Nome: Roda Gigante
Gênero:
Romance, drama.
Classificação: Livre.
Shipper: IkutoxAmu
Avisos: Pode conter spoilers.
Shugo Chara! não me pertence, e sim à Peach-Pit.
Essa fic não possui bens lucrativos.


Sentamos-nos ao primeiro banco que avistamos, em frente ao carrossel. Ikuto segurou a minha mão todo o tempo, porém, desfez o contato para colocá-las no bolso. Senti frio.
- Então? - Quebrei o silêncio, pedindo para que o nervosismo não fosse notado no meu tom de voz. Ikuto apenas me encarou e levantou uma sobrancelha questionadora. - O quê veio fazer no Japão?
Ele relaxou o olhar e, sorrindo pervertidamente, disse encarando o céu. - Huuum... eu me pergunto o quê... - Após dizer isso, ele voltou suas esferas azuis safira a mim.
Senti meu rosto corar e desviei o olhar para o chão.
- E o seu pai? - Perguntei.
- Eu o encontrei. - Me surpreendi e imediatamente voltei meu rosto em sua direção. Ele, percebendo a surpresa, complementou: - Na verdade, faz uns três meses. Eu o encontrei na França. Quando soube que havia uma banda que se apresentava em alguns pontos turísticos, eu rapidamente deduzi, principalmente porque soube que um dos integrantes tocava violino. - Sorriu, encarando as nuvens.
Pude sentir a felicidade no olhar do Ikuto... Imagino como ele deve ter se sentido quando o reencontrou.
- Amu... - Ele virou-se para mim e disse: - Eu não vim para ficar.
Algo dentro de mim se despedaçou. Não veio para ficar? O quê significava isso? Ele ia embora novamente?

Senti meus olhos começarem a se encherem d'água e minha garganta soluçar. Tentei me conter e perguntei, encarando o chão novamente, com a minha franja cobrindo os meus olhos: - Como assim?
Acredito que Ikuto percebeu o meu desconforto, pois ele demorou a responder.
- Acho que você sabe a razão da minha vinda ao Japão. - Eu ainda não o olhava. - Eu queria te ver. Durante todo esse tempo, a cada dia que passava, esse desejo crescia mais. Porém, eu não podia ainda. Eu tinha algo para fazer; e eu precisava me concentrar nisso e aguentar um pouco mais.
- Por que nunca me deu notícias? - Senti um pouco da minha mágoa transparecer no tom de voz.
- Não havia como eu entrar em contato com vocês. - Ikuto suspirou e continuou. - Principalmente com você, Amu. Uma vez, eu tentei lhe escrever uma carta. Mas, o vazio que eu sentia só de pensar em você... Me impedia.
- Eu entendo perfeitamente - Sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, porém, Ikuto pegou a minha mão e continuou:
- Eu não sei se vou conseguir ficar longe de você de novo. - Oh, ele diz isso e pretende ir embora? Ele pensa que meus sentimentos sã... - É por isso que eu propus ao meu pai para nos mudarmos para o Japão. - O QUÊ?
- Como? - Não pude esconder a surpresa.
- Além dos meus desejos, meu pai já está velho também, precisa descansar. E não há lugar melhor que o Japão para isso.
A tristeza de repente foi embora do meu coração, dando lugar à felicidade. O Ikuto vai voltar! ele vai voltar ao Japão! Ele vai morar aqui de novo!
- É muito bom saber disso. - Disse sorrindo. Ele deu seu típico sorrisinho de lado.
- Eu me pergunto se você ainda se lembra do que eu disse no aeroporto. Você se lembra, Amu? - Ele olhou em minha direção, com seu sorriso pervertido.
- Pare de dizer essas coisas constrangedoras! - Ele riu. Não! Não era isso o que eu queria dizer!

Enquanto eu fiquei me advertindo mentalmente, Ikuto encarou a Roda gigante do parque.
- Nós nunca fomos à roda gigante, não é mesmo?
- Hãn? é, é verdade! - Disse nervosa e ainda corada.
Ikuto se levantou e me guiou pela mão. Enquanto andávamos, eu pensava em como eu o amava... em como dizer isso a ele. Desde que ele chegou, eu não tentei. Não posso desperdiçar essa chance...
Quando dei por mim, já estávamos dentro da roda gigante. O espaço era pequeno, possuía dois assentos, um de frente para o outro e uma enorme janela.
Ikuto se sentou de frente para mim e apreciou a vista. Seu cabelo azulado em seu rosto, seus olhos azuis safira refletindo a luminosidade da cidade. Era incrível como esse garoto possuía a facilidade de me fazer corar, de fazer com que eu me sinta confusa. Ele mexe com as minhas emoções, com a minha cabeça... às vezes me pergunto como consegui ficar tanto tempo longe dele... Ikuto...
- S-Sabe Ikuto, érr... quando você vai voltar ao Japão? - Mas que diabos! por que eu não consigo dizer?
- Provavelmente, um mês é tempo o suficiente para resolvermos as coisas por lá. - Ele parecia meio... triste.
- E quando você vai voltar à França? - Senti os olhos estupidamente azuis sobre mim.
- Amanhã à tarde. - Ele disse com seu habitual tom de voz.
O quê? amanhã à tarde? só verei o Ikuto novamente daqui a um mês? mas é tanto tempo...
Se eu pelo menos tivesse coragem para lhe dizer... eu não sei o que está acontecendo comigo! não era eu quem ficava todas as noites pedindo para que esse dia chegasse? eu não prometi a mim mesma que engoliria o meu orgulho e falaria? mas... por quê? por que eu não consigo? eu sou uma fraca... uma medrosa...

Não! eu não sou assim! se a Ran, Mikki, Suu e Dia estivessem aqui, eu tenho certeza de que elas estariam me apoiando e confiando em mim! Eu tenho que ser forte! pelas meninas, pelos meus amigos , pelo Ikuto e por mim mesma! eu tenho que conseguir!
- Ikuto... - Comecei, desviando o olhar para algum ponto que fosse mais interessante do que o belo rosto do garoto a minha frente. - D-Durante os últimos cinco meses, eu me perguntava porque me sentia t-tão sozinha... - Olhei rapidamente para o seu rosto e o vi com uma sobrancelha levantada, questionadora.
- As meninas haviam ido, e nesse momento eu ganhei total apoio dos meus amigos. Eu estava feliz... eu havia feito recordações incríveis com elas, e eu também tinha plena consciência de que foi por causa delas que eu te conheci. - A coragem estava vindo e eu consegui encará-lo, minhas bochechas em brasas.
- Eu consegui superar a perda e nunca as esqueci. - Não percebi um sorriso sincero se formando em meu rosto. - Porém, havia algo que eu não conseguia superar. Algo que sempre existiu, que sempre esteve aqui... - Levei minhas mãos ao meu peito, indicando o meu coração e fechei os olhos.
- Algo que somente um pessoa conseguia despertar dentro de mim. Mas, essa pessoa havia ido também, e o vazio que eu sentia era algo inexplicável. Infelizmente, eu fui burra o suficiente para entender o significado desse sentimento somente depois da ida desse alguém.
Ikuto ainda me encarava, a ansiedade estampada em seu rosto.
- Era amor... pela primeira vez, eu pude sentir o que era amar alguém de verdade, pude entender. Essa pessoa era a única que fazia com que eu me sentisse feliz, que conseguia arrancar de dentro de mim todas as emoções existentes, que me completava.
Abri os meus olhos e o olhei profundamente, me sentindo hipnotizada pelo azul de seus olhos.
- Essa pessoa é você, Ikuto. Eu te amo. Desculpe por demorar tanto tempo para perceber.

Ikuto sorriu. Era um sorriso sincero, brilhante, um dos poucos que eu via em seu rosto, sempre destinados a mim; e eu sorri também.
- Eu também te amo, Amu. - Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e um sentimento explodir dentro do meu peito. Então, isso é o que chamam de amor correspondido... Ikuto deve estar se sentindo da mesma forma.
Ele se levantou do seu assento e me abraçou. Eu correspondi. Não havia felicidade maior do que esse momento. Eu, ali, nos braços do Ikuto, me sentindo segura e protegida.
- Mesmo que eu já tenha lhe dito isso duas vezes. - Eu pude sentir a felicidade em sua voz.
- Então, eu também lhe direi pela segunda vez: eu te amo. - Abracei-o com mais força.
Quando desfizemos o contato, nos viramos para a vista e a admiramos com as mãos dadas. Parecia que a partir daquele momento, algo novo se iniciaria, uma nova história: A minha história com Ikuto.
Meus olhos localizaram uma estrela cadente e, sem perceber, eu apontei.
- Olha! uma estrela cadente! rápido, Ikuto! faça um pedido!
- Não há nada mais que eu possa querer do que estar aqui, junto com você.
Eu sorri para ele e voltei a minha atenção novamente à estrela. Fechei os meus olhos e pedi com toda a minha alma: " Só quero estar junto ao Ikuto para sempre. "
De alguma forma, eu sabia que esse pedido já era destinado a ser realizado desde o início.

Fim


N/A: Escrever essa fic foi uma experiência ótima! Se há um casal que eu amo de paixão, este é Amuto. Acho tão linda a relação da Amu com o Ikuto, e mesmo não gostando muito dela, quando ela está com ele, eu passo a gostar. É uma pena que não tenha acontecido nada demais no mangá ( até agora. ), mas acho que a frase final do Ikuto já deu para aliviar os nossos corações, não é?
Enfim, espero que tenham gostado e peço que deixem as suas opiniões! elas me deixam mais confiante e me incentivam a escrever. Obrigada a quem ler. Um beijo e, quem sabe, até a próxima!