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CAPÍTULO 2

TÍTULO: Engolindo sentimentos

-...Harry Potter!

Silêncio. O garoto olhou para Hermione embasbacado. A menina parecia um pouco surpresa, meio abalada e demais decepcionada, mas mesmo assim desejou os melhores votos para Harry. Não podia sentir inveja nesse momento: seu melhor amigo estava predestinado a passar um ano inteiro ao lado de... Draco Malfoy. Como puderam escolher Harry Potter? Como?

- Vai Harry, é você! – falou Rony, enquanto começava a aplaudir.

Aplausos pipocados correram pelo salão e Harry se viu obrigado a ir para o Saguão de Entrada. Andou pelo corredor entre as mesas das casas como se aquele trajeto fosse o caminho para a forca. Era inacreditável!

Abriu a porta do Salão Principal e deu de cara com seus outros três companheiros de trabalho. A visão dos cabelos espetados, óculos e cicatriz foram suficientes para Malfoy pirar.

- Não pode ser! – esbravejou malfoy, gritando para quem quisesse ouvir. - Algo aqui está muito errado. Eu e Potter no mesmo grupo? Não bastasse terem me colocado à força nesse negócio idiota, eu ainda tenho que dividir o trabalho com Potter? – e virou-se para Harry

- Você sempre com esse nariz metido em todos os assuntos, não é Potter? Já não basta a fama que você tem simplesmente por ter uma testa rachada, ainda quer mostrar que é o melhor. E, incrível, a culpa nunca é sua, não é mesmo?

- Pode apostar que eu não pedi esse lugar no grupo, Malfoy.

- Não pediu, mas com certeza desejou. E todos os desejos do "Santo Potter" se tornam realidade... Então não é novidade nenhuma.

Cho Chang observava de longe, com ares de superioridade. Ana Abbot estava encostada em uma das paredes, como se quisesse segurar toda a estrutura do castelo naquele ponto. Nesse momento, Dumbledore entrou no Saguão.

- Professor, houve algum engano, eu e Malfoy não podemos estar no mesmo grupo... – começou Harry.

- Simplesmente não faço se for com ele! – alegou Malfoy.

- Silêncio! – disse Dumbledore, firme e calmamente, e eles se calaram. – Agora escutem. Vocês foram escolhidos, se não aceitarem, ótimo. Chamarei outra pessoa para colocar em seus respectivos lugares. Hum... Srta. Granger da Grifinória, e estamos acertados?

- De jeito nenhum! – negou Malfoy – Não farei com uma sujeitinha como ela!

- Então fará com Harry Potter, ou o senhor estará suspenso das aulas, Sr. Malfoy.

Malfoy viu-se sem outra escolha. Não poderia ser suspenso, por mais que quisesse. Para sua consciência, declarou-se derrotado, mas jamais falaria isso em público.

- Tudo bem, eu faço com ele, mas encontros somente na biblioteca!

- Deixarei reservada uma das saletas. – concluiu Dumbledore – Agora se ninguém tem mais reclamações sobre o grupo formado, peço que me escutem.

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- Então você vai mesmo fazer esse projeto com o Malfoy? – perguntou Rony.

- Vou ter, não é? – conformou-se Harry. – Justo esse ano que eu queria que fosse o melhor aqui...

- Se você considerar bom ficar trancafiado com Malfoy fazendo um trabalho chato, o seu ano vai ser ótimo! – zombou Rony.

- Aaah, cala a boca, cara!

Hermione apenas observava.

- Que foi, Mione? – quis saber Rony.

- Ah Harry, não vá me entender mal, mas eu fiquei surpresa quando chamaram seu nome e não o meu.

- Eu percebi, Mione. Dumbledore me contou que, apesar da sua inteligência, ele não queria estragar o seu plano de estudo – explicou Harry.

- Mas ninguém estragaria o plano de estudo da Hermione – disse Rony - Ela sempre deu conta de fazer mais matérias que nós, de fazer o dever de casa dela e o nosso, de tirar "Ótimo" em todos os NOM's. Além de tricotar aquelas meias para os elfos.

- Não sei mesmo o real motivo, mas acredite que não pedi por isso, Mione – falou Harry, como se pedisse desculpas.

- Tudo bem, Harry – disse Hermione, evitando pensamentos invejosos - Vou ajudá-lo tanto quanto puder. Mas o que terão que fazer?

- Então, é um projeto... – começou Harry, empolgado.

E conversaram pelo resto da noite.

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Malfoy estava indignado. Rumou para as masmorras silencioso e fechado, como de costume. Entrou em seu quarto e não falou com ninguém.

"Estou realmente fazendo um trabalho com Potter", pensava. Nada fazia sua ficha cair. Era terrível demais. E haviam combinado de se encontrarem já no dia seguinte para recolher material na biblioteca. "A História da bruxidade e como ela reflete nos dias de hoje", sim, era esse o tema. Chato o suficiente para fazer qualquer um saltar da última torre do castelo. Um ano. Com Potter.

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Na segunda-feira, receberam seus horários. Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas, as duas primeiras aulas, em comum com Sonserina. História da Magia, dois períodos seguidos.

- Pelo menos você poderá tirar as dúvidas sobre o projeto, Harry – falou Hermione, numa tentativa frustrada de animá-lo.

Depois de História da Magia, Herbologia e Feitiços.

- Tudo bem, nós já tivemos segundas-feiras piores, não é? – animou Rony.

Partiram para a masmorra de Snape e Harry, ao avistar Malfoy, informou-o do encontro na biblioteca.

- Como se eu já não soubesse, Potter. – retrucou em resposta.

- Sinceramente, eu acho que você é um azarado, cara – confessou Rony, enquanto sentavam-se à mesa.

- Obrigado.

Snape adentrara a sala e a tortura começou. Após os devidos recados, a imposição de sua autoridade e olhada de esguelha para Harry, os alunos tiveram que preparar uma Poção Anestésica, muito utilizada por Curandeiros. Harry já desistira de conseguir um "Ótimo" em Poções, mas se esforçava para conseguir, ao menos, fazer a poção. Ao final do trabalho, ela deveria adquirir uma cor vermelha e a sua estava se encaminhando para o vinho. Acrescentou as gotas de babosa restantes e mexeu nove vezes em sentido horário e treze em anti-horário até que, finalmente, sua mistura adquirisse a cor desejada. Enfiou um pouco do líquido em um frasco, etiquetou com seu nome e deixou na mesa do professor. Talvez tenha realmente feito um bom trabalho.

As outras aulas correram muito bem. Em Defesa Contra as Artes das Trevas, aprenderam contra-feitiços muito úteis. História da Magia foi interessante, se comparada a todas as outras que teve na vida. Estudaram a Guerra dos Vampiros, de 1625 e a Revolução Bruxa, de 1628. Herbologia estava insuportável: o sol torrava o topo de suas cabeças e estava terrivelmente quente dentro da estufa. Mas ainda assim conseguiram estudar a urticárias e os lírios selvagens, importantes elementos para a fabricação de várias poções. Feitiços foi bem produtivo. Revisaram uma série de pequenos feitiços interessantes, como invisibilidade para objetos.

Seguiram para o almoço, que como sempre estava mais do que divino.

Às três da tarde, Harry esperava pelos companheiros do lado de fora da salinha selecionada por Dumbledore, para que pudessem realizar seus projetos em paz. A primeira a chegar foi Cho Chang. Um clima estranho pairava no ar.

- Como foram as suas férias, Harry? – perguntou a garota, num tom horrivelmente doce.

- Foram boas – limitou-se a responder.

- Sabe Harry, - aproximou-se a garota – eu sinto a sua falta. – estava muito perto – Eu sei que fui idiota por ter brigado com você, - dizia ela enquanto brincava com a gravata de Harry – mas agora eu quero voltar. O que você acha? – agora seus lábios estavam quase se fechando em um beijo.

Ele cogitou por alguns segundos a idéia de tê-la como namorada novamente. Não, muito úmido.

- Não Cho, eu acho que não iríamos dar certo... Já não conseguimos na primeira, na segunda vai ser mais difícil ainda.

Cho Chang se afastou do moreno com uma cara de repulsa e nojo. Exatamente nesse momento chega Ana Abbot, com a mesma cara de entediada.

- Vamos logo, tenho muitos deveres pra fazer.

- Temos que esperar o Malfoy - disse Chang, enquanto revirava os olhos de desprezo – Será que você não sabe?

E eles esperaram por Malfoy. Quinze minutos, meia hora, uma hora e nada. Às quatro horas, o sonserino decide aparecer.

- Malfoy, onde você se meteu? Estivemos esperando por você a tarde toda!

- Não enche, Potter.

Entraram na sala. Uma mesa redonda de madeira no centro, cinco cadeiras ao redor dela, uma janela com vista para o lago na parede contrária à porta e várias, mas várias estantes cheias de livros empoeirados e antigos. Ana Abbot começou a espirrar.

- Desculpem, sou alérgica a pó. – disse entre uma série de espirros e outra.

- Como se não tivesse mais nada de ruim pra acontecer – sussurrou Malfoy para si mesmo.

Organizaram-se na mesa para uma discussão que pretendia reunir os principais pontos abordados no trabalho. Era para ter sido breve, mas os quatro garotos perceberam que jamais chegariam a um consenso. Discutiam Harry, Malfoy e Chang ao som dos espirros de Abbot. Logo, estavam insultando uns aos outros.

- Por que você da Corvinal, tão inteligente como se diz, não dá uma idéia realmente útil para o trabalho, Chang? – revoltou-se Malfoy.

- Por que você ao invés de insultar os outros, não dá simplesmente uma idéia e cala a boca? – retrucou Cho Chang.

- Por que vocês não param de discutir e escutam o que eu vou dizer? – falou Ana Abbot pela primeira vez naquela hora, cansada e com o nariz vermelho de tanto espirrar.

Todos se viraram para olhar a garota que, no meio da confusão, começara a procurar materiais para o trabalho e parecia que tinha feito um bom trabalho.

- Olhem, não vou pedir que sejamos amigos para o resto da vida, porque simplesmente não temos os mesmos gostos. Não temos também as mesmas opiniões, mas acho que se cada um engolir o próprio orgulho, talvez possamos juntar nossas idéias e montar uma idéia conjunta. É só um trabalho de colégio, ok? Depois disso, cada um pro seu lado.

Um silêncio audível pairou sobre a mesa. Harry foi o primeiro a concordar.

- Eu acho que você tem razão, Ana.

- Ótimo, Potter. Então quem mais está comigo? – perguntou Abbot, enquanto levantava um dos braços.

- Eu estou. – disse Chang, também erguendo seu braço.

Os olhares caíram sobre Malfoy, que estava encolhido a um canto, os olhos cinzentos fixos em um ponto distante, aparentemente encarando a paisagem brilhante lá fora. Ele teria que engolir o seu orgulho, não podia sujar mais ainda o nome dos Malfoy. Se fizesse o trabalho, quem sabe tivesse um pouco mais de reconhecimento, de popularidade. Odiava cada um ali naquela mesa, mas sua reputação estava em risco. Aceitaria. Com o ego ferido e um sobrenome a zelar, Malfoy surpreendeu até a si mesmo.

- Que limpem essa sala, pelo menos. Não agüentarei seus espirros por mais um dia, Abbot.

- Legal! – comemorou Abbot – Então, enquanto vocês se matavam, achei um material realmente útil nessas prateleira-a-a.. AAAAATCHIM!

- Deixe que eu leio, Ana – ofereceu-se Harry.

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A atualização veio cedo demais - Eu sabia que não ia agüentar ficar até sexta que vem sem postar... Mas, o próximo capítulo MESMO vem só na sexta, ok:

Queria agradecer a JayKay-chan, minha primeira review! Espero que continue a ler e que goste do resto da fic... E você acertou, foi o Harry mesmo hahahaha D