Era
dia, e Orihime acordou com uma sensação estranha. Culpa. Culpa
pelos sonhos loucos que tivera... Será que aquilo era normal? Uma
mulher, na situação que ela se encontrava, isolada de todo mundo, e
seu único contato com o mundo fosse aquele homem... Isso mais parece
um perfil psicológico. Mas ela não conseguia guardar para si, quem
sabe se compartilhar, a coisa pareça menos absurda... afinal, ela
nunca lidara com aquilo antes, esse fogo dentro dela, isso não era
normal, era? Mas precisava tentar, precisava se confessar, expiar por
seus pecados, aliviando sua mente. Afinal, estava presa há meses, é
lógico que não podia estar no seu melhor julgamento.
À noite
quando Ulquiorra lhe trouxe o jantar, houve um clima estranho entre
os dois. Mas ela precisava desabafar quem sabe assim isso
parasse.
_Ulquiorra... _começou.
_Fale, mulher _ele tentou
manter-se calmo e indiferente, como sempre.
_Eu... tenho que me
confessar.
_Ora, não sou padre.
_A não ser que me traga um,
só tem você que possa contar.
Ele pensou por um instante.
_Esta
bem, confesse.
_Tenho pensado em você à noite.
_O que você
pensou?
Ela se virou, ficando de costas para ele.
_Quando vou
dormi... imagino você ao meu lado.
Ele engoliu
seco.
_Mulher...
_Não pode me absolver... Meus pecados não
param por ai...
_Continue. _disse ele, serio.
_Sinto suas mãos.
Desejo seu toque... Eu tenho até... _continuou ela, ainda de costas
para ele _ Eu tenho até me tocado, querendo que minhas mãos fossem
as suas.
Rígido, os pés separados, ele olhou para baixo, sem
reação.
_Como? _conseguiu perguntar, embora suas palavras
parecessem sussurros, enquanto observava atentamente a silhueta
feminina.
_E- eu... coloco uma mão no seio e uma... _sussurrava,
parecia falar dentro dele _... uma entre minhas pernas.
O mundo
inteiro de Ulquiorra parou. Desejo e mais alguma coisa gritavam em
seu corpo. Enlouquecera.
Queria abraçá-la. Toca-la. Possuí-la
antes que mais alguém o fizesse.
Ela se virou, e caiu, como se a
confissão tivesse levado toda energia do seu corpo.
_Ulquiorra, o
que devo fazer? Eu nunca...
Ele se abaixou e se perdeu nos seus
olhos confusos, de quem estava aprendendo uma lição nova e
complexa.
_Feche os olhos... e mostre-me.
_Não
posso. _ela negou, receosa.
Me toque pelo amor de Deus,
seu corpo gritava.
Sem raciocinar, ele a abraçou e acariciou seus
cabelos.
_Mostre-me. _insistiu.
Ela segurou nele,
tremendo.
_Não posso... _murmurou, indecisa.
_Vou ajudar...
Mas não abra os olhos.
Ela apertou as mãos nas costas dele, seu
corpo todo tremia.
Ulquiorra deslizou a mão, abriu os dedos sobre
seu tórax.
_Aqui?
Ela balançou a cabeça,
negando.
_Mostre-me.
Com as mãos tremula, ela levou a mão
dele mais abaixo, ofegando quando ele roçou o pano que cobria seu
seio.
_Aqui?
De olhos fechados, ela confirmou.
A mão dela
ainda tava sobre a dele. Ele deixou o bico do seio escorregar por
entre seus dedos, depois o apertou suavemente. Ela gemeu, e sua
respiração, agora rápida, a empurrou contra a mão dele.
Deixou
cair a outra mão sob o vestido dela, e cingiu o linho que cobria o
calor entre as pernas dela.
_E aqui?
Ela enrijeceu, mas não
respondeu, exceto por cobrir a mão dele com a sua, prendendo-a no
calor da sua intimidade e a suavidade dos seus dedos.
_Mostre-me
como... Orihime.
Quase sem respirar, ele esperou. Depois, em vez
de guiar a mão dele, ela jogou os quadris contra ele.
_Assim?
_ele deslizou um dedo para dentro dela e sentiu-a molhada.
Ela
largou a mão dele e jogou seus braços em volta dele, agarrando-se,
quase o arranhando. Orihime cumpriu a promessa, não abriu os
olhos.
_Não tinha sido tão maravilhoso assim _murmurou.
Ele
sentiu uma satisfação ao ver a excitação da garota com seu
toque.
_Me beije. _murmurou ela.
O
raptor sentiu-se envergonhado de não tê-la beijado antes. A língua
dele procurou sua boca. E a princesa a ofereceu, ate que ele voltou a
ficar atordoado. Os cabelos acobreados prendiam-se aos dedos dele, e,
quando o beijo cessou, ele os puxou, esperando provocar um
sorriso.
Mas, quando o sorriso chegou, era triste.
_Não foi
isso que eu senti com Aizen-sama.
O nome acertou-o como uma
apunhalada e arremessou-o para o mundo real das promessas e traições.
As mãos ainda emaranhadas nos cabelos de Inoue, ele forço-a a
fitá-lo.
_O que quer dizer? O que ele fez?
_Ele tentou me
beijar e... me tocar.
Ela piscou os olhos, lembrando do dia em que
ficou sozinha com ele, quando Ulquiorra não viera lhe trazer a
comida.
_E você deixou? _O ciúme aumentou a confusão de sua
mente.
Ela negou com a cabeça.
Ficaram imóveis por um
segundo, ou que sabe a eternidade, presos no torpor do momento que
tiveram, e nesse agora. O mundo de Ulquiorra parou de girar.
Lembrou-se do homem que o acolhera, e a quem jurara a vida em
servidão. Aizen-sama era o seu guia, o seu exemplo, o seu mentor...
Um canalha que tocara na mulher que ele...
Amava...
Não. Isso é absurdo de mais.
Ele desvencilhou-se dos cabelos
dela, e saiu do quarto, sem dizer mais nada. Ela olhou apreensiva
para a porta. O mundo da princesa entrara em colapso. Seu
Kurosaki-kun parecia à milhas de distancia. E seu coração estava
afogado em duvidas.
