Clarissa e Elouise, no final, tiveram que procurar por outro vagão. A pequena conseguira convencer a amiga de que tudo aquilo não valia a pena e, no fim, elas passaram quase toda a viagem em pé, andando pelo trem. A loira mais alta ficou bastante irritada com isso, mas quando entraram no Salão Principal para a divisão dos alunos, toda a ira se esvaiu de seu corpo. Clarissa ficou encantada demais com o lugar para se preocupar com o que acontecera no trem.
Minerva, em pé na parte da frente do salão, tinha um rolo de pergaminho em mãos e lia os nomes dos alunos calmamente. Cada um que era chamado sentava em um banco de madeira disposto diante da professora e tinha um chapéu antigo, chamado de Chapéu Seletor, posto na cabeça. Ele pensava um pouco e logo anunciava a casa do aluno. Clarissa esperava ansiosa por sua vez e Elouise achava graça disso. Por outro lado, Ana parecia nervosa, como se com medo de cair em uma casa ruim, enquanto que Ebi parecia indiferente.
Então Minerva anunciou:
- Ana Rosemary!
A morena respirou fundo e se adiantou, sentando no banco e esperando paciente pela decisão do chapéu. Ele pareceu resmungar alguma coisa, como se pensasse cuidadosamente. E então começou a falar.
- Você é cautelosa… Muito, na minha opinião. Ainda assim, tem um grande coração e se apega bastante às pessoas. Adora desafios intelectuais e… Preza muito por seus amigos. É alguém bastante confiável… Definitivamente, Grifinória!
Quando ouviu a casa em que ficaria, Ana abriu um sorriso largo. Aquela tinha sido a casa de sua mãe e a garota se sentia ótima em também ser da Grifinória. Saltitante, ela se levantou e foi até a mesa, se juntando a outros alunos novos. Minerva continuou chamando pelos alunos, mas Ana só ouvia um ou outro nome.
- Clarissa Cockatrice!
Uma garota alta e loira, de olhos azuis e um colar estranho pendurado no pescoço se manifestou. Calmamente ela foi até onde se encontrava o chapéu seletor e se sentou no banquinho. A primeira reação do chapéu foi franzir o cenho, mas ele logo começou a falar.
- Você é do tipo que gosta de chamar atenção… Não se importa muito com a opinião alheia, só quer ser você mesma… Mesmo que isso machuque alguém… E eu vejo trevas em seu coração… Sonserina!
Alguns sonserinos bradaram orgulhosos ao ouvir as palavras do chapéu, outros torceram o nariz, mas a maioria se manteve indiferente. Uma vez que Clarissa tivesse se levantado e ido para a mesa de sua casa, Minerva foi adiante com a lista.
- Ebi Umino!
O nome fez Ana prestar atenção na seleção. Era a vez da garotinha que ela conhecera no trem, tinha certeza. Parecendo ansiosa, ela ficou observando Ebi caminhar até o chapéu e se sentar. Não demorou muito para que as palavras começassem a sair.
- É… Você não me parece muito motivada a fazer algumas coisas… Tem muito medo do que os outros vão pensar… Definitivamente, Lufa-lufa!
Ebi deu os ombros e se levantou. Quando seu olhar cruzou com o de Ana, a pequena simplesmente acenou. Já a outra parecia um tanto arrasada. Se Ebi não seria de sua casa, então não haveria ninguém conhecido? E como será que a pequena ficaria sozinha na Lufa-lufa? Ana tinha a impressão de que Ebi era como uma bonequinha de porcelana. Se ninguém cuidasse dela, poderia quebrar facilmente…
- Elouise Doragon! – a voz de Minerva fez dois pares de olhar se voltarem para ela imediatamente. Ana, por ter sido tirada de seus devaneios e sentir certa curiosidade. Nunca tinha escutado um nome tão peculiar. E Clarissa, por ter ouvido sua amiga sendo chamada.
Elouise, a loira que fazia companhia a Clarissa no trem, não parecia confortável ao ter o chapéu posto em sua cabeça. O pior, porém, foi o silêncio profundo que se seguiu. Nenhuma palavra sobre sua personalidade foi dita e a loirinha não sabia que expressão o chapéu fazia. Só o ouviu anunciar a casa.
- Sonserina!
Clarissa sorriu de canto. As duas sempre foram unidas e não imaginava que podia ser diferente só porque foram para uma escola de magia. Lançando um olhar mortal para o rapaz ao seu lado, a loira mais alta conseguiu um espaço para que a amiga se sentasse perto de um conhecido. Ou seja, ela.
- Giulia Yuki! – a voz de Minerva continuava alta, mas não era mais o foco de atenção de muitos alunos.
A garota chamada era visivelmente descendente de japoneses. Não só pelos olhos escuros e puxados ou por seu sobrenome. Sua pouca estatura e o cabelo praticamente liso (que só não era por passar muito tempo sendo modelado quando a garota acordava, passando a ficar naturalmente ondulado) reforçavam a impressão. Parecendo um tanto alegre demais, ela se sentou e esperou pela decisão do chapéu.
- Não há muito que dizer… Você se parece com a outra jovem… Como era mesmo…? Ah, sim. Ana. Cautelosa, preza os amigos… Gosta da companhia dos outros e é bastante sociável. Sem dúvidas, Grifinória!
Ana sorriu por dentro ao ouvir o que o chapéu dissera. Talvez, tendo alguém tão parecido consigo na casa, o primeiro ano na escola não fosse tão ruim.
- Marienne Cello!
Ana não tinha ideia de quem era e também não ligava. Giulia, sua nova companheira de casa com personalidade parecida a sua, tinha acabado de se sentar e logo as duas começaram a conversar. Era impressionante como estavam se dando bem logo de início. As duas ficaram tão absortas na conversa que não ouviram a casa de Marienne, nem os demais alunos. Só sabiam que mais uma japonesa tinha sido chamada e que havia uma Olívia no meio da história. Fora isso, nada.
Só quando um moreno de óculos redondos esbarrou em Giulia que elas pararam de falar.
- Ah, desculpe. – ele pareceu sem graça – Eu sou Harry. – sorrindo (e rapidamente recuperado), o garoto estendeu a mão para Giulia.
- Eu sou Giulia! – ela respondeu animada, apertando a mão do rapaz – Você é Harry o que? – ela queria saber o sobrenome dele.
- Ah, Harry Potter.
Ana arregalou os olhos, mas Giulia pareceu não ver nada demais.
- Eu sou Giulia Yuki. Muito prazer!
O garoto sorriu e se afastou.
- Você tem ideia de quem ele era? – Ana parecia incapaz de acreditar no ocorrido.
- An… Além de "Harry Potter", você quer dizer? – Giulia parecia confusa.
- É! Ele é a "criança que sobreviveu"! Nunca ouviu falar?
Giulia negou com a cabeça.
- Eu sou filha de trouxas.
Ana pareceu entender.
- Ah… Bom, deixa para lá. Não faz diferença agora. – e sorriu. Talvez fosse só coisa da sua cabeça. Não era possível que o famoso Potter estivesse em Hogwarts, não é?
N/A: E então, gente? Que acharam? Eu sei, eu sei… Muitos personagens novos logo de cara… Mas não se preocupem, vão se acostumar com eles! Qualquer coisa, mandar uma review perguntando quem raio é alguém pode ajudar! Eu respondo, viu? Não sou nenhuma bruxa maligna. Hahahaha. Enfim, acho que agora vou fazer algo de útil (como lição de casa). Beijinhos.
