Pensamentos em vão_

O vôo começa a ser anunciado pelo auto-falante. Kamus se levanta e pega a sua única mala, enquanto Fernanda tinha dificuldades para carregar as malas.

--Para que tudo isso?

--Vou passar um mês lá.

--Eu vou passar três meses lá e só estou levando uma mala.

--Então você vai usar a mesma roupa todo dia?

--Não, eu vou comprar mais lá.

--A ta...

--Quer ajuda?

--Pergunto isso meio tarde não acha?

--Daí.

--Tudo?

--Não, só aquela mala que parece ser a mais pesada.

--Eu levo, pode deixar.

--Me dá logo a mala!

--Ta.

--Nossa, que peso...

--Você quis ajudar.

Foram levando as malas até o avião. Deixaram as malas do lado de fora para que fossem guardados no fundo do avião, e sentaram-se um do lado do outro. Enquanto Fernanda lia uma revista de moda, Kamus ficava lendo um livro.

--Que livro é esse?

--O Segredo de Rhonda Byrne.

--Legal?

--Interessante.

--Pelo visto você não é um cara que gosta de conversar muito.

--É.

--Bem vou deixa-lo ler em paz.

Kamus suspira aliviado.

--Só mais uma pergunta.

--Fale.

--Olha para mim.

--Não preciso olhar para uma pessoa para entender o que será dito.

--Ta. É... Você trabalha?

--Para que quer saber?

--Curiosidade.

--Sim, mas eu não recebo salário.

--Como não?

--Eu não trabalho apenas para o meu bem, e sim para o bem da humanidade.

--A ta...

--Mas não vá achando que eu sou pobre, ou que eu não tenho um tustão no bolso, eu ganho dinheiro sim.

--Mas como? Se você não trabalha, como pod...

--Eu disse que eu trabalho, eu ganho dinheiro ajudando o povo da Sibéria.

--Mas você não disse que não ganha nada?

--O meu santo Zeus, eu disse que eu não ganho dinheiro trabalhando para proteger a humanidade, mas eu ganho dinheiro AJUDANDO o povo da Sibéria, que tem muitos problemas com o frio.

--Mas proteger a humanidade não é proteger a Sibéria?

--São coisas muito diferentes, eu PROTEJO a humanidade, e AJUDO a Sibéria. Proteger e ajudar são coisas completamentes diferentes.

--A ta...

--Afinal, quanto tempo irá demorar para chegarmos em Tókio?

--Mais de sete horas.

--Demora tanto assim?

--Você nunca viajou de avião não é?

--É a primeira vez.

--Esse avião não é daqueles que vão direto, ele faz paradas em alguns pontos da Asia, Russia e da China, para levar mais pessoas para Tókio.

--Você sabe muito sobre aviões.

(Acaraciando o rosto de Kamus) – Meu bem, eu vivo pelo avião, ando nele toda hora. Sou administradora de uma empresa que tem no mundo inteiro!

--Você pode me dizer o nome dessa empresa?

--É muito dificil pronuncia-lá.

--É?

--Aqui, meu crachá, o nome está aqui.

--Ashtbarusuk. Não é tão difícil assim.

--Nossa...

--É empresa do que?

--Transportadora.

--E você sabe onde é a matriz?

--Rússia.

--Por isso que eu leio bem Russo.

--Por que?

--Um amigo meu nasceu lá e me encinou algumas coisas sobre lá, um deles era a língua russa.

--E como ele se chama?

--Curiosa você hein?

--Há, eu vivo da curiosidade e das descobertas.

--Ele se chama Hyoga.

--É um belo nome.

--Sim.

--Mesmo sendo esquisito.

--Ta...

E seguiram viagem, durante o vôo, Kamus desceu do avião durante uma das pausas em Londres. Caminhou por lá e voltou as pressas com Fernada para pegar o avião. Fernanda continuava com as suas perguntas curiosas sobre o rapaz e Kamus continuava a ler seu livro. Chegaram em Tokio de noite, Fernanda estava dormindo dentro do avião.

--Fer...Fer...FER!

--Ai!

--Acordo até que enfim!

--Não precisava ter me biliscado, ainda mais no braço!

--E quem disse que eu te bilisquei?

--Foi você sim! Quem mais seria?

--O garotinho que está olhando sarcásticamente para você?

Fernanda olhou para o lado e se deparou com um menininho olhando com um sorriso amarelo para ela.

--Seu pestinha.

--Sorte a sua que a mãe dele está dormindo para ouvir isso.

--E que sorte.

Fernanda se virou e ficou com o rosto muito próximo ao de Kamus. Os dois se olhavam, um no olho do outro. A moça colocou sua mão no rosto de Kamus que estava segurando o seu outro braço. Quando ela foi se aproximar para beija-lo, Kamus se virou.

--Bem... É...

--Bom...

--Pegue as suas coisas.

--As malas estão lá no fundo.

--É eu sei. Mas a sua bolsa e o seu casaco que me deu para segurar não.

--Ah, muito obrigada. Kamus.

--Não a de que.

--Se quiser podemos ir atrás de um hotel para dormimos essa noite.

--Pode ser.

--Ok, sei de um hotel ótimo. Com café da manhã.

--É caro pelo visto.

--Fique tranquilo, tudo por minha conta.

--Tem certeza?

--Faço questão.

--Ta, depois não reclame.

--Kamus que isso, eu tenho conta lá.

--Ta.

--Duro que não tem nenhum Taxi que para pra nós !

--Dexa comigo. FIUI!

Logo um taxi parou em frente deles.

--Uau.

--Nenhum taxi recusou a esse meu padido de pare.

--Hum... Exibido.

--Quem sabe, senhorita... (abrindo a porta do taxi)

--Educado pelo menos.

--Educação é a primeira coisa que se aprende.(conversando com o motorista do taxi)—Aqui estão as malas, poderia coloca-las no porta mala?

--Sim, é claro.

(Entrando no carro)—Logo irá chover.

--Como sabe?

--A formação das nuvens, e está começando a ventar forte.

--Destino moça?!

--Hotel "Malaysia Palace"

--Ok.

--Kamus se importa?

--O que?

--A viagem daqui até o hotel demora, e eu estou com sono.

--Quer dormir no meu colo?

--Sim, se importa?

--Mas é claro que não! Pode deitar.

--Obrigada.

Kamus começou a acariciar os cabelos de Fernanda em seu colo. Sentia um grande afeto por ela, e começou a pensar como estaria Angelina.

''Como será que ela está? Sinto muita saudade dela. Na hora em que eu encontrá-la, irei esquecer tudo para trás e abraçá-la. Será que ela se lembra de mim? Faz muito tempo que eu não a vejo. Será que aquela papelada que Hyoga disse, será de divorcio mesmo? Aquele homem, na qual ela foi prometida tenho muita raiva dele. A família dele que matou a minha. Se eu encontrá-lo novamente, esteja certo que haverá morte. A Fernanda vem me ajudando muito, e estou começando a ter minha confiança por ela. ''

Fernanda já pensava em Kamus.

''Ele é muito simpático. E lindo. Aqueles olhos me enfeitiçaram. Tenho total confiança nele. A pesar de que ele é meio caladão. Mas isso é o melhor que tem em um homem, ah se existisse mais homens iguais a ele... Toda mulher seria feliz. Inclusive eu. Pena que ele não me ama, e sim, minha amiga, Angelina. AFINAL, O QUE ELA TEM QUE EU NÃO TENHO?! Eu queria ser a paixão dele... Mas, é vida. Foi uma benção ter encontrado Kamus no meio da viagem. ''

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continua

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