — Ele me instruiu a levá-las até sua sala quando todas tivessem chegado, e natural mente ele será o árbitro final. Sinto muito pelo fato de duas de vocês inevitavelmente ficarem desapontadas, mas infelizmente não há alternativas... — Ele ergueu as mãos num gesto fatalista, en tão se levantou. — Se me acompanharem agora...
O grupo saiu da sala e dirigiu-se aos elevadores; subiu até o último andar. Bella mal percebeu a luxuosa área de recepção, toda em tons de marrom e bege, a fabulosa vista da cidade de Sidnei através das enormes vidraças. A recepcionista, uma morena muito atraente, fitou as três mulheres com uma expressão de avaliação ao confirmar que o Sr. Cullen estava à espera. Bella notou a aliança na mão esquerda da moça e imaginou se aquilo a protegia de encrencas. O gerente do pessoal bateu numa porta, abriu-a e convidou as candidatas a entrarem com um gesto de mão.
Bella hesitou. Certamente Edward Cullen não iria querer que as três entrassem juntas. Ou iria?
As outras duas mulheres avançaram, e Bella recebeu um olhar de reprovação por ficar para trás. Outro discurso breve antes da entrevista ponderou, e seguiu as rivais. O gerente entrou depois delas, fechou a porta silenciosamente e esperou. Todos esperaram.
Ficaram parados no meio do escritório de Edward Cullen até que ele se dignasse a notar suas presenças. E, pela maneira como se dedicava ao trabalho sobre a mesa, demonstrar cortesia e atenção a seus visitantes parecia figurar no fim de sua lista de prioridades.
Ocupado e rude, Bella pensou, avaliando uma das mais brilhantes mentes do mundo dos negócios da Austrália com um olhar desconfiado.
Os cabelos eram acobreados e grossos, assim como as sobrancelhas e os cílios. Sem dúvida, um homem peludo, Bella concluiu ao observar o queixo de contornos precisos, que imaginou escurecido pela barba cerrada no final de tarde. Com certeza tinha de se barbear duas vezes ao dia. E ela jamais se sentira atraída por homens peludos.
Então ele levantou a cabeça, e Bella descobriu naquele mesmo instante o porquê de seu sucesso com as mulheres. A resposta estava nos olhos: verdes e completamente cativantes. Edward Cullen olhou breve, mas atentamente para cada uma das candidatas e então voltou a fitar Bella.
— Você com o conjunto cinza... Fique — ele disse em tom au toritário, e então continuou, num tom áspero de despedida: — Obrigado por seu tempo, senhoras.
E foi tudo! Cullen baixou o olhar para a mesa outra vez e continuou escrevendo.
Bella permaneceu imóvel, estupefata, enquanto o gerente do pessoal saía com as outras duas mulheres. Não conseguia acreditar que naquele nível elevado de administração os funcionários pudessem ser escolhidos daquela maneira: simplesmente exibidos como objetos numa vitrine, sem a menor chance de mostrar seus atributos profissionais. De repente, chega o executivo que precisa do funcionário e simplesmente o aponta. Aquele! Pronto, tudo arranjado!
Quanto mais Bella pensava a respeito, mais insultante lhe parecia. Queimava por dentro de indignação; não apenas por si mesma, como também por suas concorrentes. Embora as três provavelmente tivessem qualificações igualmente viáveis, com certeza uma poderia ter-se revelado mais compatível que as outras para o cargo em questão. Portanto, ser avaliada por uma olhada rápida e sumariamente dispensada... Demonstrava total desrespeito para com suas capacidades e tudo o mais.
Aquele bruto trataria todo mundo daquela maneira... Ou só mulheres?
— Sente-se — ele murmurou, lançando-lhe um olhar rápido e impaciente. — Estarei com você em um minuto.
Bella sentou-se e o estudou com uma considerável malevolência. Não conseguia encontrar falha em suas orelhas, mas o nariz não era perfeito. E o lábio superior era fino... Pena ter de admitir que o efeito sobre o lábio inferior carnudo era provocante e sensual. A pele apresentava um bronzeado tão acentuado que a fez concluir que ele sofreria de câncer de pele num futuro não muito distante, afinal já contava trinta e oito anos, dado que apu rara por um perfil escrito a respeito dele quando pesquisara a com panhia. E soube também que era fanático por boa forma física e encorajava todos os seus funcionários a seguir seu exemplo e manter o corpo rijo e saudável com exercícios. Um corpo relaxa do indicava uma mente relaxada etc... Mas na opinião de Bella aquilo não passava de uma grande bobagem. Ela conhecera al gumas mentes brilhantes em corpos não tão maravilhosos, mas aquele não era um ponto sobre o qual se importaria em discutir, a menos que se tornasse pertinente. Contudo, não tinha a menor intenção de inscrever-se numa academia de ginástica.
Entretanto, tinha de admitir que Edward Cullen aparentava forma física excepcional para alguém de sua idade. Além do lábio inferior, não havia nada nele que sugerisse maciez. Antes, ostentava uma masculinidade que fazia Bella sentir-se dupla mente consciente de ser mulher.
E aquilo levava à pergunta mais intrigante de todas... Por que ele a escolhera entre as outras?
A única parte de seu corpo à vista eram as pernas, e mesmo assim das canelas para baixo. O conjunto cinza não tinha como objetivo exibir sua feminilidade, com um blazer de lã fina caindo folgadamente sobre a saia pregueada, que cobria até a altura dos quadris. A blusa branca que usava por baixo do blazer era fechada até o pescoço, dando-lhe um ar de recato vitoriano.
Como maquiagem usava apenas um batom rosa que destacava a tez clara herdada do pai inglês. Seus lindos olhos azuis pratica mente escondiam-se por trás dos óculos que escolhera usar em vez das habituais lentes de contato. O corte de seu cabelo castanho era eminentemente prático: curto, pouco abaixo das orelhas e com uma franja que lhe tocava o alto das sobrancelhas, levemente.
Estava satisfeita por ter conseguido uma aparência profissional séria. Nem mesmo o mais decadente libertino poderia olhar para ela aquele dia e ver qualquer insinuação de caráter sexual. A menos que fosse o homem mais pervertido da face do planeta!
E não repetiria o erro de seu último emprego: relaxar a guarda a ponto de ter até mesmo contado a Eleazar Denali sobre sua mãe. O ex-chefe havia sido muito gentil e paternal, genuinamente in teressado nela, e, em sua solidão, Bella se afeiçoara a ele.
Quando o bondoso senhor anunciou suas intenções de aposentar-se, Bella sentira-se desamparada, mas sua afeição e leal dade levaram-na a prometer continuar como assistente pessoal de seu genro, Jacob Black, resolvendo quaisquer problemas na mudança de direção. Ficara profundamente magoada ao des cobrir, de maneira tão desagradável, que Eleazar Denali não guar dara seu segredo e revelara ao genro que ela era filha de Renée.
Desde o princípio Jacob Black a hostilizara, olhando fixa mente para seus seios, quadris e pernas numa óbvia especulação sexual. Aquilo tirou todo o prazer de Bella em usar roupas boni tas. Mesmo assim, um dia ele a agarrara, ridicularizando seus pro testos, justificando-se com aquelas horríveis palavras de desdém: "tal mãe, tal filha".
Bella dera-lhe um tapa, num acesso de raiva cega, e saíra.
Fervia de raiva agora, apenas por lembrar o ocorrido, mas sentia-se certa de que, qualquer que fosse a razão para Edward Cullen tê-la escolhido, não podia ser seus atributos físicos. E ela jamais seria tola o bastante para revelar suas origens outra vez! Para ninguém!
Edward Cullen finalmente baixou a caneta e levantou a ca beça, estudando-a de cima a baixo, parecendo deter o olhar nas pernas longas antes de se voltar para seu rosto. Bella não moveu um músculo, embora todos os nervos de seu corpo estivessem ten sos de ressentimento.
— Seu nome?
— Swan, senhor. Bella Swan — ela respondeu, no tom mais calmo possível.
— Bonita voz, Swan. Posso viver com isso.
Bella percebeu a ironia por trás do elogio. Ele nunca diria aquilo caso se tratasse de um funcionário do sexo masculino. Por que uma mulher não podia ser aceita em pé de igualdade? E encarou-o com uma expressão fria, jurando ensinar àquele machista a res peitar suas capacidades nem que fosse a última coisa que fizesse.
— Quantos anos tem? — ele quis saber.
— Vinte e oito senhor.
— Não aparenta.
— Se quiser uma confirmação, meus documentos estão no de partamento pessoal, senhor.
Mas rezou para que ele não insistisse. Se descobrisse que seu nome na verdade era Isabella, e não a versão abreviada que dera, com certeza faria alguma brincadeira idiota a respeito.
— Não. Tenho certeza de que tudo foi verificado — ele co mentou num tom cansado, e relaxou na cadeira, fitando-a com um ar pensativo e mordendo o lábio inferior por alguns instantes antes de continuar, obviamente detestando as palavras, mas for çado a dizê-las: — Serei direto com você, Swan. Não quero saber de emoções tipicamente femininas neste escritório. Traba lharemos juntos. E só. Fui claro?
Bella ficou aliviada ao ouvir aquelas palavras, embora irritada com a insinuação de que nenhuma mulher conseguia controlar suas emoções.
— Certamente, senhor — murmurou com calma. — Quer que eu permaneça tranquila sempre, não importa a provocação.
Cullen franziu a testa.
— Não. Não foi isso que eu quis dizer. Não sou irracional. — E lançou-lhe um olhar penetrante e impaciente. — Mas, se co meçar a ter a idéia piegas de que está apaixonada por mim, está fora, Swan. Não me sujeitarei a isso outra vez.
Bella apressou-se a conter o impulso de rir daquelas palavras ultrajantes e arrogantes. Ele podia ser atraente, num nível bas tante básico, mas estava longe de ser tão irresistível quanto era cheio de si.
— Não vejo nenhuma dificuldade neste ponto, senhor.
— Ótimo! Fiquei tão irritado com esta situação idiota que me vi bastante tentado a contratar um homem, desta vez. Mas não me sentiria à vontade pedindo a um homem para... — Parou e franziu a testa.
— Fazer café para o senhor? — Bella sugeriu com falsa doçura.
— Coisas assim — ele admitiu relutante, agitando uma das mãos num gesto aborrecido enquanto a encarava com um ar de terminado. — Você está aqui para resolver problemas, não para criá-los.
Bella retribuiu seu olhar com fúria, desejando poder colocá-lo em seu devido lugar. Mas tratava-se de seu patrão, e ela não que ria nada, absolutamente nada, de natureza mais pessoal da parte dele.
O escândalo detestável ligado ao nome de sua mãe ainda machucava-a muito, mas agora ela sentia um prazer perverso em utilizar-se de um argumento da agitada Renée para atacar o ego colossal de Edward Cullen.
— Tenho certeza de que não lhe causarei problemas, senhor. Na verdade, prefiro homens mais jovens.
Ele arqueou as sobrancelhas com ar surpreso.
— É mesmo?
Mais uma vez Bella teve de conter uma risada, quando o rosto bronzeado revelou um conflito entre a afronta e a curiosidade.
— Bem, eles têm mais... Energia. Um homem tende a... Hummm... Fraquejar um pouco... À medida que envelhece. Não quis ofendê-lo, é claro — ela acrescentou num tom confortador. — Tenho certeza de que é uma exceção a todas as regras, senhor. Mas não me incomodo em defender meu... Ah... Ponto de vista, se isso o tranquiliza senhor.
Cullen concordou com um gesto de cabeça, mas não pareceu exatamente aliviado ou contente com a revelação.
— Espero que... Suas atividades sexuais com esses homens mais jovens... Não interfira no seu trabalho, Swan. Tenho certeza de que foi avisada de que sou muito exigente.
— O trabalho vem primeiro, senhor — Bella o tranquilizou com um ar solene, quase incapaz de conter um pequeno sorriso. — Jamais terá motivos para queixar-se sobre alguma indiscrição de minha parte — prometeu com absoluta sinceridade. Então uma pontada de malícia a fez acrescentar: — Nem para ficar preocu pado com minha forma física. Exercito-me regularmente, e mi nha mente nunca está menos que atenta.
— Ótimo! — ele exclamou com alguma aspereza. — Ficarei fascinado em ver o que sua mente atenta pode fazer com isso. — E inclinou-se para frente para tocar a folha de papel em que estivera escrevendo. — Esta á uma lista dos pontos específicos que quero considerados na preparação para a convenção anual da companhia, marcada para daqui a um mês. Organize-os num memorando que seja fácil de ler e entender. Traga-o para mim quando terminar.
Bella não temia nenhum desafio no que dizia respeito a trabalho. Gostava de trabalhar e apreciou a oportunidade de fazer Edward Cullen reconhecer que ela era mais que competente em lidar com qualquer tarefa que lhe incumbisse.
— Quando o quer pronto, senhor? — indagou séria.
— Humm, vejamos se consegue um primeiro rascunho até a hora do almoço — respondeu num tom arrastado. — Eu gostaria de enviá-lo à tarde.
— Então, se me der licença, senhor, vou trabalhar.
Edward fitou-a enquanto Bella se dirigia à porta que levava ao es critório anexo. Não conseguia acreditar em tanto atrevimento! Será que toda aquela eficiência era falsa?
Escolhera-a porque, à primeira vista, ela lhe parecera uma solteirona convicta, sem a menor preocupação de atrair qualquer homem, enquanto as outras se aproximavam mais do tipo de suas secretárias anteriores, o que representava... Problemas!
Seu ressentimento aos poucos deu lugar a certa admiração. Tinha de reconhecer: Swan era a frieza em pessoa, e era daquilo que precisava no escritório, mesmo que fora dali seu comportamento fosse diferente... Mas era melhor que correspondes se a suas expectativas, após aquela demonstração de desenvoltura.
Apanhou então as três fichas do departamento pessoal que ha viam sido deixadas sobre sua mesa, naquela manhã. Pegou a de Swan, folheou-a estudando os pontos importantes: havia feito um curso de administração de três anos na Faculdade Killara, trabalhara dois anos com pesquisa de mercado, antes de mudar pa ra uma grande corretora de valores, na qual ficara um ano. Durante os quatro últimos anos granjeara sucessivas promoções na Produtos Denali até chegar a assistente pessoal do próprio Eleazar Denali, em seus últimos dezoito anos de trabalho. Havia pedido demissão pouco menos de um mês após a transferência da direção da companhia para o genro de Denali.
Edward notou que pedira demissão cerca de quinze dias antes que ele solicitasse uma nova secretária. Um fato digno de verificação.
Voltou para as referências e leu-as com interesse. A eficiência, integridade e iniciativa de Swan eram muito elogiadas: sua demissão fora obviamente lamentada. Não havia a menor crítica em lugar algum, o que já era esperado, ou ela não teria passado pela seleção rígida que Edward ordenara.
Contudo havia algo sobre ela... Algo indefinível, que incomo dava Edward. Bem, se Swan não fosse aquele modelo de perfei ção, ele logo descobriria. Mas aquele não era o ponto. Edward gostava de "ler" seus funcionários principais como um livro aber to, conhecê-los, catalogá-los na mente e sentir-se seguro de que não o surpreenderiam agindo fora de suas expectativas.
E ela o surpreendera! Desconcertara!
Aquele ar de discrição e frieza que ela irradiava tinha de ser uma fachada falsa, já que declarara que era dada a aventuras se xuais intensas. Algo nela estava definitivamente errado... Algo que precisava descobrir.
Ponderou a respeito, não gostando da ideia de estar em desvantagem, e aos poucos tomou consciência de que Swan era a primeira mulher em anos que não o olhara com interesse. Era espantoso como o sucesso financeiro levava ao sucesso com as mulheres, Edward pensou com cinismo. Às vezes imaginava se Kate correria para seus braços se ele a procurasse agora. Mas não queria saber.
Já fizera papel de tolo uma vez, levado a acreditar, pela ce gueira do amor, que Kate partilhava seu sonho. Mas, quando arriscara tudo em sua primeira investida no mundo dos negócios e parecera fadado a fracassar, onde ficou o amor, a fé, o apoio? Kate deixara brutalmente óbvio que havia adiado o casamento até ter a certeza de que se unia a um vencedor, e quando Edward mais precisava dela... Bem, como amante ele era ótimo, mas...
Jamais faria papel de tolo outra vez por causa de uma mulher, Edward jurara com amargor. Agora tinha mulheres atirando-se em seus braços, querendo partilhar seu sonho... Ou os frutos dele. Mas amar não fazia parte de sua vida... Exceto a forma mais básica de amor. Afinal tinha a intensa satisfação de expandir sua organização com mais e mais sucesso. Mais alguns anos e a companhia teria um movimento total aproximando-se do bilhão de dólares. E, para ele, aquilo era a realização.
Sua atenção voltou-se automaticamente para o novo projeto que vinham planejando, e ele apanhou os relatórios de pesquisa que haviam chegado. Sem dúvida precisavam entrar no ramo de comunicação de massa: jornais, rádio, televisão...
Duas horas depois sua concentração foi interrompida pela no va assistente pessoal, que lhe entregou um rascunho impresso do memorando pedido.
— Creio ter relacionado aqui tudo que o senhor pediu — Bella declarou com sua voz melodiosa.
Edward fitou-a com ar surpreso, não por ter feito o trabalho, mas porque não havia notado seus olhos antes. Eram azuis como o céu, e sua pele, espantosamente clara e lisa.
— O senhor disse que queria verificá-lo antes do almoço — ela lembrou, atraindo sua atenção para os papéis.
— Sim. Obrigado — Edward respondeu num tom seco, e franziu a testa diante da primeira página.
— Tirei uma cópia para mim, portanto, se quiser ditar alguma alteração, tomarei nota — Bella comentou, e sentou-se na cadeira que ocupara antes.
Edward concentrou-se no rascunho, página após página. Ela reor ganizara suas idéias em agrupamentos lógicos utilizando termos de compreensão fácil, e não havia nenhum erro. Sabia que devia ficar satisfeito, assim acionou sua considerável força de vontade para combater uma sensação irritante de ter sido derrotado.
— Bom trabalho, Swan. Continue assim e nos daremos muito bem.
Bella deu um pequeno sorriso, atraindo a atenção dele para os lábios generosos. Era ainda mais irritante descobrir que suas for mas eram perfeitas. Não havia nenhuma imperfeição em Bella Swan?
— Se estiver satisfeito, senhor, devo instruir o grupo de datilografia para preparar os envelopes ou...
— Sim — ele murmurou num tom animado. — E, se levar o disquete para eles, poderão imprimir o número necessário de cópias do memorando.
— Mais alguma coisa, senhor? — Bella quis saber, levantando-se.
— Vá almoçar. Trabalharemos nestes relatórios à tarde.
Assim que ela saiu, Edward apanhou o telefone e começou a pro curar Eleazar Denali. Sua curiosidade, sua necessidade de definir aquela mulher provocante era tão forte que ele persistiu, ligação após ligação, até finalmente entrar em contato com o velho nu ma estância de férias em Queensland.
— Edward Cullen?! — Denali exclamou surpreso. — O que posso fazer por você? Não se esqueça de que está falando com um aposentado.
— Estou procurando algumas informações, Sr. Denali. Sobre certa Srta. Swan, que trabalhou para o senhor.
— Bella? Garota maravilhosa! Brilhante! Minha companhia provavelmente estaria bem melhor se eu a tivesse colocado como presidente no lugar do idiota de meu genro, cuja primeira prova de estupidez foi perder os valiosíssimos conhecimentos e serviços dela.
— Eu a contratei como minha assistente pessoal esta manhã — Edward contou.
— Você é um homem de sorte. Pode começar a agradecer aos céus. Esta garota vale seu peso em ouro.
— Notei que foi o senhor, e não seu genro, quem escreveu a referência — Edward comentou.
— Bella me procurou para isso. E fez muito bem. Ela era minha assistente. — Houve uma ligeira sugestão de reserva na resposta, e ainda mais quando ele acrescentou: — Você tem alguma dúvida, Edward?
— Gostaria de saber o motivo pelo qual ela se demitiu. A linha ficou muda por um longo momento.
— Não é nada para você se preocupar, se tiver o bom senso de agir direito com ela. Bella gosta de trabalhar. Mantenha isso em mente e a conservará em sua companhia.
— Não creio que isso responda a minha pergunta. Poderia ser mais claro? — Edward insistiu.
Denali suspirou profundamente do outro lado da linha.
— Como é pelo bem de Bella vou lhe contar toda a verdade. Devo isso a ela. Mas veja bem, Edward, não quero ouvir comentá rios a respeito, vou confiar em sua discrição. Minha companhia não precisa deste tipo de golpe. Bella nos deixou por causa de um estúpido assédio sexual. Fim da história.
— Obrigado. Tenha certeza de que respeitarei seu segredo. E espero que aproveite sua aposentadoria.
— Sem problemas — O velho riu. — Boa sorte, meu rapaz, e não se esgote ganhando mais dinheiro do que pode aproveitar. Só se vive uma vez.
— Sem problemas. — Edward repetiu bem-humorado, e desligou o telefone.
Recostou-se em sua cadeira com uma risadinha de satisfação. Tudo estava bem... No lugar. A ironia daquela manhã com Swan lhe ocorreu, e ele soltou uma gargalhada.
Ambos estiveram se advertindo mutuamente à distância!
Será que aqueles excessos sexuais com homens mais jovens não seriam uma mentira? Não que aquilo importasse. E, qual quer que fosse a verdade da experiência dela, ele certamente não estava fraquejando. Tanya era uma prova disso. Um homem de trinta e oito anos não era nenhum velho. Sentia-se na plenitude da vida e estava aproveitando o sucesso que fizera. A aposentadoria ainda estava muito longe. Havia mais montanhas a escalar, mais...
Ele imaginou qual seria a aparência de Swan debaixo da quele conjunto cinza disforme.
