Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


• Capítulo 2: O Tratado •


O sol já estava alto quando Hashirama despertou. A viagem fora de fato cansativa e o homem não tinha uma noite de sono tranquila a muitos dias. Descansar em uma cama confortável, sem o pesadelo das batalhas e o permanente estado de alerta era o que precisava. Antes de despertar completamente, seu pensamento voltou-se para o que havia acontecido na noite anterior. Não era algo que o preocupava, mas achou necessário um pedido de desculpas, seja lá pra quem fosse, e sem saber exatamente sobre o que se desculpar. Arrumou-se e saiu de seu quarto, seguindo até o jardim. Hoshi aguardava o convidado na varanda para servir-lhe o dejejum.

— Espero que tenha descansado, Senju-sama. — Hoshi, cumprimentando-o.

— Sim, senhora. Dormi muito bem. Obrigado. — respondeu.

— Arata pediu que o encontrasse em seu escritório para conversarem após sua refeição. Coma com calma, ele não tem pressa.

— Obrigado, senhora. — Hashirama deixou um sorriso agradecido à dama Uzumaki.

Hoshi retirou-se da varanda deixando Hashirama sozinho. Observando o jardim enquanto comia, o homem notou algumas flores que não conhecia, e após a refeição caminhou até estas para vê-las mais de perto. Poucos instantes depois viu que alguém se aproximava, entrando pelo portão do outro lado do jardim.

— Bom dia. — cumprimentou Hashirama.

— B-bom dia, senhor... — respondeu Keiko, desviando o olhar.

— Você é uma Uzumaki também, estou certo? — perguntou o Senju, gentilmente.

— Sim, senhor. Meu nome é Uzumaki Keiko, sou prima de Mito-hime e Arashi-sama.

— Meu nome é Senju Hashirama, prazer em conhece-la.

— A honra é toda minha, Senju-sama... Se me permite, tenho urgência em encontrar Mito-hime. — Keiko saiu em passos rápidos.

Hashirama surpreendeu-se novamente com a beleza das mulheres daquele clã, mesmo tendo visto pouco do rosto de Keiko, que permaneceu de cabeça baixa até entrar na casa. Ela era bem jovem, talvez dezenove ou vinte anos, e tinha cabelos vermelhos escuros e longos. Mas ainda não era tão graciosa quanto a princesa, e não parecia ser tão desinibida também. Ele deixou o jardim e seguiu até o escritório de Arata.

Keiko seguiu até o quarto de Mito, mas não a encontrou. A prima deixara-lhe um bilhete pedindo que a encontrasse no monte onde costumavam meditar. Quando Keiko virou-se para sair, deparou-se com Arashi encostado na porta. Não sabia a quanto tempo ele estava lá, mas mostrou um sorriso ao vê-lo.

— Arashi... Como sempre silencioso demais... — Keiko, sorrindo.

— Keiko, que bom que retornou bem da missão. — Arashi, caminhando em direção da mulher.

— S-sim, estou bem e a missão foi um sucesso.

— Eu sei. Na verdade, já sabia que seria quando Imai-senpai me disse que havia enviado você. — disse Arashi, aproximando-se para um abraço.

Os dois se abraçaram por algum momento, e afastando-se um pouco trocaram um olhar carinhoso. Os dois notaram que aquele não era o lugar nem momento para conversarem ou tratarem-se como costumavam fazer a algum tempo às escondidas. Keiko despediu-se de Arashi dando-lhe um beijo no rosto, e saiu para encontrar Mito. Arashi permaneceu no mesmo lugar, parado. Ainda naquele mês iria propor Keiko como futura esposa aos pais da jovem.

Os dois eram primos de terceiro grau, mas a proximidade de Keiko e o irmão gêmeo Kotone com Mito tornaram essas duas ramificações do clã muito próximas. Alguns anos atrás Arashi se dispôs a auxiliar Keiko em sua especialidade em selos, e com o tempo os dois terminaram por se apaixonar.

Mesmo com vontade de permanecer mais tempo na companhia da amada, Arashi sabia que tinha assuntos importantes a tratar naquele momento. O pai o aguardava em seu escritório para conversarem com o líder Senju.

Chamá-lo de senhor, sendo que deve ter a mesma idade que a minha... — pensou Arashi ao sair do quarto da irmã.


x


A vista para o mar era maravilhosa daquele lugar. Mito e os primos frequentavam aquele local desde crianças, fosse para treinar, jogar conversa fora ou brincar. Agora adultos, o local era um refúgio para eles. As primas se encontravam semanalmente quando possível para meditarem e conversar. Kotone vinha poucas vezes ao monte, já que não tinha interesse em ouvir a irmã e prima falarem sobre algum homem ou outro que acharam atraente em certa missão, ou o quanto alguma mulher de outro clã parecia vulgar. Mas ia sempre que voltava de alguma missão importante, ou para distrair o pensamento da lembrança dos combates.

Mito havia levantado antes do sol nascer. Deixou um bilhete para Keiko, comeu algo na cozinha e seguiu para o monte. Havia tratado com a prima de se encontrarem naquela manhã assim que Keiko retornasse da missão, mas Mito não conseguiu esperar. Precisava meditar sobre o que sentiu vindo de Hashirama. Quando o viu entrando na sala para o jantar notou forças de paz e lealdade muito nítidas vindas dele. Calma e serenidade que nunca havia visto em ninguém, por isso simpatizou-se logo com ele. Não seria nenhum sacrifício reprimir seu jeito arruaceiro para tratá-lo com educação. Sentia-se feliz em sua presença, e sorriu algumas vezes durante a refeição. Riu-se sozinha quando suas mãos tocaram-se e sentiu que Hashirama ficou envergonhado. Mais tarde naquela noite, enquanto meditava no jardim, notou ser observada. Vinha da direção onde Hashirama estava recolhido. Quando confirmou ser o mesmo, levantou-se e caminhou até sua janela, até que sentiu vindo dele um pensamento de que talvez ela estivesse indo em sua direção para alguma intenção maliciosa. Mito enfureceu-se e destratou o Senju, voltando rapidamente para seu quarto. Estava acostumada ao assédio dos homens, por ser bonita ou apenas pelo fato de ser herdeira de um clã forte como eram os Uzumaki. Mas ainda não havia sentido o contrário, alguém pensando que ela se aproximaria para algo mais que uma conversa. Isso por que ela quase nunca era simpática, o que deixava claro sua indiferença quanto as maliciosas intenções masculinas.

Quando Keiko chegou ao local ela e Mito abraçaram-se. Sentadas uma ao lado da outra e observando o mar, partilharam bolinhos que Keiko havia levado. Conversaram sobre a missão de Keiko, seu encontro com Arashi entre outras coisas, até que Keiko tocou no nome de Hashirama.

— O que o líder Senju vem fazer em Uzu, Mito? — perguntou Keiko.

— Apenas política. — respondeu Mito, secamente.

— Quando entrei no jardim ele estava lá observando suas flores... Quase morri de vergonha, não sabia que ele estaria em sua casa!

— Tem que deixar de ser tímida, Keiko! Nem parece ser Uzumaki... — Mito pôs-se pensativa por alguns instantes. — Observando minhas flores?

— Sim, estava olhando para elas. Ele deve gostar de flores, considerando o fato dele criar árvores com o tal Mokuton...

— ... Hum. Não quero mais saber deste homem, vamos mudar de assunto.

Keiko notou que Mito enrubescera ao falarem de Hashirama.

— Você o achou bonito, Mito? Eu achei, não mais que Arashi, claro. Mas...

— Baka! Já disse, não quero falar dele! — Mito interrompendo Keiko, que sorriu.

— Como quiser, senhorita apaixonada! — provocou Keiko, que na mesma levantou-se rápido e pulou do monte, caindo sobre a areia fina da praia.

Mito fizera o mesmo, e as duas seguiram até o mar para nadar antes de voltaram para a vila. Mito ainda teria uma reunião a noite onde seu pai e Arashi anunciariam para o conselho da vila qual seria o tratado entre eles e Hashirama.


x


Arata aguardava o filho e o convidado para uma reunião rápida. A decisão diante da proposta de Hashirama não seria difícil. Os planos do Senju eram justos, e os clãs eram camaradas.

O velho havia acordado antes do amanhecer para moldar seus pensamentos e sua decisão. Viu que a filha acordara cedo também, e que saíra com pressa antes mesmo que notar que o pai também havia se levantado. Arata tomou algumas ideias anteriores e moldou a proposta de Hashirama. Sua decisão já havia sido tomada.

Hashirama entrou na sala seguido por Arashi, e o velho Uzumaki pediu que se sentassem para dizer logo o que havia decidido.

— Bom, não sou de guardar suspense, então direi logo o que decidi. Há um bom tempo já vinha pensando no futuro da Vila do Turbilhão, e diante a sua proposta, rapaz, vi a oportunidade de concretizar algumas decisões que apenas aguardavam sua hora certa. Resumindo, depois explicarei qualquer dúvida em detalhes, Arashi permanecerá comigo em Uzu, onde o guiarei para em breve assumir a liderança do nosso clã e da vila. Assim que Konoha for fundada peço que você, Hashirama, mande-nos uma nota para que eu envie Mito até sua vila. Ela levará consigo alguns dos nossos melhores homens e mulheres, e irá liderar os nossos em Konoha, auxiliando-o em seu novo governo... Digo, quem for escolhido para ser o primeiro líder, ainda que creio ser você mesmo. Permito que ela repasse a vocês alguns de nossos selos e ensine a nova geração a vir. Alguma dúvida? — Arata.

— Senhor, é uma decisão extremamente rápida, mas se é isso que decidiu para mim está tudo bem. Sua filha será de grande ajuda para Konoha. — disse Hashirama.

— Meu amado pai, meu senhor... Ainda sou jovem para tomar seu lugar como líder! Tenho muito a aprender e... — dizia Arashi surpreso com a decisão do pai, até que Arata o interrompeu.

— Uzumaki Arashi, você é meu filho, e sei que já é capaz de me suceder, assim como sua irmã, mesmo sendo jovens... Mas como meu filho mais velho e homem, preciso que se case e forme sua família aqui, com uma mulher de nosso clã. — disse Arata.

— E Mito, meu pai... Ela deixará nosso país sem estar casada? — questionou Arashi, em voz baixa.

— Bom, este seria outro detalhe a tratar. — Arata suspirou — Hashirama, ontem me disse não ter uma mulher para se casar em vista... — Hashirama pode imaginar o que viria a seguir. Antes que pensasse em algo mais, fora interrompido pelo líder Uzumaki, que prosseguiu:

— Como pai e pela honra de minha família, minha filha só deixará este lar quando se casar... E... Creio, como pai e mestre, que ela seja suficientemente boa para você. Esta união seria algo inevitável, pois Mito não sairá daqui sozinha. Se casá-la com um Uzumaki, como já havia pensado em fazer a pouco tempo, não poderá liderar. E se casar com algum homem de outro clã não irá viver em Konoha, a não ser que o marido resida na vila, e ainda teria de ser um líder para que ela possa atuar. Tendo em vista que você é aparentemente o favorito para o cargo de líder, apenas uma união entre vocês dois fará tudo funcionar como o acordo pede. Se por um acaso outro tomar o cargo de líder de Konoha, vocês dois juntos ainda terão forças no conselho. Nenhum outro indicado a cargo de líder aceita estrangeiros em seus clãs. Conheço bem sua família, sei o que estou falando. — concluiu Arata.

Hashirama ficou surpreso com o que Arata acabara de dizer. Tudo que dissera era coerente, e a única via para que Mito pudesse se mudar para Konoha. Ele poderia simplesmente não aceitar, mas ficaria sem um mestre de selos, representante Uzumaki e membro do conselho na vila... Também não queria manchar o laço de amizade entre os clãs, ou falhar com seu objetivo de trazer paz ao seu país e estreitar laços com o País do Redemoinho. Mas não podia aceitar de pronto e concordar com um casamento apenas por conveniência. Era comum casamentos visando acordos políticos na sociedade em que viviam, quando não eram feitos entre herdeiros de uma mesma família. Hashirama estava sem palavras para Arata, até que o mesmo chamou-lhe a atenção, já que ele estava olhando para o teto, pensando.

— Hashirama..? O que me diz? Se não aceitar, não terá ao seu lado um herdeiro legítimo da linha sanguínea do Rikudou Sennin, únicos capazes de liderar os Uzumaki. Não me é permitido passar tal responsabilidade para outro membro da grande família. Mas você não é obrigado, nosso laço de amizade permanecerá como ainda é. — completou Arata.

— Senhor, sua filha conhece sua decisão? — perguntou Hashirama, intrigando Arata.

— Não, ela saiu cedo para suas obrigações. Quando retornar a comunicarei. — respondeu.

— Senhor, tudo que ouvi até então sobre Mito-hime, assim como sobre Arashi-san, é que são grandes prodígios de sua família, que dominam todas as técnicas de alto escalão e são capazes de criar novas a sua vontade. Como ninjas e como pessoas, são muito respeitados e temidos fora do seu país, onde seus feitos são admirados mesmo pelos inimigos. Sem dúvida senhor, ela é suficientemente qualificada para liderar ao meu lado, caso me torne líder da vila. Mas, senhor... — Hashirama suspirou, enquanto Arata e o filho ouviam com atenção. — Talvez eu não seja tão digno em ser marido de Uzumaki Mito, uma princesa, de família nobre. Não possuo tantas riquezas, na verdade não possuo riqueza alguma. — riu desconcertado — Todo apoio a ela será dado, mas não tenho conforto para lhe oferecer. — respondeu Hashirama um pouco envergonhado.

Ele sabia que a nova vila seria feita de forma simples a abrigar os clãs, mesmo que famosos e fortes, ainda clãs de mercenários. Que não teria condições de acolher uma princesa com o mesmo conforto que ela teria se estivesse casada com outro de seu status. Hashirama era humilde e modesto, nunca se envergonhou de sua condição de mercenário, mesmo sendo um homem forte e de grande influência. Todo seu ganho com o trabalho para os senhores feudais era revertido para a aldeia na floresta que abrigava os Senju. Seus pensamentos mais uma vez foram interrompidos, desta vez por Arashi.

— Hashirama-san, se me permite ser menos formal... — Hashirama assentiu que sim. — Você é o homem mais famoso entre os ninjas dessa geração, sem dúvidas é muito respeitado. Mas conhecendo meu pai e posso dizer por mim mesmo, Arata-sama não o escolheria apenas por suas posses materiais, até porque não possuímos tanto, somos apenas um clã independente, com nossa própria vila. Se fosse algum outro que viesse buscar um acordo, meu pai não a entregaria sem conhecer sua procedência. Nossos laços são estreitos mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, antes do dia de ontem, e podemos sentir sua lealdade e sinceridade. É o homem ideal para tornar-se meu irmão, se concordar. Fora que é da nossa vontade estar em Konoha e auxiliar o quanto pudermos, e sem esse matrimônio isso seria impossível. — concluiu.

Hashirama surpreendeu-se de novo. Ficou feliz pelas palavras de Arashi, que foi elogiado pelo pai quando terminou de falar. Sem exitar, o Senju deu aos Uzumaki sua resposta:

— Senhor, eu aceito sim ter sua filha como esposa, e tê-los como pai e irmão, além de amigos ou primos distantes. — A decisão arrancou sorrisos dos homens presentes.

— Isso é ótimo, rapaz! Essa união é política, como sabe. Mas também prezo pela minha honra e costumes, e o que meu filho disse é real. Não entregaria meu pequeno tesouro a qualquer homem. Bom, de toda forma, pra que fique mais a vontade, deixarei que corteje minha filha essa noite, após a refeição, se assim desejar. — disse Arata.

— Sim senhor, de acordo. — respondeu Hashirama. Aquela seria a oportunidade de conversar com Mito a respeito do ocorrido na noite anterior.

Naquela tarde Mito receberia a notícia por seu pai que tornaria-se esposa de Senju Hashirama. À noite o noivado seria anunciado junto a decisão de Arata sobre o novo líder do clã, iniciando uma nova era no País do Redemoinho, e em Uzushiogakure.


x


Nota: Não deixem de comentar. E não se esqueçam, críticas e sugestões são sempre bem vindas!