Érico não acreditava no sobrenatural e nem em abduções alienígenas, mas diante dos repetidos clarões misteriosos ele estava revendo tais opções. Assim que se deu conta de que a dona do apartamento havia desaparecido tal como a prostituta, Érico ficou paralisado por cerca de dez minutos. Esse tempo foi necessário para que seu raciocínio voltasse a funcionar e procurasse uma solução para a sua situação inexplicável. O telefone não mais funcionava, sendo assim Érico procurou por um celular, mas não o encontrou em canto nenhum. - Quem hoje em dia vive sem celular?
Érico voltou a situação anterior. Estava preso a um apartamento sem ter o que vestir. No armário do quarto da desaparecida só havia roupas femininas. - Prefiro permanecer nu.
O homem pelado começou a se indagar se os clarões eram algo externo a ele ou se tratavam de alucinações. Mas se esse último caso fosse a verdade por que as pessoas estavam sumindo? Como da outra vez Érico procurou uma toalha e se cobriu com ela, porém sua situação piorara. O clarão retornou levando consigo sua cobertura. - Só pode ser um sonho! - Disse Érico enquanto se estapeava em uma vã tentativa de despertar. Ele se imaginava em um sonho erótico, era sua explicação mais plausível.
- Será que esse prédio está assombrado por alguma entidade pervertida? Hahahaha. - Com a sanidade já esvaindo, Érico saiu do apartamento e correu para fora do prédio pelas escadas. Desta vez ele não se escondia, ao contrário, balançava sua intimidade de forma desafiadora. - Aqui ó! É isso que quer ver?
- O que diabos está fazendo? - O porteiro encontrou Érico descendo as escadas.
- Não devia ter comido aquela puta. Deus deve estar me punindo.
- Escuta aqui, maluco! Você não vai melar o meu negócio! - O porteiro segurou Érico pelo braço e aproveitou da superioridade de sua força física para levá-lo contra a vontade até o seu quarto pessoal. Érico foi largado com brutalidade em cima de uma cama de solteiro. O quarto do porteiro era simples, tipico de um homem sozinho de baixa renda.
Érico tentou abrir a porta, mas ela estava trancada. Agora o homem pelado estava enclausurado dentro do quarto de um cafetão. Um homem que por estar a margem da lei Érico imaginava ser capaz de tudo. - E agora? - Érico vasculhou no quarto por qualquer coisa que pudesse o ajudar a sair daquela prisão. Primeiro tentou usar um clipe na fechadura, mas a última vez que conseguiu arrombar algo daquele jeito foi na infância e já havia perdido a manha. - Droga. - A segunda opção era mais obvia, mas mais arriscada. A janela era pequena e alta, Érico teve que usar um banco como apoio e se espremer. A queda do outro lado não foi nada sutil.
O grito quase escapou de sua garganta, mas ele o engoliu. Não queria atrair a atenção do porteiro cafetão. Assim que a adrenalina passou e ele pensou um pouco Érico se amaldiçoou. Ele poderia ter roubado uma das roupas do sujeito antes de fugir. Agora não havia muita escolha, Érico se quisesse sair do prédio teria que ser pelado.
Érico correu pelos fundos do prédio em direção à saída quando deteve o seu progresso. Por mais que tentasse não tinha coragem de andar nu pela rua. Engolindo o seu orgulho, Érico voltou e tentou buscar ajuda. Desta vez tentando fazer o máximo de discrição possível para não chamar a atenção do porteiro cafetão.
- Por favor me ajuda. - Érico apertou a campainha do primeiro apartamento que viu no primeiro andar e pediu ajuda a um senhor de idade assustado. O morador já ia fechar a porta e chamar a polícia quando o clarão retornou. - Não! - O homem sumiu.
Érico ficou petrificado por cinco minutos até perceber que o clarão poderia ser uma oportunidade. O jovem nu correu até o quarto em busca de roupas, mas não encontrou nada. - Não é possível! O velho não podia viver com a roupa do corpo! - Foi então que um estalo em sua mente veio com a resposta. O armário de roupas havia sido esvaziado pela luz misteriosa.
- Senhor Freitas, algum problema? - Disse uma voz familiar ao bater na porta do apartamento. Era o porteiro. Érico tapou a boca impedindo o reflexo de responder a pergunta. - Quero avisá-lo para não sair do apartamento. Tem um tarado perigoso solto pelo prédio. - Assim que a voz cessou marcando a saída do porteiro, Érico tentou se comunicar com o mundo externo através do telefone. Nada. No quarto havia um celular descansando na escrivaninha. Nada.
- O que você quer de mim?! - Perguntou Érico com força o suficiente para ser ouvido por aquele que ele não queria que o notasse.
- Abre a porta, filha da puta! - Disse o porteiro tentando forçar a entrada. - Como foi que você escapou do meu quarto?
Érico tentou ignorar a presença do porteiro e continuou tentando se comunicar com o que for que seja que era responsável pela sua desgraça. - Está se divertindo me fazendo passar a maior vergonha da minha vida?! Quem é você?!
- O que está falando, maluco?!
Assim que percebeu que o clarão não iria responder as suas indagações, Érico começou a procurar meios de sair do apartamento que não fosse pela porta da frente. As janelas eram altas demais, não eram uma opção viável. Na cozinha havia várias facas, mas Érico não queria ser um assassino, apesar do pensamento surgir em sua mente por alguns segundos. Como não podia sair, Érico resolveu vencer o porteiro pelo cansaço. Uma luta sem chance de vitória, pois como porteiro do prédio o homem tinha as chaves de todos os apartamentos. Assim que o homem se afastou para pegar a chave, Érico aproveitou para fugir. Como para baixo era arriscado, ele optou por tentar os andares superiores.
- O que é isso?! - Perguntou uma mulher ao abrir a porta.
- Eu posso explicar, fui roubado.
- Entra logo, vai. - Érico respirou aliviado achando que encontrou a saída do seu problema, mas a sua noite estranha estava a ponto de se tornar ainda mais esquisita. O aperto na garganta veio de surpresa assim como o puxão que o levou ao chão. - Nada de se levantar. - Érico tentou ficar de pé, mas um segundo puxão na corrente da coleira o trouxe abaixo. - Quero que você seja um bom garoto.
Érico estava diante de uma mulher vestida estando nu e de quatro com coleira. A humilhação daquele dia não poderia ficar pior. O homem pelado tentou subjugar a pervertida, mas ela se mostrou incrivelmente forte e logo ele se encontrou no chão.
- Isso não pode estar acontecendo comigo.
Em um outro canto da cidade, uma jovem morena um pouco acima do peso e com baixo autoestima escrevia em seu quarto um livro erótico. O personagem desse livro era atormentado por clarões que o forçava a passar por situações embaraçosas.
- Amélia, em vez de se distrair com homens de mentira por que não arranja um namorado de verdade?!
- Não enche mãe.
Amélia se sentiu ofendida com a pergunta da mãe e voltou a sua escrita com mais fúria. - E a dominadora deitou o homem nu de costas para o chão e pisou em seu peito com suavidade. Determinada em transformá-lo em seu brinquedo sexual, ela usou de um chicote para divertir-se enquanto infligia nele um misto de prazer e dor.
- Por favor, para! - Disse Érico enquanto era açoitado.
- Quietinho, vira-latas não falam.
Assim que terminou sua distração, a dominadora forçou Érico a andar como um cãozinho até uma gaiola humana situada no fundo da sala. - Entra aí. - Disse a dominatrix ao homem nu que não teve opção. A gaiola foi trancada e Érico se viu em uma situação ainda mais embaraçosa.
- Por que está fazendo isso?! - Perguntou Érico enquanto forçava a gaiola tentando abri-la.
- Porque... - A mulher não conseguiu terminar a frase, o clarão misterioso retornou e a levou embora. Algo que deveria ser uma boa notícia se Érico não estivesse trancado.
- Você bem que podia ter me tirado daqui, não é?! - Gritou o homem nu à luz misteriosa que aparecia aleatoriamente. Érico forçou a gaiola, mas só conseguiu fazer com que ela caísse de lado. - Os moradores desse prédio são muito estranhos. - Se arrastando dentro da gaiola, praticamente girando feito uma bola, Érico alcançou a chave de sua prisão. Enfim livre ele respirou aliviado, mas não por muito tempo. O clarão retornou e desta vez o abduzido foi ele.
Érico não viu quem foi ou o que foi que o tragou, seus olhos só viram a forte claridade e quando se recobraram revelaram ao homem nu um outro lugar do prédio. Onde exatamente Érico não saberia dizer.
- E agora?
