Crônicas de Hetalia: o ET, o americano e o banheiro
Disclaimer: Axis Powers Hetalia pertence a Hidekaz Himaruya. Por enquanto. *esconde picareta russa nas costas*
Capítulo 2: O banheiro e o falso Feliciano
Era um dia calmo. O céu estava azul, e os pássaros cantavam e dançavam no ar. As pequeninas e frágeis pétalas de violeta pousavam no chão com a mesma leveza de um anjo que descia do céu. A brisa suave mal conseguia balançar as folhas que davam às árvores um ar majestoso e aos humanos ótimas sombras. Mas havia alguém que não estava prestando atenção nisso. Tudo o que via à sua frente era sujeira, seguida de mais sujeira e uma vontade enorme de acabar com ela.
Pelo menos foi essa a sensação que preencheu a mente analítica de Kiku quando atravessou o corredor em busca de Maru - o real nome do cachorro que Feliciano chamava de "Pom-Pom" – e pousara os olhos no interior daquela câmara de tortura que violava todo e qualquer decreto de saneamento básico. Como as outras nações haviam sobrevivido àquela desgraça que tentava se passar por banheiro? Seu poder de destruição parecia superar ao de Ivan, Natasha e uma bomba atômica juntos! A simples existência de tal coisa soava como uma contradição ao belo cenário pacífico (e vivo) que envolvia aquele prédio. Era o apocalipse começando? Não importava. Seja lá qual fosse o significado daquela afronta, Kiku acabaria com ela o mais cedo possível!
Mesmo não estando completamente preparado para aquela batalha – Kiku não trouxera sua katana para a reunião – ele decidira enfrentar aquele mal terrível, pela honra de seu país, nem que fosse com as próprias mãos e um par de hashis...Ou o seu leal pano de limpeza, no caso. Suas únicas aliadas: água da torneira e energia. Segurando a respiração, deu o primeiro passo em direção ao "chefe final". E então mais outro. E um terceiro. Foi no quarto passo que ouviu um barulho atrás de si e soltou a respiração. Ele não estava sozinho.
- Poderia bater antes de entrar? – a voz da vítima daquela imundice dissera, sem o encarar, o tom de voz deixando transparecer um leve aborrecimento.
- ...A porta estava aberta então eu pensei... - Desistiu. De nada adiantaria procurar por desculpas. Tudo o que tinha que fazer era limpar aquele banheiro e ser feliz. Para a tristeza de Kiku, parecia que tal ato ainda teria de esperar. Virando-se para a porta, ele tocou na simples maçaneta prateada e forçou-a várias vezes, tentando abrir a porta. Mas ela simplesmente se recusou a abrir.
Estava trancado com um estranho na materialização de seu pior pesadelo. Rezando para Kami-sama que aquele estranho não fosse Francis, Alfred ou – na pior das hipóteses – Ivan, ele virou-se lentamente para encarar o desconhecido enquanto colocava uma das mãos no bolso da calça, procurando por um lenço, um pano ou um pedaço de tecido qualquer que o permitisse limpar, começando por aquela maçaneta.
Pequenos brilhos entraram em seu campo de visão, seguidos por uma figura conhecida. Os olhos verdes fixos em Kiku e os cabelos loiros arrumados de um jeito que o japonês jamais vira antes. Com grande hesitação e timidez, Kiku questionou:
- Feliciano, o que fez com o seu cabelo?
O dono dos olhos verdes parou de mirar o reflexo no espelho e girou sobre os calcanhares que calçavam confortáveis sapatos de couro italiano. Corando e ajeitando a gravata rosa que enlaçava seu pescoço pálido - e que subitamente parecia enforcá-lo no momento– respondeu a pergunta, a voz falhando:
- Eu não...Eu não sou o...Feliciano...- e engoliu em seco, tentando buscar dentro de si qualquer orgulho britânico.
-...Não é? - E após um sombrio silêncio, curvou-se respeitosamente. - Minhas mais sinceras desculpas pela confusão. - Kiku até pensou em tentar adivinhar quem era aquela pessoa, mas nada pareceu lhe vir à mente. Algo em sua memória, entretanto, parecia gritar "sim, eu conheço essa pessoa!". Seja lá o que fosse, não parecia conseguir definir bem quem era e da onde estavam saindo todos aqueles brilhos dignos de propaganda dos melhores produtos de limpeza do Japão (ou talvez nada tivessem algo haver com eles, mas Kiku queria tanto ver aquele banheiro limpo...!).O estranho do terno azul sorriu, presunçoso, finalmente encontrando uma fagulha de orgulho, deixando-a preencher seu ser.
- Desculpas aceitas. – ele inflou o peito, olhando de modo superior o oriental. – Sei que meus disfarces são, invariavelmente, de altíssima qualidade, o que dificulta o reconhecimento da minha pessoa. Mas já estou acostumado, então, não se preocupe Honda-kun. – e fez um gesto no ar, minimizando o desconforto que Kiku sentia.
Aquela brisa em volta dele que parecia soprar "gentleman!" a cada movimento que ele fazia... Kiku conhecia aquilo, não? Sim, ele definitivamente conhecia aquela figura. Usando suas belas táticas de dedução e eliminação, disse o seguinte (ainda timidamente):
-A-Arthur-san... Não é?
- Exatamente, Honda-kun, exatamente. – Arthur deu um leve tapa no ombro de Kiku. – Não se acanhe, esse tipo de coisa acontece o tempo todo. – um sorriso brotou na boca do britânico, revelando seus dentes brancos e limpos contrastando com a situação em que o banheiro se encontrava.
Mesmo com as palavras do amigo, Kiku nada mais pode fazer se não corar, constrangido. Como conseguira confundi-lo com Feliciano? Ah, o cabelo tipicamente italiano. Óbvio. Desviou então o olhar para o chão e por um momento pensou em roubar os brilhos de Arthur e colocá-los no chão. Precisava limpar aquele banheiro logo, ou enlouqueceria. Poderia falar com o velho amigo mais tarde. Segurando o pano com força, se ajoelhou ali mesmo, mentalmente declarando guerra ao chão.
- Mas o que você...? – Arthur espantou-se com a conduta inesperada do amigo e levantou uma sobrancelha proeminente. – Não precisa limpar o chão, eu realmente entendi que você não quis cometer o engan—
- Arthur-san. – Kiku lançou um olhar gélido e levemente tenebroso em direção ao britânico, que recuou alguns passos. – Caso não queira que a ira de um povo militarmente preparado para atacar qualquer nação desenvolvida recaia sobre si, peço que permaneça em silêncio e me deixe limpar esse...esse...- ele parecia incapaz de dar um nome à altura daquele caos de sujeira. – Esse recinto. Afinal, o que as pessoas diriam se soubessem que um verdadeiro gentleman britânico pisou nesse...banheiro? – Arthur arregalou os olhos, levando uma das mãos a testa. Kiku pegou dois outros lenços, amarrando um deles na cabeça, e entregando o outro para Arthur.
Foi então até a pia e lavou o pano que utilizara anteriormente, apenas para voltar a esfregar o chão freneticamente. Havia decidido que iria polir o chão até poder ver seu reflexo nele. Não havia questões atômicas, terremotos ou Ivans no mundo capazes de impedi-lo de fazê-lo. Arthur piscou algumas vezes, assustado com a atitude do japonês. Nunca o vira tão enfurecido antes. "Espera, é a primeira vez que ele me chama de gentleman!" notou, sorrindo e sonhando com qualquer terra de fadas e unicórnios saltitantes felizes. Sentiu como se sua barra de G.P. (gentleman power) tivesse se enchido um pouco (também conhecido como: acariciando o ego).
Arthur, ainda surpreso, confuso e temente pelo bem-estar do povo britânico, resolveu imitar a conduta de Kiku. Ambos permaneceram trabalhando arduamente naquela operação-limpeza, ignorando totalmente o fato de estarem trancados no banheiro.
N/A: Hey there! N/A atrasada para iniciar 2011 com o pé direito(?)! o/ Queríamos agradecer pelos reviews, eles são muito preciosos para nós (tanto quando o meu estoque te Zui Xie, aru!). Foi um capítulo bem mais tranquilo de escrever do que o anterior, pois já estávamos nos acostumando com o estilo de escrita uma da outra e o resultado foi mais satisfatório. Claro que ele também foi um capítulo "teste" movido à msn, então houve alguns pequenos problemas, por exemplo quando quase transportamos sakuras para a Itália, mas no fim tudo correu bem. E mesmo que não tivéssemos notado o erro, era só dizer que tudo é resultado da globalização.
