N/A: Se por um acaso você conheceu essa fic sob o nome: Veraneio, Chuva & Neblina, me desculpe o transtorno, mas o nome era provisório e agora ele mudou para: Na mesa com Harry & Ron. Juro que fará sentido com o resto da fic. Se é a sua primeira vez por aqui, abunde-se e sinta-se automaticamente convidado a ler a fic :)
Título: Na mesa com Harry & Ron
Autor: Rapousa
Beta: Mandy XD e Condessa Oluha
Gênero: Romance(?)
Ship: Harry/Ron
Spoilers: Nenhum, embora a fic de certa forma seja pós-RdM
Sinopse: Nesta encantadora Fanfic o leitor poderá aprender deliciosas receitas de como degustar o melhor de Harry&Ron de diversas formas. Pegue o menu escolha seu tipo de prato e aproveite a refeição. SLASH, LEMON, RWHP.
Observação: Fic participante do Projeto Ficwriters Estações (Verão) e do Projeto Fanfic100 do Fórum Grimmauld Place (Potterish)
Capítulo 2 – Líquidos e afins
Até aquele momento, Ron se considerava um cara normal. Sim, bem normal por sinal. Estudara, agora fazia o curso de auror, tinha uma namorada bacana, uma família de seis irmãos, era melhor amigo do bruxo inglês mais famoso que existia... Ok, ele poderia confessar que em alguns aspectos ele não era tão normal assim. Porém, a princípio, era um cara como outro qualquer na multidão. Talvez só um pouco mais alto que o normal. No entanto, isso nunca foi considerado um crime, certo?
Mas... Ele estava com medo de ser irreparavelmente e irremediavelmente expulso do hall de pessoas normais e com consciência tranqüila desse mundo.
Tudo começou com seu melhor amigo e sua crise da meia idade aos 20 anos.
Certo, fora um maldito momento de verão, o tempo, o sol, o calor... Tudo isso contribuíra para o seu relapso cerebral que culminara em um beijo. Contudo, agora, isso nada tinha a ver com calor. Não, porque a chuva torrencial mais que gelada que caia há exatos três dias e trazia consigo um tempo nubloso não o permitia supor que era culpa de um calor inexistente. E a maldita neblina, oh, um saco. Por que tudo tinha que ser tão embaçado?
É aí que estava. Talvez, tendo o calor e toda a sua vilania sido dispersos, a névoa viera para nublar e confundir seus pensamentos. Era isso, só podia ser isso... Tinha que ser isso. E estava frio. Ah sim, a culpa era do frio, sabe... É.
Ron olhou a sua volta, apertou o casaco contra o corpo. Havia sido mandado junto com Harry em uma missão de treinamento para o QG auror. Gostava quando era mandado junto com o amigo. Isso pelo menos quando ele estava normal. O que não acontecia no momento.
Harry e suas crises de meia idade aos 20 anos... Por quê? Oh, como ele se perguntava: "Por que?!".
Observou de esguelha o amigo cutucar com o pé um pedaço do chão - um graveto, ou folhas mortas, a névoa não o deixava enxergar - no rosto uma expressão que lembrava uma criança emburrada, os braços cruzados na frente do corpo, o nariz levemente vermelho. Realmente, a chuva era muito gelada.
"Sabe, você não pode ficar pra sempre assim" disse ele. Harry apenas fungou mal humorado mais uma vez. "Quer dizer... eu sou seu amigo e tudo cara, estive sempre ao seu lado. Ou quase sempre." deu de ombros. "Mas, tem um limite, certo? Certo?" insistiu quando o amigo não deu sinal de resposta, embora tivesse parado de cutucar o chão com o pé.
"Uhn" respondeu com algo que lembrava vagamente um cachorro sendo cutucado.
"Harry, eu não posso... não posso sair por aí realizando, sei lá, os seus devaneios, ou suas fantasias malucas! Cara, você precisa de tratamento."
Harry fuzilou-o com o olhar.
"Eu não pedi nada para você. Nada. Mas, você simplesmente não consegue parar de falar nesse assunto. Eu-já-disse, foi apenas um comentário de curiosidade momentânea."
"Por que você não pode guardar essas curiosidades momentâneas para você? Digo, seria muito mais saudável, eu não precisaria ouvir esse tipo de coisa e... e..."
"Gostar?"
"Imaginar!" Ron olhou feio para o amigo. Droga, isso estava ficando cada dia pior. Mas devia ser culpa da gélida chuva, claro.
"Você gostou? Gostou de imaginar?" o olhar que Harry lançou fez Ron dar um passo para trás, foi algo entre o acusador e o felino. Aquilo não podia estar certo.
"Harry... você precisa de um descanso. Esses três dias de isolamento não estão te fazendo bem" disse voltando a se aproximar e passando a mão pelos cabelos, sacudindo as gotas de água. "Eu também sinto falta de Hermione, da companhia dela, das noites que eu... Você sabe..." deu de ombros.
Harry dirigiu os olhos para cima, para o céu. Ron continuou a observá-lo. Se estivesse menos frio e chuvoso, ele sabia que lidaria melhor com a situação. No entanto, a chuva que não parava, a névoa densa, o sentimento extenuante de que deveriam ficar alertas, nada deixava que relaxassem um pouco e voltassem a se sentir pessoas normais. Era só isso. Ele sabia.
Aquela maldita água nos cabelos molhados de Harry que seguia escorrendo vilanescamente por seu pescoço culminando em um arrepio em Ron não era nada. Era apenas uma coincidência. Não fora um tremor de excitação. Era a maldita chuva gelada! Ele estava com frio, só.
"Vem cara, vamos achar um abrigo. O meio de uma clareira não é o local mais inteligente de se ficar numa chuvarada dessas" e dizendo isso passou o braço por cima do ombro do amigo, um hábito normal.
Os dois caminharam lado a lado para os arredores da clareira, deveriam esperar a noite para ousar montar um abrigo com os galhos e folhas em volta. Por hora, estavam apenas no momento de descanso, esperando as próximas instruções. Harry continuava de braços cruzados, um semblante pensativo. Ron estava começando realmente a desgostar os semblantes pensativos do amigo.
"Sabe... eu não vejo real problema." disse Harry inesperadamente quando se aproximavam de uma das únicas árvores ainda com folhas em abundância que havia ali pelas redondezas. "Vai dizer que você nunca nem brevemente se imaginou na cama com outro cara?"
"Harry..." respondeu em tom de aviso. Droga, como ele odiava esses assuntos!
"Lembra do beijo?" e eis que enfim Harry toca no assunto, que se tornara um tabu. Ron se encolheu instintivamente. "Vai dizer que você não se empolgou? Eu... eu pude sentir, saca? Seu... você tava começando a ficar duro." e Harry corou. Ele pelo menos tinha a decência de corar falando aquele tipo de coisa na cara dura.
Suspirou, retirou o braço de volta dos ombros do amigo.
"Harry... o beijo... aquele beijo..." e tomou ar. Mas nenhuma desculpa, nem a mais esfarrapada surgiu em sua mente. "Tá, eu fiquei duro sim, mas isso não quer dizer nada."
"Isso quer dizer que você é um tremendo de um hipócrita. Você gostou, se empolgou, e teria ido mais longe se as garotas não tivessem chegado."
"Não! Não iria!" no entanto, ele sentiu suas orelhas queimarem, mesmo com todo aquele aguaceiro gelado, mesmo achando que havia perdido a sensibilidade nelas.
Harry o encarou e foi de forma tão determinada, com um semblante tão sério e as sobrancelhas em v, que Ron sentiu que deveria dar um passo para trás, eles estavam próximos demais.
"Você iria."
Essa simples e curta frase foi dita com tanta... Intensidade? Força? Vontade?... Verdade? Que Ron sentiu como se levasse uma bofetada no rosto. Doeu. E ele corou, desviou os olhos, encarou o chão.
E foi naquele momento que ele soube que o decreto final de perda de sanidade havia sido definitivamente carimbado em sua testa. Deu os três passos que o separavam de uma pessoa feliz e normal. Deu os três passos que o levaram na direção de algo errado, novo e estranho. Algo que doía, ardia e era bom. Sabia que não poderia evitar para sempre.
Três passos levantou uma das mãos, encontrou a pele do rosto de Harry, gelada, molhada, dura. Ou pelo menos mais dura que os rostos femininos que já tocara, dava para sentir a barba áspera que logo começaria a despontar. Seus olhos se perderam no verde. Não havia nada ali que o atraísse. Nada. Apenas a solidão, e um estranho desejo de experimentar algumas nuances da vida. Por que não?
Aproximou o rosto. Harry fechou os olhos. Droga, por que ele tinha que aceitar aquilo tudo tão fácil? Será que ele não podia fingir que era incômodo, estranho e desgostoso? Ele não sentia aquele frio no baixo-ventre? Um frio incômodo. Ou será que não era tão incômodo assim? Cerrou os olhos, viu de relance a tão famosa cicatriz vermelha surgindo por de baixo dos fios de cabelo negros. Estava tão errado. Tão errado.
Seus lábios se tocaram pela segunda vez, secos, molhados pela chuva fria, mas secos de saliva, ásperos. Um, dois, três selinhos. Afastaram o rosto brevemente. Verde, azul. Encararam-se ainda com os olhos semicerrados, mais um selinho, língua. Terror, foi Ron, foi Ron que deu início, foi ele que não agüentou e abriu caminho pela boca de Harry, foi dele a língua que saiu atrás de uma companheira. Mas não foi dele a mão que segurou seu casado, que puxou seus corpos para mais perto. Foi à mão de Harry.
Não foi bruto. No entanto, muito menos delicado, Harry segurou um pedaço do casaco e puxou. Ron foi. Mas foi unicamente porque chovia, estava frio. Um corpo quente era melhor do que nenhum. Só isso.
Logo a mão no peito, que segurava o casaco se soltou, e escorreu, correu para a cintura, juntou os quadris.
Ron estava irremediavelmente perdido. Ele poderia muito bem ter evitado tudo aquilo, poderia ter mandado Harry às favas... Poderia e não fez. A culpa percorria cada molécula do seu ser. Ou era a excitação?
Arfou. Seu outro braço que pendia tolamente do lado do corpo encontrou a outra face de Harry, aproximou rostos, intensificou o beijo.
Tolice, besteira, burrice, estupidez. Sim, ele sabia, sabia tão bem que suas pernas tremiam. Ou era apenas o frio? Ou era apenas o prazer? Não era um beijo arrebatador, era um beijo proibido, talvez até sujo. Era encantador. Mas ele não agüentaria por muito mais tempo. Se começara, agora queria mais.
Antes de completar o pensamento, Harry já começava a retirar seu casaco. Chovia, estava tremendamente frio, os dois estavam encharcados com aquela água gélida e eles esperavam naquela porcaria de clareira por mais instruções e ao invés de desfrutar seu intervalo com um descanso, um feitiço para secar as roupas, eles estavam 'dando uns amassos'. Mas que droga! Mas que ótimo.
Ron, por mais que já tivesse até alcançado alguma experiência, simplesmente corou. Não queria ficar assim, pelado, no frio, tremendo na frente de seu melhor amigo. Talvez as coisas devessem andar um pouco mais devagar. Segurou a mão de Harry. Afastou os olhos, o encarou. Seus olhos inseguros percorreram o rosto do amigo.
"E-eu... eu não..."
Contudo, Harry reaproximou seus rostos, e dessa vez o beijo foi tenro, carinhoso. Como um pedido de desculpas ou um 'Tudo bem'. O que o fez se sentir muito idiota. Ele não era algo como a garotinha ali. Porém, o beijo logo foi intensificado, e ele se esqueceu de brigar, reclamar, e achou que era muito melhor comentar qualquer coisa depois. Num outro momento.
Sentiu as mãos do amigo desgrudarem do seu corpo, sentiu-o sacar a varinha. Pausou novamente o beijo, de esguelha, com o corpo ainda grudado no outro, ele o viu pegar a varinha e usar um feitiço de aquecimento na mão. Em seguida Harry guardou o artefato mágico, no bolso de trás da calça, como sempre, abriu a calça de Ron, que por instinto tentou se afastar. Ele achara que havia ficado claro que não estava pronto. No entanto, uma mão quente, morna e confortável entrou por seu cós.
"Ah-ah-aaaah-ahhh!" ele mordeu o lábio, sorriu. Não percebera que estivera no início de uma ereção, e agora uma mão quentinha o acariciava naquele mar de ensopado gelado que se tornara suas calças. O prazer que ele sentiu foi tão imenso que de uma simples 'empolgação' ele logo estava tendo que se segurar para não gemer muito.
E Harry parecia saber o que estava fazendo. Ron se apoiou na árvore que os abrigava, corpo imprensando corpo, o hálito quente que saia da boca do amigo o aquecia momentaneamente no pescoço, o rosto virado para o céu, as pernas arcadas, a respiração falha. Soltava gemidos que morriam na garganta.
Era sua primeira vez experimentando algo do tipo, mas ele sentia que a força logo falharia nas pernas, suas mãos tremiam e ele sabia que não era de frio. Suas unhas tentaram cravar-se no tronco, ele xingou em voz alta.
Aquilo não podia ser tão bom, não, de forma alguma. Era errado. A mão de Harry, apesar de fornecer o calor mais bem vindo dos últimos tempos, simplesmente não era macia e pequena como a de uma menina. Era quadrada, levemente áspera, bruta. E ainda assim Ron gemia, sentia que teria um orgasmo como nunca tivera sozinho, com Lavender ou Hermione. Isso estava terrivelmente errado, mesmo.
Percebeu que estava agindo como um menino na sua primeira vez estava parado, espremido contra a árvore, apenas deixando Harry manipulá-lo. A testa do amigo se apoiava em seu ombro enquanto ele fazia movimentos irregulares que aumentavam e diminuíam de força. O pescoço à mostra, aquelas malditas gotas escorrendo por ali. Ron hesitou apenas por meio segundo enquanto um novo tremor percorria seu corpo.
Harry gemeu quando a língua quente do melhor amigo encontrou sua pele, e Ron gostou do som. De alguma forma bizarra e alucinada ele gostou daquele som. Um som duro, forte, um gemido na voz masculina, respondendo a um estímulo dele. Fechou os olhos com força. Não poderia ficar pensando em detalhes, o prazer era o prazer. Continuou. Beijou, saboreou, percorreu todo e qualquer pedaço de pele molhada e gelada de Harry que encontrou. Em troca recebeu estocadas, estocadas que iam ao mesmo ritmo que ele, os dois gemiam juntos, em sincronia.
Ele estava se pegando com O-Menino-Que-Sobreviveu. Se contassem para Ron há alguns anos atrás que um dia ele daria uns amassos com Harry Potter numa clareira no meio de um trabalho de campo para o curso de auror, ele acharia apenas que a pessoa havia fugido da seção de casos irrecuperáveis do St. Mungus. E veja onde estava agora.
Quando chegou a seu ápice, sentiu-se exauridamente rejubilante, gritou e no meio da ação percebeu que estava exagerando. Cortou o grito do meio, que acabou virando um gemido engasgado. Harry se jogou sobre o seu corpo, a testa suava, retirou a mão. Sacudiu-a, mexeu-a levemente. Ron tentava normalizar a respiração. Aquilo fora... Aquilo fora... Perfeito.
Em um movimento apenas ele inverteu as posições. Agora era Harry que estava esbaforido apoiado contra a árvore. Suas respirações se cruzaram num caminho de fumaça pelo ar frio, ambos tinham um sorriso nos rostos, um sorriso que sabiam nada santo. Ron terminou o espaço com mais um beijo, um beijo intenso, Harry puxou seu corpo para mais perto. O amigo pretendia corresponder o 'favor', estava retirando a varinha do bolso quando...
"NOVATOS!" uma voz soou saída do nada.
Ron tentou se afastar de Harry com um empurrão contra o tronco da árvore, entretanto, seu pé prendeu numa das raízes, ele se desequilibrou deu uma espécie de rodopio e caiu sentado no chão de forma estrondosa. Por sorte estava com a varinha na mão. Mesmo que seu cinto estivesse desafivelado, ele poderia fingir que estivera realizando algum feitiço ou movimento preventivo. Viu de esguelha que Harry automaticamente sacara a própria varinha e apontava na direção que a voz saía.
"Parabéns, Potter. Ótima reação." disse a voz de Shaklebolt que ainda parecia saída do nada e magicamente amplificada. "Weasley, levante-se."
Tentando fechar o casaco de forma a esconder o cinto aberto Ron levantou-se de um salto. Tentou tirar um pouco da terra e das folhas que grudaram em sua roupa.
"Ouçam bem. A próxima missão de vocês é encontrar um menino raptado. Moreno, olhos claros, 1,60m, 15 anos. Há informações de que ele esteja há 40º Sul, aproximadamente. Queremos os dois vivos, raptado e raptor. O bruxo que o raptou deve ser trazido para interrogatório sobre poções ilícitas. Vocês têm 6 horas. Mais que isso e a vítima estará morta. Entendido?"
"Sim senhor" responderam os dois juntos.
"Bom trabalho" disse o Primeiro Ministro, como sempre acontecia ao fim das instruções da missão. Agora só precisavam realizar o serviço e aguardar as próximas coordenadas que os levariam até outra clareira, na qual esperariam instruções.
Ron fechou o cinto, não conseguiu olhar diretamente para Harry. O trabalho como auror vinha acima de tudo; foram em frente. Sempre em frente. A caixa de Pandora havia sido aberta.
N/A: Ern... mais? Digo, devo me aventurar mais por esse mundo ou já deu x)?
Lembrando sempre: Reviews, sim n.n?
