Capítulo betado pela Amanda, com contrato assinado. E isso é sério, eu mando até cópia dele para comprovar...

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Parte II - Você

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Madri, cerca de 21 anos atrás...

Era noite de festa no acampamento cigano, um casamento acontecia entre o filho mais velho do patriarca e sua noiva, sua prometida desde o nascimento. Mas as atenções se dividiam entre o casal aparentemente feliz e uma outra pessoa, que circulava pela festa com um sorriso nos lábios e trejeitos sensuais.

Uma bela jovem, de traços finos e cabelos castanhos ondulados, na altura da cintura. Os olhos verdes eram verdadeiras esmeraldas, brilhantes e vivazes. O corpo perfeito, de curvas acentuadas, chamava a atenção, marcada pelo vestido de tecido leve, da mesma cor de seus olhos. Colares e brincos completavam o belo visual.

Madalena era seu nome. Filha caçula do patriarca, prometida ao jovem Javier, filho de seu padrinho. Mas o compromisso firmado em seu nascimento não a impedia de flertar com os demais rapazes de sua comunidade, gostava de saber que poderia ter qualquer um deles aos seus pés.

Alguns diziam que Madalena era alguma espécie de bruxa cigana, por onde passava deixava um rastro de sensualidade e suspiros, provocava paixões e até mortes. Esta última afirmação era quase uma lenda, afinal, ninguém poderia afirmar com toda certeza que o irmão mais novo de Javier se matara por conta de seu amor impossível pela jovem.

Remexendo os quadris, como se fosse acompanhar a roda de dança, Madalena passou por seus companheiros, estava um pouco cansada de tanta cantoria. Caminhando por entre as tendas e carroças, decidiu dar uma volta para espairecer e descansar um pouco.

Andando calmamente, chegou a um lago, de águas tão limpas que refletiam o brilho prateado da lua. Sentou-se à sua margem, brincando com a água, levando-a ao rosto com as mãos em conchas. Estava com calor e refrescar-se lhe pareceu uma boa idéia.

-Posso saber o que faz uma jovem tão bonita aqui, sozinha? Não tem medo de ser atacada?

Ouviu a voz grave atrás de si e se afastou da margem, com tamanha brusquidão que caiu para trás. O estranho se abaixou, estendendo-lhe a mão. Sem saber porque, Madalena aceitou e ele a içou para cima. E ficaram tão próximos que, iluminado pela luz da lua, ele pôde ver o quão belo era o sorriso dele, o quanto brilhavam as íris douradas.

-Qual o seu nome, cigana?

-Madalena...

O estranho sorriu ainda mais abertamente, Madalena sentiu que podia se perder naquele sorriso, naquele olhar. E, não percebeu, ela, que sempre seduzia a todos, estava sendo seduzida...

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Seis meses desde aquela noite. E a vergonha estampada na forma de uma barriga em crescimento. Execrada por seu povo, expulsa de sua comunidade pelo patriarca, seu pai, Madalena estava condenada a vagar pela Espanha, sem casa, sem pouso. E com um bebê em seu ventre.

O pior era que não se arrependia daquela noite, quando se entregara ao estranho sem ao menos lhe perguntar o nome. Era tão bonito, tão gentil e... Caliente. Nunca sentira, por nenhum homem, o que havia sentido por ele.

Fogo. Paixão. Sedução. Mistério...

Precisava encontrar um lugar para ficar. Mas como, se era uma cigana, uma mulher sozinha?

Oito meses. A barriga parecia querer estourar de tão grande. E madalena continuava sua procura, ficava um ou dois dias em algum canto, não conseguia trabalho. E já estava tão cansada, tão sem forças...

Estava nos arredores de Madri. E, era quase noite, avistou ao longe, na planície, um aglomerado de tendas com uma fogueira acesa ao centro. Ciganos! Eram sua gente, com sorte, não lhe negariam ajuda.

Caminhou até bem próxima ao acampamento, mas acabou caindo antes. Estava exausta. Não viu que, pouco depois, uma senhora se aproximava. Cabelos brancos como neve, olhos vermelhos e miúdos. Pareciam enxergar o mais profundo da alma humana. Com a ajuda de dois homens, levou Madalena para uma das tendas, onde, naquela mesma noite, a jovem acabou dando a luz. E morrendo logo em seguida.

Uma menina. De cabelos castanhos e olhos da mesma cor. A velha senhora a pegou em seus braços e, sozinha, deu-lhe o primeiro banho.

-Nascestes do fogo e da paixão, pequena... Seu destino... Não será tão diferente de tua mãe... Ou de teu pai...

Envolveu a menina em lençóis de algodão, ela dormia agora. Um brilho dourado trespassou os olhos da senhora, ela saiu a tenda com a bebê nos braços.

-Como ela se chamará, matriarca? – perguntou-lhe um rapazinho de olhos dourados, devia ter uns treze anos no máximo.

-Júlia... Tal como desejava seu pai... – ela disse, mostrando a ele a menina – Dê boas vindas à sua irmã, Lourenço.

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Nos dias atuais

Acordou ainda de madrugada, espreguiçando-se. Ainda estava sobre o colchão de palha, nua. E o capitão dormia ao seu lado, um dos braços enlaçando sua cintura. Sorriu, contemplando a figura masculina, adormecida.

Tão fácil...

Feito uma gata, esgueirou-se para a direita, livrando-se do abraço. O homem deitado resmungou alguma coisa inaudível, mas não acordou. Júlia, vestiu-se depressa e, sorrateira, alcançou as chaves da cela que estavam no bolso da calça dele.

Muito fácil...

Silenciosa, destrancou a cela e saiu pelo corredor, ocultando na penumbra. Alcançou a porta de saída, não seria difícil passar por dois sentinelas sonolentos. Esgueirando-se pela paredes, chegou a um muro mais baixo que ficava nos fundos e saltou para fora da prisão. Estava livre.

Fácil...

A sedução era sua principal arma. Sabia muito bem como usá-la em seu proveito.

Júlia nascera para seduzir. Os homens, para matar ou morrerem por ela...

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Miga, segundo capítulo para ti! Gostou?

Ainda não temos Shura, mas, no próximo... Ah, ele vai aparecer!

Beijos para ti e para todos que acompanham a fic!!!