Capítulo 1

Perdendo Remo

(desde "pais de primeira viagem" até "nemo se perde")

Ele enfiou outro sapo de chocolate na boca e jogou a figurinha para trás, desinteressado. Já tinha pelo menos cinco Dumbledores, e nenhum deles trazia alguma informação que já não soubesse.

- Pontas, quantos anos tem Dumbledore? – Sirius perguntou engolindo o sapo e tirando da mochila um brinquedo trouxa.

- Não sei... – Tiago respondeu distraído. – Sandro da Lufa-Lufa disse que ele já deve ter uns cem anos...

Antes que qualquer um dos dois pudesse sugerir outro número, o retrato da Mulher Gorda girou e dois rapazes entraram, um baixo e gordo agitando uma varinha e murmurando encantamentos e outro mais alto e positivamente mais magro, dando instruções impacientes e carregando um livro espantosamente grosso.

- Não, Pedro, o movimento não é esse! O movimento que você precisa está nos seus ombros... – Remo explicou segurando o braço de Pedro para evitar a besteira que logo viria.

- É, Rabicho, os ombros, os ombros! – repetiu Sirius do sofá, brincando com sua raquete presa a uma bola. Ouviu-se um bocejo vindo de um displicente rapaz acomodado em uma cadeira, com os pés apoiados na mesa.

- Aluado, esquece, ele não vai aprender. Quer saber, Rabicho? As gatinhas não gostam de meninos que não sabem fazer feitiços redutores. Vai acabar sem namorada . – disse Tiago terminando outro origami e largando no tampo já cheio de dobraduras.

- Namorada? – repetiu Pedro confuso, pensando em como um feitiço redutor o ajudaria a arranjar uma namorada.

- Sim senhor. Namorada. Elas gostam de garotos jeitosos. – Tiago continuou conjurando mais um papel quadrado de uma pilha.

- É. Se você tratasse dessas espinhas, pensasse em emagrecer e desse um jeito nesse cabelo sem graça... – Sirius apontou.

- Ei, meu metabolismo é lento, eu não tenho culpa por ser gordo! – Pedro protestou chateado, levando a mão à barriga avantajada.

- Tá, tá, isso não chega a ser um problema. Mas eu conheço um feitiço pra dar um jeito nesse seu cabelo sem corte. – prosseguiu Sirius.

- Mesmo? Ensina para mim! – Pedro pediu animado.

- E lá vou eu de novo... – Sirius fingiu desapontamento e se levantou para dar a sua aula - Certo, é fácil. Você só tem que movimentar a varinha assim e girar os pulsos, não o braço, os pulsos. E diga as palavras certas... – Sirius começou a explicar.

Alguns minutos depois, Pedro estava pronto para ter seu topete descolado. Tiago pulou da cadeira ansioso e pousou no sofá para assistir a transformação de Pedro em um novo e moderno homem.

- Minha vez... – ele disse fazendo exatamente os movimentos que Sirius havia feito, parecia até que ia dar certo.

- Boa sorte. – disseram Tiago e Remo, o primeiro começando a fazer um cavalo de papel e o segundo abaixando os olhos para um livro extremamente grosso.

Pedro continuou concentrado na magia. Murmurava o encantamento tentando se lembrar de tudo que Sirius explicara. O movimento dos ombros... não, dos pulsos. O movimento não é esse! Ou é? Antes que Pedro percebesse que tipo de malabarismo fazia com sua varinha, o objeto saltou de sua mão e caiu na mesa, lançando um raio verde diretamente na testa de Remo.

- AAAAAAAHHHHHHHHH! – e o grito foi ficando cada vez mais baixo até sumir. Juntamente com Remo.

- Caramba, Pedro! – exclamou Tiago assustado, amassando um cavalo de papel sem querer. – Você desintegrou o Aluado!

- Só... – concordou Sirius sem reação. Os três olharam para a poltrona onde o outro estava há segundos atrás. Agora lá só jaziam as roupas e a varinha do infeliz, tristemente colocadas no assento, as calças encimadas pelo livro grosso que Remo lia.

- Cacete. – fizeram os três, começando a se desesperar.

- Ele morreu? – Pedro perguntou num tom baixo.

- Não, ele apenas FOI DESINTEGRADO! – exclamou Tiago, a última parte gritada impiedosamente na orelha de Pedro.

- Quietos, bando de inúteis... estão ouvindo isso? – Sirius interrompeu de repente, apurando os ouvidos, Tiago e Pedro pararam de discutir.

- Tô! – disse Pedro finalmente.

- Vem do sapato! – exclamou Tiago com seus ouvidos de ciborgue.

Os três se deitaram no chão e encostaram os ouvidos no sapato de Remo.

- Pedro, seu idiota!– a voz de Remo assustadoramente aguda.

- Ele virou uma meia! – concluiu Pedro assustado.

- Pare de ser tonto, Pedro, sou eu, dentro da meia – disse Remo tirando uma cabeça minúscula de dentro da meia.

- Você não está morto! – surpreendeu-se Tiago.

Os três pararam para admirar o acontecimento. Remo, de acordo com os cálculos rápidos dos três, deveria estar com míseros oito centímetros.

- Se eu estivesse morto, seria o último a ficar sabendo. – Remo disse. Ele se esticou para fora do sapato, ainda se agarrando à meia, e alcançou um ingresso já inválido para o show de uma famosa banda bruxa. Logo, Remo escorregou do sapato, vestindo toscamente o ingresso.

- Preciso que me aumentem de novo.

- Está brincando! Você ficou uma gracinha! – exclamou Sirius sorridente, arrancando alguns olhares confusos dos amigos.

- Precisamos identificar o feitiço que Rabicho usou. – disse Tiago sabiamente, olhando para Pedro, que se encolheu envergonhado.

- Eu não sei o que eu usei.... – ele disse baixo.

Remo deu um soco na própria testa e passou a mão pelos cabelos num sinal de nervosismo. Parou imediatamente: notou que seus cabelos estavam repicados e curtos.

- Sirius! – ele exclamou frustrado.

- Vamos levá-lo pra Ala-Hospitalar – Tiago disse rindo. Sirius não comentar que achara Remo um tanto atraente com o novo corte de cabelo.

- Ah, desculpe, vamos. – Sirius pegou Remo na mão e foi até o buraco da mulher gorda, que se abriu sem que ninguém empurrasse. Alice estava entrando.

- Oi, Sirius. – ela cumprimentou. - O que tem aí? – logo abaixando os olhos para a mão em concha de Sirius.

- Nada. – ele respondeu jogando Remo para trás, num impulso mal controlado de manter Remo longe daquela menina curiosa.

Remo foi voando pelo Salão e caiu, por sorte, no decote do suéter de Marlene, que, por sorte, estava descendo as escadas do dormitório feminino naquele exato momento.

- Ui! – ela exclamou se virando para a parede para tirar o que quer que fosse do seu sutiã. Alice abriu um sorriso interessado.

- O que é? – ela perguntou do outro lado do Salão.

- Ah, é muito fofo! – Marlene disse levando o mini-Remo até a amiga, desviando de Sirius. Ela mostrou para Alice, que teve a mesma reação (ah, que coisinha mais fofinha!).

- Vamos mostrar para Maria! Ela vai adorar.

- É, vamos. – Marlene respondeu saindo do Salão, acariciando o topo da cabeça de Remo com o indicador.

- Não, esperem, garotas...isso aí é...nosso. – Tiago tentou alcançar as duas, mas não conseguiu. Ele se virou para Sirius.

- Você é idiota? – ele e Pedro perguntaram.

- ... foram os… reflexos involuntários... – Sirius respondeu constrangido. – Certo, gente, esquece os reflexos, temos que impedir que elas transformem Remo no mais novo queridinho das garotas.

...Somewhere beyond the sea
Somewhere waitin' for me
My lover stands on golden sand
And watches the ships that go sailin'...

Ziggy Stardust e Paups apresentam...

Produzido por Paups e Ziggy Stardust

Dirigido por Ziggy Stardust

PROCURANDO REMO

... It's far beyond the star
It's near beyond the moon
I know beyond a doubt
My heart will lead me there soon

...

musica por Frank Sinatra

direção artística por Paups